quinta-feira, maio 29, 2008

Pena para o bandido ou pena pelo bandido?

O Jornal da Globo, exibido na Rede Globo de televisão à noite, está transmitindo uma série especial de reportagens sobre o sistema prisional brasileiro essa semana. O que vemos são cadeias superlotadas, presidiários tratados como cães da SUIPA. As condições são horríveis.

Qualquer ser humano assistindo àquela reportagem não consegue deixar de sentir dó pelos presos. Eu, que de liberal não posso ser acusado, fico com vontade de soltar todos eles. Só que ali estão homicidas, ladrões à mão armada e outros tipos nada atraentes.

Um secretário do governo do Rio Grande do Sul afirmava na cobertura jornalística que não há mais vagas no sistema prisional porque a sociedade não consente em investir dinheiro nessa área, preterindo a educação ou a saúde.

Ocorre que a conta, no final, será paga pela própria sociedade. Ao recusar-se a aplicar dinheiro na construção de um sistema prisional humano, terá depois que escutar grupos de direitos humanos defendendo os bandidos sem pudor. Desde 1984 - ano simbólico aliás - com a aprovação da lei de execuções penais, a criminalidade alcança vitória atrás de vitória, com o único revés da lei dos crimes hediondos de 1990, na busca por penas mais brandas. O grupo criminoso Comando Vermelho tinha como uma de suas bandeiras iniciais a luta por um sistema prisional menos torpe.

É bom, portanto, que a sociedade queira investir no sistema prisional. Não só os grupos de direitos humanos, que em nosso país só fazem defender os bandidos, perderiam força, como as penas seriam cumpridas sem que nós ficássemos com dor na consciência.

segunda-feira, maio 26, 2008

No diálogo Simpósio de Platão, o personagem Sócrates conta uma história que escutou de Diótima de Mantinea sobre o amor. Esse deus seria filho da Riqueza e da Pobreza. Um dia, durante a festa pelo nascimento da deusa Afrodite, Riqueza, um dos convidados, deitou-se no jardim de Zeus e adormeceu. A Pobreza bateu à porta implorando. Vendo que Riqueza adormecia, a Pobreza deitou-se ao seu lado e concebeu um filho, Amor. Por natureza, o Amor nunca passa necessidades nem abunda em riqueza. Ele é audacioso e está num meio entre a ignorância e a sabedoria. Por isso, é um filósofo nato. Ele busca a sabedoria, a qual não possui, como se diz dos outros deuses.

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Um argumento dos defensores do aborto é que a mãe pode não ter condições financeiras de cuidar do filho. Às vezes não se tem tudo, nem o melhor que queremos dar para alguém. Mas esse não pode ser motivo para nos afastarmos da pessoa. Tempo vai, tempo vem, estamos numa melhor situação. A questão não é quantidade de dinheiro que temos, mas quanto estamos dispostos a buscar o bem.

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Um blogueiro foi felicíssimo ao notar que os socialistas são os mais preocupados com o capital.

sábado, maio 24, 2008



O Figueiredo deu a concessão para o SBT. Não lhe esqueceremos por isso.

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Para conhecer sobre o ex-presidente politicamente incorreto, veja a reportagem de Veja após sua morte.

Explicando o post anterior

Os jornalistas Marcelo Csettkey e Marcelo Gil querem que se acredite que o governo George W. Bush deu passe livre para terroristas efetuarem os ataques de onze de setembro e depois usou a perplexidade causada pelos ataques para exercer uma hegemonia global.

A hegemonia global americana não foi dada pelos ataques de onze de setembro. Ela já existia antes e continua existindo agora. O efeito número um do ataque terrorista foi a invasão americana ao Afeganistão. Como se explica a invasão a um país encravado na Asia Central, que só custou a morte de solados americanos, além dos civis já sacrificados nas Torres Gêmeas por um perverso governo cristão? Não se explica. O Afeganistão não tem petróleo, foi um país estratégico para a União Soviética nos anos 80 porque essa não tinha saída para o Oceano Índico. Para os EUA, não teria qualquer importância a não ser o fato de abrigar o terrorista causador dos ataques de onze de setembro, Osama Bin Laden.

A primeira justificativa para a Guerra ao Iraque que veio a seguir não foi a ligação do governo Sadam Hussein com o grupo terrorista de Osama Bin Laden, a Al-Qaeda, mas o desenvolvimento de armas de destruição em massa(ADM) por aquele país. De modo que os ataques às Torres Gêmeas não foram a justificativa principal para se destituir aquele tirano.

O petróleo? Os ganhos dos EUA com a exploração do petróleo iraquiano são relativos, face ao número de mortos de soldados que a guerra já trouxe e a pululação de tipos extravagantes como os senhores Michal Moore e os jornalistas que tiram proveito da guerra. Depois que o presidente George W. Bush declarou que a missão estava cumprida, já morreram muitos soldados americanos.

A sinopse do livro Crime de Estado diz que mais que um livro de investigação jornalística, aquele é um livro de denúncia. Isso significa que seus autores estavam mais interessados em fingir valentia denunciando fatos graves do que em cumprir o dever jornalístico de buscar a verdade doa a quem doer, mesmo que doa o próprio ego.

quarta-feira, maio 21, 2008

Elvis morreu



















O jornalistas Marcelo Csettkey e Marcelo Gil vão lançar o livro Crime de Estado, contando que o ataque de onze de setembro foi planejado pelo governo George W. Bush. Já não é hora de ser um pouco mais razoável para inventar histórias do tipo o homem não foi à lua, a Coca-Cola vai colocar um letreiro nesse satélite terrestre, por aí vai..

Tenha um pouquinho de razoabilidade para contar historinhas. Ai meu saco..

segunda-feira, maio 19, 2008

Eram os terroristas democratas?

Publicado hoje no blog de Reinado Azevedo.

Marco Antonio Villa, professor de história do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), é um intelectual raro em Banânia. É um dos poucos que escrevem com desassombro, preso apenas aos fatos. Não usa a academia para “fazer justiça” — o particularíssimo senso de justiça da esquerda acadêmica. Nem sempre concordamos. Quase sempre. Uma das melhores entrevistas que fiz na revista Primeira Leitura, que rendeu capa, foi com ele. Darei um jeito de recuperá-la. Ele é autor de vários livros importantes, mas um merece destaque: Jango, Um Perfil. Sem paixões, explicita a trajetória política e intelectual do presidente deposto pelo golpe de 1964 e evidencia o que o “oficialismo da resistência” sempre tentou esconder: Jango levou a “baderna” (a palavra é minha) para dentro do governo.

Na Folha de hoje, ele escreve um artigo sustentando uma posição que, muitas vezes, vocês já viram explicitada neste blog. E sem temor da patrulha. Uma das funções dos intelectuais é justamente esta: não ter medo do pensamento. Seguem trechos:
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A LUTA armada, de tempos em tempos, reaparece no noticiário. Nos últimos anos, foi se consolidando uma versão da história de que os guerrilheiros combateram a ditadura em defesa da liberdade. Os militares teriam voltado para os quartéis graças às suas heróicas ações. Em um país sem memória, é muito fácil reescrever a história. É urgente enfrentarmos essa falácia. A luta armada não passou de ações isoladas de assaltos a bancos, seqüestros, ataques a instalações militares e só. Apoio popular? Nenhum. O regime militar acabou por outras razões.
Argumentam que não havia outro meio de resistir à ditadura, a não ser pela força. Mais um grave equívoco: muitos dos grupos existiam antes de 1964 e outros foram criados logo depois, quando ainda havia espaço democrático (basta ver a ampla atividade cultural de 1964-1968). Ou seja, a opção pela luta armada, o desprezo pela luta política e pela participação no sistema político e a simpatia pelo foquismo guevarista antecedem o AI-5 (dezembro de 1968), quando, de fato, houve o fechamento do regime.
O terrorismo desses pequenos grupos deu munição (sem trocadilho) para o terrorismo de Estado e acabou usado pela extrema-direita como pretexto para justificar o injustificável: a barbárie repressiva.
Todos os grupos de luta armada defendiam a ditadura do proletariado. As eventuais menções à democracia estavam ligadas à "fase burguesa da revolução". Uma espécie de caminho penoso, uma concessão momentânea rumo à ditadura de partido único.
Conceder-lhes o estatuto histórico de principais responsáveis pela derrocada do regime militar é um absurdo. A luta pela democracia foi travada nos bairros pelos movimentos populares, na defesa da anistia, no movimento estudantil e nos sindicatos. Teve na Igreja Católica um importante aliado, assim como entre os intelectuais, que protestaram contra a censura. E o MDB, nada fez? E seus militantes e parlamentares que foram perseguidos? E os cassados?
Quem contribuiu mais para a restauração da democracia: o articulador de um ato terrorista ou o deputado federal emedebista Lisâneas Maciel, defensor dos direitos humanos, que acabou sendo cassado pelo regime militar em 1976? A ação do MDB, especialmente dos parlamentares da "ala autêntica", precisa ser relembrada. Não foi nada fácil ser oposição nas eleições na década de 1970.

Resposta à carta

Paulo,


Muito obrigado pela sua mensagem. Fico muito feliz que você tenha lido os textos.


De fato, existe uma série de conceitos que necessitariam uma melhor definição, mas não tenho tempo nem cabeça para explicar tudinho. Cada conceito desses exige uma quantidade de estudos grande e não tenho tempo para estudar de modo tão profundo para especificá-los de modo tão rigoroso. Quando chegar ao Mário Ferreira dos Santos, esse sim, rigorosíssimo, vou conseguir falar com mais propriedade de cada termo. O Olavo certamente é uma influência, o Diogo não muito, aliás leio os artigos dele vez ou outra.


Às vezes tenho vontade de escrever rápido e sai um erro ou outro. Por exemplo, num texto traduzi do inglês atheists por ateístas quando o correto é ateus, mas depois corrigi. Sei que é muito ruim para o leitor, pois também sou leitor, e sobretudo para um estudante de letras, ver esses erros de português, mas eu tento melhorar e peço desculpas. O movimento revolucionário são os intelectuais – os intelectuais iluminados – ou quando não têm um pingo de bom senso, intelequituais, de esquerda em geral que querem fazer a revolução, implantar a ordem perfeita divina na terra, o que, como foi explicado no verbete*, é um traço comum do nazismo, comunismo, socialismo em geral. Fiéis porém à idéia de que não se trata de interpretar, mas de transformar o mundo, os intelectuais revolucionários também trabalham para inaugurar a era perfeita, conforme o exemplo de Marx e Lenin, que lutaram em vida, o segundo com tremendo êxito, pela implantação do regime comunista. As idéias de soluções gerais perfeitas, de um modo muito mais modesto, também estão presentes no liberalismo americano ( quem diria que o partido do anti-comunista John Kennedy se tornaria o partido do socialista Obama? ) e até no conservadorismo, sobretudo nessa vertente néoconservadora que quer espalhar o modelo da democracia americana para os quatro cantos do globo, conforme o discurso inaugural do segundo mandato de George W. Bush. A bandidagem é exatamente o lumpemproletariado, ou seja, o bandido comum, o traficante de drogas, o homicida, o pivetinho marrento. Esse pessoal foi arregimentado pelo movimento revolucionário, ou seja, pelos guerrilheiros que lutavam contra a ditadura militar, os quais lhe ensinaram técnicas modernas de prática de crimes, como por exemplo o roubo a bancos. Isso até hoje é assim, não se esqueça das notícias dando conta do treinamento dado por membros das Farc a integrantes do MST. Um guerrilheiro comunista famoso no Brasil, Carlos Marighella, escreveu um livro chamado Mini manual do guerrilheiro urbano, em que fornece várias dicas para formar um grupo organizado de luta. Essa gente conviveu com os bandidos comuns e ensinou-lhes suas táticas. Leia o verbete Comando vermelho (http://pt.wikipedia.org/wiki/Comando_Vermelho) na wikipedia bem como o livro Comando vermelho, de Carlos Amorim.



Sobre a lei de ensino de história africana no Brasil, também acho importante conhecer a história da Africa, pouco importando aqui o conceito de raça, mas sim o fato de que a população brasileira é formada por muitos africanos. Não podemos nos esquecer, no entanto, da contribuição portuguesa e parar de ficar falando mal do português como se ele fosse mau e o africano bom. Este também praticava a escravidão, aliás, muitos, se não a maioria dos escravos que vinham para o Brasil já eram escravos na Africa e o português o comprava e trazia para cá.



Sobre o direito penal, obrigado pela pergunta, de fato quero falar mais sobre o assunto. Sim, no Brasil hoje os crimes são punidos com uma mesma unidade de medida, sendo razoável que os crimes mais graves tenham penas maiores que os menos graves. Porém, faço-lhe a pergunta: digamos que sujeito praticou três homicídios e pegou pena máxima em cada um deles, a qual é de trinta anos, devendo portanto permanecer na cadeia por noventa anos. Esqueçamos todos as possibilidades de redução de pena e soltura prévia para não prejudicar o raciocínio. Agora imagine outro sujeito que pratique seis homicídios, pegando também pena máxima por cada um deles, devendo permanecer na cadeia por cento e oitenta anos. Ambos os sujeitos, na prática, ficarão na cadeia pelo resto da vida. Eles terão a mesma pena, muito embora o sujeito que praticou seis homicídios devesse cumprir uma pena maior que o que praticou três. Aristóteles dizia que a justiça é dar a cada um o seu, e ele esté muito certo em relação ao direito civil, dos contratos, do casamento, etc. Por exemplo, se compro uma mercadoria na padaria da esquina, é justo que eu dê o preço da mercadoria à padaria. E a relação de justiça se encerra aí. No direito penal, muito embora o apenado receba uma pena que lhe cabe conforme o ato que praticou, extravagâncias como o caso citado dos dois homicidas em série vão ocorrer. E outra peculiaridade do direito penal é que a pena em concreto não é algo natural, que se enxerga pela lei natural, mas algo que será definido pelo Estado. Assim, a pena de prisão por exemplo é algo relativamente novo no Ocidente. Creio já ter havido a pena de prisão em culturas antigas, mas essa não era a regra. A regra era a pena corporal, o castigo corporal, o exílio ou a morte. Existia a prisão cautelar, enquanto o sujeito esperava o cumprimento da pena. O filósofo Sócrates ficou detido até que cumprisse sua pena de envenenamento.


E sobre o texto sobre Caetano, foi exatamente isso que fiz, Paulo. Quem chamou Caetano de mestre foi o professor Pasquale e a anedota de colocá-lo no mesmo patamar de Platão é exatamente uma referência jocosa a essas pessoas que consideram Caetano um mestre.


Obrigado pelos comentários sobre o texto João e o cão basset.

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*verbete SOCIALISMO que escrevi para um dicionário, o qual entreguei para meu amigo ler.

Veja a carta de meu amigo no post anterior.

Carta de um amigo

Recebi carta de um amigo, Paulo Gravina, comentando os últimos posts do blog, a qual reproduzo aqui. Minha resposta estará no próximo post.

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Olá, Daniel,

muito interessante o seu blog. É legal descobrir (para mim uma surpresa!) o seu interessem em psicologia, política e, o mais importante, nas duas misturadas. Também gosto da maneira que você escreve, de uma maneira jornalística, informando, mas mostrando claramente a sua opinião. Vejo também uma certa influência do Olavo e do Diogo Mainardi em termos de dicção e tom. Tente sair disso, não porque eles não sejam bons, mas para tentar encontrar sua própria voz.

Comentando cada texto:
- do lumpemproletariado, realmente entendo pouco do assunto. Acho muito importante e verdadeiro o seu respeito e fidelidade aos autores, mesmo por aqueles que, claramente, você não gosta. Tome só cuidado porque senti que faltaram maiores explicações nesse texto, quer dizer, quem é o movimento revolucionário e a bandidagem? São só as Farcs e os traficantes? E quem são exatamente os "iluminados intelectuais"? Qual o limite do seu objeto de estudo? Tome cuidado com as generelizações, mas, a princípio, parece já um texto voltado para um público específico, que já sabe do que você está falando. E vi um pequeno errinho, um "possue" no segundo parágrafo.

- Sobre a história afro-brasileira, daria uma ótima discussão e onde está a discussão? Em primeiro lugar, a denominação "afro-brasileiro", que é simplesmente impossível de definir. O Gilberto Freyre passou a vida inteira provando que os traços negros estão presentes na cultura brasileira como um todo, são indiscerníveis das influências européias e cristãs e estão presentes inclusive na nossa maneira de falar. Se fosse ensinado Gilberto Freyre nas escolas seria realmente muito interessante, mas é disso que se trata a lei? É muito difícil opinar só com aquilo. Aliás, o próprio conceito de raça foi cientificamente provado como inexistente entre os seres humanos, pois é possível que haja diferenças genéticas maiores entre membros da mesma etnia do que de etnias diferentes (ao contrário, por exemplo, dos cachorros, onde as raças necessariamente significam diferenças genéticas maiores).

- do pasquim da reação, bem legal! De novo, faltaram explicações sobre o que quer dizer romantismo e pensamento conservador. Comente e explique!

- sobre o psicólogo, ainda não li a entrevista, mas achei interessantíssimo o penúltimo parágrafo. "Nenhuma pena jamais será perfeitamente adequada ao ato punido." Nunca estudei direito, mas não seria exatamente por isso que se coloca todos os crimes na mesma unidade de medida? Aliás, sempre fui muito interessado nisso: qual é a metodologia para definir essa unidade (ex.: 30 anos)? Desenvolva!

- Sobre o Caetano já conversamos. É interessante ver o seu amor pela língua portuguesa. Tome só cuidado com os conceitos, chamar Caetano de poeta ou mestre é muito diferente de compará-lo a Camões, Pessoa ou Platão...

- Sobre o João e o cão basset, gostei! Tem uma certa confusão no diálogo entre os registros escrito (ex.: fora, fizeste) e falado (ex.: muleque), mas sinto, como falei no início, que você ainda está definindo sua voz. Tente ler Tchékov (os contos!), acho que é uma proposta literária parecida com a sua nesse conto (cenas do cotidiano), mas com a linguagem atravessando os personagens e cenas, ou seja, para escrever sobre uma criança ele assume uma linguagem apropriada. Também é interessante a dupla aproximação-distanciamento do João, você ora pensa com o personagem, ora descreve a cena. Leia Madame Bovary, Flaubert é o mestre nisso!

- Os vídeos, ainda não tive tempo de ver, mas verei!


Abraços,
Paulo.

domingo, maio 11, 2008

Debate Peter Hitchens e Dinesh D'Souza



Debate sobre a existência de Deus entre o defensor do direito dos animais e o grande debatedor que escreveu o livro "O que há de tão formidável no Cristianismo?"(não traduzido para o português).

sexta-feira, maio 09, 2008

Ghost Hound



Ghost Hound é um anime muito legal, sobre três garotos com questões do passado a resolver. Um deles, quando criança, foi seqüestrado junto com sua irmã, que morreu. Já se passaram vários anos desde o fato, mas muita coisa não foi esclarecida, inclusive o suicídio do pai de outro dos garotos, apontado como o autor do seqüestro.
Para quem gosta de psicologia, é um prato cheio. Cada episódio trata de um tema específico da psicologia.

quinta-feira, maio 08, 2008

João e o cão basset

Saía João do colégio quando seus colegas de turma o abordaram, esbaforidos da corrida que fizeram pela escada.
--Você sabe que o Manuel vem atrás de você? Vai ficar aí parado?
Fez aquele muxoxo como se não desse importância.
--Pois que venha. Se ele vier, eu estou aqui.
João ficou esperando até que Manuel chegasse. Vinha uma tropa de alunos atrás dele. Todos tirando uma casquinha do grandalhão, emocionados com o momento da briga. As pernas de João tremiam, mas ele se mantinha firme e sua cara era decidida. Manuel foi falar com João.
--Tu sabes o que tu fizeste comigo? (deu um sorrisinho cínico). Atrás a turba esperava pelos momentos decisivos.
--O que que eu fiz contigo muleque?-- falou nervoso João, mas firme ainda. Mostrava que não fugiria da briga.
--Tu me sacaneaste muleque. Hunpf..--fez que ia sair Manuel. João também deu as costas, no que Manuel desferiu-lhe um tapa de leve no couro cabeludo sem olhar mais para trás. João ficou puto, mas não foi atrás de Manuel.
Não houve briga. João foi para casa sem saber se fora homem, ou melhor, fora homem, mas talvez não o bastante? Repisava essas coisas ainda e caminhava doido para chegar em casa. A brisa que soprava esfriou o seu corpo enquanto ele parava no cruzamento. Do outro lado da rua um cão basset remexia o lixo. O dono puxava a coleira para lá e para cá, mas o cãozinho, que não muda de feição nunca, não queria se afastar da cesta de detritos. O sinal fechou e dessa vez o dono puxou forte a coleira. O cãozinho então seguiu resignado. João e o cão basset cruzaram pela faixa entreolhando-se.
João chegou em casa e ligou o computador. Sentou no sofá e espreguiçou-se todo para colocar o nervosismo para fora. É, cria que fora homem o bastante. Talvez fosse mais em outra ocasião. Mas por ora servia.

domingo, maio 04, 2008

Enquanto os homens exercem seus podres poderes...

Estava assistindo ao programa Altas Horas na Globo depois de chegar da balada e preparava-me para dormir, mas não consegui resistir ao impulso de vir aqui fazer um comentariozinho sobre a entrevista do professor Pasquale Neto. Não é que o ultra badalado professor de língua portuguesa chama Caetano Veloso de mestre? Impossível não lembrar da entrevista de Bruno Tolentino na Veja quando disse que não podia matricular seu filho numa escola brasileira porque lhe ensinariam que Caetano Veloso era poeta, junto com Camões e Fernando Pessoa; aliás, acrescento eu, se é que ensinariam que esses são poetas.

Juremir Machado da Silva entrevistando Diogo Mainardi contou uma anedota que repito aqui: O sujeito assistia a uma aula de filosofia na Sorbonne quando o professor citou Platão. Não contente, ele rebateu:
--Mas o Caetano...

sábado, maio 03, 2008

Ainda Lyle Rossiter

Outro ponto explicado pelo psicólogo em sua entrevista é que um doente mental adulto foi na infância educado em um ambiente indulgente, que não apontava o errado nem praticava a punição. Procurava uma outra passagem na Ética de Aristóteles quando me deparei com essa (o que me fez lembrar da entrevista):
"O homem auto-indulgente, como dissemos, não está pronto para se arrepender; pois ele age por escolha própria; mas o homem incontinente está aberto ao arrependimento. Isso é porque a posição não é como foi expressada na formulação do problema, mas o homem auto-indulgente é incurável e o incontinente curável; pois a maldade é como uma doença como a hidropisia ou tísica, enquanto a incontinência é como a epilepsia; a primeira é permanente, a segunda é um mal intermitente." (Ética a Nicômaco, livro VII, capítulo 8)

Platão, por sua vez, dizia que o homem quando pratica um ato mau deve ser castigado. Ele precisa ser castigado para o seu próprio bem.

Meu amigo Antonio Fernando Borges criticou a decisão judicial que obrigou hackers a escreverem resumos de obras de escritores brasileiros importantes como forma de punição. Com a devida vênia, Antonio, discordo de você. A intenção do juiz não é transformar as pessoas que praticaram o hackerismo em literatos, apenas puní-las. A decisão é inventiva, de certo que sim, mas não entendo como pode ser pior do que mandá-las para o xadrez ou mesmo obrigá-las a distribuir cestas básicas.

O direito penal é um dos maiores problemas do mundo. Nenhuma pena jamais será perfeitamente adequada ao ato punido. Nesse ponto, a fórmula clássica de justiça de Aristóteles, "dar a cada um o seu", encontra um obstáculo.

Ficarei grato se alguém quiser discutir o assunto.

sexta-feira, maio 02, 2008

A morte de um movimento

retirado do blog português O Pasquim da reacção.

Há uns anos, numa conferência sobre Pensamento Conservador, ouvi da parte de um investigador italiano, uma afirmação muito interessante. Dizia ele que em Itália os conservadores haviam desaparecido com a ascensão ao Poder de Mussolini. Num período de meses, o conservadorismo, que teria tido algum peso em Itália até então, cindiu-se em apoiantes fascistas e resistentes liberais.
A história do conservadorismo italiano é interessante, mas mais importante é a forma como a debandada de conservadores para o movimento fascista é demonstrativa da forma como a ausência de fundamentação do pensamento conservador e das “Direitas”, pode levar à quase completa destruição de um movimento político.

O Romantismo como ideia política parece-me ter sido uma das causas para essa destruição. Onde o conservadorismo estava reduzido a uma crença na necessidade de manutenção do Estado, onde a política era vista como uma pertença política étnica desprovida de um “ethos” mais profundo, a debandada ganhou proporções desmedidas. Por outro lado, dos que defendiam as liberdades, sobraram meia-dúzia enquanto conservadores. Apenas os que perceberam que a liberdade ou se encontra fundada num princípio mais elevado, ou não existe, ficaram. E desta feita sem qualquer relevância política.

Independentemente dos méritos e deméritos do fascismo, a debandada dos conservadores é ainda hoje um tópico interessante, em particular para os que pretendem defender os movimentos políticos como conjuntos agregados de pontos programáticos desligados de uma racionalidade comum.

Vão ensinar história de Portugal também?

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI No 10.639, DE 9 DE JANEIRO DE 2003.

Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o A Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 26-A, 79-A e 79-B:

"Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.

§ 1o O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do
Brasil.

§ 2o Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras.

§ 3o (VETADO)"
"Art. 79-A. (VETADO)"
"Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’."

Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 9 de janeiro de 2003; 182o da Independência e 115o da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque
Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 10.1.2003

quinta-feira, maio 01, 2008

O lumpemproletariado e a revolução

"The “dangerous class”, [lumpenproletariat] the social scum, that passively rotting mass thrown off by the lowest layers of the old society, may, here and there, be swept into the movement by a proletarian revolution; its conditions of life, however, prepare it far more for the part of a bribed tool of reactionary intrigue."
(Communist manifesto, Marx and Engels, chapter 1).

O lumpemproletariado é a escória social, a bandidagem, que conforme diz o livro mais famoso do movimento revolucionário socialista pode ser usado como arma para a revolução. No Brasil, foi isso que aconteceu. Desde que foi relatada a convivência entre guerrilheiros comunistas presos e bandidos comuns no cárcere de Ilha Grande, e como os bandidos comuns aprenderam com aqueles métodos aperfeiçoados de praticar o crime, a relação entre o movimento revolucionário e a bandidagem é nítida. Não adianta Engels ter dito também que os ladrões comuns devem ser desprezados pelos revolucionários militantes, a lição foi aprendida e colocada em prática. O Comando Vermelho deve o adjetivo vermelho aos ensinamentos que seus primeiros líderes alcançaram com os guerrilheiros comunistas. Assim, também não é de espantar que o atual chefão do grupo, Fernandinho Beira-Mar, seja aliado fiel das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas(FARC), o grupo que persegue a revolução comunista na Colômbia. Além do trabalho prático de ensinamento aos bandidos comuns, outra engrenagem foi utilizada. Os iluminados intelectuais apaziguam e culpam a própria vítima do crime pelo crime cometido. O raciocínio aplicado é o seguinte: Se a vítima não tivesse algo para ser roubado, ela não o seria, portanto a culpa é sua. O bandido não possui o bem que a vítima tem, portanto ele pode pegá-lo. Não importa o quão rico seja o bandido, haja vista que um "aviãozinho" do tráfico pode tirar mais dinheiro que um trabalhador comum. O cenário brasileiro é esse: por um lado, ajuda prática ao crime, que já se organizou, e agora pensa até em ação política duradoura, por outro ajuda intelectual, legitimando suas ações.

O maior estudioso da causa psicológica do comunismo é o psiquiatra forense Lyle Rossiter. Em entrevista(carregue o aúdio até próximo da metade, que é onde efetivamente começa a entrevista), ele explica por quê o liberalismo radical (trata-se do liberalismo americano, que é muito mais amplo que o econômico e contrário a ele) é uma doença mental. Ele faz uma divisão entre o liberalismo benigno e o "maligno". Há pessoas que se colocam dentro da lei e vivem de modo comum suas vidas, preocupam-se porém com a miséria no mundo e estão abertas para acreditar nas propostas radicais dos revolucionários, em quem Rossiter enxerga a doença mental. Ele afirma que no sociopata a doença mental mistura-se com o impulso maligno.