sexta-feira, agosto 31, 2007

Falsificações da História – O soldado brasileiro e a contra-revolução de 64

por Heitor De Paola em 25 de agosto de 2007

Resumo: A esquerda vocifera com tremendo estardalhaço a necessidade de serem abertos os “arquivos da ditadura”. Apesar de estarem no poder e terem autoridade para obrigar os Comandos Militares a abri-los, apenas seguem vociferando. Será que é por medo de verem seus atos de terrorismo, banditismo e assassinatos revelados ao público?

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“Quem domina o passado, domina o presente;
quem domina o presente, domina o futuro”.

GEORGE ORWELL, “1984”

O Dia do Soldado é uma ocasião propícia para retomar o tema das Falsificações da História. Cada vez que este dia se aproxima a mídia chapa branca revira os “porões da ditadura” em busca de novos embustes. A principal trapaça deste ano de 2007 é uma série de reportagens do jornal O Globo, do Rio, intitulada “Os brasileiros que ainda vivem na ditadura”. A extensa matéria focaliza a verdadeira ditadura exercida pelos narcotraficantes e as milícias sobre a população mais pobre do Rio de Janeiro, particularmente os favelados. No próprio texto são feitas comparações com os “terríveis anos de chumbo”, mas o must vem no final: um encarte diário, mais ou menos longo, com testemunhos das “vítimas indefesas da ditadura militar”. Traduzindo: subliminarmente equiparam os soldados aos bandidos!
Possivelmente a História, como a conhecemos, tenha sido aqui e ali falsificada, de forma voluntária ou não. Seja por interesse de ocultar ou acrescentar alguma coisa ou por distorção involuntária, seja por se tratar de registro de relatos orais muito antigos já modificados no próprio tempo, o caso é que os documentos históricos nem sempre apresentam os fatos como eles realmente ocorreram. O estudioso de história deve contar com estas possíveis deturpações, principalmente no que toca a relatos de períodos muito antigos, aos quais as teorias não podem mais ser testadas nem a História pode encontrar uma sólida fundação em fatos.
No entanto, os historiadores antigos, sinceros e de certa forma ingênuos, jamais poderiam imaginar que a falsificação da História se transformasse num ofício, numa arte espúria, exercida sistematicamente por milhares de escribas selecionados por autoridades que necessitam manipular os conhecimentos sobre o passado para, seletivamente, expurgar o que lhes retiraria legitimidade ou revelaria suas atrocidades. Pois isto aconteceu exatamente no século em que o crescimento exponencial da capacidade de armazenamento de documentos históricos parecia indicar um futuro promissor para esta bela arte. Desde o golpe de Estado bolchevista na Rússia em 1917 a criação de uma nova História, de novas “verdades”, vem ocupando lugar de destaque na estruturação dos departamentos de desinformação comunista. Ironicamente, Orwell chamou a repartição que tinha esta função em Oceania de Ministério da Verdade.
Basta olhar quem hoje está no poder político no Brasil para perceber que são os derrotados militarmente em 64, os herdeiros dos bolchevistas, que venceram uma das batalhas mais importantes: a cultural. Refugiando-se nesta área negligenciada pelos governos militares, e baseando-se na desinformação e nas orientações de Féliks Dzerzhinsky, o mestre da desinformação e fundador da primeira polícia secreta bolchevista – a Tcheka - passaram a escrever grande parte da História, principalmente aquela de alcance público, acadêmico e nas escolas de todos os níveis, novelas e minisséries de TV. Tornaram-se “donos” dos significados das palavras. Temos hoje muito mais mitologia induzida do que história ocorrida. É trabalho para décadas – se houver liberdade para tanto – desfazer todos os mitos dos chamados “anos de chumbo”. Mas o tempo funciona a favor dos trapaceiros, pois dentro de alguns anos não existirá mais ninguém das gerações que viveram a vida adulta naqueles tempos, hoje já acima dos sessenta. Contam com o tempo para completar o verdadeiro genocídio da História: a morte dos que a conheceram vivamente. E a verdade sumirá se não for tentado algo para salvá-la. Tento fazer a minha parte contando o que vivi.

AS OPÇÕES POLÍTICAS NA DÉCADA DE 60

Uma das maiores distorções é o mito de que soldados maldosos, aliados à “burguesia” nacional “ameaçada em seus privilégios” - e subordinados às demandas maquiavélicas dos Estados Unidos - resolveram abortar pelas armas a política conduzida por um governo legítimo e que atendia aos “anseios populares”. Em primeiro lugar, esconde-se o fato de que em 1959 a geopolítica da América Latina tinha virado do avesso pela tomada do poder em Cuba por Castro, que logo assumiu sua condição de comunista e se aliou à URSS. Seguiu-se um banho de sangue de proporções inimagináveis – do qual é proibido falar! - e a lenta e progressiva instalação na ilha de numerosos instrutores soviéticos que adestraram tropas cubanas, formaram e exportaram guerrilheiros e terroristas, e re-estruturaram o sistema de Inteligência. Através desta “cabeça de ponte” aumentou sobremaneira a influência da URSS na AL. Os jornais noticiavam diariamente as tentativas de derrubada do governo legitimamente eleito da Venezuela, país-chave pela produção petrolífera. O próximo objetivo estratégico era o Brasil, país imenso, já em fase inicial de industrialização e cujas Forças Armadas representavam um poderoso obstáculo à penetração comunista no Continente.
25 de agosto de 1961, a renúncia de Jânio Quadros marca um momento importante. O Vice, João Goulart, encontrava-se na China e declarou que iria comandar o processo de “reformas sociais” tão logo assumisse. Os Ministros Militares e amplos setores civis se opuseram à posse de Jango por suas notórias ligações com a esquerda. Seu cunhado Brizola, Governador do Rio Grande do Sul reagiu, o Comandante do Terceiro Exército, Gen. Machado Lopes, ficou do lado dele e o Brasil esteve à beira da guerra civil. A Força Aérea chegou a dar uns tiros no Palácio Piratini. Brizola tomou todas as rádios de Porto Alegre e obrigou as demais a entrarem em cadeia, a Cadeia da Legalidade! E lá estava eu, “comandando” uma mesa em plena rua na cidade de Rio Grande-RS, a uns 4° C, com uma lista de assinaturas para quem quisesse “pegar em armas pela legalidade”, atuando em conjunto com membros do extinto PCB. Com a emenda parlamentarista tudo se acalmou, mas em janeiro de 63, num plebiscito nada confiável, o país retorna ao Presidencialismo.
Fiz parte da Juventude Trabalhista e só não entrei para os Grupos dos 11, do Brizola, sobre os quais hoje quase nada se ouve, porque não tinha idade e, portanto, não era confiável. No início dos anos 60 o hoje santificado Betinho, junto com o Padre Vaz, elaborou o “Documento Base da Ação Popular”, que previa a instalação de um governo socialista cristão no Brasil. Mas o documento em que a AP se declarava francamente a favor da instalação de uma ditadura ao estilo maoísta foi mantido secreto até para os militantes da base. Só vim a ter contato com ele através de Duarte do Lago Brasil Pacheco Pereira (um dos membros do Comando Nacional de AP) em agosto de 65, quando, ocupando uma Vice-Presidência da UNE, eu já era mais “confiável”. O documento, que era obviamente o produto de uma luta interna na esquerda mundial, defendia a luta em três etapas: reivindicatória (movimentos populares, greves); política (início das guerrilhas no campo, como na China e Vietnam) e ideológica (a formação do Exército Popular de Libertação). Contrariava a teoria do foco guerrilheiro, preferida por Guevara e Debray.
O MASTER (nome do MST da época), do Brizola, invadia terras no RS (como a do Banhado do Colégio, em Camaquã) e as Ligas Camponesas, de Francisco Julião, com apoio explícito do Governador Arraes, no Nordeste. A CGT, (presidida por Dante Pelacani) e a UNE (José Serra) propunham abertamente um golpe com fechamento do Congresso. Armas tchecas começaram a surgir. O ano de 1963 foi uma agitação só. O movimento estudantil, do qual posso falar, estava dividido entre a Ação Popular (AP) e o PCB. Quem não viveu aqueles tempos dificilmente pode imaginar o nível de agitação que havia por aqui. O re-início das aulas em março de 64 praticamente não houve.
Num encontro em Pelotas, onde eu estudava Medicina, com o último Ministro da Educação do Jango, Sambaqui, no início de março, ele nos revelou que tudo começaria com o comício marcado para o dia 13, em local proibido para manifestações públicas (em frente ao Ministério da Guerra) já em desafio aberto e simbólico à lei, seria continuado pelo levante dos sargentos do Exército e da Marinha - formando verdadeiros soviets - e pelos Fuzileiros Navais em peso, comandados pelo “Almirante do Povo”, Aragão. Pregava-se a subversão da hierarquia e disciplina militares. Seguir-se-ia pelo já programado discurso de Jango no Automóvel Clube do Brasil. A pressão final sobre o Congresso seria em abril e maio: se não aprovasse as “reformas de base”, seria fechado com pleno apoio popular.
Na mesma época, participei de uma ação comandada por um agitador da Petrobrás e da SUPRA (Superintendência da Reforma Agrária), em Rio Grande, pela encampação da Refinaria de Petróleo Ipiranga o qual, num discurso na Prefeitura, declarou que a República Socialista do Brasil estava próxima. As ocorrências de março só confirmaram a conspiração acima mencionada. No comício do dia 13 Brizola pregou o fechamento do Congresso se não aprovasse as tais “Reformas de Base” (na lei ou na marra) – ninguém me contou, eu ouvi no rádio. Prestes dizia que os comunistas já estavam no Governo, só faltava tomarem o Poder.
Não havia, pois, opção democrática alguma. Restava decidir se teríamos o predomínio dos comunistas ou de uma ditadura ao estilo peronista, chefiada por Jango. As passeatas civis – as Marchas da Família com Deus pela Liberdade - estavam nas ruas exigindo o fim da baderna e em apoio ao Congresso. Sugerir que se devia esperar que Jango desse o golpe para depois tirá-lo, me parece uma idéia legalista infantil, pois então teria que ser muito mais cruento. Foi, na verdade, um contra-golpe cívico-militar preventivo.

PARTICIPAÇÃO DOS EEUU

Outro mito é sobre a participação americana no “golpe” de 64. Chamada de “Operação Thomas Mann” (nome do então Secretário de Estado Adjunto para a AL) não passa de uma mentira baseada em documentos forjados pelo Departamento de Desinformação através da espionagem Tcheca. Quem montou a operação foi o espião Ladislav Bittman que, em 1985 revelou tudo no seu livro “The KGB and Soviet Disinformation: An Insiders View”, Pergamon-Brasseys, Washington, DC, 1985. Segundo suas declarações, “A Operação foi projetada para criar no público latino-americano uma prevenção contra a política linha dura americana, incitar demonstrações mais intensas de sentimentos antiamericanos e rotular a CIA como notória perpetradora de intrigas antidemocráticas”. Outra fonte é o livro de Phyllis Parker “Brazil and the Quiet Intervention: 1964”, Univ of Texas Press, 1979, onde fica claro que os EEUU acompanhavam a situação de perto, faziam seus lobbies e sua política com a costumeira agressividade, e tinham um plano B para o caso de o país entrar em guerra civil. Entretanto, não há provas de que os Estados Unidos instigaram, planejaram, dirigiram ou participaram da execução do “golpe” de 64. Embora as revelações tenham sido tornadas públicas em 79/85, a imprensa brasileira nada publicou a respeito não permitindo que a opinião pública tomasse conhecimento da mentira que durante anos a enganou. Apenas a revista Veja na sua edição nº 1777, de 13/11/02, publica a matéria “O Fator Jango” de autoria de João Gabriel de Lima, onde este assunto é abordado. Recentemente (3/7/2007), O Globo publicou com grande estardalhaço documentos que eram conhecidos desde 31 de março de 2004, aos 40 anos do movimento, quando a CIA desclassificou documentos da época que revelam um grande interesse da Casa Branca, do Departamento de Estado e da CIA no que estava por ocorrer no Brasil. Qual o interesse de “revelar” documentos já conhecidos há mais de 3 anos como se novidade fosse? Não sei, mas é mais uma peça de desinformação, pois o que demonstram é que havia planos para apoiar o movimento cívico-militar, o que já era sabido por todos que viveram aqueles tempos ou se interessaram em estudar.

A LUTA ARMADA E O AI-5

Finalmente, o mito de que brasileiros patriotas e democratas se levantaram em armas contra o “endurecimento da ditadura” através do Ato Institucional Nº 5, 12/68. A UNE, foco permanente de agitação esquerdista ficou acéfala com a fuga para o exterior do Presidente eleito em 1963, José Serra, hoje Governador de São Paulo e foi extinta pela Lei Suplicy (Lei Nº. 4.464, de 9/11/64). No mesmo ano, Alberto Abraão Abissamara, Presidente da UEE da Guanabara, tomou conta dos arquivos que sobraram e convocou um Congresso para julho de 1965 que veio a ser realizado no Centro Politécnico em SP no qual fui eleito Vice-Presidente de Intercâmbio Internacional. Em outubro fui preso em Fortaleza, o que impediu minha ida ao Congresso da União Internacional de Estudantes na Mongólia, onde seria traçada uma estratégia de recrudescimento da violência revolucionária na AL. Quando retornei ao Rio a Diretoria eleita naquele Congresso estava dissolvida só restando o Presidente, Antonio Alves Xavier, o Primeiro Vice, José Fidelis Augusto Sarno, Altino Dantas e eu. O primeiro estava tomado de uma megalomania revolucionária que fez com que nos afastássemos dele e Altino tomou seu lugar. Eu pensei que seria impossível levar avante a tarefa. Como me afastei, só vim a saber bem mais tarde que a missão que seria minha naquele Congresso da UIE era de denunciar o “reformismo e a conciliação” daquela entidade com os “imperialistas”. A denúncia foi feita e há notícias de que 13 delegações se retiraram do Congresso, entre as quais a delegação da UNE, a chinesa, a cubana e uma delegação norte-americana, o que foi confirmado por Carlos I. Azambuja.

NOS “PORÕES DA DITADURA”

Fui preso pelo DOPS e encaminhado ao 23º Batalhão de Caçadores, em Fortaleza, onde permaneci durante dois meses. A única tortura a que fui submetido foi permanecer este tempo todo incomunicável. Fisicamente jamais me tocaram, pelo contrário, fui bem tratado, inclusive em função de uma diarréia inicialmente verdadeira e artificialmente “prolongada” por mim, passei a comer do cassino de oficiais. Vale recordar dois episódios, um hilário e outro que guardo com gratidão.
Terminado o IPM eu poderia sair do quartel mas como estava por chegar um Promotor do Superior Tribunal Militar para me re-inquirir para a instrução do processo junto ao STM, o encarregado do inquérito, Major Edísio Facó, sugeriu que eu ficasse no quartel entre os toques de recolher e o de alvorada. Criou-se um impasse: como ficariam meus pertences durante minha ausência? Na época eu estava no xadrez da Enfermaria e o Sargento encarregado encontrou a solução: trancou o cadeado e entregou-me a chave! Que eu saiba fui o único prisioneiro da história a ter a chave da cela!
O outro episódio se deu porque, apesar da incomunicabilidade, consegui que um soldado que terminara sua pena passasse um cabograma para meu pai avisando que eu estava preso. Meu pai era maçom tendo galgado todos os postos dentro da Ordem, menos o de Grão-Mestre. Mas o Grão-Mestre do Rio Grande do Sul era muito amigo e comunicou-se com o do Ceará, Sr. José Ramos Torres de Melo que foi me visitar sem poder falar comigo a não ser através do Chefe da S2 e quando saí tratou-me com um pai, emprestou-me a quantia que eu precisava para retornar ao Sul sem me permitir sequer passar um recibo – “entre irmãos isto não é necessário, sei que seu pai me pagará”. Muitos anos depois, já nesta luta “do outro lado”, vim a saber que se tratava do pai do General Francisco Batista Torres de Melo, Presidente do Grupo Guararapes.

DE VOLTA

De 66 – ano da Conferencia Tricontinental de Havana e da fundação da Organización Latino Americana de Solidaridad (OLAS) - a 68 participei, no Sul, das intensas discussões clandestinas sobre a luta armada conduzidas por militantes da AP treinados em Pequim. Em janeiro de 68, 11 meses antes da edição do AI-5, a luta foi implementada por todas as organizações revolucionárias, menos o PCB. A AP “rachou”, eu fiquei do lado contrário à maluquice da luta armada. Logo depois, mudou o nome para Ação Popular Marxista-Leninista do Brasil, o que já estava previsto no citado documento secreto desde 63/64. Como vários autores mais credenciados já têm se manifestado sobre isto, não vejo necessidade de mais para deixar claro que o AI-5 não passou de uma reação ao incremento das atividades revolucionárias, e não o oposto, como reza a “história oficial”.
Um outro fator a influenciar minha decisão de sair foi quando, numa reunião do “Comando Zonal Sul - RS”, discutia-se o caso de um militante recém “ampliado” que, por força de nosso apoio tornara-se Presidente de um importante Centro Acadêmico e dava mostras de “fraqueza ideológica” e independência de pensamento. Passou-se a discutir se num processo revolucionário aberto, que estava em preparação, alguém teria coragem de matar um “companheiro” ou ao menos dar a ordem para isto. Eu disse que teria coragem de dar a ordem. No momento, até a mim mesmo pareceu uma bravata, mas, mais tarde, pensando comigo mesmo fiquei horrorizado com a possibilidade de chegar a um ponto em que isto se tornaria inevitável: numa situação plenamente revolucionária pode chegar o momento do “ou ele ou eu”. Isto aconteceu em final de 1967; logo em janeiro de 1968 fomos informados das preparações para a “luta armada contra a ditadura”. Era a hora de dar o fora, o que fiz não sem sofrer ameaças por parte de meus antigos “companheiros”.
Anos depois, ao re-encontrar a esposa de um antigo “companheiro”, ela me contou que o mesmo tinha passado para a clandestinidade tornando-se um revolucionário profissional. Ela o acompanhara até o momento em que ele lhe mostrou a “necessidade revolucionária” de estar disponível para satisfazer sexualmente outros militantes clandestinos que não tinham como fazê-lo sem risco, fora da organização. Profundamente decepcionada ela o abandonara e voltara para sua cidade e sua família. Mas não pensem os leitores que isto é uma exceção: é a regra!
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O estranho em tudo isto é que a esquerda vocifera com tremendo estardalhaço a necessidade de serem abertos os “arquivos da ditadura”. Apesar de estarem no poder e terem autoridade para obrigar os Comandos Militares a abri-los, apenas seguem vociferando. Conheço inúmeros militares que desejam ardentemente que estes documentos sejam abertos, mas não podem fazê-lo sem ordem superior. Um deles, o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, vem tentando inutilmente discutir os fatos ocorridos naqueles tempos e não rejeita ser acusado; o que pede – e é de seu pleno direito – são provas e não boatos, fofocas, meros testemunhos sussurrados nas universidades, nas redações e nas reuniões sociais do jet set! Porém, parece que a intenção da esquerda é julgá-lo a priori, antes de ser condenado, só porque pertenceu à odiada “comunidade de informações”.
Quem teme a abertura que tanto pedem by lip service são os que construíram esta mentira em toda a América Latina; temem que as novas gerações descubram que foram seus atos terroristas que levaram à auto-defesa dos governos militares das décadas de 60-70, e não ao contrário.
Os soldados brasileiros não têm de que se envergonhar. Comemorem o seu dia!

Nota do autor: Este artigo é uma versão revisada e ampliada de outro já publicado aqui (Desfazendo alguns mitos sobre 64).

quarta-feira, agosto 29, 2007

Recomendo vivamente..

o texto de Pedro Sette Câmara sobre Bruno Tolentino quando se completam dois meses do falecimento desse.

quarta-feira, agosto 22, 2007

Dois pesos e duas medidas

Aristóteles Drummond
aristotelesdrummond@mls.com.br

Nada mais parecido com o tipo de dialética praticada nos tempos do estalinismo do que o episódio envolvendo os dois pugilistas cubanos. Uma onda cínica tenta ocultar um fato mais do que grave, vergonhoso.

Uma ocorrência normal não faria com que um governo de país reconhecidamente pobre fretasse um avião para buscar dois de seus cidadãos. Não poderiam esperar o vôo comercial que liga Havana a São Paulo? Qual a dúvida de que estaria havendo uma forte pressão sobre as famílias em Havana e uma conivência abominável em Brasília?

No caso Olga Benário, cercado de inverdades, inclusive quanto à participação do então Chefe de Polícia e futuro senador Filinto Müller, um grande brasileiro que presidiu o Senado e foi líder de dois partidos majoritários naquela casa (PSD, com JK, e ARENA, com Costa e Silva), houve julgamento pelo Tribunal de Segurança, presidido por um jurista da estatura de Vicente Rao. A mais, a Alemanha de 1936, quando se deu o fato, vivia seus últimos momentos de democracia e a comunista companheira de Prestes na Intentona de 35 era condenada por crime de morte, que, aliás, nunca negou. Mas a história procura apresentar o presidente Getúlio Vargas como o homem que entregou a militante que aqui chegou a serviço da União Soviética a campos de concentração que só foram criados em 1942.

Os dois pugilistas estão sendo punidos. Não mais poderão sair do país, que, todos sabem, é uma prisão. Fidel é homem rigoroso no ódio e na punição aos que ousam preferir a liberdade. E não tem escrúpulos em castigar as famílias dos que aproveitam a primeira oportunidade para a fuga, como, aliás, ocorreu com dois outros atletas. Estes, no entanto, foram mais rápidos e trataram de sair logo do Brasil, que começa a ganhar feições cubanas e venezuelanas nesse particular.

A reação internacional está aí. Aqui, embora constrangidos por se tratar de contrariar o “Comandante”, boa parte da imprensa já se manifestou além dos editoriais. No Congresso, um grupo de combatentes clama, comandados pelos senadores Heráclito Fortes e José Agripino Maia.

Os senadores sabem que a nota do Ministério da Justiça e as entrevistas dos infelizes atletas possuem a mesma autenticidade e credibilidade do que as operações agropecuárias do presidente do Senado e de sua distância de meios de comunicação em Alagoas. E o país a tudo assiste triste e revoltado, pois se joga com a opinião pública como se esta fosse formada por pessoas com inteligência no limite na imbecilidade.

Para emendar as situação, só mesmo o desafio a Castro de permitir a visita dos dois a nossa Embaixada, para uma conversa com senadores brasileiros. Se possível, com membros da Anistia Internacional e do Comitê Olímpico Internacional.

É preciso que o governo reconheça que houve precipitação no tratamento do assunto. Não se deixa embarcar, em avião fretado, para um país conhecido pelas prisões e por impedir o direito de ir e vir de seus cidadãos, como foi feito. Afronta a todos este tipo de entrega. A América Latina já conviveu com dezenas de ditaduras ao longo de sua história, mas a única que impede a saída dos descontentes é a cubana.

No Brasil, quando um grupo dominado por ódios tais que foram levados à violência, surgiu o movimento do “Brasil: Ame-o ou deixe-o”. Fidel não teria coragem de lançar igual movimento. Ficaria, certamente, com meia dúzia em torno de sua fantasia. Na Europa também, só as ditaduras comunistas erguiam muros e abatiam os que tentavam pular a fronteira. Nos regimes fortes de direita, como os vividos por Portugal, Espanha, Itália e Grécia, nunca se impediu o cidadão comum de sair, como, aliás, muitos o fizeram, inclusive judeus alemães até o inicio da guerra..

Esses fatos precisam ser meditados. Neste milênio, não podemos conviver com a farsa, a mentira, a hipocrisia. A mais, vivemos um momento que supostamente é de liberdade, respeito aos direitos humanos, à ordem e à lei. O episódio foi lamentável.Precisa ser melhor esclarecido e a vida dos dois infelizes em Cuba acompanhada de alguma forma pelos brasileiros.

terça-feira, julho 24, 2007

Saite ( ou sítio ) Língua Brasil

Adicionei na lista de links ao lado o site Língua Brasil, desenvolvido por Maria Lucia Piacentini. Lá se pode tirar várias dúvidas de português. Vou até dar uma olhada para saber se essa última frase está correta.

A escrita de Otto Maria Carpeaux

por José Carlos Zamboni, como parte do ensaio Amigos e inimigos do Carpeaux ( ver em http://br.geocities.com/jc.zamboni/ )

Se o estilo é o homem, e por ele se conhece o autor, a escrita enxuta de Carpeaux, admiravelmente limpa de retórica, não poderia ser opção de um homem moralmente desqualificado: há outras alternativas estilísticas para esse tipo de gente.

João Ribeiro, grande escritor e não menor caráter, afirmava que “o verdadeiro estilo, o estilo do homem de gênio, em certa maneira é falho e pobre de beleza e de outros agrados; porque no estilo é cousa muito principal o caráter e é raro que um homem de caráter seja de trato amável. Assim o estilo. Cícero escrevia excelentemente, mas não há estilo seu, porque é fora de dúvida que foi um mau caráter e um bandoleiro político. Tácito, ao contrário, não tem a pompa de Cícero, os seus períodos são breves e atalhados como que de cólera: mas deixou um estilo e era ao mesmo tempo grande homem de caráter.” (Páginas de estética)

quinta-feira, julho 19, 2007

O fim da experiência poética

No orkut, uma das opcções para a pessoa escolher como visão religiosa é: "Tenho um lado espiritual independente das religiões." É preciso tomar cuidado com isso, às vezes a pessoa diz isso porque tem um sentimento religioso forte, mas não tem fé verdadeira. Como disse Daniela Gouvea, em podcast no site portodoceu.com.br, a pessoa tem um lado espiritual, e o outro lado, é o quê? Oco? o Papa João Paulo II alertava para esse traço característico do brasileiro que é o de ter muito sentimento, e pouca fé. Fé é confiança, não é crença. Se você não gosta de uma religião, não concorda com sua doutrina, desgosta do que o padre fala, não precisa deixar de acreditar em Deus. Bruno Tolentino, o grande poeta que faleceu recentemente, disse que começou a se converter ao cristianismo quando um ex-aluno seu, que havia virado monge, disse-lhe que faltava integridade. Bruno era um homem pela metade. Ele procurava as coisas, não pelo valor delas mesmas, mas para usá-las de alguma forma, para servir-se delas de algum modo. Na entrevista concedida ano passado, reproduzida em vídeo e que pode ser acessada no site O indivíduo, ele se penitenciava do erro de longos anos, quando, respondendo à pergunta de para quê servia a poesia, disse que ela não servia para nada. Não é para ser usada. É para te levar a viver determinadas experiências, que, digamos assim, te enriquecem, te enriquecem espiritualmente. Menos do que isso, acresecentaria eu, não é poesia, é poesia pela metade. Dividir um todo qualitativo em partes não coordenadas é acabar com o todo. É o fim da experiência poética enfim.

sábado, julho 14, 2007

O general profetizou

"Ponha-se na presidência qualquer medíocre, louco ou semi-analfabeto e vinte e quatro horas depois a horda de aduladores estará à sua volta, brandindo o elogio como arma, convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem, e de que tudo o que faz está certo.

Em pouco tempo transforma-se um ignorante em um sábio, um louco em um gênio equilibrado, um primário em um estadista. E um homem nessa posição, empunhando as rédeas de um poder praticamente sem limites, embriagado pela bajulação, transforma-se num monstro perigoso."

MOURÃO FILHO, Olympio. Memórias: a verdade de um revolucionário. Porto Alegre, L&PM, 1978. Pag. 16

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Olympio Mourão Filho foi o general que deu início ao movimento de 64, pondo em marcha em direção ao Rio de Janeiro, então capital de fato do país, as tropas sob seu comando em Minas Gerais. O movimento vitorioso derrubou o governo João Goulart, iniciando-se na sequência uma ditadura militar que durou vinte anos.

quinta-feira, julho 12, 2007

O filme que mais me faz pensar

Scent of a Woman

"Take like, and I don't want to push Scent of a Woman, but Scent of a Woman is the book of Ecclesiastes. Now, how many Christians will stay away from that movie because there is cursing and he sleeps with a hooker? That is the book of Ecclesiastes. The man who says, 'All is vanity, all is lost, I have no hope.' It is the love of a boy, the love of a child, God incarnate through a boy, comes in and says, 'I love you,' and it changes his life." (Director Tom Shadyac, interviewed for Catholic Exchange, May 2, 2003).
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Sobre o filme Perfume de mulher. Disponível no site metaphilm.com

quarta-feira, julho 11, 2007

O contrato de casamento

por Stephen Kanitz

Na semana passada comemorei trinta anos de casamento. Recebemos dezenas de congratulações de nossos amigos, alguns com o seguinte adendo assustador: "Coisa rara hoje em dia". De fato, 40% de meus amigos de infância já se separaram, e o filme ainda nem terminou. Pelo jeito, estamos nos esquecendo da essência do contrato de casamento, que é a promessa de amar o outro para sempre. Muitos casais no altar acreditam que estão prometendo amar um ao outro enquanto o casamento durar. Mas isso não é um contrato.

Recentemente, vi um filme em que o mocinho terminava o namoro dizendo "vou sempre amar você", como se fosse um prêmio de consolação. Banalizamos a frase mais importante do casamento. Hoje, promete-se amar o cônjuge até o dia em que alguém mais interessante apareça. "Eu amarei você para sempre" deixou de ser uma promessa social e passou a ser simplesmente uma frase dita para enganar o outro.

Contratos, inclusive os de casamento, são realizados justamente porque o futuro é incerto e imprevisível. Antigamente, os casamentos eram feitos aos 20 anos de idade, depois de uns três anos de namoro. A chance de você encontrar sua alma gêmea nesse curto período de pesquisa era de somente 10%, enquanto 90% das mulheres e homens de sua vida você iria conhecer provavelmente já depois de casado. Estatisticamente, o homem ou a mulher "ideal" para você aparecerá somente, de fato, depois do casamento, não antes. Isso significa que provavelmente seu "verdadeiro amor" estará no grupo que você ainda não conhece, e não no grupinho de cerca de noventa amigos da adolescência, do qual saiu seu par. E aí, o que fazer? Pedir divórcio, separar-se também dos filhos, só porque deu azar? O contrato de casamento foi feito para resolver justamente esse problema. Nunca temos na vida todas as informações necessárias para tomar as decisões corretas.

As promessas e os contratos preenchem essa lacuna, preenchem essa incerteza, sem a qual ficaríamos todos paralisados à espera de mais informação. Quando você promete amar alguém para sempre, está prometendo o seguinte: "Eu sei que nós dois somos jovens e que vamos viver até os 80 anos de idade. Sei que fatalmente encontrarei dezenas de mulheres mais bonitas e mais inteligentes que você ao longo de minha vida e que você encontrará dezenas de homens mais bonitos e mais inteligentes que eu. É justamente por isso que prometo amar você para sempre e abrir mão desde já dessas dezenas de oportunidades conjugais que surgirão em meu futuro. Não quero ficar morrendo de ciúme cada vez que você conversar com um homem sensual nem ficar preocupado com o futuro de nosso relacionamento. Nem você vai querer ficar preocupada cada vez que eu conversar com uma mulher provocante. Prometo amar você para sempre, para que possamos nos casar e viver em harmonia". Homens e mulheres que conheceram alguém "melhor" e acham agora que cometeram enorme erro quando se casaram com o atual cônjuge esqueceram a premissa básica e o espírito do contrato de casamento.
O objetivo do casamento não é escolher o melhor par possível mundo afora, mas construir o melhor relacionamento possível com quem você prometeu amar para sempre. Um dia vocês terão filhos e ao colocá-los na cama dirão a mesma frase: que irão amá-los para sempre. Não conheço pais que pensam em trocar os filhos pelos filhos mais comportados do vizinho. Não conheço filho que aceite, de início, a separação dos pais e, quando estes se separam, não sonhe com a reconciliação da família. Nem conheço filho que queira trocar os pais por outros "melhores". Eles aprendem a conviver com os pais que têm.

Casamento é o compromisso de aprender a resolver as brigas e as rusgas do dia-a-dia de forma construtiva, o que muitos casais não aprendem, e alguns nem tentam aprender. Obviamente, se sua esposa se transformou numa megera ou seu marido num monstro, ou se fizeram propaganda enganosa, a situação muda, e num próximo artigo falarei sobre esse assunto. Para aqueles que querem ter vantagem em tudo na vida, talvez a saída seja postergar o casamento até os 80 anos. Aí, você terá certeza de tudo.

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Publicado na revista Veja, do dia 29 de Setembro de 2004 e disponível no site do autor: www.kanitz.com

terça-feira, julho 10, 2007

Neve em Buenos Aires

Nevou ontem em Buenos Aires. Faz 90 anos que isso não acontecia na cidade. Pena que estava aqui no Rio de Janeiro. Como prêmio de consolação, posso dizer que assisti à maior chuva de granizo da minha vida na cidade, ano passado. Adoraria disponibilizar o vídeo que mandaram para mim da neve caindo na esquina das ruas San Juan e Boedo, mas como não sou expert em computador, ainda não aprendi a utilizar essa ferramenta. Fica para uma próxima oportunidade. Não é incrível ter nevado em Buenos Aires?
um abraço ao leitor.

domingo, julho 08, 2007

Burrice nacional


Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu.

Darcy Ribeiro.

Segundo Darcy Ribeiro, as crianças brasilerias são analfabetas, os índios não foram salvos, a universidade brasileria não é séria e o Brasil não se desenvolveu autonomamente. A presente dissertação pretende discutir o primeiro e terceiro argumentos; em relação ao segundo e quarto, far-se-ão apenas observações, pois o autor do texto não tem uma visão geral do assunto.

Noventa e cinco por cento das crianças brasileiras estão nas escolas, para gáudio de burocratas. Mas as crianças realmente sabem ler, ou apenas escrevem seus nomes no papel? Recentemente, competição internacional envolvendo estudantes de vários países colocou os brasileiros entre os últimos lugares. Ano passado, pesquisa apontou que quinze por cento dos universitários do Rio de Janeiro jamais leram um livro não didático. Nos dados oficiais, consta baixo número de crianças analfabetas. Porém, quantas das crianças alfabetizadas segundo o governo passariam em um teste sério de compreensão de texto, que não apontasse seu analfabetismo funcional?

A universidade brasileira, sobretudo a pública, é, com raras exceções, um antro de esquerdismo militante. Os estudantes da Idade Média que criaram a universidade com o propósito de adquirir conhecimento devem corar de vergonha ao ver que no Brasil sua idéia foi transformada em centro de propagação de ideologia de massa. Com exceção dos cursos profissionalizantes, os quais, por sua própria natureza, não têm o condão de enriquecer a cultura, a universidade brasileira não é séria.

Salvas ou não, muitas tribos indígenas conseguiram demarcar reservas e exploram as riquezas minerais aí presentes.

Venceu o Brasil a burrice coletiva. Nelson Rodrigues já nos anos 70 dizia que os burros, antes tímidos e calados, ameaçavam ocupar o centro da cena intelectual, numa revolta da burrice. Trinta anos depois a profecia do dramaturgo jornalista se concretizou. O Brasil é governado por um homem absolutamente incapaz, que disse a seguinte frase, epítome do orgulho da burrice, e uma burrice em si: "Minha mãe nasceu analfabeta." Terá chegado o fundo do poço apontado por Darcy Ribeiro ou devemos esperar porque o buraco é mais embaixo?

sábado, julho 07, 2007

Chapolin contra o aborto

Notícia apresentada pelo usuário Leandro na comunidade do orkut Estamos com Alvaro Uribe, no dia 05 de abril.

O humorista mexicano Roberto Gómez Bolaños, conhecido como Chespirito, entrou na polêmica sobre o aborto no México, gravando uma mensagem de televisão contra a interrupção da gravidez. A mensagem de Chespirito, conhecido pelos personagens Chaves e Chapolin, foi transmitida na noite de terça-feira pela rede Televisa.

"Olá, sou seu amigo Chespirito. Quando eu estava no ventre da minha mãe, ela sofreu um acidente e ficou à beira da morte. O médico disse: 'você terá que abortar'. E ela respondeu: 'abortar, jamais'. Ou seja, defendeu a minha vida, e graças a isso estou aqui", disse Chespirito na mensagem.

A sociedade mexicana discute hoje um projeto em debate no Congresso da capital para descriminalizar o aborto. No domingo, grupos antiabortistas se manifestaram nas ruas da Cidade do México para protestar contra a iniciativa de legisladores esquerdistas, que propõem a descriminalização total. Atualmente o aborto só é permitido nos casos de risco de vida para a mãe, quando a gravidez é conseqüência de estupro ou se o feto apresenta má-formação. O prefeito da capital, Marcelo Ebrard, avisou que sancionará a lei, caso seja aprovada.

terça-feira, julho 03, 2007

"What life expects from you?"

Entrevista de Viktor Frankl dividida em uma, duas, três partes.
"Dispair = Suffering - meaning."
"Desespero = Sofrimento - sentido."

tradução do título: "O que a vida espera de você?"

sábado, junho 30, 2007

Frase de Dostoiévski e o primeiro mandamento

"O mais importante não é o amor. O mais importante é a gentileza."

"Amarás a Deus sobre todas as coisas."

A mente liberal: as causas psicológicas da loucura política

Lyle H. Rossiter, Jr.

Segunda-feira, quatro de dezembro, 2006

http://www.townhall.com/

Dr. Lyle Rossiter, Jr., um psiquiatra forense, explica a loucura do liberalismo (1*) no seu novo livro The liberal mind: the psychological causes of political madness. Você pode ler um trecho logo abaixo, e mais em seu site libertymind.com.


Como todos os outros seres humanos, o liberal moderno revela seu verdadeiro caráter, incluindo sua loucura, naquilo que ele valoriza e desvaloriza, no que ele articula com paixão. De especial interesse, entretanto, são os vários valores que a mente liberal moderna despreza por completo: sua agenda não aponta o indivíduo como a derradeira unidade econômica, social e política; não idealiza a liberdade individual e a estrutura legal e ordem essenciais para mantê-la; não defende os direitos básicos da propriedade e do contrato; não aspira a ideias de autêntica autonomia e reciprocidade; não prega uma ética de auto-confiança e auto-determinação; não louva a coragem, indulgência ou paciência; não celebra as éticas do consenso ou as bençãos da cooperação voluntária. Não advoga pela retitude moral ou compreende o papel crítico da moralidade nas relações humanas. A agenda liberal não enxerga a origem da competência, aprecia sua importância ou analiza as condições de desenvolvimento e as instituições sociais que promovem sua realização. A agenda liberal não entende ou reconhece a auto-determinação ou impõe-lhe limites estreitos através da coerção estatal. Não celebra o genuíno altruísmo ou a caridade pessoal. Não aprende as lições da história que os males do coletivismo têm a ensinar.

Aquilo que apaixona a mente liberal é um mundo cheio de pena, aflição, necessidades, desditas, pobreza, dúvida, desconfiança, raiva, exploração, discriminação, vitimização, alienação e injustiça. Aqueles que ocupam este mundo são operários, minorias, adolescentes, mulheres e os desempregados. Eles são pobres, fracos, doentes, injustiçados, enganados, oprimidos, marginalizados, explorados e vitimizados. Eles não têm qualquer responsabilidade por seus problemas. Nenhuma de suas agonias é atribuível a faltas ou falhas suas mesmas: não é atribuída a más escolhas, maus hábitos, julgamento errôneo, "wishful thinking", falta de ambição, indulgência derrotista, doenças mentais ou defeitos de caráter. Nenhuma condição das vítimas é causada por falha em planejar o futuro ou aprender com a experiência. Ao revés, a raiz da causas de todos estas desgraças recai em condições sociais censuráveis: pobreza, doença, guerra, ignorância, desemprego, preconceito racial, discriminação étnica e de gênero, tecnologia moderna, capitalismo, globalização e imperialismo. Na mente liberal radical, esse sofrimento é inflingido ao inocente por vários predadores e perseguidores: o grande negócio, as grandes corporações, capitalistas selvagens, imperialistas americanos, os opressores, os ricos, a riqueza, os poderosos e os egoístas.

A cura liberal para esta miséria sem fim é um governo bastante autoritário que regula e administra a sociedade como se um berço fosse por meio de uma pesada agenda de redistribuição. É um governo a todo o lado fazendo tudo para todos. O mote liberal é "Um governo em que confiamos". Para livrar as pessoas de suas vidas atribuladas, a agenda recomenda a negação de responsabilidade pessoal, encoraja a auto-compaixão e a pena pelo outro, fomenta dependência do governo, promove a liberação sexual, racionaliza a violência, desculpa as obrigações financeiras, justifica o roubo, ignora a rudeza, prescreve a censura e acusação, desabona o casamento e a família, legaliza todo tipo de aborto, desafia as tradições sociais e religiosas, declara a desigualdade como sendo injusta, e rebela-se ante os deveres de cidadania. Através de múltiplos direitos a bens, serviços e status social não batalhados, o político liberal promete assegurar a todos bem-estar material, prover a todos cuidado médico, protejer a auto-estima de todos, corrigir a desvantagem social e política de todos, educar todo cidadão e eliminar todas as distinções de classe. Com os intelectuais liberais compartilhando a glória, o político liberal é o herói nesse melodrama. Ele ganha crédito por prover seus eleitores com qualquer coisa que queiram ou precisem mesmo que não tenham produzido por esforço próprio quaisquer desses bens, serviços ou status que lhe são transferidos mas, ao contrário, tenham tirado de outros por meio da força.

Já deve parecer até o presente momento que essas políticas sociais e paixões que as motivam contradizem tudo que é racional nas relações humanas, e que são portanto irracionais elas mesmas. Mas as concepções errôneas em que se baseiam essas paixões não podem ser vistas como mero escorregão cognitivo. O nível de irracionalidade do liberalismo moderno ultrapassa sobre maneira qualquer mau entendimento que possa ser atribuído a reunião de fatos mal feita ou ao erro lógico. De fato, segundo uma análise rigorosa, as distorções da habilidade normal da razão no liberalismo só podem ser entendidas como produto de psicopatologia. Tão extravagantes são os parâmetros de pensamento, emoção, comportamento e relacionamento característicos da mente liberal que seus protestos inflexíveis e demandas tornam-se compreensíveis apenas como desordens da psique. A mente liberal moderna, suas percepões distorcidas e sua agenda destrutiva são o produto de personalidades perturbadas.(2)

Como no caso de qualquer distúrbio de personalidade, defeitos deste tipo representam sérias deficiências no processo de crescimento. A natureza dessas deficiências é detalhada abaixo. Entre suas conseqüencias estão os esforços incisivos para deturpar a compreensão da natureza humana e negar certos requisitos indispensáveis das relações humanas. Em seus esforços para construir uma grande utopia coletivista em ordem a viver aquilo que Jacques Barzun chamou de "a vida incondicionada em que todo mundo estaria a salvo e tranqüilo através de um milhão de maneiras" o liberal radical procura atualizar no mundo real uma ficção idealizada que mitigará todas as dificuldades e curará todas as mágoas. ( Barzun 2000 ). Ele representa esta ficção, em essência uma peça de moralismo marxista, em vários teatros da ação humana, sobretudo nos mundos econômico, social e político. Mas a peça repetidamente malogra. Durante o século XX, as tentativas liberais radicais de criar um bravo mundo novo socialista falharam invariavelmente. No começo do século XXI suas tentativas continuam a resultar em economias estagnadas, declínio moral e destúrbio social agora espalhados pela Europa. Um crescente sistema de bem-estar social falido está colocando os Eua na trilha do mesmo destino se o liberalismo não for curado. Posto que os princípios da agenda liberal violam as regras da liberdade ordenada, seus esforços determinados a realizar fantasias visionárias acabarão inevitavelmente por se frustrar. Ainda assim, apesar de todas as evidências em contrário, a mente liberal moderna crê que sua agenda é uma ciência social saúdável. É, na verdade, péssima ficção científica. Ele persiste nesta agenda apesar de sua loucura.

Lyle H. Rossiter, Jr., MD é o autor de The liberal mind: the psychological causes of political madness. Ele recebeu sua educação de médico e psiquiatra na Universidade de Chicago e serviu por dois anos como psiquiatra no Exército americano. Presentemente, atua como profissional liberal na área de Chicago.

  1. *Nota do tradutor: o termo liberalismo, dentro da estrutura político-cultural americana, significa esquerdista. Não é possível entender o texto sem ter isso em conta. No Brasil, o termo liberal se aplica a indivíduos com visões muito díspares, abarcando tanto defensores do casamento gay e do aborto quanto defensores da moral judaico-cristã, unindo-os apenas a defesa da liberdade de mercado. Os segundos são essencialmente conservadores, no sentido americano do termo. Se quiser se aprofundar no tema, sugiro a leitura do artigo A liberdade como parteira da tirania, de Olavo de Carvalho.
  2. grifos do tradutor.


texto disponível no link http://www.townhall.com/columnists/LyleHRossiterJrMD/2006/12/04/the_liberal_mind_the_psychological_causes_of_political_madness

tradução Daniel Henriques Lourenço

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Pretendo traduzir outros textos sobre a inveja e sentimentos que caracterizam a mente liberal. Portanto, fique de olho nas atualizações de A selva dos mosquitos.

Reproduzo post do blog O individuo

March 4th, 2006
Documentário expõe a verdade sobre Ernesto “Che” Guevara

Publicado originalmente no site do Instituto Millenium.

“Fusilamientos, sí. Hemos fusilado. Fusilamos y seguiremos fusilando mientras sea necesario.”

Assim, com a voz de Che Guevara, inicia o documentário Che: Anatomia de un Mito, que pode ser descarregado diretamente em formato WMV (Windows Media Player; o arquivo tem 71 MB). O vídeo para o computador está muito pequeno, mas vale a pena ver ex-correligionários de Che Guevara contando a verdade sobre ele: fazia comentários racistas, anti-gay, não tomava banho, nunca hesitava em matar pessoas sob quem pesasse a mínima suspeita, e possuía uma incompetência singular no comando das guerrilhas. Não sou eu que estou dizendo. São as pessoas que conviveram com ele.

Há também dados históricos indisputados que você pode buscar em outras fontes. Há o livro mais recente de Alvaro Vargas Llosa, The Che Guevara Myth and the Future of Liberty. Quem quiser informações agora pode ler sua matéria sobre Guevara feita para a New Republic ou simplesmente ler o curto artigo Ten Shots at Che, em que desfaz dez dos principais mitos a respeito do maior vendedor de camisetas de todos os tempos: tornou Cuba subserviente à URSS, destruiu a economia cubana – os racionamentos que duram até hoje começaram quando Guevara era ministro da fazenda – , executou no mínimo centenas de inocentes, tomou para si uma enorme mansão assim que o regime de Fulgencio Batista caiu, recomendava o roubo a bancos e, declarou que Cuba seria proporcionalmente mais rica dos que os EUA. Deve ser por isso que as pessoas preferem enfrentar um mar infestado de tubarões em jangadas a ficar ali.

Se todos os dias eu visse alguém com uma camiseta de Hitler, eu ficaria muito preocupado. É por isso que fico preocupado ao ver pessoas com camisetas de Guevara: estão cultuando um assassino, que só difere de Hitler pela extensão de seus crimes, não pela natureza. Mas nossa sociedade permite que assassinos que estão do lado de Stálin, sendo nominalmente comunistas, sejam objeto de culto e veneração. Se isso não é sinal de uma gravíssima patologia social, não sei o que pode ser. As civilizações de fato morrem por suicídio, não por assassinato.

Posted by Pedro Sette Câmara in Política, Cultura
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Disponível em http://web.archive.org/web/20060408061457/http://www.oindividuo.com

sexta-feira, junho 29, 2007

Ap, 19:9-10

Então, me falou o anjo: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E acrescentou: São estas as verdadeiras palavras de Deus. Prostrei-me ante os seus pés para adorá-lo. Ele, porém, me disse: Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus; adora a Deus. Pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia.

Morre o poeta Bruno Tolentino.

Morreu anteontem, dia 27/06/07, o poeta brasileiro Bruno Tolentino. Olavo de Carvalho disse que Bruno Tolentino é o maior poeta de língua portuguesa desde Camões. No site O Individuo, você pode assistir a uma entrevista sua, em vídeo, concedida após a publicação de seu último livro, ano passado. Que Deus ilumine o Bruno nessa nova fase de sua vida.

quinta-feira, junho 28, 2007

Lula e Judas Iscariotes

Lula é pior do que Judas Iscariotes por três razões.

Primeiro: Judas Iscariotes andava com o Cristo e estava pronto para traí-lo, porém pelo menos seguia as aparências da seita pré-religiosa, tendo participado da Santa Ceia, onde aliás Jesus indicou que o trairia. Lula anda com pretensos seguidores do Cristo, porém não vai à Igreja e, certa feita, antes de comungar, disse que não necessitava confessar seus pecados porque não os tinha, cometendo no ato mesmo o pecado da mentira.

Segundo: Judas arrependeu-se profundamente do que havia feito e correu atrás dos sacerdotes judaicos a fim de devolver o dinheiro que lhe haviam dado para entregar o Cristo. Lula sequer pensa no que faz. Quando começa a pensar, fica irritado e reclama com algum de seus subalternos petistas, que então amaciam seu ego, ou, melhor ainda, toma de sua mesa uma garrafa de uísque ou cachaça embriagando seus pensamentos agros. Se pensasse, veria o quão miserável é a sua pessoa, capaz de se aliar com traficantes de drogas; não se aguentaria quieto e começaria a falar, mas então..

Terceiro: então possivelmente seria morto pelas Farc, da mesma forma que líderes socialistas colombianos foram quando retiraram seu apoio à organização. Judas Iscariotes, num ato de despero final, e talvez com um pingo de decência, enforcou-se. Lula jamais entregaria sua vida. Antes disso, continuará utilizando metáforas futebolísticas na hora de mandar brasileiros para o paredão de fuzilamento. Talvez até dará um aperto de mão no prisioneiro fazendo um gracejo.

Jesus Cristo disse: "É necessário que o Filho do homem seja entregue, mas ai daquele que o entregar, melhor seria que não houvesse nascido." O que Jesus diria de Lula?

......

Atualização de 07/08/2009. Estou mais propenso a crer, como meu amigo comentou na seção de comentários -- vejam lá --, que Judas não se "arrependeu profundamente." De mais a mais, tampouco a comparação com Lula é apropriada. Não dá para saber o que Lula faria se fosse apóstolo de Jesus, se é mesmo que aceitaria ser seu apóstolo.

quarta-feira, junho 27, 2007

Por favor, não deixem de ver..

o vídeo de Viktor Frankl falando sobre logoterapia e o livro "Man´s search for meaning". Simplesmente imperdível.

créditos para o blog wisdomandvirtue.blogspot.com.

Jesus, insight espiritual e amor

"Na religião, Jesus advogava e seguia o método da experiência, ainda que a ciência moderna busque a técnica do experimento. Encontramos Deus seguindo as pegadas do insight espiritual, e nos aproximamos deste insight da alma através do amor ao belo, da busca da verdade, lealdade ao dever, e adoração à bondade divina. Mas de todos esses valores, o amor é o verdadeiro guia para o autêntico insight."

Livro de Urântia, capítulo 195, página 2076.
Tradução minha.

Palestra sobre marxismo cultural

Não deixem de ouvir a palestra do padre Paulo Ricardo sobre marxismo cultural. O link é http://www.padrepauloricardo.org/filosofia/. Só não posso concordar com uma coisa que o padre diz: o Papa Bento XVI "quase pede desculpas por estar ali, porque ele é muito humilde."
Isto não é humildade, é timidez frente a intimidações mil. Não se deve pedir desculpas por ser fiel aos ensinamentos do Cristo.

domingo, junho 24, 2007

A Noite maior que Zeus

"Despertando, furioso se mostra Zeus grande;
os outros deuses maltrata, buscando-me em todos os cantos;
e destruir-me-ia, talvez, atirando-me do éter às ondas,
não fôsse a Noite salvar-me, que os deuses e os homens impera.
A ela me acolho, refreando Zeus crônida a cólera imensa,
pelo receio de à rapida Noite causar desagrado."

trecho da Ilíada de Homero, em que o Sono argumenta por que não deseja ajudar Hera a envolver Zeus troante em sono profundo.

traduçaõ de Carlos Alberto Nunes, edições Melhoramentos.

sábado, junho 23, 2007

Aula de história de Mário Ferreira dos Santos.

Quem quer que goste de história, não pode perder a aula número 2 de Mário Ferreira dos Santos, em áudio, no site de Denny Marquesani, no seguinte link.

quinta-feira, junho 21, 2007

Sorry seems to be the hardest word ( Desculpa parece ser a palavra mais difícil do mundo )

music by Elton John
lyrics by Elton John and Bernie Taupin

What have I got to do to make you love me
What have I got to do to make you care,
What do I do when lightning strikes me
And I wake to find that you're not there?

What have I got to do to make you want me,
What have I got to do to be heard,
What do I say when it's all over?
And sorry seems to be the hardest word.

It's sad (so sad)
It's a sad, sad situation
And it's getting more and more absurd.
It's sad (so sad)
Why can't we talk it over?
Oh it seems to me
That sorry seems to be the hardest word.

What have I got to do to make you love me
What have I got to do to be heard,
What do I do when lightning strikes me

What have I got to do?
What have I got to do
When sorry seems to be the hardest word?

tradução (minha):

O que preciso fazer para que você me ame
O que preciso fazer para que você se importe,
O que eu faço quando o dia clareia
E acordo para descobrir que você não está lá?

O que preciso fazer para que você me queira,
O que preciso fazer para que você me ouça,
O que posso dizer quando tudo acabou?
E desculpa parece ser a palavra mais difícil do mundo.

É triste ( muito triste )
é uma triste, triste situação
que está ficando cada vez mais absurda.
É triste ( muito triste )
Por que não podemos conversar?
Ah parece-me
que a desculpa parece ser a palavra mais difícil do mundo.

O que preciso fazer para que você me ame
O que preciso fazer para que você se importe,
O que eu faço quando o dia clareia

O que eu tenho que fazer?
O que eu tenho que fazer
quando a desculpa parece ser a palavra mais difícil do mundo?

quarta-feira, junho 20, 2007

O filho único

J. A. Vallejo Nájera

Ainda que ser filho único não constitua uma "enfermidade", todo mundo reconhece que este tipo de criança tem propensão a problemas particulares: é frágil, caprichoso, tímido, tirânico com os seus, tem dificuldades de adaptação com seus companheiros e para integrar-se num grupo e reage freqüentemente com desconcerto ou rebeldia. No conceito de filho único não entra apenas aquele que realmente o é, mas também o menino que só tem irmãs, ou vice-versa, e o 'temporão' da família, a criança que tem irmãos com uma diferença de idade muito grande.

Ser "filho único" depende, às vezes, da casualidade ou da natureza; mas outras vezes são os pais quem por razões econômicas (para dar a seu filho todas as possibilidades) ou afetivas (para concentrar o foco de seu carinho nele) decidem ter um só filho. Geralmente, estes pais tem uma característica muito particular, pois se comprovado que 53 por cento das mães de filhos únicos são extremamente possessivas e absorventes.

Esta criança, ao conviver basicamente com adultos, que se convertem em seu único ponto de referência, utiliza um vocabulário demasiado rico, se apropria de idéias que não se encaixam em sua idade, e seus costumes, diversões e vida em geral tendem a parecer com a dos adultos. De caráter bastante possessivo, costuma ter um nível intelectual superior ao normal para sua idade. Tudo isto o diferencia do grupo, provocando o repúdio de outros em torno dele, não se encaixa e não sabe superar este problema inesperado: que os outros não o aceitem.

Tem grandes dificuldades em suas relações afetivas com os demais. Ao não ter irmãos, elemento essencial no desenvolvimento da criança como ser social, o filho único tende ao isolamento e a criar uniões excessivas com seu pai ou com sua mãe, fora das quais muitas vezes em que se sente inseguro.

Ao longo da infância pode haver mais ou menos complicações, mas os verdadeiros conflitos surgem na adolescência. Alguns filhos únicos continuam relacionando-se com seus pais num plano infantil, dependente e submisso, outros, ao contrário, se rebelam contra a tutela familiar excessiva e reivindicam a liberdade e a independência que lhes corresponde pela idade, chegando as vezes a produzir rupturas violentas e separações totais com os pais.

As perspectivas são certamente desalentadoras. Algumas estatísticas dão até 42 por cento de alterações de caráter no filho único. O que é seguro é que parecem ser mais instáveis, mais emotivos, mais coléricos e mais agressivos que os outros, com mais dificuldades para adaptar-se à disciplina escolar e à convivência com o grupo.

Em qualquer caso, o pai ou a mãe de um filho único não precisa ficar desanimado com estas informações. Tudo vai depender da educação que será dada ao filho, que não tem que ser mais rígida nem mais condescendente que a que teria se tivesse outros irmãos.

GUIA PRÁTICO DE PSICOLOGIA, temas de hoje, d. J.A. Vallejo Nájera, Madrid

Fonte: EDUFAM - Educacion y Familia - www.edufam.com

Traduzido para o Portal por René Bernardes de Souza Júnior

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Disponível no site http://www.portaldafamilia.org

Saiba mais sobre educação liberal

Se quiser saber mais sobre educação liberal veja aqui o vídeo produzido pelo St. John´s college, dos Estados Unidos. A lista de leitura do College - em inglês - pode ser vista aqui. Quem quer que se habilite ao desafio de ler os grandes livros e quiser formar uma "community of learning", fale com este que vos escreve porque ele também está muito interessado em encontrar outras pessoas dispostas a discutir e trocar experiências a partir da leitura dos grandes livros.
Obrigado.

segunda-feira, junho 18, 2007

O que é educação liberal?

Recomendo vivamente o texto O que é educação liberal?, disponível no blog http://educacaoliberal.wordpress.com/.

Shrek contra o partido revolucionário

O filme Shrek 3 mostra bem o ethos de um partido revolucionário. O personagem Encantado convence pessoas desgostosas com a vida, pessoas com um passado de maldade, a se sentirem injustiçadas, dizendo-lhes que os contadores de histórias não foram bons o bastante para com elas. Pronto, depois são os gritos de urra e vamos mudar tudo o que está aí, vamos mudar a história. O Encantado aliás, sendo um artista fracassado, é capaz de lembrar outro artista fracassado que dominou a Alemanha, prometendo um império de mil anos que acabaria com a injustiça do mundo, mas que causou muita maldade. O filme Shrek é muito bom. A tentativa final do Encantado de estabelecer na imaginação popular o seu reino ditadorial malogra porque não consegue vencer o ogro Shrek, que aliás combate toda aquela pompa e circunstância do ditadorzinho metido com piadas bem medidas. Rir é importante. No fim, dificuldades à toda prova, Shrek e Fiona no seu pântano cuidando dos bebezinhos ogros. E o burro e o gato, bom, esse retornam a ser quem eram depois da magia.

sábado, junho 16, 2007

Venezuela libre


Eu apóio o movimento estudantil na Venezuela contra o fechamento da rede de televisão RCTV. Quem quiser uma cobertura dos eventos pode acessar o blog Nota Latina, escrito pela valentíssima Graça Salgueiro.

sexta-feira, junho 08, 2007

Os números e o milagre

Olavo de Carvalho
Jornal do Brasil, 8 de junho de 2006

Desde ontem, ecoam por toda parte os belos discursos contra a invasão da Câmara Federal. Com uma ou outra exceção irrelevante, sua tônica é uniforme: dão a impressão de que essa truculência, como todas as anteriores, foi um susto passageiro, um abuso fortuito incapaz de abalar no mais mínimo que seja a tranqüilizante rotina democrática em que vivemos. Está tudo sob controle: temos um presidente amante da ordem, nossas instituições são estáveis e as Forças Armadas, é claro, estão vigilantes.

Não vou discutir com quem diz que acredita nisso. Peço apenas ao leitor que atente para o aspecto aritmético da questão. Some a militância do PT, do MST e MLST, da CUT, do PCC e das demais facções da esquerda revolucionária (assim denomino as que estão afinadas com a estratégia continental do Foro de São Paulo). São uns quarenta milhões de pessoas. Não incluo aí simpatizantes, burros de presépio e meros eleitores. Conto apenas os militantes, gente doutrinada, adestrada, disciplinada, disposta a tudo. São a quarta parte da população brasileira. Nem me pergunto quantos deles estão armados, prontos para matar. Mesmo que tivessem apenas estilingues, restaria este dado brutal: nunca houve, na história do mundo, uma organização revolucionária dessas dimensões. Muito menos pergunto quanto custou: não consigo somar os lucros do narcotráfico e dos seqüestros, a hemorragia crônica de verbas federais, os dízimos da militância e as contribuições de fundações estrangeiras bilionárias. O total é impensável. Você acha realmente que alguém constrói uma monstruosidade dessas para não fazer nada com ela além de cumprir as leis e ser bom menino? O futuro do Brasil está decidido, de maneira praticamente irreversível, por um fato aritmético de envergadura majestosa e potência avassaladora.

Esses números, aliás, não são uma quantidade informe, distribuída a esmo no espaço. Há entre eles toda uma rede de conexões. Eles formam uma equação bem definida, um mapa, um organograma completo. Sempre que uma das entidades que mencionei acima entra em ação, é em parceria com as outras. O PCC espalha o terror por meio de técnicas que aprendeu com o MST, que as absorveu das Farc, cujos líderes são íntimos da cúpula petista e do sr. presidente da República. O Comando Vermelho, para produzir efeito idêntico no Rio, usou o que aprendeu direto da elite esquerdista que hoje governa o país. Quando um agente das Farc é preso logo depois de declarar que deu dinheiro do narcotráfico ao PT, mais que depressa essa elite se mobiliza para mandá-lo ao exterior. Idêntica iniciativa surge da mesma fonte para libertar os mestres-seqüestradores do MIR chileno que pegaram Abílio Diniz e Washington Olivetto. E, quando o MLST entra na Câmara depredando tudo e esmagando crânios, quem está no seu comando é um membro da Comissão Executiva Nacional do PT. Não há ações isoladas. Distribuídos sob denominações diversas, quarenta milhões de fanáticos estão perfeitamente articulados, solidários, na afinação diabolicamente eficiente de uma orquestra da destruição.

Na época das CPIs, bastava aparecer uma ligação telefônica entre um empreiteiro e algum deputadinho corrupto para o PT sair gritando: "É uma conspiração! É um Estado dentro do Estado!" Diante de indícios imensuravelmente maiores e mais probantes, a nação ainda se recusa a conceber, mesmo de longe, uma hipótese semelhante para explicar o que acontece hoje, embora não haja nenhuma outra explicação plausível, exceto a aposta louca no prodígio das meras coincidências repetidas em série. É que hoje não há um Estado dentro do Estado. Há um Estado acima do Estado, impondo o caos e chamando-o de "ordem". Nessas circunstâncias, parece sensato abolir a aritmética, a álgebra, a razão inteira, e apegar-se à esperança de um milagre. Mas o único santo milagreiro à disposição é São Lulinha, e o único milagre que ele sabe fazer é precisamente o que já está fazendo.

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Sobre o tema, ver também o primeiro post que fiz neste blog.

quinta-feira, junho 07, 2007

Vida mía

Tango
1933
Música: Osvaldo Fresedo
Letra: Emilio Fresedo

Siempre igual es el camino
que ilumina y dora el sol...
Si parece que el destino
más lo alarga
para mi dolor.

Y este verde suelo,
donde crece el cardo,
lejos toca el cielo
cerca de mi amor...
Y de cuando en cuando un nido
para que lo envidie yo.

Vida mía, lejos más te quiero.
Vida mía, piensa en mi regreso,
Sé que el orono tendrá tus besos
Y es por eso que te quiero más.
Vida mía,
hasta apuro el aliento
acercando el momentode acariciar felicidad.
Sos mi vida
y quisiera llevartea mi lado prendida
y así ahogar mi soledad.

Ya parece que la huella
va perdiendo su color
y saliendo las estrellas
dan al cielotodo su esplendor.
Y de poco a poco
luces que titilan
dan severo tono
mientras huye el sol.
De esas luces que yo veo
ella una la encendió.

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A música pode ser ouvida no excelente site www.todotango.com, neste link.

quarta-feira, junho 06, 2007

Recomendo

a série de artigos de Ipojuca Pontes sobre temas de que tratou em seminário promovido pelo Farol da democracia representativa no sindicato de bancos do Rio de Janeiro mês atrás. Os títulos, com os respectivos links, são: Hegemonia cultural, Escola de Frankfurt, Devastação gramcista. Sobretudo o último tem muito a explicar sobre o domínio do esquerdismo na vida cultural brasileira pelo menos desde os anos 70.

sábado, junho 02, 2007

Como pensam as mulheres

Uma neuropsiquiatra aponta as razões biológicas que tornam o cérebro feminino diferente do masculino

Marcela Buscato

A neuropsiquiatra americana Louann Brizendine percebeu na faculdade que precisava investigar a tão famosa curiosidade masculina - o que se passa na cabeça das mulheres? Reparou que poucos estudos consideravam as grandes variações hormonais sofridas pelas mulheres ao longo do mês. Seu livro, The Female Brain (Como as Mulheres Pensam, da Campus/Elsevier), lançado nos Estados Unidos em agosto, tornou-se um best-seller e foi traduzido em 18 idiomas. Em entrevista a ÉPOCA de sua casa, em São Francisco, Brizendine afirmou que agora vai se dedicar a entender o cérebro dos homens.

QUEM É
Professora da Universidade da Califórnia. Formada em Neurobiologia pela Universidade Yale e em Psiquiatria pela Harvard Medical School
O QUE FEZ
Tem uma clínica para atender mulheres com base nas pesquisas sobre neuroquímica
O QUE PUBLICOU
Como as Mulheres Pensam (Campus/Elsevier)

ÉPOCA - O cérebro já é feminino ou masculino desde o nascimento?
Louann Brizendine - O padrão cerebral de todo feto é feminino até a oitava semana de gestação. Depois disso, se o feto for masculino, seu cérebro sofrerá uma intensa inundação de testosterona, hormônio que começa a agir nos pequenos testículos do bebê e viaja até o cérebro pela corrente sanguínea. Esse banho de testosterona muda os circuitos do cérebro de femininos para masculinos.

ÉPOCA - Quais as diferenças entre os dois tipos de cérebro?
Brizendine - No cérebro masculino, a estrutura dedicada ao impulso sexual é duas vezes e meia maior que no feminimo. Nas mulheres, os circuitos ligados à audição e à linguagem têm 11% mais neurônios que nos homens e a estrutura relacionada à emoção e à formação da memória também é maior.

ÉPOCA - Se já nascemos com cérebros masculinos ou femininos, qual é a influência da sociedade sobre o papel da mulher e do homem na comunidade?
Brizendine - Os circuitos cerebrais vão sendo reforçados pela sociedade. Ela ensina o que é aceitável para homens e mulheres, e isso influencia no que achamos que somos capazes de fazer. Estereótipos são muito ruins. É preciso honrar as diferenças individuais e permitir que cada um faça o que lhe interessa.

ÉPOCA - É verdade que os homens pensam com um hemisfério do cérebro de cada vez ao desempenhar uma atividade e as mulheres usam os dois?
Brizendine - Sim. Talvez seja por isso que as mulheres podem fazer mais de uma atividade ao mesmo tempo, enquanto os homens têm grande dificuldade. Eles ficam extremamente concentrados em cada ação executada. Por outro lado, essa característica pode ser ruim num relacionamento, porque faz com que eles não prestem atenção a necessidades e vontades das outras pessoas.

ÉPOCA - É possível dizer quem é mais inteligente, homens ou mulheres?
Brizendine - Todos os estudos mostram que na média homens e mulheres têm quocientes de inteligência similares. Porém, o padrão de pensamento talvez seja diferente. O homem tem mais facilidade para pensar visualmente. As mulheres conseguem traduzir sentimentos em palavras com maior rapidez.

ÉPOCA - Esses padrões de pensamento influenciam na escolha da profissão?
Brizendine - Homens e mulheres são capazes de desempenhar as mesmas profissões. Mas, pelas características do cérebro, os homens podem ter mais interesse em carreiras que não exijam tanta interação com outras pessoas e as mulheres nas que têm mais socialização.

ÉPOCA - A senhora afirma que as mulheres usam cerca de 20 mil palavras por dia. E os homens só 7 mil. Qual é a razão?
Brizendine - O banho de testosterona durante a fase fetal diminui o tamanho de algumas estruturas no cérebro dos homens, como os centros de comunicação e emoção. Também entre 9 e 15 anos, o nível de testosterona nos meninos aumenta cerca de 25 vezes, uma quantia enorme. A testosterona age como um fertilizante para fazer algumas células crescer, mas também tem a capacidade de fazer regiões do cérebro encolher ou morrer.

ÉPOCA - Por que as mulheres implicam com os homens quando eles não reparam no novo corte de cabelo?
Brizendine - As mulheres são muito interessadas em sua aparência física. Se o homem não repara, elas acham que não são amadas. Querem a aprovação masculina. É um instinto básico feminino.

ÉPOCA - As mulheres percebem facilmente se estão agradando ou não?
Brizendine - Elas têm enorme capacidade de notar expressões faciais. As células nervosas que fazem com que sejam capazes de olhar para o rosto de outra pessoa e saber o que ela está pensando ou sentindo existem em maiores quantidades no cérebro feminino e são muito mais ativas que nos homens.

ÉPOCA - É por isso que as mulheres choram tanto? Para chamar a atenção?
Brizendine - É verdade. As mulheres choram quatro vezes mais facilmente que os homens. É uma maneira de demonstrar tristeza para eles.

ÉPOCA - Os hormônios desempenham um papel crucial no início do desenvolvimento do cérebro masculino. E na mulher?
Brizendine - O cérebro feminino é profundamente afetado pelos hormônios. Há indícios de que as mulheres têm duas vezes mais probabilidade de sofrer de depressão que os homens por causa das constantes alterações hormonais. Ao longo da vida, a mulher passa por várias fases hormonais, o que influencia em seus pensamentos, emoções e interesses.

ÉPOCA - A gravidez altera o cérebro?
Brizendine - Durante a gravidez, há grande aumento nos níveis de progesterona e estrogênio no cérebro da mulher. Isso faz com que ela fique muito mais concentrada no bem-estar da criança. São tantas alterações que o cérebro feminino chega a encolher 8% durante a gravidez por causa do aumento e da diminuição de algumas de suas estruturas. Porém, seis meses depois de dar à luz, seu tamanho volta ao normal.

ÉPOCA - É verdade que a mulher fica mais inteligente depois que tem filhos?
Brizendine - Alguns estudos sugerem que sim. Os pesquisadores acreditam que, como o cérebro fica muito focado em tudo o que se relacione ao bebê, acaba concentrado também em outros assuntos.

ÉPOCA - Todo esse conhecimento sobre o cérebro feminino pode contribuir para a melhora dos relacionamentos?
Brizendine - O fato de perceberem que pensam de maneiras diferentes pode ajudar a diminuir conflitos.

Disponível em http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG76276-6014,00.html

sexta-feira, junho 01, 2007

Shaftesbury e os blogs

Publicado no site digestivocultural.com

Gostaria de chamar atenção para uma matéria na revista "Mente-Cérebro & Filosofia", número 2, da Editora Duetto. Nesse número há um artigo sobre o filósofo britânico Shaftesbury, mais precisamente sobre seu livro "Soliloquy or advice to an author". Acredito que aspirantes a escritor, assim como autores "consumados", tirarão valiosas lições da filosofia de Shaftesbury. Uma das questões a se pensar é a seguinte: ser escritor não é somente saber escrever bem; outrossim, é dar expressão a assuntos que realmente importam. Para tanto, o escritor deve, antes de mais nada, conhecer a si mesmo, saber suas motivações, enfim, autocriticar-se sem autocondescendência. Digo isso porque, para mim, o que há de mais enfadonho na maioria dos blogs é o caráter narcisista dos escritos. Shaftesbury analisa como esse tipo de escritos são levianos e vaidosos. Enfim, se você quer ser um escritor de verdade, precisa se preparar para isso. "Soliloquy or advice for an author" é um ótimo começo.

por Renato Kinouchi
1/6/2007 às 19h14

texto My cane, de Sobran, como oportunidade de discorrer sobre a fé.

Indico o texto My cane, escrito pelo colunista americano Joe Sobran, cujo site é http://www.sobran.com/. Sobran é um anarquista cristão. Isso significa que, sem ser um revolucionário, ele acredita que o Estado não tem qualquer papel a cumprir dentro de uma sociedade. Esquisito, né? Nem tanto, leiam seu artigo Reluctant anarchist, onde explica sua história de vida - pois nenhuma ideologia que adotamos deve estar desligada de nossas experiências de vida - e suas razões.
No blog de Norma Braga há um post excelente discutindo como acontece a conversão de uma pessoa. Alguns acreditam que a conversão ao cristianismo é algo repentino e válido para sempre. Estas pessoas ou são inimigos da religião ou são influenciadas pelo que estes dizem. Não existe conversão fulminante ( ver o sexto post deste blog ). O máximo que pode acontecer é uma revelação divina como a que teve Paulo, o apóstolo. Paulo teve uma visão de Cristo perguntando-lhe por que o perseguia. A partir deste momento, de perseguidor tornou-se o fundador da religião cristã ocidental. Este homem aparece seguidamente comentando a pesadíssima missão que lhe foi confiada, num mixto de orgulho e resignação. Dele são as seguites palavras, verdadeiro monumento da antropologia filosófica: "Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não porém o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, porém o pecado que habita em mim." ( Rm, 7-18:20 ).
Fé cega só existe na cabeça de detratores da religião, como se possível fosse uma pessoa, porque acredita em Cristo, deixar de crer que a Terra gira em torno do sol, por exemplo. Outro tema mais importante é entender que a fé em Cristo não é algo repentino, porém se constrói com altos e baixos. Há momentos que sabemos que Ele nos ajudou, outros momentos nos sentimos totalmente ao Deus-dará. A fé está em ser fiel àqueles momentos, ser digno deles, e ter paciência enquanto enfrentamos os maus momentos. Uma hora chega a estabilidade.
"Eu não vos prometo livrar-vos das águas da adversidade, mas eu vos prometo estar convosco durante todas elas." ( retirado da comunidade Livro de Urântia do orkut ).

quarta-feira, maio 30, 2007

Entrevista com Diogo Mainardi

PERFIL / DIOGO MAINARDI
Rodrigo Fonseca
"Um estilo demolidor", copyright Jornal do Brasil, 16/02/03

"Qualquer pessoa que cruze com o paulista Diogo Mainardi, 40 anos, caminhando pelas ruas de Ipanema, terá dificuldade de associar aquele homem de feições serenas à imagem de olhar aquilino e semblante inquisidor da fotografia que ilustra suas colunas semanais na revista Veja, desde 1998. De fato, no primeiro encontro com o autor de quatro romances elogiados pela crítica - Malthus, vencedor do prêmio Jabuti de 1990, Arquipélago, Polígono das secas e Contra o Brasil -, que atualmente prefere se definir como jornalista, a visão do grande enfant terrible da imprensa nacional hoje logo se arrefece.
Bater um primeiro papo com Diogo envolve uma acolhida inicial sem veneno destilado. Em lugar de atacar este ou aquele problema do Brasil, conforme faz em seus artigos, ele prefere destacar a beleza do Rio, onde reside provisoriamente para acompanhar o tratamento de seu filho, vítima de paralisia cerebral. Esse encanto, aliás, vem do fato de ele morar há 14 anos em Veneza. Mas bastam poucas palavras trocadas para que sua verve ferina venha à tona, em assuntos como sua experiência como roteirista, trabalhando com o irmão mais velho, o diretor Vinícius Mainardi, nos filmes Dezesseis zero sessenta (1995) e Mater Dei (2001), ou discutindo literatura. Nesta entrevista ao Jornal do Brasil, Mainardi procura desmistificar um pouco a imagem do crítico ranzinza, comentando suas influências literárias e discutindo a identidade cultural do brasileiro.

- Qual é o estilo Diogo Mainardi de ver o Brasil?
- Tenho um olho cândido, distante. Olho meu país sem preconceito, mas com graça, por achá-lo preciso. Não tenho objetivos precisos. Vejo o mundo de um jeito. Boto esse jeito no papel e me pagam para fazer isso. Não sou resmungão, mas penso que sou um desastre nacional. Tenho todas as piores qualidades de meu povo e poucas de suas virtudes.

- Mas não há um quê de pessimismo em sua interpretação do país?
- Não é pessimismo. O Brasil não vai melhorar, nem piorar. Vai continuar a ser uma grande porcaria. Somos fracos nessa coisa de país. Não é a nossa construir uma nação organizada.

-A identidade cultural é um tema recorrente em sua coluna na revista Veja. Como definiria nossa identidade nestes tempos de Gilberto Gil no ministério da Cultura?
- Não acredito que tenha modificação nenhuma. Tenho absoluto asco de políticos. Eles são todos iguais, independentemente de partido. É uma gentalha que não me fascina. É gente que deve ser apedrejada. Acho que neste momento de um governo particularmente demagógico e populista, uma identidade ‘popular’ está mais em evidência. Ajuda, inclusive, a manipulação do governo em relação à população.

Pensamentos e influências
- Seu texto exalta a ironia, a crítica ácida. Que autores o ensinaram a pensar assim?
- Praticamente tudo o que eu li era irreverente. Minha linhagem literária é de Cervantes, Swift, Voltaire, Rabelais. Uma linha cômica, sarcástica e muito ácida. Eles foram os escritores que fizeram minha cabeça. Ela é desse jeito por causa deles.

- Há algum autor brasileiro de que o senhor goste?
- João Cabral [de Melo Netto]eu gosto muito. E Policarpo Quaresma foi o melhor romance que fizeram no Brasil.

- E dos novos autores?
- Não tenho lido muita coisa. Não estou bem informado. Parei no Dalton Trevisan, e continuo a crer que ele faz o melhor da literatura ainda hoje.

- O jornalista Ivan Lessa também teve um peso importante em sua formação.
- Abandonei o curso de ciências políticas no segundo ano por culpa dele. Fui para a Inglaterra na juventude para estudar na London School of Economics. Tinha 19 anos. Procurei Ivan como fã. Foi a primeira e única vez que busquei uma pessoa por isso. E ele começou a me encher de livros. Íamos comer em um restaurante chinês, às quartas-feiras, e ele sempre levava três livros para mim, que eu lia no arco entre uma semana e outra. Entre a leitura com esse tutor e a universidade, achei melhor o Ivan Lessa e sua biblioteca.

- Como entrou para a Veja e se aproximou do jornalismo?
- Entrei na Veja há 12 anos, a convite de Mário Sérgio Conti [editor da revista na ocasião]. Ele já era meu amigo, fomos apresentados por Ivan Lessa. Minha entrada acabou sendo uma espécie de favoritismo muito brasileiro. Na época, não pensava em jornalismo. Considerava que era incompatível com meu exercício da literatura. Esperava viver de livros. Como não consegui, fui para a imprensa. Quando não tive mais meios de me sustentar, o jornalismo acabou aparecendo como minha tábua se salvação. Nos primeiros oito anos da revista, fiz matérias de viagem e resenhas. E quatro perfis, feitos no início dos anos 90, com Gore Vidal, Cicciolina, Nelson Piquet e Ivan Lessa. Fui contratado mesmo para escrever perfis. No começo do trabalho lá, me mantive de forma precária. Mas depois da coluna, que tenho há quatro anos, vivo bem.

- Polêmicas sempre cercam sua coluna na Veja. Foi o caso do texto sobre as comemorações do centenário de Drummond, no qual questionou a qualidade de alguns poemas dele. Por que atacar a obra drummondiana?
- Sobre Drummond, você pode falar bem ou falar mal. Se pegar os melhores poemas dele, vai falar bem. Se pegar os piores, vai falar mal. Eu peguei os piores e fiz uma seleção do que há de mais abominável no que ele fez. Não quis fazer um tratado sobre Drummond. Apenas peguei a celebração de seus 100 anos , todo o kitsch daquela comemoração e a má leitura do que se faz de Drummond, e acabei prestando um serviço a ele. O que se lê de Drummond por aqui, hoje em dia, é quase sempre o que ele fez de pior. Claro enigma é seu melhor trabalho.

- Hoje o senhor se considera mais jornalista do que escritor?
-Penso que eu sou só jornalista a esta altura. Não estou escrevendo nenhum romance. São duas coisas quase incompatíveis. Escreveria maus romances agora.

- Sua experiência com cinema lhe trouxe dissabores?
- Eu jamais meterei as mãos novamente no território cinematográfico. Perdi dinheiro com o cinema. Passo longe. Quando fiz Dezesseis zero sessenta, com meu irmão Vinícius, experimentamos um grande anti-clímax. Demoramos quase cinco anos para lançar Mater Dei porque nos recusamos a usar dinheiro público. No fim, o filme não foi bem distribuído, nem bem recebido. As pessoas estão acostumadas com a televisão e o videoclipe. E Mater Dei valia pela discussão.

- O senhor costuma ver cinema brasileiro?
- Não. Não tenho acesso. Morando fora não vejo nada.

- Há alguma obra na história do cinema brasileiro que tenha lhe marcado?
- Absolutamente nada. O Brasil não conseguiu fazer um bom filme. Deus e o diabo na terra do sol, por exemplo, eu acho chatíssimo."
........................
Disponível em http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/asp190220039995.htm.

domingo, maio 27, 2007

O que é um milagre.

“(...) Definir o milagre como ruptura das leis naturais é de certo modo você inverter a realidade porque tudo o que você chama de natureza é o círculo daquilo que você conhece, e você sabe que para lá da natureza existe o infinito. Ora, então se o universo finito que você conhece tá dentro do infinito, é claro que o infinito transcende e abrange o universo conhecido. E se ele transcende e abrange, é ele que determina, é o infinito que tá com a corda toda, não é o finito não. Quer dizer, se você pegar todas as leis conhecidas da natureza, conhecidas e por conhecer, elas são como queijo suíço, elas são cheias de buraco. As leis da natureza jamais completarão um tecido de realidade, você tá entendendo? O finito está entrecortado pelo infinito.
Então quer dizer que o infinito está continuamente realimentando, se você tomar a realidade como um conjunto de possibilidades finito e a idéia mesma de lei científica é isso, que é possível um sistema fechado... isto não tem como existir por si, é necessário que o infinito o alimente continuamente com novas possibilidades...( de outro modo ) seria a entropia total. Então não é o milagre que rompe a lei da natureza, a lei da natureza é apenas um pedaço que está preenchido entre dois rombos, vamos dizer, de infinito. Então isso quer dizer que o milagre não apenas acontece de vez em quando, mas ele é uma necessidade absoluta, quer dizer, o mundo se sustenta dentro disso. O mundo natural se sustenta dentro do milagre, do miraculoso. O miraculoso é aquela ação que vem do infinito.(...)"
Olavo de Carvalho, no sétimo bate-papo com Yuri Vieira. Você pode ouví-los aqui.

sexta-feira, maio 25, 2007

"Love is the desire to do good to others."
"O amor é o desejo de fazer bem aos outros."
Livro de Urântia, parte 2, capítulo 56.

quinta-feira, maio 24, 2007

Três gerações

por João Nemo

em 21 de novembro de 2005
MidiaSemMascara.org

Nada como enterros e casamentos para uma rápida atualização sobre o andamento da vida de familiares distantes e amigos antigos. Felizmente, o último evento desse tipo a que compareci foi o belo e festivo casamento do filho de um querido amigo de juventude. Não há muitos ultimamente. Com exceção dos homossexuais militantes, empenhados em casar segundo tanto se fala, a geração que deveria estar embarcando nessa, parece ter certa dificuldade em assumir compromissos e vai, numa opção racional, exercitando relacionamentos com horário marcado e otimizando seus próprios orçamentos mantendo-se na casa dos pais. Mas, por algum fenômeno astrológico, vez ou outra há um surto de matrimônios.
O fato é que um largo círculo de amigos da minha adolescência nos “anos incríveis” encontrou-se para comemorar o arrojo anacrônico desse jovem que, depois de um longo período vivendo com a sua eleita no exterior, resolveu brindar a mãe pátria e a CNBB com a fundação de mais uma família brasileira.
Como o cachimbo faz a boca torta, não pude evitar algumas meditações sociológicas sobre o grupo ali reunido e estender um pouco a visão do cenário para abarcar a geração que nos precedeu e que ainda tinha alguns escassos representantes ao vivo e a cores no local. O que no passado me teria parecido apenas normal, porque era o meio em que fui criado, saltou aos meus olhos com muita clareza. Quase todos nós, senão todos, tínhamos uma história de vida assemelhada sob vários aspectos. Nossos pais, na maioria dos casos, eram gente simples e de pouco estudo, alguns mesmo levemente alfabetizados. De profissão, pequenos comerciantes, funcionários, trabalhadores de ofícios diversos. Alguns eram migrantes, em especial portugueses, como meus pais, mas também italianos, espanhóis, japoneses, etc. Vários de nós fomos alunos de escolas públicas o que, naquele tempo, podia significar algum estabelecimento mais exigente do que boa parte dos particulares. Da geração dos nossos pais para a nossa, o grande diferencial foi o nível de estudo e a conseqüência foi uma razoável ascensão social. O filho do mestre de obras tornou-se empresário de sucesso; o do pequeno comerciante chegou a diretor de banco; a costureira viu o seu tornar-se médico e assim por diante. Girando os olhos pelo salão eu me atreveria a dizer que dali se poderia extrair um ministério bem melhor que o do atual governo, mas não sei se isso é lá muita vantagem.
Na geração que nos antecedeu predominava a escolaridade básica, o trabalho árduo, mas não o intelectual. Meu pai fez serviço de rua para um escritório de administração até os 82 anos de idade. Nós, os filhos, começamos a encontrar os primeiros empregos por volta dos 14 anos, muitas vezes ajudando os pais em alguma coisa antes disso. Muitos passamos pelo ritual de sermos primeiro “office-boys” e depois auxiliares de escritório. A longa amizade que tive com meu primeiro patrão, um relojoeiro romeno fugido do paraíso comunista, com quem eu gostava de manter longos papos enquanto ele montava e desmontava relógios, é assunto para uma crônica específica, pois só agora, depois de tantos anos, eu aprendi que ele era, na verdade, um sórdido explorador do trabalho infantil, uma figura nociva e perversa que eu deveria ter processado e submetido às mais diversas extorsões em nome da sacrossanta lei tutelar que protege a nós outros, os coitadinhos.
Mas, o fato é que pude contemplar, nessa como em outras ocasiões, que na minha geração, entenda-se, no meu círculo de amizades antigas, predominam os tipos que nos “esteites” denominam “self made man”, mas, em grande parte, foram “made” mesmo pela associação de mérito próprio com o empenho de pais humildes e dedicados, cuja fé era que estudo e trabalho geravam oportunidades e construíam cidadãos bem sucedidos na vida. Pode-se dizer que é uma boa fórmula e que deu certo.
O que fizemos nós, então, além de termos casas e automóveis melhores, viajarmos mais e propiciarmos cirurgias plásticas às nossas esposas? Ora, continuamos acreditando na fórmula que deu certo: investimos pesadamente na educação dos filhos. Esta nova geração de jovens adultos, a terceira na minha breve “trilogia”, como diriam os cinéfilos, freqüentou as melhores escolas privadas, até porque as públicas foram destruídas nesse meio tempo. Teve, também, acesso a Clubes Esportivos, aprendeu outras línguas, ganhou computadores, fez intercâmbios no estrangeiro, formou-se nas Universidades de maior prestígio e quando trabalhou foi mais para adquirir “bagagem” do que por necessidade. Como gente que aprendeu, por experiência própria, o valor do estudo, do empenho e da qualificação profissional, tentamos transmitir esse método e torcemos para que os filhos nos superassem. Acho que, na maioria dos casos, fomos bem sucedidos. Minha filha, aquela que costuma bisbilhotar os meus textos, garante com um risinho irônico que, superar-nos, não é um desafio tão grande. Pretensão e água benta não fazem mal a ninguém, como diria minha mãe.
Mentalmente percorro, agora, numa última rodada, o que vem ocorrendo com esta terceira geração. O indicador máximo de sucesso, comentado com orgulho pelos pais numa conversa, é quando o filho ou a filha obteve uma colocação no estrangeiro. Como um boleiro que tivesse sido contratado pelo Barcelona, está atestada a qualidade do rebento, cuja capacidade e talento exigem um horizonte mais amplo do que oferece o espaço nacional. Quase todos, de alguma maneira, flertam, flertaram ou vincularam-se, definitivamente, a atividades no exterior. Nada contra. O que me incomoda é que não possamos, no Brasil, oferecer oportunidades equivalentes. Estamos, em muitos casos, exportando inteligência a preço vil. O país que um dia se deu ao luxo imbecil de proibir a contratação de professores universitários estrangeiros, evitando, assim, a importação líquida de neurônios, expulsa o produto nacional por incapacidade de utilizá-lo. Enquanto se entoam loas aos bons indicadores macroeconômicos (sic), comemoram-se crescimentos pífios ao lado de recordes sucessivos de arrecadação, o país mostra-se amesquinhado, sem oferta significativa de empregos qualificados, sem fé ou projeto. Os jovens saem das Universidades para disputar com unhas e dentes, através de performances teatrais denominadas de “dinâmica de grupo”, escassas vagas para privilegiados “treinee”. A grande meta de Estado proposta é ter várias refeições por dia o que, convenhamos, por desejável que seja, é muito rasteiro para figurar como objetivo nacional, principalmente pelos métodos utilizados. Na política externa, fazemos cara de nojo para países de ponta e saímos paparicando ditaduras miseráveis e outros potenciais adeptos para, quem sabe, formar um clube de ressentidos e fracassados.
O volume de jovens que busca encontrar lá fora o que parece esgotado aqui dentro é enorme. Nem todos vão porque as oportunidades sejam luminosas. Moças e rapazes bem formados, com curso superior e eventualmente poliglotas, arrumam artifícios para se instalar em diversos países como garçons, babás, auxiliares de alguma coisa e, quem sabe, descobrir um trajeto para uma vida melhor em algo parecido com o que estudaram. Até uma certa fase, vale a experiência e a aventura, mas, durante o referido reencontro, a filha de um amigo, preparando-se para retornar à Nova Zelândia, rebateu as esperanças dele com outra explicação, simples e direta, para a sua insistência em achar rumo fora daqui: “Pai, eu não vou passar a minha vida chamando a segurança para entrar e sair de casa”. Não pude deixar de reconhecer a força do argumento e, pior, a ironia do fato de que esse velho companheiro, graças a um talento muito acima do normal, atingiu a Vice-Presidência de uma grande empresa e, como corolário do seu sucesso, tem a família toda andando em carro blindado. Paranóia? Não, os fatos já comprovaram a necessidade. Não posso sair do rumo neste texto, mas fique claro que essa situação, segundo meu ponto de vista, é decorrência direta do tipo de elite que nos dirige. Não a misteriosa “zelite” do apedeuta, mas essa leniente, incapaz, retrógrada e hipócrita da qual ele faz parte.
Diferentemente dos jovens de países europeus, por exemplo, que se deslocam enquanto estudantes em busca, como eu já disse, de experiência e aventura, os nossos vão formados, sempre na expectativa de encontrar uma oportunidade fora. Este país, contrariando toda a lógica, a sua própria história e as expectativas típicas da minha geração, oferece uma porta estreita de oportunidades. Não são apenas migrantes de Governador Valadares que estão saindo. É boa parte da nata da nossa juventude e, mesmo quando retornam, freqüentemente o fazem como uma espécie de alternativa menor, aceita apenas porque o plano mais ambicioso não deu certo.
Não sei o que podemos esperar de um processo como esse. Os cérebros que não são destruídos por um ensino deplorável, que não são massacrados pela escola de oportunismo propagada pelos meios de comunicação e pelo exemplo que vem do alto, começam a ser exportados. Ainda é um fenômeno reversível, porque recente, mas poderá não sê-lo por muito tempo. Em boa linguagem sociológica eu diria que estamos sangrando capital humano. Como pai, eu diria que estamos, simplesmente, exportando o melhor fruto do nosso esforço.

Diálogo no filme Scent of woman ( em português Pefume de mulher )

- You know what kept me going all these years ?
The thought that one day..
Never mind.
( Sabe o quê me me fez continuar durante esses anos todos?
Achar que um dia..
Esquece. )

- What?
( O quê? )

- Silly.
Just the thought that maybe one day, I´d..
I could have a woman´s arms wrapped around me..
and her legs wrapped around me.
( É bobo.
Apenas achar que um dia, talvez, eu teria..
eu poderia ter os braços de uma mulher me envolvendo..
e suas pernas me envolvendo. )

- And what? ( E o quê mais? )

- That I could wake up in the morning and she would still be there.
Smell of her.
All funky and warm.
( Que eu poderia acordar de manhã e ela ainda estaria lá.
O cheiro dela.
Encolhida e quentinha. )

..........

tradução minha.

quarta-feira, maio 23, 2007

Leonidas: You, what is your profession?

Arcadian soldier: I'm a potter, sir.

Leonidas: And you, arcadian, what is your profession?

Arcadian soldier: I'm a sculptor.

Leonidas: And you?

Arcadian soldier: I'm a blacksmith.

Leonidas: [Turning towards the Spartans] Spartans! What is your profession?

Espartanos: Harooh! Harooh! Harooh!

Leonidas: See old friend, I brought more soldiers than you did.

http://www.youtube.com/watch?v=VMwwb4F5j8I

Com os devidos créditos para a usuária Amanda, do orkut, a quem não conheço, motivo pelo qual não deixarei o link para seu perfil aqui.

terça-feira, maio 22, 2007

Cartas de amor

Aboard Air Force One
March 4 1983

"Dear First Lady

I know tradition has it that on this morning I place cards Happy Anniversary cards on your breakfast tray. But things are somewhat mixed up. I substituted a gift & delivered it a few weeks ago.

Still this is the day, the day that marks 31 years of such happiness as comes to few men. I told you once that it was like an adolescent's dream of what marriage should be like. That hasn't changed.

You know I love the ranch but these last two days made it plain I only love it when you are there. Come to think of it that's true of every place & every time. When you aren't there I'm no place, just lost in time & space.

I more than love you, I'm not whole without you. You are life itself to me. When you are gone I'm waiting for you to return so I can start living again.

Happy Anniversary & thank you for 31 wonderful years.

I love you

Your Grateful Husband"

Esta carta de amor foi escrita pelo ex-presidente norte-americano Ronald Reagan para sua esposa Nancy, durante o mandato presidencial de 1981-84. Outras cartas de amor de pessoas famosas podem ser lidas no link http://www.theromantic.com/LoveLetters/main.htm.

Não sou nenhum especialista no tema, apenas escrevi minha carta de amor. Acredito, no entanto, que a tradição de escrever cartas de amor esteja se esvanecendo. Escrever cartas de amor é algo meio ridículo, todo mundo deve se sentir algo assim quando escreve uma. As pessoas hoje têm tanto medo de parecer ridículas que não fazem coisas fundamentais. A falta de confiança na sociedade se traduz em negativas de demonstrações de amor verdadeiro, porque se receia que façam troça do sentimento manifestado.

domingo, maio 20, 2007

Frase do deputado Clodovil Hernandez em ato promovido pelo movimento gay ( que, aliás, vaiou-o durante seu discurso ):
"Não tenho orgulho de ser gay, tenho orgulho de ser quem sou."

sábado, maio 19, 2007

Tolerância zero

Em homenagem ao post anterior, seu Saraiva neles.

Reportagem no Fantástico sobre briga entre Cida Diogo e Clodovil Hernandes

( Clique no título )
Neste vídeo, depois de contada a história da briga - ou melhor, do escândalo feito por uma das partes - entre os deputados Cida Rodrigo e Clodovil Hernandes, a repóter entrevista uma senhora especializada em boas maneiras, que diz que em casos como este é perfeitamente cabível pedir retratação e até indenização. Às vezes acho que o Brasil tá melhor servido com gente cínica e dada a chiliques feito petistas do que com as pessoas que aprovam com a maior cara lavada o chilique alheio, como se fosse a atitude mais sã e criteriosa do universo. Então agora qualquer constrangimento pode levar uma pessoa a exigir retratação de quem lha causou, e pedir indenização? Acaba de me ocorrer a brilhante idéia de entrar na Justiça contra minha mãe porque ela me causou um mal-estar no momento em que nasci, expelindo-me do confortável ambiente que era o útero materno. Eu cheguei a chorar quando isso aconteceu.

terça-feira, maio 15, 2007

Cena final do filme Estrada para perdição.

Referindo-se a seu pai Michael Sullivan, que fora um assassino profissional, Michael Sullivan Jr. diz o seguinte:
"When people ask me if he was a good man, or if there was nothing of good in him, I just say... he was my dad."

domingo, maio 13, 2007

Frase que vi no blog www.folhasdispersas.blogspot.com, de Tiago Ramos. Não resisto a transcrevê-la:
"Os marxistas inteligentes são patifes. Os marxistas honestos são burros. E os inteligentes honestos nunca são marxistas."( J.O. Meira Penna ).

Ééééee...

Assistindo ao filme 300

Primeiro, a atuação do Rodrigo Santoro foi muito boa, aquele jeito de dizer que é um rei bom, querendo na verdade que todos se ajoelhem a si foi muito bem representado. Um deus bom, que na realidade não o é, já sinto o cheiro de gnosticismo.. Xerxes é parecido com "os outros" da série Lost, que se dizem pessoas boas, mas que raptam crianças, seqüestram pessoas, etc, como disse o personagem Jack. Rodrigo Santoro trabalhou bem. O ator que representa Leônidas não fica atrás. Leônidas é um homem seguro, que ama sua esposa e seu país, e está disposto a deixar em segundo plano a tradição se necessário para salvá-los. Lembro agora do Cristo dizendo que os fariseus corrompem a lei, alterando seu verdadeiro significado ( ver Mt, 15 1-21 ). Afinal, que lei pode ser mais importante do que a defesa da cultura que proporcionou a sua existência?
Leônidas, rei dos espartanos, sabia cada passo da batalha travada em Termópilas. Provavelmente cria também ( e aqui deixo de me referir ao Leônidas personagem do filme, mas ao homem real ) realizar a profecia de que seria necessário um rei espartano morrer para que a cidade de Esparta fosse salva.
Agora é a vez de George Clooney filmar esta belíssima história. O ator comprou os direito do livro Gates of fire, escrito pelo romancista histórico de mão cheia Steven Pressfield, que conta a história do ângulo de um soldado-escravo espartano, desde o momento em que sua aldeia foi destruída e ficou órfão, passando por sua estadia em Esparta, até a luta e morte gloriosas em Termópilas. Grande livro.

quarta-feira, maio 09, 2007

Educação em Cuba

( Clique no título )
É triste. A professora inocula ódio nas crianças. Che Guevara era um assassino ( ver Che Guevara: The killing machine, por Mario Vargas Llosa ), não um homem honesto.

Comentário sobre aborto e eutanásia

O mote do artigo comentado era o desarmamento. Falava ainda sobre aborto e eutanásia, que foram o tema principal do comentário. Um rapaz chamado Bernardo ficou muito enfezadinho da vida por eu ter dito que não é certo a mulher matar o seu próprio bebê, e saiu dizendo que eu era machista, meio enrolado com as palavras, pois não sabia escrever. Respondi à altura, e um pouco além, razão pela qual já me penitenciei. O link é www.thiagoprado.blogspot.com.

"É de uma contradição esse tipo de direita?
Não pelos motivos que você elencou. Se não vejamos.
Seu argumento foi que os conservadores não querem ver a cara do Estado quando o assunto é porte de armas, porém quando o assunto é aborto e eutanásia querem proibir a liberdade das pessoas.
Em primeiro lugar, é falsa a idéia de que os conservadores, esses que você citou como exemplo, são contra a interferência do Estado no domínio das armas. Nunca vi o Olavo falando contra a regulamentação imposta para a liberação ao porte de arma, a qual estabelece condições que incluem a aprovação em um batalhão de testes, da mesma forma que tirar carteira de habilitação de motorista. A pessoa precisa ter ainda mais de 25 anos. Muito ao contrário, já o vi dizendo algo no sentido de que a pessoa que possui arma deveria estar obrigada a ajudar a polícia em certos casos.
Segundo ponto: a liberação do aborto é um assunto que vai além da discussão da ingerência do Estado na vida particular das pessoas, caso se considere, como eu considero, que aquela coisinha expelida pelo aborto é uma pessoa. E que portanto o aborto é um assassinato. Aí você tem dois valores em jogo: a vida daquela coisinha e a liberdade da mulher de tirar algo indesejável do seu corpo. A prevalecer este segundo valor, segue que o Estado está desobrigado a proteger a vida das pessoas porque em primeiro plano está uma liberdade individual que inclui a faculdade de matar outra pessoa. É o estado natural que Thomas Hobbes imaginou em um exercício de lógica pessimista sem comprometimento com a realidade. No estado natural não havia o Estado.
Para aqueles que não consideram aquela coisinha expelida pelo aborto como uma pessoa, o que talvez seja o seu caso, então realmente a proibição do aborto é uma intromissão indevida do Estado na esfera individual. Na discussão sobre liberação do aborto, há portanto uma diferença de entendimento quanto a essência daquela coisinha expelida, o que não nada tem a ver com o fato de o Estado poder ou não se intrometer na liberdade das pessoas, a não ser, como já assinalado, que se considere que o Estado não deva proteger a vida ( e nem a liberdade, pois a pessoa cuja vida está ameaçada também tem, por conseqüência necessária e óbvia, sua liberdade ameaçada ). Você poderá dizer que o Estado, enquanto proíbe a prática do aborto, está decidindo qual a essência daquela coisinha expelida, uma vida humana neste caso, e que a decisão sobre a essência daquela coisinha deveria ser deixada ao arbítrio individual, cada mãe decidindo o futuro de sua coisinha. Se o Estado adotasse essa posição, não significaria pari passu que ele estaria imparcial na questão. Pois a permissão ao aborto implica na aceitação pelo Estado de que aquela coisinha não tem vida, ou então na aceitação de que, em havendo vida, a mulher pode escolher tirá-la, o que é um assassinato dentro da lei. Nesta situação, não há isenção. Qualquer atitude ( ou omissão ) já manifesta uma posição. Pôncio Pilatos lavou as mãos, e Jesus Cristo foi crucificado do mesmo jeito.
Resta que qualquer legislação sobre o aborto já implica uma posição sobre o assunto. Ou aquela coisinha é uma vida ou não é. Não sendo possível afirmar categoricamente tanto uma quanto outra hipóteses, a atitude plausível é preservar a vida da coisinha em detrimento da liberdade da mulher de expelí-la de seu corpo.
Sempre que começa essa discussão sobre aborto, eu digo que meus pais não queriam ter tido filho no momneto que tiveram, preferiam ter deixado para depois. Se o aborto fosse uma prática legal e culturalmente válida na época, eu poderia não existir. E nem os meus pais, que nasceram sem querer. Cito por fim uma frase do presidente norte-americano Ronald Reagan, que é uma sacada genial: "I've noticed that everyone who is for abortion has already been born."

Eutanásia: necessário marcar a diferença entre eutanásia e suicídio assistido. Este requer o pedido da pessoa para ser morta tendo em vista que nas suas condições não consegue se matar. É o caso deste último filme do Clint Eastwood, um dos piores dele, e que ganhou o Oscar de melhor filme. A boxeadora quer se matar no leito do hospital, mas não tem mais o movimento de braços e pernas, e por isso o jeito de realizar o seu intento é pedir a ajuda de seu ex-técnico e amigo.
Eutanásia, por sua vez, é matar uma pessoa que estaria sofrendo bastante, mas fazê-lo sem que a pessoa interessada esteja consciente disto. É um assassinato portanto.
O suicídio assistido é um assunto que estaria unicamente ligado ao arbítrio individual, e o Estado não deveria portanto se meter. No entanto, as leis de um país não são feitas unicamente, e nem primordialmente, com fundamento no direito natural. Há uma cultura, uma visão de mundo anterior que dá base a elas, moldando-as. O fato de se permitir que uma pessoa possa matar outra pessoa, mesmo que a pedido desta, traz consequências não apenas para as pessoas envolvidas mas para toda a nação, haja vista a repercussão havida no caso Terry Schiavo ( que não é um caso de suicídio assistido e nem de eutanásia exatamente, mas uma terceira coisa ). Nestes casos em que a cultura de um país está envolvida, penso que a discussão sobre a ingerência ou não do Estado é coisa posterior. A própria concepção de Estado depende da cultura, a qual poderá estar sendo seriamente abalada por uma decisão errada. Esse é o caso da discussão sobre o suicídio assistido, que traz no seu bojo o valor que uma cultura dispensa à vida humana.
Não está no mesmo patamar a discussão sobre desarmamento. Esta se liga principalmente a argumentos do direito natural e do bom senso, os quais mandam que um homem tenha os meios para defender a sua casa, a sua família e a sua vida.
Quando você for falar sobre um assunto delicado e espinhoso como o aborto ou a eutanásia, não deixe que sonhos brancos de alguma forma interrompam ou diminuam a sua análise sobre estes assuntos. A imaginação e os sonhos têm sentido e função intelectual na medida em que nos aproximam do real. Quando servem para nos afastar dele, aí eles se tornam monstrinhos da razão."

Ps: O filme de Clint Eastwood é ruim, mas a atuação de Morgan Freeman foi ótima.

domingo, maio 06, 2007

"Let them come to Berlin"

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"They say communism is an evil system, but it permits us to make economic progress.. let them come to Berlin."
Discurso de John F. Kennedy em Berlim ocidental.

sexta-feira, maio 04, 2007

Ohem que maravilha!

Marcelo Victor Gomes, criador da comunidade Filosofia da linguagem no Orkut, propôs uma enquete nos seguintes termos: "A comunidade tem que ser moderada? Pessoal todo dia o dono da comunidade tem que tirar vários tópicos pornográficos, a moderação diminuirá consideralvemente tal encômodo."
Pois é, se o criador da comunidade Filosofia da linguagem não for se encomodar, realmente gostaria que ele escrevesse um pouco melhor.
"If we consider men and women generally, and apart from their professions or occupations, there is only one situation I can think of in which they almost pull themselves up by their bootstraps, making an effort to read better than they usually do. When they are in love and are reading a love letter, they read between the lines and in the margin; they read the whole in terms of the parts, and each part in terms of the whole; they grow sensitive to context and ambiguity, to insinuation and implication; they perceive the colors of words, the odor of phrases, and the weight of sentences. They may even take the punctuation into account. Then, if never before or after, they read."
Mortimer Adler, em How to read a book ( capítulo 1, parte 4 ).

sábado, abril 28, 2007

Comentário ao post anterior

O cachorro tem mais fervor religioso que o menino.

Que foto legal.


Frase do post abaixo.

"Não adianta dizer isso para um garoto de 17 anos."
Não adianta dizê-lo fica bem melhor, não é não?

A existência de Deus foi provada?

na comunidade Olavo de Carvalho, no orkut, fiz esses dois comentários no tópico com o nome acima:

"Existe a frase do Olavo, que ele gostava de repetir em sala de aula: "um ser necessário existe necessariamente." Isso não é uma prova exatamente, é um juízo auto-evidente. Porém, para descobrir o seu significado e validade, para entendê-lo, é preciso ter experiência de vida, e esse ponto era ressaltado pelo Olavo. Não adianta dizer isso para um garoto de 17 anos. Eu tenho 23, venho entendendo aos poucos. O argumento é uma simplificação do argumento ontológico de Santo Anselmo. Pense no ser maior que existe, não há nada de maior que você possa pensar além deste ser, este ser em que você pensou é Deus. O argumento ontológico foi bem explicado pelo Mário Ferreira dos Santos no livro O homem em busca do infinito."

"Deixo aqui também uma passagem do Livro de Urântia sobre o tema:"The existence of God can never be proved by scientif experiment or by the pure reason of logical deduction. God can be realized only in the realms of human experience; nevertheless, the true concept of the reality of God is reasonable to logic, plausible to philosophy, essential to religion, and indispensable to any hope of personality survival." ( Part 1, Paper 1 )."

Link para o orkut.

Obs: o nome do livro de Mário Ferreira dos Santos não é O homem em busca do infinito, mas O homem perante o infinito.

quinta-feira, abril 26, 2007

Eu FUI. Eu fui ao espetáculo Café de los maestros. Aqui eles tocam Tanguera. Enjoy.

quarta-feira, abril 25, 2007

Entrevista de Rodolfo Dinzel

Entrevista do mestre de tango Rodolfo Dinzel concedida à revista Milonga Argentina de Outubro de 2006. Rodolgo e sua esposa e parceira Gloria trabalham na teorização do psicotango, tentativa de compreender a música como ferramenta terapêutica.

- Esto no es nuevo, ya trabajó en hospitales.
- Con Gloria hace doce años iniciamos la enseñanza a personas con capacidades diferentes, trabajamos con patologías declaradas, cuidados paliativos, mal de parkinson, psicóticos leves.
- ¿Entonces el tango cura?
- Mirá, el Barón Megata en 1920 algo decía al respecto, yo sólo tomé la posta. Este noble japonés, que hereda el título de su padre, enfermo en su piel, viaja a Francia para ser tratado. En París complementa tratamientos médicos con el cabaret "El Garrón", dermatólogos y las orquestas de Juan Canaro y Manuel Pizarro. Así descubre o decide que es el tango quien lo cura. Megata comienza a enseñar nuestra danza en su castillo y aquel descendiente de samurai se transforma en director de una academía de tango.
- Maestro, ¿el tango es improvisación?
- Sí, las coreografias son para los artistas, el pueblo se ajusta a las figuras, utiliza la improvisación secuencial, esto es el uso de las figuras conocidas - el vocabulario se me ocurre agregar - en el orden que la música nos pide.
- Improvisar, enamorar. ¿Por qué aparecen verbos de estas características si el tango, dicen, es tristeza pura?
- Mirá Nietzsche decía que un individuo está realmente preparado para una disciplina cuando al hacerlo, tiene la seriedad de un niño cuando juega. Esta seriedad no inhabilita ni el gozo, ni una sonrisa.
Juan Pablo Guerri

sábado, abril 21, 2007

Profumo di donna

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A maravilhosa cena do cinema em que o coronel Slade senta-se à mesa com a senhorita e a convida a bailar un tango. En italiano. Imperdível.

sexta-feira, abril 06, 2007

Alborghetti manda à merda

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A legenda está errada: não é vender uma fita por 200 reais, é vender uma vida por 200 reais. Vá à merda, porra.

quarta-feira, abril 04, 2007

Mercedes Sosa cantando Naranjo en flor.

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Bom, como eu não consigo cadastrar meu blog no Youtube para poder postar os vídeos aqui mesmo, vou deixar o link. Computador é uma coisa, às vezes dá vontade de quebrar.
O comentário é o seguinte: a Mercedes Sosa tá parecendo o geléia dos Caça-fantasmas nesse espetáculo. Eu assisti a uma parte do espetáculo na televisão quando estava em Buenos Aires. A música é um clássico, esse tom lastimoso do bandoneón, ótimo. Vejam. Vale a pena.