domingo, fevereiro 02, 2014

Os shudras do capitalismo

Os shudras podem ser divididos em subcastas. há os trabalhadores técnicos, com formação técnica, a classe média, há o lumpemproletariado, que é mais propriamente o sentido clássico de proletariado, etc. Os shudra podem economizar, podem ter papel ativo dentro do capitalismo. Eles poupam para que alguém com uma idéia de exploração comercial lhes tome emprestado. Médicos, engenheiros, administradores, embora próximos da casta intelectual, porque se formaram em instituições mantidas pela casta intelectual, não são intelectuais. São profissionais liberais, profissionais especializados, só o cultivo de um cultura humanista em cursos livres lhes franqueará acesso aos bens espirituais da casta intelectual genuína. Esses bens espirituais, justamente porque são o bem, estão franqueados a todos os membros da sociedade, a despeito de sua casta, ou sub-casta. Ele perpassa todas as castas, e na realidade, ninguém é seu dono, mesmo seus soi-disant guardiões não têm poder de barrar seu acesso último, porque está presente em cada um, pelo Ajustador do Pensamento. Não se acha num livro, embora o livro possa facilitar seu acesso. O contato dos shudras com os bens espirituais, em nosso planeta, se pode dar através dos sermões de padres, sacerdotes, etc. Ou da leitura de livros.

Cientistas, pesquisadores, etc, classificaria como uma sub-casta que fica nas franjas da casta intelectual, quase num limite com as castas militar-política ou empresarial. Embora longe de discursarem sobre bens essenciais ou aparentes do homem e da sociedade, têm um nítido trabalho intelectual. Trabalham com as ciências úteis, ao contrário das inúteis. O produto de seu trabalho, mais que importantíssimo, é da essência do avanço do capitalismo e do poderio militar. É o tipo de profissional mais difícil de classificar na sociologia das castas.

Dinesh D'Souza não disse, mas os fundadores dos EUA, ao inverter a equação segundo a qual os brâmanes tinham todo o status e os empresários não eram lá bem vistos, eram de segunda classe, de terceira, no caso, ao inverter esse modelo, sem deixar no entanto de investir na espiritualização de seu empresariado, seja na rotina dominical de ir à igreja, de frequentar uma maçonaria leal a seus propósitos de devoção ao espírito, seja na generosidade comum de bater à porta do vizinho e perguntar como ele vai, eles, pelo cultivo dessas virtudes, permitiram de quebra a desproletarização dos shudras. Segundo o princípio da irmandade dos homens, ignorante e bárbaro, embora, esse homem que trabalha para mim é um irmão, que pode e deve ser educado. E uma vez educado pode se alçar como um vaixa de pleno direito. Se não se lançar, poderá contribuir para o conforto material da sociedade poupando aquilo que não precisa consumir.* Poderá, sobretudo, ser uma cidadão pacato e bom, ciente de seus deveres perante Deus e os homens.

No Brasil, a atividade industrial de pequenos empreendedores desenvolvia-se subterrânea, longe da atenção de políticos e intelectuais, que só quiseram enxergar a ação comercial de latifundiários, seja para apoiá-la ou criticá-la do ponto de vista nacional-desenvolvimentista, que não notava que a alternativa industrial estava a mão e não dependeria do fortalecimento do governo. Se a notavam, descartavam-na como atividade reles no momento mesmo em que no antigo continente o capitalismo ganhava status aristocrático, embora, lá como cá, preconceitos tenham continuado.**

Direi mais: a única saída para a nossa época planetária capitalista é a espiritualização dos vaixas, é que o motor principal de sua atividade seja melhorar a vida do próximo ao invés de enriquecer. Sei que liberais vão chiar, mas, fazer o quê? Elites devem ser responsáveis, devem saber que sua riqueza foi adquirida por um homem em meio a homens.      

O proletariado mental e a servidão voluntária continuam, porém. Só vão ser abolidos se o homem, além de investir nos bens do espírito, começar a selecionar seus semelhantes, sim, estou falando de eugenia, como isso será feito, não me arrisco a dizer, apresentem-se geneticistas e biólogos. Dava para começar esterilizando doentes mentais, algo que a época de glorificação da patologia sentirá como um escândalo.


* Nos anos 70, Peter Drucker notou que os principais fundos de investimentos eram de trabalhadores. Poupando, o trabalhador pode emprestar a juros baixos para que o empreendedor pegue o invento de um cientista e o acabe num produto cuja utilidade consegue mostrar e disponibilizar a um monte de gente.

** Com todos os vícios do bárbaro que aportou em nossas terras, o brasileiro tem um sentimento de aventura que, educado como vontade de descoberta do desconhecido, ao invés de caotizado como compulsão, deve ser incentivado, não tolhido.

Nenhum comentário: