Notícia apresentada pelo usuário Leandro na comunidade do orkut Estamos com Alvaro Uribe, no dia 05 de abril.
O humorista mexicano Roberto Gómez Bolaños, conhecido como Chespirito, entrou na polêmica sobre o aborto no México, gravando uma mensagem de televisão contra a interrupção da gravidez. A mensagem de Chespirito, conhecido pelos personagens Chaves e Chapolin, foi transmitida na noite de terça-feira pela rede Televisa.
"Olá, sou seu amigo Chespirito. Quando eu estava no ventre da minha mãe, ela sofreu um acidente e ficou à beira da morte. O médico disse: 'você terá que abortar'. E ela respondeu: 'abortar, jamais'. Ou seja, defendeu a minha vida, e graças a isso estou aqui", disse Chespirito na mensagem.
A sociedade mexicana discute hoje um projeto em debate no Congresso da capital para descriminalizar o aborto. No domingo, grupos antiabortistas se manifestaram nas ruas da Cidade do México para protestar contra a iniciativa de legisladores esquerdistas, que propõem a descriminalização total. Atualmente o aborto só é permitido nos casos de risco de vida para a mãe, quando a gravidez é conseqüência de estupro ou se o feto apresenta má-formação. O prefeito da capital, Marcelo Ebrard, avisou que sancionará a lei, caso seja aprovada.
sábado, julho 07, 2007
terça-feira, julho 03, 2007
"What life expects from you?"
sábado, junho 30, 2007
Frase de Dostoiévski e o primeiro mandamento
"O mais importante não é o amor. O mais importante é a gentileza."
"Amarás a Deus sobre todas as coisas."
"Amarás a Deus sobre todas as coisas."
A mente liberal: as causas psicológicas da loucura política
Lyle H. Rossiter, Jr.
Segunda-feira, quatro de dezembro, 2006
http://www.townhall.com/
Dr. Lyle Rossiter, Jr., um psiquiatra forense, explica a loucura do liberalismo (1*) no seu novo livro The liberal mind: the psychological causes of political madness. Você pode ler um trecho logo abaixo, e mais em seu site libertymind.com.
Como todos os outros seres humanos, o liberal moderno revela seu verdadeiro caráter, incluindo sua loucura, naquilo que ele valoriza e desvaloriza, no que ele articula com paixão. De especial interesse, entretanto, são os vários valores que a mente liberal moderna despreza por completo: sua agenda não aponta o indivíduo como a derradeira unidade econômica, social e política; não idealiza a liberdade individual e a estrutura legal e ordem essenciais para mantê-la; não defende os direitos básicos da propriedade e do contrato; não aspira a ideias de autêntica autonomia e reciprocidade; não prega uma ética de auto-confiança e auto-determinação; não louva a coragem, indulgência ou paciência; não celebra as éticas do consenso ou as bençãos da cooperação voluntária. Não advoga pela retitude moral ou compreende o papel crítico da moralidade nas relações humanas. A agenda liberal não enxerga a origem da competência, aprecia sua importância ou analiza as condições de desenvolvimento e as instituições sociais que promovem sua realização. A agenda liberal não entende ou reconhece a auto-determinação ou impõe-lhe limites estreitos através da coerção estatal. Não celebra o genuíno altruísmo ou a caridade pessoal. Não aprende as lições da história que os males do coletivismo têm a ensinar.
Aquilo que apaixona a mente liberal é um mundo cheio de pena, aflição, necessidades, desditas, pobreza, dúvida, desconfiança, raiva, exploração, discriminação, vitimização, alienação e injustiça. Aqueles que ocupam este mundo são operários, minorias, adolescentes, mulheres e os desempregados. Eles são pobres, fracos, doentes, injustiçados, enganados, oprimidos, marginalizados, explorados e vitimizados. Eles não têm qualquer responsabilidade por seus problemas. Nenhuma de suas agonias é atribuível a faltas ou falhas suas mesmas: não é atribuída a más escolhas, maus hábitos, julgamento errôneo, "wishful thinking", falta de ambição, indulgência derrotista, doenças mentais ou defeitos de caráter. Nenhuma condição das vítimas é causada por falha em planejar o futuro ou aprender com a experiência. Ao revés, a raiz da causas de todos estas desgraças recai em condições sociais censuráveis: pobreza, doença, guerra, ignorância, desemprego, preconceito racial, discriminação étnica e de gênero, tecnologia moderna, capitalismo, globalização e imperialismo. Na mente liberal radical, esse sofrimento é inflingido ao inocente por vários predadores e perseguidores: o grande negócio, as grandes corporações, capitalistas selvagens, imperialistas americanos, os opressores, os ricos, a riqueza, os poderosos e os egoístas.
A cura liberal para esta miséria sem fim é um governo bastante autoritário que regula e administra a sociedade como se um berço fosse por meio de uma pesada agenda de redistribuição. É um governo a todo o lado fazendo tudo para todos. O mote liberal é "Um governo em que confiamos". Para livrar as pessoas de suas vidas atribuladas, a agenda recomenda a negação de responsabilidade pessoal, encoraja a auto-compaixão e a pena pelo outro, fomenta dependência do governo, promove a liberação sexual, racionaliza a violência, desculpa as obrigações financeiras, justifica o roubo, ignora a rudeza, prescreve a censura e acusação, desabona o casamento e a família, legaliza todo tipo de aborto, desafia as tradições sociais e religiosas, declara a desigualdade como sendo injusta, e rebela-se ante os deveres de cidadania. Através de múltiplos direitos a bens, serviços e status social não batalhados, o político liberal promete assegurar a todos bem-estar material, prover a todos cuidado médico, protejer a auto-estima de todos, corrigir a desvantagem social e política de todos, educar todo cidadão e eliminar todas as distinções de classe. Com os intelectuais liberais compartilhando a glória, o político liberal é o herói nesse melodrama. Ele ganha crédito por prover seus eleitores com qualquer coisa que queiram ou precisem mesmo que não tenham produzido por esforço próprio quaisquer desses bens, serviços ou status que lhe são transferidos mas, ao contrário, tenham tirado de outros por meio da força.
Já deve parecer até o presente momento que essas políticas sociais e paixões que as motivam contradizem tudo que é racional nas relações humanas, e que são portanto irracionais elas mesmas. Mas as concepções errôneas em que se baseiam essas paixões não podem ser vistas como mero escorregão cognitivo. O nível de irracionalidade do liberalismo moderno ultrapassa sobre maneira qualquer mau entendimento que possa ser atribuído a reunião de fatos mal feita ou ao erro lógico. De fato, segundo uma análise rigorosa, as distorções da habilidade normal da razão no liberalismo só podem ser entendidas como produto de psicopatologia. Tão extravagantes são os parâmetros de pensamento, emoção, comportamento e relacionamento característicos da mente liberal que seus protestos inflexíveis e demandas tornam-se compreensíveis apenas como desordens da psique. A mente liberal moderna, suas percepões distorcidas e sua agenda destrutiva são o produto de personalidades perturbadas.(2)
Como no caso de qualquer distúrbio de personalidade, defeitos deste tipo representam sérias deficiências no processo de crescimento. A natureza dessas deficiências é detalhada abaixo. Entre suas conseqüencias estão os esforços incisivos para deturpar a compreensão da natureza humana e negar certos requisitos indispensáveis das relações humanas. Em seus esforços para construir uma grande utopia coletivista em ordem a viver aquilo que Jacques Barzun chamou de "a vida incondicionada em que todo mundo estaria a salvo e tranqüilo através de um milhão de maneiras" o liberal radical procura atualizar no mundo real uma ficção idealizada que mitigará todas as dificuldades e curará todas as mágoas. ( Barzun 2000 ). Ele representa esta ficção, em essência uma peça de moralismo marxista, em vários teatros da ação humana, sobretudo nos mundos econômico, social e político. Mas a peça repetidamente malogra. Durante o século XX, as tentativas liberais radicais de criar um bravo mundo novo socialista falharam invariavelmente. No começo do século XXI suas tentativas continuam a resultar em economias estagnadas, declínio moral e destúrbio social agora espalhados pela Europa. Um crescente sistema de bem-estar social falido está colocando os Eua na trilha do mesmo destino se o liberalismo não for curado. Posto que os princípios da agenda liberal violam as regras da liberdade ordenada, seus esforços determinados a realizar fantasias visionárias acabarão inevitavelmente por se frustrar. Ainda assim, apesar de todas as evidências em contrário, a mente liberal moderna crê que sua agenda é uma ciência social saúdável. É, na verdade, péssima ficção científica. Ele persiste nesta agenda apesar de sua loucura.
Lyle H. Rossiter, Jr., MD é o autor de The liberal mind: the psychological causes of political madness. Ele recebeu sua educação de médico e psiquiatra na Universidade de Chicago e serviu por dois anos como psiquiatra no Exército americano. Presentemente, atua como profissional liberal na área de Chicago.
Segunda-feira, quatro de dezembro, 2006
http://www.townhall.com/
Dr. Lyle Rossiter, Jr., um psiquiatra forense, explica a loucura do liberalismo (1*) no seu novo livro The liberal mind: the psychological causes of political madness. Você pode ler um trecho logo abaixo, e mais em seu site libertymind.com.
Como todos os outros seres humanos, o liberal moderno revela seu verdadeiro caráter, incluindo sua loucura, naquilo que ele valoriza e desvaloriza, no que ele articula com paixão. De especial interesse, entretanto, são os vários valores que a mente liberal moderna despreza por completo: sua agenda não aponta o indivíduo como a derradeira unidade econômica, social e política; não idealiza a liberdade individual e a estrutura legal e ordem essenciais para mantê-la; não defende os direitos básicos da propriedade e do contrato; não aspira a ideias de autêntica autonomia e reciprocidade; não prega uma ética de auto-confiança e auto-determinação; não louva a coragem, indulgência ou paciência; não celebra as éticas do consenso ou as bençãos da cooperação voluntária. Não advoga pela retitude moral ou compreende o papel crítico da moralidade nas relações humanas. A agenda liberal não enxerga a origem da competência, aprecia sua importância ou analiza as condições de desenvolvimento e as instituições sociais que promovem sua realização. A agenda liberal não entende ou reconhece a auto-determinação ou impõe-lhe limites estreitos através da coerção estatal. Não celebra o genuíno altruísmo ou a caridade pessoal. Não aprende as lições da história que os males do coletivismo têm a ensinar.
Aquilo que apaixona a mente liberal é um mundo cheio de pena, aflição, necessidades, desditas, pobreza, dúvida, desconfiança, raiva, exploração, discriminação, vitimização, alienação e injustiça. Aqueles que ocupam este mundo são operários, minorias, adolescentes, mulheres e os desempregados. Eles são pobres, fracos, doentes, injustiçados, enganados, oprimidos, marginalizados, explorados e vitimizados. Eles não têm qualquer responsabilidade por seus problemas. Nenhuma de suas agonias é atribuível a faltas ou falhas suas mesmas: não é atribuída a más escolhas, maus hábitos, julgamento errôneo, "wishful thinking", falta de ambição, indulgência derrotista, doenças mentais ou defeitos de caráter. Nenhuma condição das vítimas é causada por falha em planejar o futuro ou aprender com a experiência. Ao revés, a raiz da causas de todos estas desgraças recai em condições sociais censuráveis: pobreza, doença, guerra, ignorância, desemprego, preconceito racial, discriminação étnica e de gênero, tecnologia moderna, capitalismo, globalização e imperialismo. Na mente liberal radical, esse sofrimento é inflingido ao inocente por vários predadores e perseguidores: o grande negócio, as grandes corporações, capitalistas selvagens, imperialistas americanos, os opressores, os ricos, a riqueza, os poderosos e os egoístas.
A cura liberal para esta miséria sem fim é um governo bastante autoritário que regula e administra a sociedade como se um berço fosse por meio de uma pesada agenda de redistribuição. É um governo a todo o lado fazendo tudo para todos. O mote liberal é "Um governo em que confiamos". Para livrar as pessoas de suas vidas atribuladas, a agenda recomenda a negação de responsabilidade pessoal, encoraja a auto-compaixão e a pena pelo outro, fomenta dependência do governo, promove a liberação sexual, racionaliza a violência, desculpa as obrigações financeiras, justifica o roubo, ignora a rudeza, prescreve a censura e acusação, desabona o casamento e a família, legaliza todo tipo de aborto, desafia as tradições sociais e religiosas, declara a desigualdade como sendo injusta, e rebela-se ante os deveres de cidadania. Através de múltiplos direitos a bens, serviços e status social não batalhados, o político liberal promete assegurar a todos bem-estar material, prover a todos cuidado médico, protejer a auto-estima de todos, corrigir a desvantagem social e política de todos, educar todo cidadão e eliminar todas as distinções de classe. Com os intelectuais liberais compartilhando a glória, o político liberal é o herói nesse melodrama. Ele ganha crédito por prover seus eleitores com qualquer coisa que queiram ou precisem mesmo que não tenham produzido por esforço próprio quaisquer desses bens, serviços ou status que lhe são transferidos mas, ao contrário, tenham tirado de outros por meio da força.
Já deve parecer até o presente momento que essas políticas sociais e paixões que as motivam contradizem tudo que é racional nas relações humanas, e que são portanto irracionais elas mesmas. Mas as concepções errôneas em que se baseiam essas paixões não podem ser vistas como mero escorregão cognitivo. O nível de irracionalidade do liberalismo moderno ultrapassa sobre maneira qualquer mau entendimento que possa ser atribuído a reunião de fatos mal feita ou ao erro lógico. De fato, segundo uma análise rigorosa, as distorções da habilidade normal da razão no liberalismo só podem ser entendidas como produto de psicopatologia. Tão extravagantes são os parâmetros de pensamento, emoção, comportamento e relacionamento característicos da mente liberal que seus protestos inflexíveis e demandas tornam-se compreensíveis apenas como desordens da psique. A mente liberal moderna, suas percepões distorcidas e sua agenda destrutiva são o produto de personalidades perturbadas.(2)
Como no caso de qualquer distúrbio de personalidade, defeitos deste tipo representam sérias deficiências no processo de crescimento. A natureza dessas deficiências é detalhada abaixo. Entre suas conseqüencias estão os esforços incisivos para deturpar a compreensão da natureza humana e negar certos requisitos indispensáveis das relações humanas. Em seus esforços para construir uma grande utopia coletivista em ordem a viver aquilo que Jacques Barzun chamou de "a vida incondicionada em que todo mundo estaria a salvo e tranqüilo através de um milhão de maneiras" o liberal radical procura atualizar no mundo real uma ficção idealizada que mitigará todas as dificuldades e curará todas as mágoas. ( Barzun 2000 ). Ele representa esta ficção, em essência uma peça de moralismo marxista, em vários teatros da ação humana, sobretudo nos mundos econômico, social e político. Mas a peça repetidamente malogra. Durante o século XX, as tentativas liberais radicais de criar um bravo mundo novo socialista falharam invariavelmente. No começo do século XXI suas tentativas continuam a resultar em economias estagnadas, declínio moral e destúrbio social agora espalhados pela Europa. Um crescente sistema de bem-estar social falido está colocando os Eua na trilha do mesmo destino se o liberalismo não for curado. Posto que os princípios da agenda liberal violam as regras da liberdade ordenada, seus esforços determinados a realizar fantasias visionárias acabarão inevitavelmente por se frustrar. Ainda assim, apesar de todas as evidências em contrário, a mente liberal moderna crê que sua agenda é uma ciência social saúdável. É, na verdade, péssima ficção científica. Ele persiste nesta agenda apesar de sua loucura.
Lyle H. Rossiter, Jr., MD é o autor de The liberal mind: the psychological causes of political madness. Ele recebeu sua educação de médico e psiquiatra na Universidade de Chicago e serviu por dois anos como psiquiatra no Exército americano. Presentemente, atua como profissional liberal na área de Chicago.
- *Nota do tradutor: o termo liberalismo, dentro da estrutura político-cultural americana, significa esquerdista. Não é possível entender o texto sem ter isso em conta. No Brasil, o termo liberal se aplica a indivíduos com visões muito díspares, abarcando tanto defensores do casamento gay e do aborto quanto defensores da moral judaico-cristã, unindo-os apenas a defesa da liberdade de mercado. Os segundos são essencialmente conservadores, no sentido americano do termo. Se quiser se aprofundar no tema, sugiro a leitura do artigo A liberdade como parteira da tirania, de Olavo de Carvalho.
- grifos do tradutor.
texto disponível no link http://www.townhall.com/columnists/LyleHRossiterJrMD/2006/12/04/the_liberal_mind_the_psychological_causes_of_political_madness
tradução Daniel Henriques Lourenço
...............................................
Pretendo traduzir outros textos sobre a inveja e sentimentos que caracterizam a mente liberal. Portanto, fique de olho nas atualizações de A selva dos mosquitos.
Reproduzo post do blog O individuo
March 4th, 2006
Documentário expõe a verdade sobre Ernesto “Che” Guevara
Publicado originalmente no site do Instituto Millenium.
“Fusilamientos, sí. Hemos fusilado. Fusilamos y seguiremos fusilando mientras sea necesario.”
Assim, com a voz de Che Guevara, inicia o documentário Che: Anatomia de un Mito, que pode ser descarregado diretamente em formato WMV (Windows Media Player; o arquivo tem 71 MB). O vídeo para o computador está muito pequeno, mas vale a pena ver ex-correligionários de Che Guevara contando a verdade sobre ele: fazia comentários racistas, anti-gay, não tomava banho, nunca hesitava em matar pessoas sob quem pesasse a mínima suspeita, e possuía uma incompetência singular no comando das guerrilhas. Não sou eu que estou dizendo. São as pessoas que conviveram com ele.
Há também dados históricos indisputados que você pode buscar em outras fontes. Há o livro mais recente de Alvaro Vargas Llosa, The Che Guevara Myth and the Future of Liberty. Quem quiser informações agora pode ler sua matéria sobre Guevara feita para a New Republic ou simplesmente ler o curto artigo Ten Shots at Che, em que desfaz dez dos principais mitos a respeito do maior vendedor de camisetas de todos os tempos: tornou Cuba subserviente à URSS, destruiu a economia cubana – os racionamentos que duram até hoje começaram quando Guevara era ministro da fazenda – , executou no mínimo centenas de inocentes, tomou para si uma enorme mansão assim que o regime de Fulgencio Batista caiu, recomendava o roubo a bancos e, declarou que Cuba seria proporcionalmente mais rica dos que os EUA. Deve ser por isso que as pessoas preferem enfrentar um mar infestado de tubarões em jangadas a ficar ali.
Se todos os dias eu visse alguém com uma camiseta de Hitler, eu ficaria muito preocupado. É por isso que fico preocupado ao ver pessoas com camisetas de Guevara: estão cultuando um assassino, que só difere de Hitler pela extensão de seus crimes, não pela natureza. Mas nossa sociedade permite que assassinos que estão do lado de Stálin, sendo nominalmente comunistas, sejam objeto de culto e veneração. Se isso não é sinal de uma gravíssima patologia social, não sei o que pode ser. As civilizações de fato morrem por suicídio, não por assassinato.
Posted by Pedro Sette Câmara in Política, Cultura
...........................................
Disponível em http://web.archive.org/web/20060408061457/http://www.oindividuo.com
Documentário expõe a verdade sobre Ernesto “Che” Guevara
Publicado originalmente no site do Instituto Millenium.
“Fusilamientos, sí. Hemos fusilado. Fusilamos y seguiremos fusilando mientras sea necesario.”
Assim, com a voz de Che Guevara, inicia o documentário Che: Anatomia de un Mito, que pode ser descarregado diretamente em formato WMV (Windows Media Player; o arquivo tem 71 MB). O vídeo para o computador está muito pequeno, mas vale a pena ver ex-correligionários de Che Guevara contando a verdade sobre ele: fazia comentários racistas, anti-gay, não tomava banho, nunca hesitava em matar pessoas sob quem pesasse a mínima suspeita, e possuía uma incompetência singular no comando das guerrilhas. Não sou eu que estou dizendo. São as pessoas que conviveram com ele.
Há também dados históricos indisputados que você pode buscar em outras fontes. Há o livro mais recente de Alvaro Vargas Llosa, The Che Guevara Myth and the Future of Liberty. Quem quiser informações agora pode ler sua matéria sobre Guevara feita para a New Republic ou simplesmente ler o curto artigo Ten Shots at Che, em que desfaz dez dos principais mitos a respeito do maior vendedor de camisetas de todos os tempos: tornou Cuba subserviente à URSS, destruiu a economia cubana – os racionamentos que duram até hoje começaram quando Guevara era ministro da fazenda – , executou no mínimo centenas de inocentes, tomou para si uma enorme mansão assim que o regime de Fulgencio Batista caiu, recomendava o roubo a bancos e, declarou que Cuba seria proporcionalmente mais rica dos que os EUA. Deve ser por isso que as pessoas preferem enfrentar um mar infestado de tubarões em jangadas a ficar ali.
Se todos os dias eu visse alguém com uma camiseta de Hitler, eu ficaria muito preocupado. É por isso que fico preocupado ao ver pessoas com camisetas de Guevara: estão cultuando um assassino, que só difere de Hitler pela extensão de seus crimes, não pela natureza. Mas nossa sociedade permite que assassinos que estão do lado de Stálin, sendo nominalmente comunistas, sejam objeto de culto e veneração. Se isso não é sinal de uma gravíssima patologia social, não sei o que pode ser. As civilizações de fato morrem por suicídio, não por assassinato.
Posted by Pedro Sette Câmara in Política, Cultura
...........................................
Disponível em http://web.archive.org/web/20060408061457/http://www.oindividuo.com
sexta-feira, junho 29, 2007
Ap, 19:9-10
Então, me falou o anjo: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E acrescentou: São estas as verdadeiras palavras de Deus. Prostrei-me ante os seus pés para adorá-lo. Ele, porém, me disse: Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus; adora a Deus. Pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia.
Morre o poeta Bruno Tolentino.
Morreu anteontem, dia 27/06/07, o poeta brasileiro Bruno Tolentino. Olavo de Carvalho disse que Bruno Tolentino é o maior poeta de língua portuguesa desde Camões. No site O Individuo, você pode assistir a uma entrevista sua, em vídeo, concedida após a publicação de seu último livro, ano passado. Que Deus ilumine o Bruno nessa nova fase de sua vida.
quinta-feira, junho 28, 2007
Lula e Judas Iscariotes
Lula é pior do que Judas Iscariotes por três razões.
Primeiro: Judas Iscariotes andava com o Cristo e estava pronto para traí-lo, porém pelo menos seguia as aparências da seita pré-religiosa, tendo participado da Santa Ceia, onde aliás Jesus indicou que o trairia. Lula anda com pretensos seguidores do Cristo, porém não vai à Igreja e, certa feita, antes de comungar, disse que não necessitava confessar seus pecados porque não os tinha, cometendo no ato mesmo o pecado da mentira.
Segundo: Judas arrependeu-se profundamente do que havia feito e correu atrás dos sacerdotes judaicos a fim de devolver o dinheiro que lhe haviam dado para entregar o Cristo. Lula sequer pensa no que faz. Quando começa a pensar, fica irritado e reclama com algum de seus subalternos petistas, que então amaciam seu ego, ou, melhor ainda, toma de sua mesa uma garrafa de uísque ou cachaça embriagando seus pensamentos agros. Se pensasse, veria o quão miserável é a sua pessoa, capaz de se aliar com traficantes de drogas; não se aguentaria quieto e começaria a falar, mas então..
Terceiro: então possivelmente seria morto pelas Farc, da mesma forma que líderes socialistas colombianos foram quando retiraram seu apoio à organização. Judas Iscariotes, num ato de despero final, e talvez com um pingo de decência, enforcou-se. Lula jamais entregaria sua vida. Antes disso, continuará utilizando metáforas futebolísticas na hora de mandar brasileiros para o paredão de fuzilamento. Talvez até dará um aperto de mão no prisioneiro fazendo um gracejo.
Jesus Cristo disse: "É necessário que o Filho do homem seja entregue, mas ai daquele que o entregar, melhor seria que não houvesse nascido." O que Jesus diria de Lula?
......
Atualização de 07/08/2009. Estou mais propenso a crer, como meu amigo comentou na seção de comentários -- vejam lá --, que Judas não se "arrependeu profundamente." De mais a mais, tampouco a comparação com Lula é apropriada. Não dá para saber o que Lula faria se fosse apóstolo de Jesus, se é mesmo que aceitaria ser seu apóstolo.
Primeiro: Judas Iscariotes andava com o Cristo e estava pronto para traí-lo, porém pelo menos seguia as aparências da seita pré-religiosa, tendo participado da Santa Ceia, onde aliás Jesus indicou que o trairia. Lula anda com pretensos seguidores do Cristo, porém não vai à Igreja e, certa feita, antes de comungar, disse que não necessitava confessar seus pecados porque não os tinha, cometendo no ato mesmo o pecado da mentira.
Segundo: Judas arrependeu-se profundamente do que havia feito e correu atrás dos sacerdotes judaicos a fim de devolver o dinheiro que lhe haviam dado para entregar o Cristo. Lula sequer pensa no que faz. Quando começa a pensar, fica irritado e reclama com algum de seus subalternos petistas, que então amaciam seu ego, ou, melhor ainda, toma de sua mesa uma garrafa de uísque ou cachaça embriagando seus pensamentos agros. Se pensasse, veria o quão miserável é a sua pessoa, capaz de se aliar com traficantes de drogas; não se aguentaria quieto e começaria a falar, mas então..
Terceiro: então possivelmente seria morto pelas Farc, da mesma forma que líderes socialistas colombianos foram quando retiraram seu apoio à organização. Judas Iscariotes, num ato de despero final, e talvez com um pingo de decência, enforcou-se. Lula jamais entregaria sua vida. Antes disso, continuará utilizando metáforas futebolísticas na hora de mandar brasileiros para o paredão de fuzilamento. Talvez até dará um aperto de mão no prisioneiro fazendo um gracejo.
Jesus Cristo disse: "É necessário que o Filho do homem seja entregue, mas ai daquele que o entregar, melhor seria que não houvesse nascido." O que Jesus diria de Lula?
......
Atualização de 07/08/2009. Estou mais propenso a crer, como meu amigo comentou na seção de comentários -- vejam lá --, que Judas não se "arrependeu profundamente." De mais a mais, tampouco a comparação com Lula é apropriada. Não dá para saber o que Lula faria se fosse apóstolo de Jesus, se é mesmo que aceitaria ser seu apóstolo.
quarta-feira, junho 27, 2007
Por favor, não deixem de ver..
o vídeo de Viktor Frankl falando sobre logoterapia e o livro "Man´s search for meaning". Simplesmente imperdível.
créditos para o blog wisdomandvirtue.blogspot.com.
créditos para o blog wisdomandvirtue.blogspot.com.
Jesus, insight espiritual e amor
"Na religião, Jesus advogava e seguia o método da experiência, ainda que a ciência moderna busque a técnica do experimento. Encontramos Deus seguindo as pegadas do insight espiritual, e nos aproximamos deste insight da alma através do amor ao belo, da busca da verdade, lealdade ao dever, e adoração à bondade divina. Mas de todos esses valores, o amor é o verdadeiro guia para o autêntico insight."
Livro de Urântia, capítulo 195, página 2076.
Tradução minha.
Livro de Urântia, capítulo 195, página 2076.
Tradução minha.
Palestra sobre marxismo cultural
Não deixem de ouvir a palestra do padre Paulo Ricardo sobre marxismo cultural. O link é http://www.padrepauloricardo.org/filosofia/. Só não posso concordar com uma coisa que o padre diz: o Papa Bento XVI "quase pede desculpas por estar ali, porque ele é muito humilde."
Isto não é humildade, é timidez frente a intimidações mil. Não se deve pedir desculpas por ser fiel aos ensinamentos do Cristo.
Isto não é humildade, é timidez frente a intimidações mil. Não se deve pedir desculpas por ser fiel aos ensinamentos do Cristo.
domingo, junho 24, 2007
A Noite maior que Zeus
"Despertando, furioso se mostra Zeus grande;
os outros deuses maltrata, buscando-me em todos os cantos;
e destruir-me-ia, talvez, atirando-me do éter às ondas,
não fôsse a Noite salvar-me, que os deuses e os homens impera.
A ela me acolho, refreando Zeus crônida a cólera imensa,
pelo receio de à rapida Noite causar desagrado."
trecho da Ilíada de Homero, em que o Sono argumenta por que não deseja ajudar Hera a envolver Zeus troante em sono profundo.
traduçaõ de Carlos Alberto Nunes, edições Melhoramentos.
os outros deuses maltrata, buscando-me em todos os cantos;
e destruir-me-ia, talvez, atirando-me do éter às ondas,
não fôsse a Noite salvar-me, que os deuses e os homens impera.
A ela me acolho, refreando Zeus crônida a cólera imensa,
pelo receio de à rapida Noite causar desagrado."
trecho da Ilíada de Homero, em que o Sono argumenta por que não deseja ajudar Hera a envolver Zeus troante em sono profundo.
traduçaõ de Carlos Alberto Nunes, edições Melhoramentos.
sábado, junho 23, 2007
Aula de história de Mário Ferreira dos Santos.
Quem quer que goste de história, não pode perder a aula número 2 de Mário Ferreira dos Santos, em áudio, no site de Denny Marquesani, no seguinte link.
quinta-feira, junho 21, 2007
Sorry seems to be the hardest word ( Desculpa parece ser a palavra mais difícil do mundo )
music by Elton John
lyrics by Elton John and Bernie Taupin
What have I got to do to make you love me
What have I got to do to make you care,
What do I do when lightning strikes me
And I wake to find that you're not there?
What have I got to do to make you want me,
What have I got to do to be heard,
What do I say when it's all over?
And sorry seems to be the hardest word.
It's sad (so sad)
It's a sad, sad situation
And it's getting more and more absurd.
It's sad (so sad)
Why can't we talk it over?
Oh it seems to me
That sorry seems to be the hardest word.
What have I got to do to make you love me
What have I got to do to be heard,
What do I do when lightning strikes me
What have I got to do?
What have I got to do
When sorry seems to be the hardest word?
tradução (minha):
O que preciso fazer para que você me ame
O que preciso fazer para que você se importe,
O que eu faço quando o dia clareia
E acordo para descobrir que você não está lá?
O que preciso fazer para que você me queira,
O que preciso fazer para que você me ouça,
O que posso dizer quando tudo acabou?
E desculpa parece ser a palavra mais difícil do mundo.
É triste ( muito triste )
é uma triste, triste situação
que está ficando cada vez mais absurda.
É triste ( muito triste )
Por que não podemos conversar?
Ah parece-me
que a desculpa parece ser a palavra mais difícil do mundo.
O que preciso fazer para que você me ame
O que preciso fazer para que você se importe,
O que eu faço quando o dia clareia
O que eu tenho que fazer?
O que eu tenho que fazer
quando a desculpa parece ser a palavra mais difícil do mundo?
lyrics by Elton John and Bernie Taupin
What have I got to do to make you love me
What have I got to do to make you care,
What do I do when lightning strikes me
And I wake to find that you're not there?
What have I got to do to make you want me,
What have I got to do to be heard,
What do I say when it's all over?
And sorry seems to be the hardest word.
It's sad (so sad)
It's a sad, sad situation
And it's getting more and more absurd.
It's sad (so sad)
Why can't we talk it over?
Oh it seems to me
That sorry seems to be the hardest word.
What have I got to do to make you love me
What have I got to do to be heard,
What do I do when lightning strikes me
What have I got to do?
What have I got to do
When sorry seems to be the hardest word?
tradução (minha):
O que preciso fazer para que você me ame
O que preciso fazer para que você se importe,
O que eu faço quando o dia clareia
E acordo para descobrir que você não está lá?
O que preciso fazer para que você me queira,
O que preciso fazer para que você me ouça,
O que posso dizer quando tudo acabou?
E desculpa parece ser a palavra mais difícil do mundo.
É triste ( muito triste )
é uma triste, triste situação
que está ficando cada vez mais absurda.
É triste ( muito triste )
Por que não podemos conversar?
Ah parece-me
que a desculpa parece ser a palavra mais difícil do mundo.
O que preciso fazer para que você me ame
O que preciso fazer para que você se importe,
O que eu faço quando o dia clareia
O que eu tenho que fazer?
O que eu tenho que fazer
quando a desculpa parece ser a palavra mais difícil do mundo?
quarta-feira, junho 20, 2007
O filho único
J. A. Vallejo Nájera
Ainda que ser filho único não constitua uma "enfermidade", todo mundo reconhece que este tipo de criança tem propensão a problemas particulares: é frágil, caprichoso, tímido, tirânico com os seus, tem dificuldades de adaptação com seus companheiros e para integrar-se num grupo e reage freqüentemente com desconcerto ou rebeldia. No conceito de filho único não entra apenas aquele que realmente o é, mas também o menino que só tem irmãs, ou vice-versa, e o 'temporão' da família, a criança que tem irmãos com uma diferença de idade muito grande.
Ser "filho único" depende, às vezes, da casualidade ou da natureza; mas outras vezes são os pais quem por razões econômicas (para dar a seu filho todas as possibilidades) ou afetivas (para concentrar o foco de seu carinho nele) decidem ter um só filho. Geralmente, estes pais tem uma característica muito particular, pois se comprovado que 53 por cento das mães de filhos únicos são extremamente possessivas e absorventes.
Esta criança, ao conviver basicamente com adultos, que se convertem em seu único ponto de referência, utiliza um vocabulário demasiado rico, se apropria de idéias que não se encaixam em sua idade, e seus costumes, diversões e vida em geral tendem a parecer com a dos adultos. De caráter bastante possessivo, costuma ter um nível intelectual superior ao normal para sua idade. Tudo isto o diferencia do grupo, provocando o repúdio de outros em torno dele, não se encaixa e não sabe superar este problema inesperado: que os outros não o aceitem.
Tem grandes dificuldades em suas relações afetivas com os demais. Ao não ter irmãos, elemento essencial no desenvolvimento da criança como ser social, o filho único tende ao isolamento e a criar uniões excessivas com seu pai ou com sua mãe, fora das quais muitas vezes em que se sente inseguro.
Ao longo da infância pode haver mais ou menos complicações, mas os verdadeiros conflitos surgem na adolescência. Alguns filhos únicos continuam relacionando-se com seus pais num plano infantil, dependente e submisso, outros, ao contrário, se rebelam contra a tutela familiar excessiva e reivindicam a liberdade e a independência que lhes corresponde pela idade, chegando as vezes a produzir rupturas violentas e separações totais com os pais.
As perspectivas são certamente desalentadoras. Algumas estatísticas dão até 42 por cento de alterações de caráter no filho único. O que é seguro é que parecem ser mais instáveis, mais emotivos, mais coléricos e mais agressivos que os outros, com mais dificuldades para adaptar-se à disciplina escolar e à convivência com o grupo.
Em qualquer caso, o pai ou a mãe de um filho único não precisa ficar desanimado com estas informações. Tudo vai depender da educação que será dada ao filho, que não tem que ser mais rígida nem mais condescendente que a que teria se tivesse outros irmãos.
GUIA PRÁTICO DE PSICOLOGIA, temas de hoje, d. J.A. Vallejo Nájera, Madrid
Fonte: EDUFAM - Educacion y Familia - www.edufam.com
Traduzido para o Portal por René Bernardes de Souza Júnior
.............................
Disponível no site http://www.portaldafamilia.org
Ainda que ser filho único não constitua uma "enfermidade", todo mundo reconhece que este tipo de criança tem propensão a problemas particulares: é frágil, caprichoso, tímido, tirânico com os seus, tem dificuldades de adaptação com seus companheiros e para integrar-se num grupo e reage freqüentemente com desconcerto ou rebeldia. No conceito de filho único não entra apenas aquele que realmente o é, mas também o menino que só tem irmãs, ou vice-versa, e o 'temporão' da família, a criança que tem irmãos com uma diferença de idade muito grande.
Ser "filho único" depende, às vezes, da casualidade ou da natureza; mas outras vezes são os pais quem por razões econômicas (para dar a seu filho todas as possibilidades) ou afetivas (para concentrar o foco de seu carinho nele) decidem ter um só filho. Geralmente, estes pais tem uma característica muito particular, pois se comprovado que 53 por cento das mães de filhos únicos são extremamente possessivas e absorventes.
Esta criança, ao conviver basicamente com adultos, que se convertem em seu único ponto de referência, utiliza um vocabulário demasiado rico, se apropria de idéias que não se encaixam em sua idade, e seus costumes, diversões e vida em geral tendem a parecer com a dos adultos. De caráter bastante possessivo, costuma ter um nível intelectual superior ao normal para sua idade. Tudo isto o diferencia do grupo, provocando o repúdio de outros em torno dele, não se encaixa e não sabe superar este problema inesperado: que os outros não o aceitem.
Tem grandes dificuldades em suas relações afetivas com os demais. Ao não ter irmãos, elemento essencial no desenvolvimento da criança como ser social, o filho único tende ao isolamento e a criar uniões excessivas com seu pai ou com sua mãe, fora das quais muitas vezes em que se sente inseguro.
Ao longo da infância pode haver mais ou menos complicações, mas os verdadeiros conflitos surgem na adolescência. Alguns filhos únicos continuam relacionando-se com seus pais num plano infantil, dependente e submisso, outros, ao contrário, se rebelam contra a tutela familiar excessiva e reivindicam a liberdade e a independência que lhes corresponde pela idade, chegando as vezes a produzir rupturas violentas e separações totais com os pais.
As perspectivas são certamente desalentadoras. Algumas estatísticas dão até 42 por cento de alterações de caráter no filho único. O que é seguro é que parecem ser mais instáveis, mais emotivos, mais coléricos e mais agressivos que os outros, com mais dificuldades para adaptar-se à disciplina escolar e à convivência com o grupo.
Em qualquer caso, o pai ou a mãe de um filho único não precisa ficar desanimado com estas informações. Tudo vai depender da educação que será dada ao filho, que não tem que ser mais rígida nem mais condescendente que a que teria se tivesse outros irmãos.
GUIA PRÁTICO DE PSICOLOGIA, temas de hoje, d. J.A. Vallejo Nájera, Madrid
Fonte: EDUFAM - Educacion y Familia - www.edufam.com
Traduzido para o Portal por René Bernardes de Souza Júnior
.............................
Disponível no site http://www.portaldafamilia.org
Saiba mais sobre educação liberal
Se quiser saber mais sobre educação liberal veja aqui o vídeo produzido pelo St. John´s college, dos Estados Unidos. A lista de leitura do College - em inglês - pode ser vista aqui. Quem quer que se habilite ao desafio de ler os grandes livros e quiser formar uma "community of learning", fale com este que vos escreve porque ele também está muito interessado em encontrar outras pessoas dispostas a discutir e trocar experiências a partir da leitura dos grandes livros.
Obrigado.
Obrigado.
segunda-feira, junho 18, 2007
O que é educação liberal?
Recomendo vivamente o texto O que é educação liberal?, disponível no blog http://educacaoliberal.wordpress.com/.
Shrek contra o partido revolucionário
O filme Shrek 3 mostra bem o ethos de um partido revolucionário. O personagem Encantado convence pessoas desgostosas com a vida, pessoas com um passado de maldade, a se sentirem injustiçadas, dizendo-lhes que os contadores de histórias não foram bons o bastante para com elas. Pronto, depois são os gritos de urra e vamos mudar tudo o que está aí, vamos mudar a história. O Encantado aliás, sendo um artista fracassado, é capaz de lembrar outro artista fracassado que dominou a Alemanha, prometendo um império de mil anos que acabaria com a injustiça do mundo, mas que causou muita maldade. O filme Shrek é muito bom. A tentativa final do Encantado de estabelecer na imaginação popular o seu reino ditadorial malogra porque não consegue vencer o ogro Shrek, que aliás combate toda aquela pompa e circunstância do ditadorzinho metido com piadas bem medidas. Rir é importante. No fim, dificuldades à toda prova, Shrek e Fiona no seu pântano cuidando dos bebezinhos ogros. E o burro e o gato, bom, esse retornam a ser quem eram depois da magia.
sábado, junho 16, 2007
Venezuela libre

Eu apóio o movimento estudantil na Venezuela contra o fechamento da rede de televisão RCTV. Quem quiser uma cobertura dos eventos pode acessar o blog Nota Latina, escrito pela valentíssima Graça Salgueiro.
sexta-feira, junho 08, 2007
Os números e o milagre
Olavo de Carvalho
Jornal do Brasil, 8 de junho de 2006
Desde ontem, ecoam por toda parte os belos discursos contra a invasão da Câmara Federal. Com uma ou outra exceção irrelevante, sua tônica é uniforme: dão a impressão de que essa truculência, como todas as anteriores, foi um susto passageiro, um abuso fortuito incapaz de abalar no mais mínimo que seja a tranqüilizante rotina democrática em que vivemos. Está tudo sob controle: temos um presidente amante da ordem, nossas instituições são estáveis e as Forças Armadas, é claro, estão vigilantes.
Não vou discutir com quem diz que acredita nisso. Peço apenas ao leitor que atente para o aspecto aritmético da questão. Some a militância do PT, do MST e MLST, da CUT, do PCC e das demais facções da esquerda revolucionária (assim denomino as que estão afinadas com a estratégia continental do Foro de São Paulo). São uns quarenta milhões de pessoas. Não incluo aí simpatizantes, burros de presépio e meros eleitores. Conto apenas os militantes, gente doutrinada, adestrada, disciplinada, disposta a tudo. São a quarta parte da população brasileira. Nem me pergunto quantos deles estão armados, prontos para matar. Mesmo que tivessem apenas estilingues, restaria este dado brutal: nunca houve, na história do mundo, uma organização revolucionária dessas dimensões. Muito menos pergunto quanto custou: não consigo somar os lucros do narcotráfico e dos seqüestros, a hemorragia crônica de verbas federais, os dízimos da militância e as contribuições de fundações estrangeiras bilionárias. O total é impensável. Você acha realmente que alguém constrói uma monstruosidade dessas para não fazer nada com ela além de cumprir as leis e ser bom menino? O futuro do Brasil está decidido, de maneira praticamente irreversível, por um fato aritmético de envergadura majestosa e potência avassaladora.
Esses números, aliás, não são uma quantidade informe, distribuída a esmo no espaço. Há entre eles toda uma rede de conexões. Eles formam uma equação bem definida, um mapa, um organograma completo. Sempre que uma das entidades que mencionei acima entra em ação, é em parceria com as outras. O PCC espalha o terror por meio de técnicas que aprendeu com o MST, que as absorveu das Farc, cujos líderes são íntimos da cúpula petista e do sr. presidente da República. O Comando Vermelho, para produzir efeito idêntico no Rio, usou o que aprendeu direto da elite esquerdista que hoje governa o país. Quando um agente das Farc é preso logo depois de declarar que deu dinheiro do narcotráfico ao PT, mais que depressa essa elite se mobiliza para mandá-lo ao exterior. Idêntica iniciativa surge da mesma fonte para libertar os mestres-seqüestradores do MIR chileno que pegaram Abílio Diniz e Washington Olivetto. E, quando o MLST entra na Câmara depredando tudo e esmagando crânios, quem está no seu comando é um membro da Comissão Executiva Nacional do PT. Não há ações isoladas. Distribuídos sob denominações diversas, quarenta milhões de fanáticos estão perfeitamente articulados, solidários, na afinação diabolicamente eficiente de uma orquestra da destruição.
Na época das CPIs, bastava aparecer uma ligação telefônica entre um empreiteiro e algum deputadinho corrupto para o PT sair gritando: "É uma conspiração! É um Estado dentro do Estado!" Diante de indícios imensuravelmente maiores e mais probantes, a nação ainda se recusa a conceber, mesmo de longe, uma hipótese semelhante para explicar o que acontece hoje, embora não haja nenhuma outra explicação plausível, exceto a aposta louca no prodígio das meras coincidências repetidas em série. É que hoje não há um Estado dentro do Estado. Há um Estado acima do Estado, impondo o caos e chamando-o de "ordem". Nessas circunstâncias, parece sensato abolir a aritmética, a álgebra, a razão inteira, e apegar-se à esperança de um milagre. Mas o único santo milagreiro à disposição é São Lulinha, e o único milagre que ele sabe fazer é precisamente o que já está fazendo.
.......................................
Sobre o tema, ver também o primeiro post que fiz neste blog.
Jornal do Brasil, 8 de junho de 2006
Desde ontem, ecoam por toda parte os belos discursos contra a invasão da Câmara Federal. Com uma ou outra exceção irrelevante, sua tônica é uniforme: dão a impressão de que essa truculência, como todas as anteriores, foi um susto passageiro, um abuso fortuito incapaz de abalar no mais mínimo que seja a tranqüilizante rotina democrática em que vivemos. Está tudo sob controle: temos um presidente amante da ordem, nossas instituições são estáveis e as Forças Armadas, é claro, estão vigilantes.
Não vou discutir com quem diz que acredita nisso. Peço apenas ao leitor que atente para o aspecto aritmético da questão. Some a militância do PT, do MST e MLST, da CUT, do PCC e das demais facções da esquerda revolucionária (assim denomino as que estão afinadas com a estratégia continental do Foro de São Paulo). São uns quarenta milhões de pessoas. Não incluo aí simpatizantes, burros de presépio e meros eleitores. Conto apenas os militantes, gente doutrinada, adestrada, disciplinada, disposta a tudo. São a quarta parte da população brasileira. Nem me pergunto quantos deles estão armados, prontos para matar. Mesmo que tivessem apenas estilingues, restaria este dado brutal: nunca houve, na história do mundo, uma organização revolucionária dessas dimensões. Muito menos pergunto quanto custou: não consigo somar os lucros do narcotráfico e dos seqüestros, a hemorragia crônica de verbas federais, os dízimos da militância e as contribuições de fundações estrangeiras bilionárias. O total é impensável. Você acha realmente que alguém constrói uma monstruosidade dessas para não fazer nada com ela além de cumprir as leis e ser bom menino? O futuro do Brasil está decidido, de maneira praticamente irreversível, por um fato aritmético de envergadura majestosa e potência avassaladora.
Esses números, aliás, não são uma quantidade informe, distribuída a esmo no espaço. Há entre eles toda uma rede de conexões. Eles formam uma equação bem definida, um mapa, um organograma completo. Sempre que uma das entidades que mencionei acima entra em ação, é em parceria com as outras. O PCC espalha o terror por meio de técnicas que aprendeu com o MST, que as absorveu das Farc, cujos líderes são íntimos da cúpula petista e do sr. presidente da República. O Comando Vermelho, para produzir efeito idêntico no Rio, usou o que aprendeu direto da elite esquerdista que hoje governa o país. Quando um agente das Farc é preso logo depois de declarar que deu dinheiro do narcotráfico ao PT, mais que depressa essa elite se mobiliza para mandá-lo ao exterior. Idêntica iniciativa surge da mesma fonte para libertar os mestres-seqüestradores do MIR chileno que pegaram Abílio Diniz e Washington Olivetto. E, quando o MLST entra na Câmara depredando tudo e esmagando crânios, quem está no seu comando é um membro da Comissão Executiva Nacional do PT. Não há ações isoladas. Distribuídos sob denominações diversas, quarenta milhões de fanáticos estão perfeitamente articulados, solidários, na afinação diabolicamente eficiente de uma orquestra da destruição.
Na época das CPIs, bastava aparecer uma ligação telefônica entre um empreiteiro e algum deputadinho corrupto para o PT sair gritando: "É uma conspiração! É um Estado dentro do Estado!" Diante de indícios imensuravelmente maiores e mais probantes, a nação ainda se recusa a conceber, mesmo de longe, uma hipótese semelhante para explicar o que acontece hoje, embora não haja nenhuma outra explicação plausível, exceto a aposta louca no prodígio das meras coincidências repetidas em série. É que hoje não há um Estado dentro do Estado. Há um Estado acima do Estado, impondo o caos e chamando-o de "ordem". Nessas circunstâncias, parece sensato abolir a aritmética, a álgebra, a razão inteira, e apegar-se à esperança de um milagre. Mas o único santo milagreiro à disposição é São Lulinha, e o único milagre que ele sabe fazer é precisamente o que já está fazendo.
.......................................
Sobre o tema, ver também o primeiro post que fiz neste blog.
quinta-feira, junho 07, 2007
Vida mía
Tango
1933
Música: Osvaldo Fresedo
Letra: Emilio Fresedo
Siempre igual es el camino
que ilumina y dora el sol...
Si parece que el destino
más lo alarga
para mi dolor.
Y este verde suelo,
donde crece el cardo,
lejos toca el cielo
cerca de mi amor...
Y de cuando en cuando un nido
para que lo envidie yo.
Vida mía, lejos más te quiero.
Vida mía, piensa en mi regreso,
Sé que el orono tendrá tus besos
Y es por eso que te quiero más.
Vida mía,
hasta apuro el aliento
acercando el momentode acariciar felicidad.
Sos mi vida
y quisiera llevartea mi lado prendida
y así ahogar mi soledad.
Ya parece que la huella
va perdiendo su color
y saliendo las estrellas
dan al cielotodo su esplendor.
Y de poco a poco
luces que titilan
dan severo tono
mientras huye el sol.
De esas luces que yo veo
ella una la encendió.
...................
A música pode ser ouvida no excelente site www.todotango.com, neste link.
1933
Música: Osvaldo Fresedo
Letra: Emilio Fresedo
Siempre igual es el camino
que ilumina y dora el sol...
Si parece que el destino
más lo alarga
para mi dolor.
Y este verde suelo,
donde crece el cardo,
lejos toca el cielo
cerca de mi amor...
Y de cuando en cuando un nido
para que lo envidie yo.
Vida mía, lejos más te quiero.
Vida mía, piensa en mi regreso,
Sé que el orono tendrá tus besos
Y es por eso que te quiero más.
Vida mía,
hasta apuro el aliento
acercando el momentode acariciar felicidad.
Sos mi vida
y quisiera llevartea mi lado prendida
y así ahogar mi soledad.
Ya parece que la huella
va perdiendo su color
y saliendo las estrellas
dan al cielotodo su esplendor.
Y de poco a poco
luces que titilan
dan severo tono
mientras huye el sol.
De esas luces que yo veo
ella una la encendió.
...................
A música pode ser ouvida no excelente site www.todotango.com, neste link.
quarta-feira, junho 06, 2007
Recomendo
a série de artigos de Ipojuca Pontes sobre temas de que tratou em seminário promovido pelo Farol da democracia representativa no sindicato de bancos do Rio de Janeiro mês atrás. Os títulos, com os respectivos links, são: Hegemonia cultural, Escola de Frankfurt, Devastação gramcista. Sobretudo o último tem muito a explicar sobre o domínio do esquerdismo na vida cultural brasileira pelo menos desde os anos 70.
sábado, junho 02, 2007
Como pensam as mulheres
Uma neuropsiquiatra aponta as razões biológicas que tornam o cérebro feminino diferente do masculino
Marcela Buscato
A neuropsiquiatra americana Louann Brizendine percebeu na faculdade que precisava investigar a tão famosa curiosidade masculina - o que se passa na cabeça das mulheres? Reparou que poucos estudos consideravam as grandes variações hormonais sofridas pelas mulheres ao longo do mês. Seu livro, The Female Brain (Como as Mulheres Pensam, da Campus/Elsevier), lançado nos Estados Unidos em agosto, tornou-se um best-seller e foi traduzido em 18 idiomas. Em entrevista a ÉPOCA de sua casa, em São Francisco, Brizendine afirmou que agora vai se dedicar a entender o cérebro dos homens.
QUEM É
Professora da Universidade da Califórnia. Formada em Neurobiologia pela Universidade Yale e em Psiquiatria pela Harvard Medical School
O QUE FEZ
Tem uma clínica para atender mulheres com base nas pesquisas sobre neuroquímica
O QUE PUBLICOU
Como as Mulheres Pensam (Campus/Elsevier)
ÉPOCA - O cérebro já é feminino ou masculino desde o nascimento?
Louann Brizendine - O padrão cerebral de todo feto é feminino até a oitava semana de gestação. Depois disso, se o feto for masculino, seu cérebro sofrerá uma intensa inundação de testosterona, hormônio que começa a agir nos pequenos testículos do bebê e viaja até o cérebro pela corrente sanguínea. Esse banho de testosterona muda os circuitos do cérebro de femininos para masculinos.
ÉPOCA - Quais as diferenças entre os dois tipos de cérebro?
Brizendine - No cérebro masculino, a estrutura dedicada ao impulso sexual é duas vezes e meia maior que no feminimo. Nas mulheres, os circuitos ligados à audição e à linguagem têm 11% mais neurônios que nos homens e a estrutura relacionada à emoção e à formação da memória também é maior.
ÉPOCA - Se já nascemos com cérebros masculinos ou femininos, qual é a influência da sociedade sobre o papel da mulher e do homem na comunidade?
Brizendine - Os circuitos cerebrais vão sendo reforçados pela sociedade. Ela ensina o que é aceitável para homens e mulheres, e isso influencia no que achamos que somos capazes de fazer. Estereótipos são muito ruins. É preciso honrar as diferenças individuais e permitir que cada um faça o que lhe interessa.
ÉPOCA - É verdade que os homens pensam com um hemisfério do cérebro de cada vez ao desempenhar uma atividade e as mulheres usam os dois?
Brizendine - Sim. Talvez seja por isso que as mulheres podem fazer mais de uma atividade ao mesmo tempo, enquanto os homens têm grande dificuldade. Eles ficam extremamente concentrados em cada ação executada. Por outro lado, essa característica pode ser ruim num relacionamento, porque faz com que eles não prestem atenção a necessidades e vontades das outras pessoas.
ÉPOCA - É possível dizer quem é mais inteligente, homens ou mulheres?
Brizendine - Todos os estudos mostram que na média homens e mulheres têm quocientes de inteligência similares. Porém, o padrão de pensamento talvez seja diferente. O homem tem mais facilidade para pensar visualmente. As mulheres conseguem traduzir sentimentos em palavras com maior rapidez.
ÉPOCA - Esses padrões de pensamento influenciam na escolha da profissão?
Brizendine - Homens e mulheres são capazes de desempenhar as mesmas profissões. Mas, pelas características do cérebro, os homens podem ter mais interesse em carreiras que não exijam tanta interação com outras pessoas e as mulheres nas que têm mais socialização.
ÉPOCA - A senhora afirma que as mulheres usam cerca de 20 mil palavras por dia. E os homens só 7 mil. Qual é a razão?
Brizendine - O banho de testosterona durante a fase fetal diminui o tamanho de algumas estruturas no cérebro dos homens, como os centros de comunicação e emoção. Também entre 9 e 15 anos, o nível de testosterona nos meninos aumenta cerca de 25 vezes, uma quantia enorme. A testosterona age como um fertilizante para fazer algumas células crescer, mas também tem a capacidade de fazer regiões do cérebro encolher ou morrer.
ÉPOCA - Por que as mulheres implicam com os homens quando eles não reparam no novo corte de cabelo?
Brizendine - As mulheres são muito interessadas em sua aparência física. Se o homem não repara, elas acham que não são amadas. Querem a aprovação masculina. É um instinto básico feminino.
ÉPOCA - As mulheres percebem facilmente se estão agradando ou não?
Brizendine - Elas têm enorme capacidade de notar expressões faciais. As células nervosas que fazem com que sejam capazes de olhar para o rosto de outra pessoa e saber o que ela está pensando ou sentindo existem em maiores quantidades no cérebro feminino e são muito mais ativas que nos homens.
ÉPOCA - É por isso que as mulheres choram tanto? Para chamar a atenção?
Brizendine - É verdade. As mulheres choram quatro vezes mais facilmente que os homens. É uma maneira de demonstrar tristeza para eles.
ÉPOCA - Os hormônios desempenham um papel crucial no início do desenvolvimento do cérebro masculino. E na mulher?
Brizendine - O cérebro feminino é profundamente afetado pelos hormônios. Há indícios de que as mulheres têm duas vezes mais probabilidade de sofrer de depressão que os homens por causa das constantes alterações hormonais. Ao longo da vida, a mulher passa por várias fases hormonais, o que influencia em seus pensamentos, emoções e interesses.
ÉPOCA - A gravidez altera o cérebro?
Brizendine - Durante a gravidez, há grande aumento nos níveis de progesterona e estrogênio no cérebro da mulher. Isso faz com que ela fique muito mais concentrada no bem-estar da criança. São tantas alterações que o cérebro feminino chega a encolher 8% durante a gravidez por causa do aumento e da diminuição de algumas de suas estruturas. Porém, seis meses depois de dar à luz, seu tamanho volta ao normal.
ÉPOCA - É verdade que a mulher fica mais inteligente depois que tem filhos?
Brizendine - Alguns estudos sugerem que sim. Os pesquisadores acreditam que, como o cérebro fica muito focado em tudo o que se relacione ao bebê, acaba concentrado também em outros assuntos.
ÉPOCA - Todo esse conhecimento sobre o cérebro feminino pode contribuir para a melhora dos relacionamentos?
Brizendine - O fato de perceberem que pensam de maneiras diferentes pode ajudar a diminuir conflitos.
Disponível em http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG76276-6014,00.html
Marcela Buscato
A neuropsiquiatra americana Louann Brizendine percebeu na faculdade que precisava investigar a tão famosa curiosidade masculina - o que se passa na cabeça das mulheres? Reparou que poucos estudos consideravam as grandes variações hormonais sofridas pelas mulheres ao longo do mês. Seu livro, The Female Brain (Como as Mulheres Pensam, da Campus/Elsevier), lançado nos Estados Unidos em agosto, tornou-se um best-seller e foi traduzido em 18 idiomas. Em entrevista a ÉPOCA de sua casa, em São Francisco, Brizendine afirmou que agora vai se dedicar a entender o cérebro dos homens.
QUEM É
Professora da Universidade da Califórnia. Formada em Neurobiologia pela Universidade Yale e em Psiquiatria pela Harvard Medical School
O QUE FEZ
Tem uma clínica para atender mulheres com base nas pesquisas sobre neuroquímica
O QUE PUBLICOU
Como as Mulheres Pensam (Campus/Elsevier)
ÉPOCA - O cérebro já é feminino ou masculino desde o nascimento?
Louann Brizendine - O padrão cerebral de todo feto é feminino até a oitava semana de gestação. Depois disso, se o feto for masculino, seu cérebro sofrerá uma intensa inundação de testosterona, hormônio que começa a agir nos pequenos testículos do bebê e viaja até o cérebro pela corrente sanguínea. Esse banho de testosterona muda os circuitos do cérebro de femininos para masculinos.
ÉPOCA - Quais as diferenças entre os dois tipos de cérebro?
Brizendine - No cérebro masculino, a estrutura dedicada ao impulso sexual é duas vezes e meia maior que no feminimo. Nas mulheres, os circuitos ligados à audição e à linguagem têm 11% mais neurônios que nos homens e a estrutura relacionada à emoção e à formação da memória também é maior.
ÉPOCA - Se já nascemos com cérebros masculinos ou femininos, qual é a influência da sociedade sobre o papel da mulher e do homem na comunidade?
Brizendine - Os circuitos cerebrais vão sendo reforçados pela sociedade. Ela ensina o que é aceitável para homens e mulheres, e isso influencia no que achamos que somos capazes de fazer. Estereótipos são muito ruins. É preciso honrar as diferenças individuais e permitir que cada um faça o que lhe interessa.
ÉPOCA - É verdade que os homens pensam com um hemisfério do cérebro de cada vez ao desempenhar uma atividade e as mulheres usam os dois?
Brizendine - Sim. Talvez seja por isso que as mulheres podem fazer mais de uma atividade ao mesmo tempo, enquanto os homens têm grande dificuldade. Eles ficam extremamente concentrados em cada ação executada. Por outro lado, essa característica pode ser ruim num relacionamento, porque faz com que eles não prestem atenção a necessidades e vontades das outras pessoas.
ÉPOCA - É possível dizer quem é mais inteligente, homens ou mulheres?
Brizendine - Todos os estudos mostram que na média homens e mulheres têm quocientes de inteligência similares. Porém, o padrão de pensamento talvez seja diferente. O homem tem mais facilidade para pensar visualmente. As mulheres conseguem traduzir sentimentos em palavras com maior rapidez.
ÉPOCA - Esses padrões de pensamento influenciam na escolha da profissão?
Brizendine - Homens e mulheres são capazes de desempenhar as mesmas profissões. Mas, pelas características do cérebro, os homens podem ter mais interesse em carreiras que não exijam tanta interação com outras pessoas e as mulheres nas que têm mais socialização.
ÉPOCA - A senhora afirma que as mulheres usam cerca de 20 mil palavras por dia. E os homens só 7 mil. Qual é a razão?
Brizendine - O banho de testosterona durante a fase fetal diminui o tamanho de algumas estruturas no cérebro dos homens, como os centros de comunicação e emoção. Também entre 9 e 15 anos, o nível de testosterona nos meninos aumenta cerca de 25 vezes, uma quantia enorme. A testosterona age como um fertilizante para fazer algumas células crescer, mas também tem a capacidade de fazer regiões do cérebro encolher ou morrer.
ÉPOCA - Por que as mulheres implicam com os homens quando eles não reparam no novo corte de cabelo?
Brizendine - As mulheres são muito interessadas em sua aparência física. Se o homem não repara, elas acham que não são amadas. Querem a aprovação masculina. É um instinto básico feminino.
ÉPOCA - As mulheres percebem facilmente se estão agradando ou não?
Brizendine - Elas têm enorme capacidade de notar expressões faciais. As células nervosas que fazem com que sejam capazes de olhar para o rosto de outra pessoa e saber o que ela está pensando ou sentindo existem em maiores quantidades no cérebro feminino e são muito mais ativas que nos homens.
ÉPOCA - É por isso que as mulheres choram tanto? Para chamar a atenção?
Brizendine - É verdade. As mulheres choram quatro vezes mais facilmente que os homens. É uma maneira de demonstrar tristeza para eles.
ÉPOCA - Os hormônios desempenham um papel crucial no início do desenvolvimento do cérebro masculino. E na mulher?
Brizendine - O cérebro feminino é profundamente afetado pelos hormônios. Há indícios de que as mulheres têm duas vezes mais probabilidade de sofrer de depressão que os homens por causa das constantes alterações hormonais. Ao longo da vida, a mulher passa por várias fases hormonais, o que influencia em seus pensamentos, emoções e interesses.
ÉPOCA - A gravidez altera o cérebro?
Brizendine - Durante a gravidez, há grande aumento nos níveis de progesterona e estrogênio no cérebro da mulher. Isso faz com que ela fique muito mais concentrada no bem-estar da criança. São tantas alterações que o cérebro feminino chega a encolher 8% durante a gravidez por causa do aumento e da diminuição de algumas de suas estruturas. Porém, seis meses depois de dar à luz, seu tamanho volta ao normal.
ÉPOCA - É verdade que a mulher fica mais inteligente depois que tem filhos?
Brizendine - Alguns estudos sugerem que sim. Os pesquisadores acreditam que, como o cérebro fica muito focado em tudo o que se relacione ao bebê, acaba concentrado também em outros assuntos.
ÉPOCA - Todo esse conhecimento sobre o cérebro feminino pode contribuir para a melhora dos relacionamentos?
Brizendine - O fato de perceberem que pensam de maneiras diferentes pode ajudar a diminuir conflitos.
Disponível em http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG76276-6014,00.html
sexta-feira, junho 01, 2007
Shaftesbury e os blogs
Publicado no site digestivocultural.com
Gostaria de chamar atenção para uma matéria na revista "Mente-Cérebro & Filosofia", número 2, da Editora Duetto. Nesse número há um artigo sobre o filósofo britânico Shaftesbury, mais precisamente sobre seu livro "Soliloquy or advice to an author". Acredito que aspirantes a escritor, assim como autores "consumados", tirarão valiosas lições da filosofia de Shaftesbury. Uma das questões a se pensar é a seguinte: ser escritor não é somente saber escrever bem; outrossim, é dar expressão a assuntos que realmente importam. Para tanto, o escritor deve, antes de mais nada, conhecer a si mesmo, saber suas motivações, enfim, autocriticar-se sem autocondescendência. Digo isso porque, para mim, o que há de mais enfadonho na maioria dos blogs é o caráter narcisista dos escritos. Shaftesbury analisa como esse tipo de escritos são levianos e vaidosos. Enfim, se você quer ser um escritor de verdade, precisa se preparar para isso. "Soliloquy or advice for an author" é um ótimo começo.
por Renato Kinouchi
1/6/2007 às 19h14
Gostaria de chamar atenção para uma matéria na revista "Mente-Cérebro & Filosofia", número 2, da Editora Duetto. Nesse número há um artigo sobre o filósofo britânico Shaftesbury, mais precisamente sobre seu livro "Soliloquy or advice to an author". Acredito que aspirantes a escritor, assim como autores "consumados", tirarão valiosas lições da filosofia de Shaftesbury. Uma das questões a se pensar é a seguinte: ser escritor não é somente saber escrever bem; outrossim, é dar expressão a assuntos que realmente importam. Para tanto, o escritor deve, antes de mais nada, conhecer a si mesmo, saber suas motivações, enfim, autocriticar-se sem autocondescendência. Digo isso porque, para mim, o que há de mais enfadonho na maioria dos blogs é o caráter narcisista dos escritos. Shaftesbury analisa como esse tipo de escritos são levianos e vaidosos. Enfim, se você quer ser um escritor de verdade, precisa se preparar para isso. "Soliloquy or advice for an author" é um ótimo começo.
por Renato Kinouchi
1/6/2007 às 19h14
texto My cane, de Sobran, como oportunidade de discorrer sobre a fé.
Indico o texto My cane, escrito pelo colunista americano Joe Sobran, cujo site é http://www.sobran.com/. Sobran é um anarquista cristão. Isso significa que, sem ser um revolucionário, ele acredita que o Estado não tem qualquer papel a cumprir dentro de uma sociedade. Esquisito, né? Nem tanto, leiam seu artigo Reluctant anarchist, onde explica sua história de vida - pois nenhuma ideologia que adotamos deve estar desligada de nossas experiências de vida - e suas razões.
No blog de Norma Braga há um post excelente discutindo como acontece a conversão de uma pessoa. Alguns acreditam que a conversão ao cristianismo é algo repentino e válido para sempre. Estas pessoas ou são inimigos da religião ou são influenciadas pelo que estes dizem. Não existe conversão fulminante ( ver o sexto post deste blog ). O máximo que pode acontecer é uma revelação divina como a que teve Paulo, o apóstolo. Paulo teve uma visão de Cristo perguntando-lhe por que o perseguia. A partir deste momento, de perseguidor tornou-se o fundador da religião cristã ocidental. Este homem aparece seguidamente comentando a pesadíssima missão que lhe foi confiada, num mixto de orgulho e resignação. Dele são as seguites palavras, verdadeiro monumento da antropologia filosófica: "Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não porém o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, porém o pecado que habita em mim." ( Rm, 7-18:20 ).
Fé cega só existe na cabeça de detratores da religião, como se possível fosse uma pessoa, porque acredita em Cristo, deixar de crer que a Terra gira em torno do sol, por exemplo. Outro tema mais importante é entender que a fé em Cristo não é algo repentino, porém se constrói com altos e baixos. Há momentos que sabemos que Ele nos ajudou, outros momentos nos sentimos totalmente ao Deus-dará. A fé está em ser fiel àqueles momentos, ser digno deles, e ter paciência enquanto enfrentamos os maus momentos. Uma hora chega a estabilidade.
"Eu não vos prometo livrar-vos das águas da adversidade, mas eu vos prometo estar convosco durante todas elas." ( retirado da comunidade Livro de Urântia do orkut ).
No blog de Norma Braga há um post excelente discutindo como acontece a conversão de uma pessoa. Alguns acreditam que a conversão ao cristianismo é algo repentino e válido para sempre. Estas pessoas ou são inimigos da religião ou são influenciadas pelo que estes dizem. Não existe conversão fulminante ( ver o sexto post deste blog ). O máximo que pode acontecer é uma revelação divina como a que teve Paulo, o apóstolo. Paulo teve uma visão de Cristo perguntando-lhe por que o perseguia. A partir deste momento, de perseguidor tornou-se o fundador da religião cristã ocidental. Este homem aparece seguidamente comentando a pesadíssima missão que lhe foi confiada, num mixto de orgulho e resignação. Dele são as seguites palavras, verdadeiro monumento da antropologia filosófica: "Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não porém o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, porém o pecado que habita em mim." ( Rm, 7-18:20 ).
Fé cega só existe na cabeça de detratores da religião, como se possível fosse uma pessoa, porque acredita em Cristo, deixar de crer que a Terra gira em torno do sol, por exemplo. Outro tema mais importante é entender que a fé em Cristo não é algo repentino, porém se constrói com altos e baixos. Há momentos que sabemos que Ele nos ajudou, outros momentos nos sentimos totalmente ao Deus-dará. A fé está em ser fiel àqueles momentos, ser digno deles, e ter paciência enquanto enfrentamos os maus momentos. Uma hora chega a estabilidade.
"Eu não vos prometo livrar-vos das águas da adversidade, mas eu vos prometo estar convosco durante todas elas." ( retirado da comunidade Livro de Urântia do orkut ).
quarta-feira, maio 30, 2007
Entrevista com Diogo Mainardi
PERFIL / DIOGO MAINARDI
Rodrigo Fonseca
"Um estilo demolidor", copyright Jornal do Brasil, 16/02/03
"Qualquer pessoa que cruze com o paulista Diogo Mainardi, 40 anos, caminhando pelas ruas de Ipanema, terá dificuldade de associar aquele homem de feições serenas à imagem de olhar aquilino e semblante inquisidor da fotografia que ilustra suas colunas semanais na revista Veja, desde 1998. De fato, no primeiro encontro com o autor de quatro romances elogiados pela crítica - Malthus, vencedor do prêmio Jabuti de 1990, Arquipélago, Polígono das secas e Contra o Brasil -, que atualmente prefere se definir como jornalista, a visão do grande enfant terrible da imprensa nacional hoje logo se arrefece.
Bater um primeiro papo com Diogo envolve uma acolhida inicial sem veneno destilado. Em lugar de atacar este ou aquele problema do Brasil, conforme faz em seus artigos, ele prefere destacar a beleza do Rio, onde reside provisoriamente para acompanhar o tratamento de seu filho, vítima de paralisia cerebral. Esse encanto, aliás, vem do fato de ele morar há 14 anos em Veneza. Mas bastam poucas palavras trocadas para que sua verve ferina venha à tona, em assuntos como sua experiência como roteirista, trabalhando com o irmão mais velho, o diretor Vinícius Mainardi, nos filmes Dezesseis zero sessenta (1995) e Mater Dei (2001), ou discutindo literatura. Nesta entrevista ao Jornal do Brasil, Mainardi procura desmistificar um pouco a imagem do crítico ranzinza, comentando suas influências literárias e discutindo a identidade cultural do brasileiro.
- Qual é o estilo Diogo Mainardi de ver o Brasil?
- Tenho um olho cândido, distante. Olho meu país sem preconceito, mas com graça, por achá-lo preciso. Não tenho objetivos precisos. Vejo o mundo de um jeito. Boto esse jeito no papel e me pagam para fazer isso. Não sou resmungão, mas penso que sou um desastre nacional. Tenho todas as piores qualidades de meu povo e poucas de suas virtudes.
- Mas não há um quê de pessimismo em sua interpretação do país?
- Não é pessimismo. O Brasil não vai melhorar, nem piorar. Vai continuar a ser uma grande porcaria. Somos fracos nessa coisa de país. Não é a nossa construir uma nação organizada.
-A identidade cultural é um tema recorrente em sua coluna na revista Veja. Como definiria nossa identidade nestes tempos de Gilberto Gil no ministério da Cultura?
- Não acredito que tenha modificação nenhuma. Tenho absoluto asco de políticos. Eles são todos iguais, independentemente de partido. É uma gentalha que não me fascina. É gente que deve ser apedrejada. Acho que neste momento de um governo particularmente demagógico e populista, uma identidade ‘popular’ está mais em evidência. Ajuda, inclusive, a manipulação do governo em relação à população.
Pensamentos e influências
- Seu texto exalta a ironia, a crítica ácida. Que autores o ensinaram a pensar assim?
- Praticamente tudo o que eu li era irreverente. Minha linhagem literária é de Cervantes, Swift, Voltaire, Rabelais. Uma linha cômica, sarcástica e muito ácida. Eles foram os escritores que fizeram minha cabeça. Ela é desse jeito por causa deles.
- Há algum autor brasileiro de que o senhor goste?
- João Cabral [de Melo Netto]eu gosto muito. E Policarpo Quaresma foi o melhor romance que fizeram no Brasil.
- E dos novos autores?
- Não tenho lido muita coisa. Não estou bem informado. Parei no Dalton Trevisan, e continuo a crer que ele faz o melhor da literatura ainda hoje.
- O jornalista Ivan Lessa também teve um peso importante em sua formação.
- Abandonei o curso de ciências políticas no segundo ano por culpa dele. Fui para a Inglaterra na juventude para estudar na London School of Economics. Tinha 19 anos. Procurei Ivan como fã. Foi a primeira e única vez que busquei uma pessoa por isso. E ele começou a me encher de livros. Íamos comer em um restaurante chinês, às quartas-feiras, e ele sempre levava três livros para mim, que eu lia no arco entre uma semana e outra. Entre a leitura com esse tutor e a universidade, achei melhor o Ivan Lessa e sua biblioteca.
- Como entrou para a Veja e se aproximou do jornalismo?
- Entrei na Veja há 12 anos, a convite de Mário Sérgio Conti [editor da revista na ocasião]. Ele já era meu amigo, fomos apresentados por Ivan Lessa. Minha entrada acabou sendo uma espécie de favoritismo muito brasileiro. Na época, não pensava em jornalismo. Considerava que era incompatível com meu exercício da literatura. Esperava viver de livros. Como não consegui, fui para a imprensa. Quando não tive mais meios de me sustentar, o jornalismo acabou aparecendo como minha tábua se salvação. Nos primeiros oito anos da revista, fiz matérias de viagem e resenhas. E quatro perfis, feitos no início dos anos 90, com Gore Vidal, Cicciolina, Nelson Piquet e Ivan Lessa. Fui contratado mesmo para escrever perfis. No começo do trabalho lá, me mantive de forma precária. Mas depois da coluna, que tenho há quatro anos, vivo bem.
- Polêmicas sempre cercam sua coluna na Veja. Foi o caso do texto sobre as comemorações do centenário de Drummond, no qual questionou a qualidade de alguns poemas dele. Por que atacar a obra drummondiana?
- Sobre Drummond, você pode falar bem ou falar mal. Se pegar os melhores poemas dele, vai falar bem. Se pegar os piores, vai falar mal. Eu peguei os piores e fiz uma seleção do que há de mais abominável no que ele fez. Não quis fazer um tratado sobre Drummond. Apenas peguei a celebração de seus 100 anos , todo o kitsch daquela comemoração e a má leitura do que se faz de Drummond, e acabei prestando um serviço a ele. O que se lê de Drummond por aqui, hoje em dia, é quase sempre o que ele fez de pior. Claro enigma é seu melhor trabalho.
- Hoje o senhor se considera mais jornalista do que escritor?
-Penso que eu sou só jornalista a esta altura. Não estou escrevendo nenhum romance. São duas coisas quase incompatíveis. Escreveria maus romances agora.
- Sua experiência com cinema lhe trouxe dissabores?
- Eu jamais meterei as mãos novamente no território cinematográfico. Perdi dinheiro com o cinema. Passo longe. Quando fiz Dezesseis zero sessenta, com meu irmão Vinícius, experimentamos um grande anti-clímax. Demoramos quase cinco anos para lançar Mater Dei porque nos recusamos a usar dinheiro público. No fim, o filme não foi bem distribuído, nem bem recebido. As pessoas estão acostumadas com a televisão e o videoclipe. E Mater Dei valia pela discussão.
- O senhor costuma ver cinema brasileiro?
- Não. Não tenho acesso. Morando fora não vejo nada.
- Há alguma obra na história do cinema brasileiro que tenha lhe marcado?
- Absolutamente nada. O Brasil não conseguiu fazer um bom filme. Deus e o diabo na terra do sol, por exemplo, eu acho chatíssimo."
........................
Disponível em http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/asp190220039995.htm.
Rodrigo Fonseca
"Um estilo demolidor", copyright Jornal do Brasil, 16/02/03
"Qualquer pessoa que cruze com o paulista Diogo Mainardi, 40 anos, caminhando pelas ruas de Ipanema, terá dificuldade de associar aquele homem de feições serenas à imagem de olhar aquilino e semblante inquisidor da fotografia que ilustra suas colunas semanais na revista Veja, desde 1998. De fato, no primeiro encontro com o autor de quatro romances elogiados pela crítica - Malthus, vencedor do prêmio Jabuti de 1990, Arquipélago, Polígono das secas e Contra o Brasil -, que atualmente prefere se definir como jornalista, a visão do grande enfant terrible da imprensa nacional hoje logo se arrefece.
Bater um primeiro papo com Diogo envolve uma acolhida inicial sem veneno destilado. Em lugar de atacar este ou aquele problema do Brasil, conforme faz em seus artigos, ele prefere destacar a beleza do Rio, onde reside provisoriamente para acompanhar o tratamento de seu filho, vítima de paralisia cerebral. Esse encanto, aliás, vem do fato de ele morar há 14 anos em Veneza. Mas bastam poucas palavras trocadas para que sua verve ferina venha à tona, em assuntos como sua experiência como roteirista, trabalhando com o irmão mais velho, o diretor Vinícius Mainardi, nos filmes Dezesseis zero sessenta (1995) e Mater Dei (2001), ou discutindo literatura. Nesta entrevista ao Jornal do Brasil, Mainardi procura desmistificar um pouco a imagem do crítico ranzinza, comentando suas influências literárias e discutindo a identidade cultural do brasileiro.
- Qual é o estilo Diogo Mainardi de ver o Brasil?
- Tenho um olho cândido, distante. Olho meu país sem preconceito, mas com graça, por achá-lo preciso. Não tenho objetivos precisos. Vejo o mundo de um jeito. Boto esse jeito no papel e me pagam para fazer isso. Não sou resmungão, mas penso que sou um desastre nacional. Tenho todas as piores qualidades de meu povo e poucas de suas virtudes.
- Mas não há um quê de pessimismo em sua interpretação do país?
- Não é pessimismo. O Brasil não vai melhorar, nem piorar. Vai continuar a ser uma grande porcaria. Somos fracos nessa coisa de país. Não é a nossa construir uma nação organizada.
-A identidade cultural é um tema recorrente em sua coluna na revista Veja. Como definiria nossa identidade nestes tempos de Gilberto Gil no ministério da Cultura?
- Não acredito que tenha modificação nenhuma. Tenho absoluto asco de políticos. Eles são todos iguais, independentemente de partido. É uma gentalha que não me fascina. É gente que deve ser apedrejada. Acho que neste momento de um governo particularmente demagógico e populista, uma identidade ‘popular’ está mais em evidência. Ajuda, inclusive, a manipulação do governo em relação à população.
Pensamentos e influências
- Seu texto exalta a ironia, a crítica ácida. Que autores o ensinaram a pensar assim?
- Praticamente tudo o que eu li era irreverente. Minha linhagem literária é de Cervantes, Swift, Voltaire, Rabelais. Uma linha cômica, sarcástica e muito ácida. Eles foram os escritores que fizeram minha cabeça. Ela é desse jeito por causa deles.
- Há algum autor brasileiro de que o senhor goste?
- João Cabral [de Melo Netto]eu gosto muito. E Policarpo Quaresma foi o melhor romance que fizeram no Brasil.
- E dos novos autores?
- Não tenho lido muita coisa. Não estou bem informado. Parei no Dalton Trevisan, e continuo a crer que ele faz o melhor da literatura ainda hoje.
- O jornalista Ivan Lessa também teve um peso importante em sua formação.
- Abandonei o curso de ciências políticas no segundo ano por culpa dele. Fui para a Inglaterra na juventude para estudar na London School of Economics. Tinha 19 anos. Procurei Ivan como fã. Foi a primeira e única vez que busquei uma pessoa por isso. E ele começou a me encher de livros. Íamos comer em um restaurante chinês, às quartas-feiras, e ele sempre levava três livros para mim, que eu lia no arco entre uma semana e outra. Entre a leitura com esse tutor e a universidade, achei melhor o Ivan Lessa e sua biblioteca.
- Como entrou para a Veja e se aproximou do jornalismo?
- Entrei na Veja há 12 anos, a convite de Mário Sérgio Conti [editor da revista na ocasião]. Ele já era meu amigo, fomos apresentados por Ivan Lessa. Minha entrada acabou sendo uma espécie de favoritismo muito brasileiro. Na época, não pensava em jornalismo. Considerava que era incompatível com meu exercício da literatura. Esperava viver de livros. Como não consegui, fui para a imprensa. Quando não tive mais meios de me sustentar, o jornalismo acabou aparecendo como minha tábua se salvação. Nos primeiros oito anos da revista, fiz matérias de viagem e resenhas. E quatro perfis, feitos no início dos anos 90, com Gore Vidal, Cicciolina, Nelson Piquet e Ivan Lessa. Fui contratado mesmo para escrever perfis. No começo do trabalho lá, me mantive de forma precária. Mas depois da coluna, que tenho há quatro anos, vivo bem.
- Polêmicas sempre cercam sua coluna na Veja. Foi o caso do texto sobre as comemorações do centenário de Drummond, no qual questionou a qualidade de alguns poemas dele. Por que atacar a obra drummondiana?
- Sobre Drummond, você pode falar bem ou falar mal. Se pegar os melhores poemas dele, vai falar bem. Se pegar os piores, vai falar mal. Eu peguei os piores e fiz uma seleção do que há de mais abominável no que ele fez. Não quis fazer um tratado sobre Drummond. Apenas peguei a celebração de seus 100 anos , todo o kitsch daquela comemoração e a má leitura do que se faz de Drummond, e acabei prestando um serviço a ele. O que se lê de Drummond por aqui, hoje em dia, é quase sempre o que ele fez de pior. Claro enigma é seu melhor trabalho.
- Hoje o senhor se considera mais jornalista do que escritor?
-Penso que eu sou só jornalista a esta altura. Não estou escrevendo nenhum romance. São duas coisas quase incompatíveis. Escreveria maus romances agora.
- Sua experiência com cinema lhe trouxe dissabores?
- Eu jamais meterei as mãos novamente no território cinematográfico. Perdi dinheiro com o cinema. Passo longe. Quando fiz Dezesseis zero sessenta, com meu irmão Vinícius, experimentamos um grande anti-clímax. Demoramos quase cinco anos para lançar Mater Dei porque nos recusamos a usar dinheiro público. No fim, o filme não foi bem distribuído, nem bem recebido. As pessoas estão acostumadas com a televisão e o videoclipe. E Mater Dei valia pela discussão.
- O senhor costuma ver cinema brasileiro?
- Não. Não tenho acesso. Morando fora não vejo nada.
- Há alguma obra na história do cinema brasileiro que tenha lhe marcado?
- Absolutamente nada. O Brasil não conseguiu fazer um bom filme. Deus e o diabo na terra do sol, por exemplo, eu acho chatíssimo."
........................
Disponível em http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/asp190220039995.htm.
domingo, maio 27, 2007
O que é um milagre.
“(...) Definir o milagre como ruptura das leis naturais é de certo modo você inverter a realidade porque tudo o que você chama de natureza é o círculo daquilo que você conhece, e você sabe que para lá da natureza existe o infinito. Ora, então se o universo finito que você conhece tá dentro do infinito, é claro que o infinito transcende e abrange o universo conhecido. E se ele transcende e abrange, é ele que determina, é o infinito que tá com a corda toda, não é o finito não. Quer dizer, se você pegar todas as leis conhecidas da natureza, conhecidas e por conhecer, elas são como queijo suíço, elas são cheias de buraco. As leis da natureza jamais completarão um tecido de realidade, você tá entendendo? O finito está entrecortado pelo infinito.
Então quer dizer que o infinito está continuamente realimentando, se você tomar a realidade como um conjunto de possibilidades finito e a idéia mesma de lei científica é isso, que é possível um sistema fechado... isto não tem como existir por si, é necessário que o infinito o alimente continuamente com novas possibilidades...( de outro modo ) seria a entropia total. Então não é o milagre que rompe a lei da natureza, a lei da natureza é apenas um pedaço que está preenchido entre dois rombos, vamos dizer, de infinito. Então isso quer dizer que o milagre não apenas acontece de vez em quando, mas ele é uma necessidade absoluta, quer dizer, o mundo se sustenta dentro disso. O mundo natural se sustenta dentro do milagre, do miraculoso. O miraculoso é aquela ação que vem do infinito.(...)"
Olavo de Carvalho, no sétimo bate-papo com Yuri Vieira. Você pode ouví-los aqui.
Então quer dizer que o infinito está continuamente realimentando, se você tomar a realidade como um conjunto de possibilidades finito e a idéia mesma de lei científica é isso, que é possível um sistema fechado... isto não tem como existir por si, é necessário que o infinito o alimente continuamente com novas possibilidades...( de outro modo ) seria a entropia total. Então não é o milagre que rompe a lei da natureza, a lei da natureza é apenas um pedaço que está preenchido entre dois rombos, vamos dizer, de infinito. Então isso quer dizer que o milagre não apenas acontece de vez em quando, mas ele é uma necessidade absoluta, quer dizer, o mundo se sustenta dentro disso. O mundo natural se sustenta dentro do milagre, do miraculoso. O miraculoso é aquela ação que vem do infinito.(...)"
Olavo de Carvalho, no sétimo bate-papo com Yuri Vieira. Você pode ouví-los aqui.
sexta-feira, maio 25, 2007
quinta-feira, maio 24, 2007
Três gerações
por João Nemo
em 21 de novembro de 2005
MidiaSemMascara.org
Nada como enterros e casamentos para uma rápida atualização sobre o andamento da vida de familiares distantes e amigos antigos. Felizmente, o último evento desse tipo a que compareci foi o belo e festivo casamento do filho de um querido amigo de juventude. Não há muitos ultimamente. Com exceção dos homossexuais militantes, empenhados em casar segundo tanto se fala, a geração que deveria estar embarcando nessa, parece ter certa dificuldade em assumir compromissos e vai, numa opção racional, exercitando relacionamentos com horário marcado e otimizando seus próprios orçamentos mantendo-se na casa dos pais. Mas, por algum fenômeno astrológico, vez ou outra há um surto de matrimônios.
O fato é que um largo círculo de amigos da minha adolescência nos “anos incríveis” encontrou-se para comemorar o arrojo anacrônico desse jovem que, depois de um longo período vivendo com a sua eleita no exterior, resolveu brindar a mãe pátria e a CNBB com a fundação de mais uma família brasileira.
Como o cachimbo faz a boca torta, não pude evitar algumas meditações sociológicas sobre o grupo ali reunido e estender um pouco a visão do cenário para abarcar a geração que nos precedeu e que ainda tinha alguns escassos representantes ao vivo e a cores no local. O que no passado me teria parecido apenas normal, porque era o meio em que fui criado, saltou aos meus olhos com muita clareza. Quase todos nós, senão todos, tínhamos uma história de vida assemelhada sob vários aspectos. Nossos pais, na maioria dos casos, eram gente simples e de pouco estudo, alguns mesmo levemente alfabetizados. De profissão, pequenos comerciantes, funcionários, trabalhadores de ofícios diversos. Alguns eram migrantes, em especial portugueses, como meus pais, mas também italianos, espanhóis, japoneses, etc. Vários de nós fomos alunos de escolas públicas o que, naquele tempo, podia significar algum estabelecimento mais exigente do que boa parte dos particulares. Da geração dos nossos pais para a nossa, o grande diferencial foi o nível de estudo e a conseqüência foi uma razoável ascensão social. O filho do mestre de obras tornou-se empresário de sucesso; o do pequeno comerciante chegou a diretor de banco; a costureira viu o seu tornar-se médico e assim por diante. Girando os olhos pelo salão eu me atreveria a dizer que dali se poderia extrair um ministério bem melhor que o do atual governo, mas não sei se isso é lá muita vantagem.
Na geração que nos antecedeu predominava a escolaridade básica, o trabalho árduo, mas não o intelectual. Meu pai fez serviço de rua para um escritório de administração até os 82 anos de idade. Nós, os filhos, começamos a encontrar os primeiros empregos por volta dos 14 anos, muitas vezes ajudando os pais em alguma coisa antes disso. Muitos passamos pelo ritual de sermos primeiro “office-boys” e depois auxiliares de escritório. A longa amizade que tive com meu primeiro patrão, um relojoeiro romeno fugido do paraíso comunista, com quem eu gostava de manter longos papos enquanto ele montava e desmontava relógios, é assunto para uma crônica específica, pois só agora, depois de tantos anos, eu aprendi que ele era, na verdade, um sórdido explorador do trabalho infantil, uma figura nociva e perversa que eu deveria ter processado e submetido às mais diversas extorsões em nome da sacrossanta lei tutelar que protege a nós outros, os coitadinhos.
Mas, o fato é que pude contemplar, nessa como em outras ocasiões, que na minha geração, entenda-se, no meu círculo de amizades antigas, predominam os tipos que nos “esteites” denominam “self made man”, mas, em grande parte, foram “made” mesmo pela associação de mérito próprio com o empenho de pais humildes e dedicados, cuja fé era que estudo e trabalho geravam oportunidades e construíam cidadãos bem sucedidos na vida. Pode-se dizer que é uma boa fórmula e que deu certo.
O que fizemos nós, então, além de termos casas e automóveis melhores, viajarmos mais e propiciarmos cirurgias plásticas às nossas esposas? Ora, continuamos acreditando na fórmula que deu certo: investimos pesadamente na educação dos filhos. Esta nova geração de jovens adultos, a terceira na minha breve “trilogia”, como diriam os cinéfilos, freqüentou as melhores escolas privadas, até porque as públicas foram destruídas nesse meio tempo. Teve, também, acesso a Clubes Esportivos, aprendeu outras línguas, ganhou computadores, fez intercâmbios no estrangeiro, formou-se nas Universidades de maior prestígio e quando trabalhou foi mais para adquirir “bagagem” do que por necessidade. Como gente que aprendeu, por experiência própria, o valor do estudo, do empenho e da qualificação profissional, tentamos transmitir esse método e torcemos para que os filhos nos superassem. Acho que, na maioria dos casos, fomos bem sucedidos. Minha filha, aquela que costuma bisbilhotar os meus textos, garante com um risinho irônico que, superar-nos, não é um desafio tão grande. Pretensão e água benta não fazem mal a ninguém, como diria minha mãe.
Mentalmente percorro, agora, numa última rodada, o que vem ocorrendo com esta terceira geração. O indicador máximo de sucesso, comentado com orgulho pelos pais numa conversa, é quando o filho ou a filha obteve uma colocação no estrangeiro. Como um boleiro que tivesse sido contratado pelo Barcelona, está atestada a qualidade do rebento, cuja capacidade e talento exigem um horizonte mais amplo do que oferece o espaço nacional. Quase todos, de alguma maneira, flertam, flertaram ou vincularam-se, definitivamente, a atividades no exterior. Nada contra. O que me incomoda é que não possamos, no Brasil, oferecer oportunidades equivalentes. Estamos, em muitos casos, exportando inteligência a preço vil. O país que um dia se deu ao luxo imbecil de proibir a contratação de professores universitários estrangeiros, evitando, assim, a importação líquida de neurônios, expulsa o produto nacional por incapacidade de utilizá-lo. Enquanto se entoam loas aos bons indicadores macroeconômicos (sic), comemoram-se crescimentos pífios ao lado de recordes sucessivos de arrecadação, o país mostra-se amesquinhado, sem oferta significativa de empregos qualificados, sem fé ou projeto. Os jovens saem das Universidades para disputar com unhas e dentes, através de performances teatrais denominadas de “dinâmica de grupo”, escassas vagas para privilegiados “treinee”. A grande meta de Estado proposta é ter várias refeições por dia o que, convenhamos, por desejável que seja, é muito rasteiro para figurar como objetivo nacional, principalmente pelos métodos utilizados. Na política externa, fazemos cara de nojo para países de ponta e saímos paparicando ditaduras miseráveis e outros potenciais adeptos para, quem sabe, formar um clube de ressentidos e fracassados.
O volume de jovens que busca encontrar lá fora o que parece esgotado aqui dentro é enorme. Nem todos vão porque as oportunidades sejam luminosas. Moças e rapazes bem formados, com curso superior e eventualmente poliglotas, arrumam artifícios para se instalar em diversos países como garçons, babás, auxiliares de alguma coisa e, quem sabe, descobrir um trajeto para uma vida melhor em algo parecido com o que estudaram. Até uma certa fase, vale a experiência e a aventura, mas, durante o referido reencontro, a filha de um amigo, preparando-se para retornar à Nova Zelândia, rebateu as esperanças dele com outra explicação, simples e direta, para a sua insistência em achar rumo fora daqui: “Pai, eu não vou passar a minha vida chamando a segurança para entrar e sair de casa”. Não pude deixar de reconhecer a força do argumento e, pior, a ironia do fato de que esse velho companheiro, graças a um talento muito acima do normal, atingiu a Vice-Presidência de uma grande empresa e, como corolário do seu sucesso, tem a família toda andando em carro blindado. Paranóia? Não, os fatos já comprovaram a necessidade. Não posso sair do rumo neste texto, mas fique claro que essa situação, segundo meu ponto de vista, é decorrência direta do tipo de elite que nos dirige. Não a misteriosa “zelite” do apedeuta, mas essa leniente, incapaz, retrógrada e hipócrita da qual ele faz parte.
Diferentemente dos jovens de países europeus, por exemplo, que se deslocam enquanto estudantes em busca, como eu já disse, de experiência e aventura, os nossos vão formados, sempre na expectativa de encontrar uma oportunidade fora. Este país, contrariando toda a lógica, a sua própria história e as expectativas típicas da minha geração, oferece uma porta estreita de oportunidades. Não são apenas migrantes de Governador Valadares que estão saindo. É boa parte da nata da nossa juventude e, mesmo quando retornam, freqüentemente o fazem como uma espécie de alternativa menor, aceita apenas porque o plano mais ambicioso não deu certo.
Não sei o que podemos esperar de um processo como esse. Os cérebros que não são destruídos por um ensino deplorável, que não são massacrados pela escola de oportunismo propagada pelos meios de comunicação e pelo exemplo que vem do alto, começam a ser exportados. Ainda é um fenômeno reversível, porque recente, mas poderá não sê-lo por muito tempo. Em boa linguagem sociológica eu diria que estamos sangrando capital humano. Como pai, eu diria que estamos, simplesmente, exportando o melhor fruto do nosso esforço.
em 21 de novembro de 2005
MidiaSemMascara.org
Nada como enterros e casamentos para uma rápida atualização sobre o andamento da vida de familiares distantes e amigos antigos. Felizmente, o último evento desse tipo a que compareci foi o belo e festivo casamento do filho de um querido amigo de juventude. Não há muitos ultimamente. Com exceção dos homossexuais militantes, empenhados em casar segundo tanto se fala, a geração que deveria estar embarcando nessa, parece ter certa dificuldade em assumir compromissos e vai, numa opção racional, exercitando relacionamentos com horário marcado e otimizando seus próprios orçamentos mantendo-se na casa dos pais. Mas, por algum fenômeno astrológico, vez ou outra há um surto de matrimônios.
O fato é que um largo círculo de amigos da minha adolescência nos “anos incríveis” encontrou-se para comemorar o arrojo anacrônico desse jovem que, depois de um longo período vivendo com a sua eleita no exterior, resolveu brindar a mãe pátria e a CNBB com a fundação de mais uma família brasileira.
Como o cachimbo faz a boca torta, não pude evitar algumas meditações sociológicas sobre o grupo ali reunido e estender um pouco a visão do cenário para abarcar a geração que nos precedeu e que ainda tinha alguns escassos representantes ao vivo e a cores no local. O que no passado me teria parecido apenas normal, porque era o meio em que fui criado, saltou aos meus olhos com muita clareza. Quase todos nós, senão todos, tínhamos uma história de vida assemelhada sob vários aspectos. Nossos pais, na maioria dos casos, eram gente simples e de pouco estudo, alguns mesmo levemente alfabetizados. De profissão, pequenos comerciantes, funcionários, trabalhadores de ofícios diversos. Alguns eram migrantes, em especial portugueses, como meus pais, mas também italianos, espanhóis, japoneses, etc. Vários de nós fomos alunos de escolas públicas o que, naquele tempo, podia significar algum estabelecimento mais exigente do que boa parte dos particulares. Da geração dos nossos pais para a nossa, o grande diferencial foi o nível de estudo e a conseqüência foi uma razoável ascensão social. O filho do mestre de obras tornou-se empresário de sucesso; o do pequeno comerciante chegou a diretor de banco; a costureira viu o seu tornar-se médico e assim por diante. Girando os olhos pelo salão eu me atreveria a dizer que dali se poderia extrair um ministério bem melhor que o do atual governo, mas não sei se isso é lá muita vantagem.
Na geração que nos antecedeu predominava a escolaridade básica, o trabalho árduo, mas não o intelectual. Meu pai fez serviço de rua para um escritório de administração até os 82 anos de idade. Nós, os filhos, começamos a encontrar os primeiros empregos por volta dos 14 anos, muitas vezes ajudando os pais em alguma coisa antes disso. Muitos passamos pelo ritual de sermos primeiro “office-boys” e depois auxiliares de escritório. A longa amizade que tive com meu primeiro patrão, um relojoeiro romeno fugido do paraíso comunista, com quem eu gostava de manter longos papos enquanto ele montava e desmontava relógios, é assunto para uma crônica específica, pois só agora, depois de tantos anos, eu aprendi que ele era, na verdade, um sórdido explorador do trabalho infantil, uma figura nociva e perversa que eu deveria ter processado e submetido às mais diversas extorsões em nome da sacrossanta lei tutelar que protege a nós outros, os coitadinhos.
Mas, o fato é que pude contemplar, nessa como em outras ocasiões, que na minha geração, entenda-se, no meu círculo de amizades antigas, predominam os tipos que nos “esteites” denominam “self made man”, mas, em grande parte, foram “made” mesmo pela associação de mérito próprio com o empenho de pais humildes e dedicados, cuja fé era que estudo e trabalho geravam oportunidades e construíam cidadãos bem sucedidos na vida. Pode-se dizer que é uma boa fórmula e que deu certo.
O que fizemos nós, então, além de termos casas e automóveis melhores, viajarmos mais e propiciarmos cirurgias plásticas às nossas esposas? Ora, continuamos acreditando na fórmula que deu certo: investimos pesadamente na educação dos filhos. Esta nova geração de jovens adultos, a terceira na minha breve “trilogia”, como diriam os cinéfilos, freqüentou as melhores escolas privadas, até porque as públicas foram destruídas nesse meio tempo. Teve, também, acesso a Clubes Esportivos, aprendeu outras línguas, ganhou computadores, fez intercâmbios no estrangeiro, formou-se nas Universidades de maior prestígio e quando trabalhou foi mais para adquirir “bagagem” do que por necessidade. Como gente que aprendeu, por experiência própria, o valor do estudo, do empenho e da qualificação profissional, tentamos transmitir esse método e torcemos para que os filhos nos superassem. Acho que, na maioria dos casos, fomos bem sucedidos. Minha filha, aquela que costuma bisbilhotar os meus textos, garante com um risinho irônico que, superar-nos, não é um desafio tão grande. Pretensão e água benta não fazem mal a ninguém, como diria minha mãe.
Mentalmente percorro, agora, numa última rodada, o que vem ocorrendo com esta terceira geração. O indicador máximo de sucesso, comentado com orgulho pelos pais numa conversa, é quando o filho ou a filha obteve uma colocação no estrangeiro. Como um boleiro que tivesse sido contratado pelo Barcelona, está atestada a qualidade do rebento, cuja capacidade e talento exigem um horizonte mais amplo do que oferece o espaço nacional. Quase todos, de alguma maneira, flertam, flertaram ou vincularam-se, definitivamente, a atividades no exterior. Nada contra. O que me incomoda é que não possamos, no Brasil, oferecer oportunidades equivalentes. Estamos, em muitos casos, exportando inteligência a preço vil. O país que um dia se deu ao luxo imbecil de proibir a contratação de professores universitários estrangeiros, evitando, assim, a importação líquida de neurônios, expulsa o produto nacional por incapacidade de utilizá-lo. Enquanto se entoam loas aos bons indicadores macroeconômicos (sic), comemoram-se crescimentos pífios ao lado de recordes sucessivos de arrecadação, o país mostra-se amesquinhado, sem oferta significativa de empregos qualificados, sem fé ou projeto. Os jovens saem das Universidades para disputar com unhas e dentes, através de performances teatrais denominadas de “dinâmica de grupo”, escassas vagas para privilegiados “treinee”. A grande meta de Estado proposta é ter várias refeições por dia o que, convenhamos, por desejável que seja, é muito rasteiro para figurar como objetivo nacional, principalmente pelos métodos utilizados. Na política externa, fazemos cara de nojo para países de ponta e saímos paparicando ditaduras miseráveis e outros potenciais adeptos para, quem sabe, formar um clube de ressentidos e fracassados.
O volume de jovens que busca encontrar lá fora o que parece esgotado aqui dentro é enorme. Nem todos vão porque as oportunidades sejam luminosas. Moças e rapazes bem formados, com curso superior e eventualmente poliglotas, arrumam artifícios para se instalar em diversos países como garçons, babás, auxiliares de alguma coisa e, quem sabe, descobrir um trajeto para uma vida melhor em algo parecido com o que estudaram. Até uma certa fase, vale a experiência e a aventura, mas, durante o referido reencontro, a filha de um amigo, preparando-se para retornar à Nova Zelândia, rebateu as esperanças dele com outra explicação, simples e direta, para a sua insistência em achar rumo fora daqui: “Pai, eu não vou passar a minha vida chamando a segurança para entrar e sair de casa”. Não pude deixar de reconhecer a força do argumento e, pior, a ironia do fato de que esse velho companheiro, graças a um talento muito acima do normal, atingiu a Vice-Presidência de uma grande empresa e, como corolário do seu sucesso, tem a família toda andando em carro blindado. Paranóia? Não, os fatos já comprovaram a necessidade. Não posso sair do rumo neste texto, mas fique claro que essa situação, segundo meu ponto de vista, é decorrência direta do tipo de elite que nos dirige. Não a misteriosa “zelite” do apedeuta, mas essa leniente, incapaz, retrógrada e hipócrita da qual ele faz parte.
Diferentemente dos jovens de países europeus, por exemplo, que se deslocam enquanto estudantes em busca, como eu já disse, de experiência e aventura, os nossos vão formados, sempre na expectativa de encontrar uma oportunidade fora. Este país, contrariando toda a lógica, a sua própria história e as expectativas típicas da minha geração, oferece uma porta estreita de oportunidades. Não são apenas migrantes de Governador Valadares que estão saindo. É boa parte da nata da nossa juventude e, mesmo quando retornam, freqüentemente o fazem como uma espécie de alternativa menor, aceita apenas porque o plano mais ambicioso não deu certo.
Não sei o que podemos esperar de um processo como esse. Os cérebros que não são destruídos por um ensino deplorável, que não são massacrados pela escola de oportunismo propagada pelos meios de comunicação e pelo exemplo que vem do alto, começam a ser exportados. Ainda é um fenômeno reversível, porque recente, mas poderá não sê-lo por muito tempo. Em boa linguagem sociológica eu diria que estamos sangrando capital humano. Como pai, eu diria que estamos, simplesmente, exportando o melhor fruto do nosso esforço.
Diálogo no filme Scent of woman ( em português Pefume de mulher )
- You know what kept me going all these years ?
The thought that one day..
Never mind.
( Sabe o quê me me fez continuar durante esses anos todos?
Achar que um dia..
Esquece. )
- What?
( O quê? )
- Silly.
Just the thought that maybe one day, I´d..
I could have a woman´s arms wrapped around me..
and her legs wrapped around me.
( É bobo.
Apenas achar que um dia, talvez, eu teria..
eu poderia ter os braços de uma mulher me envolvendo..
e suas pernas me envolvendo. )
- And what? ( E o quê mais? )
- That I could wake up in the morning and she would still be there.
Smell of her.
All funky and warm.
( Que eu poderia acordar de manhã e ela ainda estaria lá.
O cheiro dela.
Encolhida e quentinha. )
..........
tradução minha.
The thought that one day..
Never mind.
( Sabe o quê me me fez continuar durante esses anos todos?
Achar que um dia..
Esquece. )
- What?
( O quê? )
- Silly.
Just the thought that maybe one day, I´d..
I could have a woman´s arms wrapped around me..
and her legs wrapped around me.
( É bobo.
Apenas achar que um dia, talvez, eu teria..
eu poderia ter os braços de uma mulher me envolvendo..
e suas pernas me envolvendo. )
- And what? ( E o quê mais? )
- That I could wake up in the morning and she would still be there.
Smell of her.
All funky and warm.
( Que eu poderia acordar de manhã e ela ainda estaria lá.
O cheiro dela.
Encolhida e quentinha. )
..........
tradução minha.
quarta-feira, maio 23, 2007
Leonidas: You, what is your profession?
Arcadian soldier: I'm a potter, sir.
Leonidas: And you, arcadian, what is your profession?
Arcadian soldier: I'm a sculptor.
Leonidas: And you?
Arcadian soldier: I'm a blacksmith.
Leonidas: [Turning towards the Spartans] Spartans! What is your profession?
Espartanos: Harooh! Harooh! Harooh!
Leonidas: See old friend, I brought more soldiers than you did.
http://www.youtube.com/watch?v=VMwwb4F5j8I
Com os devidos créditos para a usuária Amanda, do orkut, a quem não conheço, motivo pelo qual não deixarei o link para seu perfil aqui.
Arcadian soldier: I'm a potter, sir.
Leonidas: And you, arcadian, what is your profession?
Arcadian soldier: I'm a sculptor.
Leonidas: And you?
Arcadian soldier: I'm a blacksmith.
Leonidas: [Turning towards the Spartans] Spartans! What is your profession?
Espartanos: Harooh! Harooh! Harooh!
Leonidas: See old friend, I brought more soldiers than you did.
http://www.youtube.com/watch?v=VMwwb4F5j8I
Com os devidos créditos para a usuária Amanda, do orkut, a quem não conheço, motivo pelo qual não deixarei o link para seu perfil aqui.
terça-feira, maio 22, 2007
Cartas de amor
Aboard Air Force One
March 4 1983
"Dear First Lady
I know tradition has it that on this morning I place cards Happy Anniversary cards on your breakfast tray. But things are somewhat mixed up. I substituted a gift & delivered it a few weeks ago.
Still this is the day, the day that marks 31 years of such happiness as comes to few men. I told you once that it was like an adolescent's dream of what marriage should be like. That hasn't changed.
You know I love the ranch but these last two days made it plain I only love it when you are there. Come to think of it that's true of every place & every time. When you aren't there I'm no place, just lost in time & space.
I more than love you, I'm not whole without you. You are life itself to me. When you are gone I'm waiting for you to return so I can start living again.
Happy Anniversary & thank you for 31 wonderful years.
I love you
Your Grateful Husband"
Esta carta de amor foi escrita pelo ex-presidente norte-americano Ronald Reagan para sua esposa Nancy, durante o mandato presidencial de 1981-84. Outras cartas de amor de pessoas famosas podem ser lidas no link http://www.theromantic.com/LoveLetters/main.htm.
Não sou nenhum especialista no tema, apenas escrevi minha carta de amor. Acredito, no entanto, que a tradição de escrever cartas de amor esteja se esvanecendo. Escrever cartas de amor é algo meio ridículo, todo mundo deve se sentir algo assim quando escreve uma. As pessoas hoje têm tanto medo de parecer ridículas que não fazem coisas fundamentais. A falta de confiança na sociedade se traduz em negativas de demonstrações de amor verdadeiro, porque se receia que façam troça do sentimento manifestado.
March 4 1983
"Dear First Lady
I know tradition has it that on this morning I place cards Happy Anniversary cards on your breakfast tray. But things are somewhat mixed up. I substituted a gift & delivered it a few weeks ago.
Still this is the day, the day that marks 31 years of such happiness as comes to few men. I told you once that it was like an adolescent's dream of what marriage should be like. That hasn't changed.
You know I love the ranch but these last two days made it plain I only love it when you are there. Come to think of it that's true of every place & every time. When you aren't there I'm no place, just lost in time & space.
I more than love you, I'm not whole without you. You are life itself to me. When you are gone I'm waiting for you to return so I can start living again.
Happy Anniversary & thank you for 31 wonderful years.
I love you
Your Grateful Husband"
Esta carta de amor foi escrita pelo ex-presidente norte-americano Ronald Reagan para sua esposa Nancy, durante o mandato presidencial de 1981-84. Outras cartas de amor de pessoas famosas podem ser lidas no link http://www.theromantic.com/LoveLetters/main.htm.
Não sou nenhum especialista no tema, apenas escrevi minha carta de amor. Acredito, no entanto, que a tradição de escrever cartas de amor esteja se esvanecendo. Escrever cartas de amor é algo meio ridículo, todo mundo deve se sentir algo assim quando escreve uma. As pessoas hoje têm tanto medo de parecer ridículas que não fazem coisas fundamentais. A falta de confiança na sociedade se traduz em negativas de demonstrações de amor verdadeiro, porque se receia que façam troça do sentimento manifestado.
domingo, maio 20, 2007
sábado, maio 19, 2007
Reportagem no Fantástico sobre briga entre Cida Diogo e Clodovil Hernandes
( Clique no título )
Neste vídeo, depois de contada a história da briga - ou melhor, do escândalo feito por uma das partes - entre os deputados Cida Rodrigo e Clodovil Hernandes, a repóter entrevista uma senhora especializada em boas maneiras, que diz que em casos como este é perfeitamente cabível pedir retratação e até indenização. Às vezes acho que o Brasil tá melhor servido com gente cínica e dada a chiliques feito petistas do que com as pessoas que aprovam com a maior cara lavada o chilique alheio, como se fosse a atitude mais sã e criteriosa do universo. Então agora qualquer constrangimento pode levar uma pessoa a exigir retratação de quem lha causou, e pedir indenização? Acaba de me ocorrer a brilhante idéia de entrar na Justiça contra minha mãe porque ela me causou um mal-estar no momento em que nasci, expelindo-me do confortável ambiente que era o útero materno. Eu cheguei a chorar quando isso aconteceu.
Neste vídeo, depois de contada a história da briga - ou melhor, do escândalo feito por uma das partes - entre os deputados Cida Rodrigo e Clodovil Hernandes, a repóter entrevista uma senhora especializada em boas maneiras, que diz que em casos como este é perfeitamente cabível pedir retratação e até indenização. Às vezes acho que o Brasil tá melhor servido com gente cínica e dada a chiliques feito petistas do que com as pessoas que aprovam com a maior cara lavada o chilique alheio, como se fosse a atitude mais sã e criteriosa do universo. Então agora qualquer constrangimento pode levar uma pessoa a exigir retratação de quem lha causou, e pedir indenização? Acaba de me ocorrer a brilhante idéia de entrar na Justiça contra minha mãe porque ela me causou um mal-estar no momento em que nasci, expelindo-me do confortável ambiente que era o útero materno. Eu cheguei a chorar quando isso aconteceu.
terça-feira, maio 15, 2007
Cena final do filme Estrada para perdição.
Referindo-se a seu pai Michael Sullivan, que fora um assassino profissional, Michael Sullivan Jr. diz o seguinte:
"When people ask me if he was a good man, or if there was nothing of good in him, I just say... he was my dad."
"When people ask me if he was a good man, or if there was nothing of good in him, I just say... he was my dad."
domingo, maio 13, 2007
Frase que vi no blog www.folhasdispersas.blogspot.com, de Tiago Ramos. Não resisto a transcrevê-la:
"Os marxistas inteligentes são patifes. Os marxistas honestos são burros. E os inteligentes honestos nunca são marxistas."( J.O. Meira Penna ).
Ééééee...
"Os marxistas inteligentes são patifes. Os marxistas honestos são burros. E os inteligentes honestos nunca são marxistas."( J.O. Meira Penna ).
Ééééee...
Assistindo ao filme 300
Primeiro, a atuação do Rodrigo Santoro foi muito boa, aquele jeito de dizer que é um rei bom, querendo na verdade que todos se ajoelhem a si foi muito bem representado. Um deus bom, que na realidade não o é, já sinto o cheiro de gnosticismo.. Xerxes é parecido com "os outros" da série Lost, que se dizem pessoas boas, mas que raptam crianças, seqüestram pessoas, etc, como disse o personagem Jack. Rodrigo Santoro trabalhou bem. O ator que representa Leônidas não fica atrás. Leônidas é um homem seguro, que ama sua esposa e seu país, e está disposto a deixar em segundo plano a tradição se necessário para salvá-los. Lembro agora do Cristo dizendo que os fariseus corrompem a lei, alterando seu verdadeiro significado ( ver Mt, 15 1-21 ). Afinal, que lei pode ser mais importante do que a defesa da cultura que proporcionou a sua existência?
Leônidas, rei dos espartanos, sabia cada passo da batalha travada em Termópilas. Provavelmente cria também ( e aqui deixo de me referir ao Leônidas personagem do filme, mas ao homem real ) realizar a profecia de que seria necessário um rei espartano morrer para que a cidade de Esparta fosse salva.
Agora é a vez de George Clooney filmar esta belíssima história. O ator comprou os direito do livro Gates of fire, escrito pelo romancista histórico de mão cheia Steven Pressfield, que conta a história do ângulo de um soldado-escravo espartano, desde o momento em que sua aldeia foi destruída e ficou órfão, passando por sua estadia em Esparta, até a luta e morte gloriosas em Termópilas. Grande livro.
Leônidas, rei dos espartanos, sabia cada passo da batalha travada em Termópilas. Provavelmente cria também ( e aqui deixo de me referir ao Leônidas personagem do filme, mas ao homem real ) realizar a profecia de que seria necessário um rei espartano morrer para que a cidade de Esparta fosse salva.
Agora é a vez de George Clooney filmar esta belíssima história. O ator comprou os direito do livro Gates of fire, escrito pelo romancista histórico de mão cheia Steven Pressfield, que conta a história do ângulo de um soldado-escravo espartano, desde o momento em que sua aldeia foi destruída e ficou órfão, passando por sua estadia em Esparta, até a luta e morte gloriosas em Termópilas. Grande livro.
quarta-feira, maio 09, 2007
Educação em Cuba
( Clique no título )
É triste. A professora inocula ódio nas crianças. Che Guevara era um assassino ( ver Che Guevara: The killing machine, por Mario Vargas Llosa ), não um homem honesto.
É triste. A professora inocula ódio nas crianças. Che Guevara era um assassino ( ver Che Guevara: The killing machine, por Mario Vargas Llosa ), não um homem honesto.
Comentário sobre aborto e eutanásia
O mote do artigo comentado era o desarmamento. Falava ainda sobre aborto e eutanásia, que foram o tema principal do comentário. Um rapaz chamado Bernardo ficou muito enfezadinho da vida por eu ter dito que não é certo a mulher matar o seu próprio bebê, e saiu dizendo que eu era machista, meio enrolado com as palavras, pois não sabia escrever. Respondi à altura, e um pouco além, razão pela qual já me penitenciei. O link é www.thiagoprado.blogspot.com.
"É de uma contradição esse tipo de direita?
Não pelos motivos que você elencou. Se não vejamos.
Seu argumento foi que os conservadores não querem ver a cara do Estado quando o assunto é porte de armas, porém quando o assunto é aborto e eutanásia querem proibir a liberdade das pessoas.
Em primeiro lugar, é falsa a idéia de que os conservadores, esses que você citou como exemplo, são contra a interferência do Estado no domínio das armas. Nunca vi o Olavo falando contra a regulamentação imposta para a liberação ao porte de arma, a qual estabelece condições que incluem a aprovação em um batalhão de testes, da mesma forma que tirar carteira de habilitação de motorista. A pessoa precisa ter ainda mais de 25 anos. Muito ao contrário, já o vi dizendo algo no sentido de que a pessoa que possui arma deveria estar obrigada a ajudar a polícia em certos casos.
Segundo ponto: a liberação do aborto é um assunto que vai além da discussão da ingerência do Estado na vida particular das pessoas, caso se considere, como eu considero, que aquela coisinha expelida pelo aborto é uma pessoa. E que portanto o aborto é um assassinato. Aí você tem dois valores em jogo: a vida daquela coisinha e a liberdade da mulher de tirar algo indesejável do seu corpo. A prevalecer este segundo valor, segue que o Estado está desobrigado a proteger a vida das pessoas porque em primeiro plano está uma liberdade individual que inclui a faculdade de matar outra pessoa. É o estado natural que Thomas Hobbes imaginou em um exercício de lógica pessimista sem comprometimento com a realidade. No estado natural não havia o Estado.
Para aqueles que não consideram aquela coisinha expelida pelo aborto como uma pessoa, o que talvez seja o seu caso, então realmente a proibição do aborto é uma intromissão indevida do Estado na esfera individual. Na discussão sobre liberação do aborto, há portanto uma diferença de entendimento quanto a essência daquela coisinha expelida, o que não nada tem a ver com o fato de o Estado poder ou não se intrometer na liberdade das pessoas, a não ser, como já assinalado, que se considere que o Estado não deva proteger a vida ( e nem a liberdade, pois a pessoa cuja vida está ameaçada também tem, por conseqüência necessária e óbvia, sua liberdade ameaçada ). Você poderá dizer que o Estado, enquanto proíbe a prática do aborto, está decidindo qual a essência daquela coisinha expelida, uma vida humana neste caso, e que a decisão sobre a essência daquela coisinha deveria ser deixada ao arbítrio individual, cada mãe decidindo o futuro de sua coisinha. Se o Estado adotasse essa posição, não significaria pari passu que ele estaria imparcial na questão. Pois a permissão ao aborto implica na aceitação pelo Estado de que aquela coisinha não tem vida, ou então na aceitação de que, em havendo vida, a mulher pode escolher tirá-la, o que é um assassinato dentro da lei. Nesta situação, não há isenção. Qualquer atitude ( ou omissão ) já manifesta uma posição. Pôncio Pilatos lavou as mãos, e Jesus Cristo foi crucificado do mesmo jeito.
Resta que qualquer legislação sobre o aborto já implica uma posição sobre o assunto. Ou aquela coisinha é uma vida ou não é. Não sendo possível afirmar categoricamente tanto uma quanto outra hipóteses, a atitude plausível é preservar a vida da coisinha em detrimento da liberdade da mulher de expelí-la de seu corpo.
Sempre que começa essa discussão sobre aborto, eu digo que meus pais não queriam ter tido filho no momneto que tiveram, preferiam ter deixado para depois. Se o aborto fosse uma prática legal e culturalmente válida na época, eu poderia não existir. E nem os meus pais, que nasceram sem querer. Cito por fim uma frase do presidente norte-americano Ronald Reagan, que é uma sacada genial: "I've noticed that everyone who is for abortion has already been born."
Eutanásia: necessário marcar a diferença entre eutanásia e suicídio assistido. Este requer o pedido da pessoa para ser morta tendo em vista que nas suas condições não consegue se matar. É o caso deste último filme do Clint Eastwood, um dos piores dele, e que ganhou o Oscar de melhor filme. A boxeadora quer se matar no leito do hospital, mas não tem mais o movimento de braços e pernas, e por isso o jeito de realizar o seu intento é pedir a ajuda de seu ex-técnico e amigo.
Eutanásia, por sua vez, é matar uma pessoa que estaria sofrendo bastante, mas fazê-lo sem que a pessoa interessada esteja consciente disto. É um assassinato portanto.
O suicídio assistido é um assunto que estaria unicamente ligado ao arbítrio individual, e o Estado não deveria portanto se meter. No entanto, as leis de um país não são feitas unicamente, e nem primordialmente, com fundamento no direito natural. Há uma cultura, uma visão de mundo anterior que dá base a elas, moldando-as. O fato de se permitir que uma pessoa possa matar outra pessoa, mesmo que a pedido desta, traz consequências não apenas para as pessoas envolvidas mas para toda a nação, haja vista a repercussão havida no caso Terry Schiavo ( que não é um caso de suicídio assistido e nem de eutanásia exatamente, mas uma terceira coisa ). Nestes casos em que a cultura de um país está envolvida, penso que a discussão sobre a ingerência ou não do Estado é coisa posterior. A própria concepção de Estado depende da cultura, a qual poderá estar sendo seriamente abalada por uma decisão errada. Esse é o caso da discussão sobre o suicídio assistido, que traz no seu bojo o valor que uma cultura dispensa à vida humana.
Não está no mesmo patamar a discussão sobre desarmamento. Esta se liga principalmente a argumentos do direito natural e do bom senso, os quais mandam que um homem tenha os meios para defender a sua casa, a sua família e a sua vida.
Quando você for falar sobre um assunto delicado e espinhoso como o aborto ou a eutanásia, não deixe que sonhos brancos de alguma forma interrompam ou diminuam a sua análise sobre estes assuntos. A imaginação e os sonhos têm sentido e função intelectual na medida em que nos aproximam do real. Quando servem para nos afastar dele, aí eles se tornam monstrinhos da razão."
Ps: O filme de Clint Eastwood é ruim, mas a atuação de Morgan Freeman foi ótima.
"É de uma contradição esse tipo de direita?
Não pelos motivos que você elencou. Se não vejamos.
Seu argumento foi que os conservadores não querem ver a cara do Estado quando o assunto é porte de armas, porém quando o assunto é aborto e eutanásia querem proibir a liberdade das pessoas.
Em primeiro lugar, é falsa a idéia de que os conservadores, esses que você citou como exemplo, são contra a interferência do Estado no domínio das armas. Nunca vi o Olavo falando contra a regulamentação imposta para a liberação ao porte de arma, a qual estabelece condições que incluem a aprovação em um batalhão de testes, da mesma forma que tirar carteira de habilitação de motorista. A pessoa precisa ter ainda mais de 25 anos. Muito ao contrário, já o vi dizendo algo no sentido de que a pessoa que possui arma deveria estar obrigada a ajudar a polícia em certos casos.
Segundo ponto: a liberação do aborto é um assunto que vai além da discussão da ingerência do Estado na vida particular das pessoas, caso se considere, como eu considero, que aquela coisinha expelida pelo aborto é uma pessoa. E que portanto o aborto é um assassinato. Aí você tem dois valores em jogo: a vida daquela coisinha e a liberdade da mulher de tirar algo indesejável do seu corpo. A prevalecer este segundo valor, segue que o Estado está desobrigado a proteger a vida das pessoas porque em primeiro plano está uma liberdade individual que inclui a faculdade de matar outra pessoa. É o estado natural que Thomas Hobbes imaginou em um exercício de lógica pessimista sem comprometimento com a realidade. No estado natural não havia o Estado.
Para aqueles que não consideram aquela coisinha expelida pelo aborto como uma pessoa, o que talvez seja o seu caso, então realmente a proibição do aborto é uma intromissão indevida do Estado na esfera individual. Na discussão sobre liberação do aborto, há portanto uma diferença de entendimento quanto a essência daquela coisinha expelida, o que não nada tem a ver com o fato de o Estado poder ou não se intrometer na liberdade das pessoas, a não ser, como já assinalado, que se considere que o Estado não deva proteger a vida ( e nem a liberdade, pois a pessoa cuja vida está ameaçada também tem, por conseqüência necessária e óbvia, sua liberdade ameaçada ). Você poderá dizer que o Estado, enquanto proíbe a prática do aborto, está decidindo qual a essência daquela coisinha expelida, uma vida humana neste caso, e que a decisão sobre a essência daquela coisinha deveria ser deixada ao arbítrio individual, cada mãe decidindo o futuro de sua coisinha. Se o Estado adotasse essa posição, não significaria pari passu que ele estaria imparcial na questão. Pois a permissão ao aborto implica na aceitação pelo Estado de que aquela coisinha não tem vida, ou então na aceitação de que, em havendo vida, a mulher pode escolher tirá-la, o que é um assassinato dentro da lei. Nesta situação, não há isenção. Qualquer atitude ( ou omissão ) já manifesta uma posição. Pôncio Pilatos lavou as mãos, e Jesus Cristo foi crucificado do mesmo jeito.
Resta que qualquer legislação sobre o aborto já implica uma posição sobre o assunto. Ou aquela coisinha é uma vida ou não é. Não sendo possível afirmar categoricamente tanto uma quanto outra hipóteses, a atitude plausível é preservar a vida da coisinha em detrimento da liberdade da mulher de expelí-la de seu corpo.
Sempre que começa essa discussão sobre aborto, eu digo que meus pais não queriam ter tido filho no momneto que tiveram, preferiam ter deixado para depois. Se o aborto fosse uma prática legal e culturalmente válida na época, eu poderia não existir. E nem os meus pais, que nasceram sem querer. Cito por fim uma frase do presidente norte-americano Ronald Reagan, que é uma sacada genial: "I've noticed that everyone who is for abortion has already been born."
Eutanásia: necessário marcar a diferença entre eutanásia e suicídio assistido. Este requer o pedido da pessoa para ser morta tendo em vista que nas suas condições não consegue se matar. É o caso deste último filme do Clint Eastwood, um dos piores dele, e que ganhou o Oscar de melhor filme. A boxeadora quer se matar no leito do hospital, mas não tem mais o movimento de braços e pernas, e por isso o jeito de realizar o seu intento é pedir a ajuda de seu ex-técnico e amigo.
Eutanásia, por sua vez, é matar uma pessoa que estaria sofrendo bastante, mas fazê-lo sem que a pessoa interessada esteja consciente disto. É um assassinato portanto.
O suicídio assistido é um assunto que estaria unicamente ligado ao arbítrio individual, e o Estado não deveria portanto se meter. No entanto, as leis de um país não são feitas unicamente, e nem primordialmente, com fundamento no direito natural. Há uma cultura, uma visão de mundo anterior que dá base a elas, moldando-as. O fato de se permitir que uma pessoa possa matar outra pessoa, mesmo que a pedido desta, traz consequências não apenas para as pessoas envolvidas mas para toda a nação, haja vista a repercussão havida no caso Terry Schiavo ( que não é um caso de suicídio assistido e nem de eutanásia exatamente, mas uma terceira coisa ). Nestes casos em que a cultura de um país está envolvida, penso que a discussão sobre a ingerência ou não do Estado é coisa posterior. A própria concepção de Estado depende da cultura, a qual poderá estar sendo seriamente abalada por uma decisão errada. Esse é o caso da discussão sobre o suicídio assistido, que traz no seu bojo o valor que uma cultura dispensa à vida humana.
Não está no mesmo patamar a discussão sobre desarmamento. Esta se liga principalmente a argumentos do direito natural e do bom senso, os quais mandam que um homem tenha os meios para defender a sua casa, a sua família e a sua vida.
Quando você for falar sobre um assunto delicado e espinhoso como o aborto ou a eutanásia, não deixe que sonhos brancos de alguma forma interrompam ou diminuam a sua análise sobre estes assuntos. A imaginação e os sonhos têm sentido e função intelectual na medida em que nos aproximam do real. Quando servem para nos afastar dele, aí eles se tornam monstrinhos da razão."
Ps: O filme de Clint Eastwood é ruim, mas a atuação de Morgan Freeman foi ótima.
domingo, maio 06, 2007
"Let them come to Berlin"
( Clique no título )
"They say communism is an evil system, but it permits us to make economic progress.. let them come to Berlin."
Discurso de John F. Kennedy em Berlim ocidental.
"They say communism is an evil system, but it permits us to make economic progress.. let them come to Berlin."
Discurso de John F. Kennedy em Berlim ocidental.
sexta-feira, maio 04, 2007
Ohem que maravilha!
Marcelo Victor Gomes, criador da comunidade Filosofia da linguagem no Orkut, propôs uma enquete nos seguintes termos: "A comunidade tem que ser moderada? Pessoal todo dia o dono da comunidade tem que tirar vários tópicos pornográficos, a moderação diminuirá consideralvemente tal encômodo."
Pois é, se o criador da comunidade Filosofia da linguagem não for se encomodar, realmente gostaria que ele escrevesse um pouco melhor.
Pois é, se o criador da comunidade Filosofia da linguagem não for se encomodar, realmente gostaria que ele escrevesse um pouco melhor.
"If we consider men and women generally, and apart from their professions or occupations, there is only one situation I can think of in which they almost pull themselves up by their bootstraps, making an effort to read better than they usually do. When they are in love and are reading a love letter, they read between the lines and in the margin; they read the whole in terms of the parts, and each part in terms of the whole; they grow sensitive to context and ambiguity, to insinuation and implication; they perceive the colors of words, the odor of phrases, and the weight of sentences. They may even take the punctuation into account. Then, if never before or after, they read."
Mortimer Adler, em How to read a book ( capítulo 1, parte 4 ).
Mortimer Adler, em How to read a book ( capítulo 1, parte 4 ).
sábado, abril 28, 2007
Frase do post abaixo.
"Não adianta dizer isso para um garoto de 17 anos."
Não adianta dizê-lo fica bem melhor, não é não?
Não adianta dizê-lo fica bem melhor, não é não?
A existência de Deus foi provada?
na comunidade Olavo de Carvalho, no orkut, fiz esses dois comentários no tópico com o nome acima:
"Existe a frase do Olavo, que ele gostava de repetir em sala de aula: "um ser necessário existe necessariamente." Isso não é uma prova exatamente, é um juízo auto-evidente. Porém, para descobrir o seu significado e validade, para entendê-lo, é preciso ter experiência de vida, e esse ponto era ressaltado pelo Olavo. Não adianta dizer isso para um garoto de 17 anos. Eu tenho 23, venho entendendo aos poucos. O argumento é uma simplificação do argumento ontológico de Santo Anselmo. Pense no ser maior que existe, não há nada de maior que você possa pensar além deste ser, este ser em que você pensou é Deus. O argumento ontológico foi bem explicado pelo Mário Ferreira dos Santos no livro O homem em busca do infinito."
"Deixo aqui também uma passagem do Livro de Urântia sobre o tema:"The existence of God can never be proved by scientif experiment or by the pure reason of logical deduction. God can be realized only in the realms of human experience; nevertheless, the true concept of the reality of God is reasonable to logic, plausible to philosophy, essential to religion, and indispensable to any hope of personality survival." ( Part 1, Paper 1 )."
Link para o orkut.
Obs: o nome do livro de Mário Ferreira dos Santos não é O homem em busca do infinito, mas O homem perante o infinito.
"Existe a frase do Olavo, que ele gostava de repetir em sala de aula: "um ser necessário existe necessariamente." Isso não é uma prova exatamente, é um juízo auto-evidente. Porém, para descobrir o seu significado e validade, para entendê-lo, é preciso ter experiência de vida, e esse ponto era ressaltado pelo Olavo. Não adianta dizer isso para um garoto de 17 anos. Eu tenho 23, venho entendendo aos poucos. O argumento é uma simplificação do argumento ontológico de Santo Anselmo. Pense no ser maior que existe, não há nada de maior que você possa pensar além deste ser, este ser em que você pensou é Deus. O argumento ontológico foi bem explicado pelo Mário Ferreira dos Santos no livro O homem em busca do infinito."
"Deixo aqui também uma passagem do Livro de Urântia sobre o tema:"The existence of God can never be proved by scientif experiment or by the pure reason of logical deduction. God can be realized only in the realms of human experience; nevertheless, the true concept of the reality of God is reasonable to logic, plausible to philosophy, essential to religion, and indispensable to any hope of personality survival." ( Part 1, Paper 1 )."
Link para o orkut.
Obs: o nome do livro de Mário Ferreira dos Santos não é O homem em busca do infinito, mas O homem perante o infinito.
quinta-feira, abril 26, 2007
quarta-feira, abril 25, 2007
Entrevista de Rodolfo Dinzel
Entrevista do mestre de tango Rodolfo Dinzel concedida à revista Milonga Argentina de Outubro de 2006. Rodolgo e sua esposa e parceira Gloria trabalham na teorização do psicotango, tentativa de compreender a música como ferramenta terapêutica.
- Esto no es nuevo, ya trabajó en hospitales.
- Con Gloria hace doce años iniciamos la enseñanza a personas con capacidades diferentes, trabajamos con patologías declaradas, cuidados paliativos, mal de parkinson, psicóticos leves.
- ¿Entonces el tango cura?
- Mirá, el Barón Megata en 1920 algo decía al respecto, yo sólo tomé la posta. Este noble japonés, que hereda el título de su padre, enfermo en su piel, viaja a Francia para ser tratado. En París complementa tratamientos médicos con el cabaret "El Garrón", dermatólogos y las orquestas de Juan Canaro y Manuel Pizarro. Así descubre o decide que es el tango quien lo cura. Megata comienza a enseñar nuestra danza en su castillo y aquel descendiente de samurai se transforma en director de una academía de tango.
- Maestro, ¿el tango es improvisación?
- Sí, las coreografias son para los artistas, el pueblo se ajusta a las figuras, utiliza la improvisación secuencial, esto es el uso de las figuras conocidas - el vocabulario se me ocurre agregar - en el orden que la música nos pide.
- Improvisar, enamorar. ¿Por qué aparecen verbos de estas características si el tango, dicen, es tristeza pura?
- Mirá Nietzsche decía que un individuo está realmente preparado para una disciplina cuando al hacerlo, tiene la seriedad de un niño cuando juega. Esta seriedad no inhabilita ni el gozo, ni una sonrisa.
Juan Pablo Guerri
- Esto no es nuevo, ya trabajó en hospitales.
- Con Gloria hace doce años iniciamos la enseñanza a personas con capacidades diferentes, trabajamos con patologías declaradas, cuidados paliativos, mal de parkinson, psicóticos leves.
- ¿Entonces el tango cura?
- Mirá, el Barón Megata en 1920 algo decía al respecto, yo sólo tomé la posta. Este noble japonés, que hereda el título de su padre, enfermo en su piel, viaja a Francia para ser tratado. En París complementa tratamientos médicos con el cabaret "El Garrón", dermatólogos y las orquestas de Juan Canaro y Manuel Pizarro. Así descubre o decide que es el tango quien lo cura. Megata comienza a enseñar nuestra danza en su castillo y aquel descendiente de samurai se transforma en director de una academía de tango.
- Maestro, ¿el tango es improvisación?
- Sí, las coreografias son para los artistas, el pueblo se ajusta a las figuras, utiliza la improvisación secuencial, esto es el uso de las figuras conocidas - el vocabulario se me ocurre agregar - en el orden que la música nos pide.
- Improvisar, enamorar. ¿Por qué aparecen verbos de estas características si el tango, dicen, es tristeza pura?
- Mirá Nietzsche decía que un individuo está realmente preparado para una disciplina cuando al hacerlo, tiene la seriedad de un niño cuando juega. Esta seriedad no inhabilita ni el gozo, ni una sonrisa.
Juan Pablo Guerri
sábado, abril 21, 2007
Profumo di donna
( Clique no título )
A maravilhosa cena do cinema em que o coronel Slade senta-se à mesa com a senhorita e a convida a bailar un tango. En italiano. Imperdível.
A maravilhosa cena do cinema em que o coronel Slade senta-se à mesa com a senhorita e a convida a bailar un tango. En italiano. Imperdível.
sexta-feira, abril 06, 2007
Alborghetti manda à merda
( Clique no título )
A legenda está errada: não é vender uma fita por 200 reais, é vender uma vida por 200 reais. Vá à merda, porra.
A legenda está errada: não é vender uma fita por 200 reais, é vender uma vida por 200 reais. Vá à merda, porra.
quarta-feira, abril 04, 2007
Mercedes Sosa cantando Naranjo en flor.
( Clique no título )
Bom, como eu não consigo cadastrar meu blog no Youtube para poder postar os vídeos aqui mesmo, vou deixar o link. Computador é uma coisa, às vezes dá vontade de quebrar.
O comentário é o seguinte: a Mercedes Sosa tá parecendo o geléia dos Caça-fantasmas nesse espetáculo. Eu assisti a uma parte do espetáculo na televisão quando estava em Buenos Aires. A música é um clássico, esse tom lastimoso do bandoneón, ótimo. Vejam. Vale a pena.
Bom, como eu não consigo cadastrar meu blog no Youtube para poder postar os vídeos aqui mesmo, vou deixar o link. Computador é uma coisa, às vezes dá vontade de quebrar.
O comentário é o seguinte: a Mercedes Sosa tá parecendo o geléia dos Caça-fantasmas nesse espetáculo. Eu assisti a uma parte do espetáculo na televisão quando estava em Buenos Aires. A música é um clássico, esse tom lastimoso do bandoneón, ótimo. Vejam. Vale a pena.
quinta-feira, março 29, 2007
Transcrição de trecho do programa True Outspeak, de Olavo de Carvalho, no dia 26 de março de 2007
"(...)
Diz ele aqui: "Você já esteve envolvido com socialismo, com Idries Shah, Gurdjieff, Schuon e etc" e diz que eu fui abandonando cada um deles.
Claro! Eu nunca entrei em parte alguma, em organismo algum, em organização alguma, esperando encontrar ali A Verdade. Nunca. Eu não sou idiota a esse ponto. Eu sou idiota no sentido de que eu preciso aprender devagarzinho. E tem muita coisa que não basta a leitura, tem que ir lá para ver como é que é. Eu pago o meu conhecimento, vamos dizer, com o meu próprio prejuízo. Se você quer aprender, você tem que correr riscos.
Então sempre fui buscando aprender as coisas e aprendendo um pouquinho de cada um. Aprendo e logo vou embora porque não tem mais nada para aprender ali. Nunca esperei que alguma me entregasse a verdade pronta na mão, nem mesmo a Igreja Católica.
A Igreja Católica te entrega a verdade e a verdade está no Credo. Você lê o Credo, muito bem, só que agora você tem que entender o Credo e isso é o resto da sua vida. Isto não é a transmissão de uma verdade, é a transmissão de um símbolo da verdade e esse símbolo tem que ser decodificado, transformado em discurso, transformado em prática e aí é que vai sendo, aos poucos, o conhecimento da verdade. A verdade pronta, ninguém vai te dar, nem mesmo as igrejas, quanto mais uma sociedade de Gurdjieff.
As outras pessoas entram nisso com um espírito muito diferente do meu. Eu entrei sempre com o espírito de aprendizado. Por isso, entro por um lado e saio pelo outro e saio inteiro. As outras pessoas, não. Quando entram no socialismo, é porque acreditam plenamente no socialismo, e quando o socialismo falha, elas dizem "ah, meu mundo caiu" e têm que fazer 10 anos de psicoterapia. Ficam todo traumatizadinhos.
Não é assim que as coisas funcionam. Você tem que seguir a palavra do apóstolo: experimentai de tudo e ficai com o que é bom. Não tenha medo de experimentar e entre nas coisas sem prevenção, de coração aberto, disposto a pegar ali o que tiver de bom e largar o ruim e ir embora. Porque, definitivo, só Deus. Não tem guru, não tem mestre, não tem organização, não tem igreja, não tem coisa nenhuma.
No Brasil é o seguinte, se você passou por essas coisas, as pessoas pensam que são sucessivas lealdades, que se você foi lá, jurou lealdade e em seguida abjurou. Isso é coisa de maluco. Esse é um espírito partidário, um espírito de sectário imbecil. O sujeito não pode trocar de time de futebol. É aquele negócio: "o homem nasce, cresce, vive e morre corintiano."
No Brasil, todos têm que ser igual ao Rodrigo Constantino: ele viu a luz aos 14 anos e já entendeu toda a verdade aos 14 anos - até sobre o marxismo, ele já tinha entendido a falácia do marxismo aos 14 anos - então esse aí já não precisa aprender pois já nasceu sabendo. Agora, para quem é mais burro como eu, a gente já tem que ir aprendendo, passando por todas as dificuldades e humilhações do aprendizado - porque já dizia Nietzsche "a humilhação é a mãe do aprendizado".
Então é humilhação, é canseira, é trabalho, e a gente vai aprendendo. Para compensar, eu não tenho trauma de nada disso. Quando eu descobri que o marxismo era furada, não foi trauma, foi apenas mais uma coisa que eu descobri. Descobri que a psicanálise era uma furada e passei anos da minha vida também experimentando análises, e no fim, descobri que era tudo furado.
E daí? Fiquei traumatizado por causa disso? Não. Depois passei pela escola Gurdjieff e descobri que era furada. A gente vai vivendo e aprendendo, ué? Não se pode ter medo de aprender. O medo de aprender é o medo ao conhecimento e a vontade de encontrar lealdades definitivas facilmente - isto é o que mata o brasileiro. O cara quer uma igreja, quer uma escola, quer um partido no qual ele possa filiar-se e ser leal o resto da vida.
Quer saber? Isto não existe. Só tem que ser leal ao próprio Deus, nosso Senhor Jesus Cristo e mais nada. E não identificá-lo com nenhuma organização, com nenhum padre. Nós estamos numa época em que cada um, sozinho, tem que pedir diretamente ao nosso Senhor Jesus Cristo. Peça, que será respondido.
*
Até semana que vem e muito obrigado."
Diz ele aqui: "Você já esteve envolvido com socialismo, com Idries Shah, Gurdjieff, Schuon e etc" e diz que eu fui abandonando cada um deles.
Claro! Eu nunca entrei em parte alguma, em organismo algum, em organização alguma, esperando encontrar ali A Verdade. Nunca. Eu não sou idiota a esse ponto. Eu sou idiota no sentido de que eu preciso aprender devagarzinho. E tem muita coisa que não basta a leitura, tem que ir lá para ver como é que é. Eu pago o meu conhecimento, vamos dizer, com o meu próprio prejuízo. Se você quer aprender, você tem que correr riscos.
Então sempre fui buscando aprender as coisas e aprendendo um pouquinho de cada um. Aprendo e logo vou embora porque não tem mais nada para aprender ali. Nunca esperei que alguma me entregasse a verdade pronta na mão, nem mesmo a Igreja Católica.
A Igreja Católica te entrega a verdade e a verdade está no Credo. Você lê o Credo, muito bem, só que agora você tem que entender o Credo e isso é o resto da sua vida. Isto não é a transmissão de uma verdade, é a transmissão de um símbolo da verdade e esse símbolo tem que ser decodificado, transformado em discurso, transformado em prática e aí é que vai sendo, aos poucos, o conhecimento da verdade. A verdade pronta, ninguém vai te dar, nem mesmo as igrejas, quanto mais uma sociedade de Gurdjieff.
As outras pessoas entram nisso com um espírito muito diferente do meu. Eu entrei sempre com o espírito de aprendizado. Por isso, entro por um lado e saio pelo outro e saio inteiro. As outras pessoas, não. Quando entram no socialismo, é porque acreditam plenamente no socialismo, e quando o socialismo falha, elas dizem "ah, meu mundo caiu" e têm que fazer 10 anos de psicoterapia. Ficam todo traumatizadinhos.
Não é assim que as coisas funcionam. Você tem que seguir a palavra do apóstolo: experimentai de tudo e ficai com o que é bom. Não tenha medo de experimentar e entre nas coisas sem prevenção, de coração aberto, disposto a pegar ali o que tiver de bom e largar o ruim e ir embora. Porque, definitivo, só Deus. Não tem guru, não tem mestre, não tem organização, não tem igreja, não tem coisa nenhuma.
No Brasil é o seguinte, se você passou por essas coisas, as pessoas pensam que são sucessivas lealdades, que se você foi lá, jurou lealdade e em seguida abjurou. Isso é coisa de maluco. Esse é um espírito partidário, um espírito de sectário imbecil. O sujeito não pode trocar de time de futebol. É aquele negócio: "o homem nasce, cresce, vive e morre corintiano."
No Brasil, todos têm que ser igual ao Rodrigo Constantino: ele viu a luz aos 14 anos e já entendeu toda a verdade aos 14 anos - até sobre o marxismo, ele já tinha entendido a falácia do marxismo aos 14 anos - então esse aí já não precisa aprender pois já nasceu sabendo. Agora, para quem é mais burro como eu, a gente já tem que ir aprendendo, passando por todas as dificuldades e humilhações do aprendizado - porque já dizia Nietzsche "a humilhação é a mãe do aprendizado".
Então é humilhação, é canseira, é trabalho, e a gente vai aprendendo. Para compensar, eu não tenho trauma de nada disso. Quando eu descobri que o marxismo era furada, não foi trauma, foi apenas mais uma coisa que eu descobri. Descobri que a psicanálise era uma furada e passei anos da minha vida também experimentando análises, e no fim, descobri que era tudo furado.
E daí? Fiquei traumatizado por causa disso? Não. Depois passei pela escola Gurdjieff e descobri que era furada. A gente vai vivendo e aprendendo, ué? Não se pode ter medo de aprender. O medo de aprender é o medo ao conhecimento e a vontade de encontrar lealdades definitivas facilmente - isto é o que mata o brasileiro. O cara quer uma igreja, quer uma escola, quer um partido no qual ele possa filiar-se e ser leal o resto da vida.
Quer saber? Isto não existe. Só tem que ser leal ao próprio Deus, nosso Senhor Jesus Cristo e mais nada. E não identificá-lo com nenhuma organização, com nenhum padre. Nós estamos numa época em que cada um, sozinho, tem que pedir diretamente ao nosso Senhor Jesus Cristo. Peça, que será respondido.
*
Até semana que vem e muito obrigado."
sexta-feira, novembro 10, 2006
O Mercosul que não houve
por Luis Alberto Lacalle, em 05 de outubro de 2006.
MidiaSemMascara.org
A integração econômica da Iberoamérica é um antigo projeto. Em 1960 foi fundada, com sede em Montevidéu, a Associación Latinoamericana de Livre Comercio que funcionou durante vinte anos. Em 1980 o nome foi mudado para Associación Latinoamericana de Integración (ALADI).
Em 1990 nosso País (Uruguai) tomou conhecimento da intenção de Brasil e Argentina em subscrever um tratado de integração econômica que uniria as duas economias limítrofes a nosso País com as inevitáveis influências em nossa vida como Nação. Inteirados disto, o governo oriental[*] da época, que tínhamos a honra de presidir, iniciou contatos com os vizinhos para tentar tomar parte desta importante organização. O governo do Chile, convidado, declinou da oferta e finalmente foi o Paraguai que entrou como quarto sócio.
É interessante recordar que, no âmbito interno, a adesão de nosso país ao MERCOSUL foi precedida de consultas políticas do mais alto nível. Convocamos, e aceitaram comparecer para uma reunião informativa celebrada na sala de Ministros do Edifício Libertad, os Senhores Jorge Pacheco Areco, Julio M Sanguinetti, Jorge Batlle, Pablo Millor, Líber Seregni, Tabaré Vázquez, Hugo Batalha, Alberto Zumarán, Carlos Julio Pereyra e Gonzalo Aguirre, na verdade os titulares de todos os partidos e setores partidários que tinham responsabilidades políticas naquele momento. Oferecemos a participação de seus técnicos de confiança na tramitação prévia dos acordos, o que veio a ocorrer.
Portanto, na hora da ratificação parlamentar do Tratado de Assunción, o mesmo foi aprovado pela unanimidade do Senado e 97 votos da Câmara de Deputados. Podemos afirmar com fundamento que foi o Uruguai inteiro que aceitou suas condições e prosseguiu unificadamente para uma nova etapa da vida nacional.
É bom recordar os objetivos fixados pelas partes no documento principal assinado em Assunción, em março de 1991. O preâmbulo consta de oito parágrafos que tem um caráter programático e lançam uma clara luz sobre a vontade dos países signatários.
A terminologia e os conceitos utilizados são de clareza meridiana na expressão de uma vontade comercial e econômica como único objetivo da nova organização. Afirmava-se “que a ampliação das atuais dimensões de seus mercados nacionais através da integração, constitui condição fundamental para acelerar seus processos de desenvolvimento econômico com justiça social”. As expressões de claro cunho econômico eram reiteradas. “Aproveitamento mas eficaz dos recursos disponíveis”, “coordenação das políticas macroeconômicas e complementação dos diferentes setores da economia”, “consolidação de grandes espaços econômicos”, “modernizar suas economias para ampliar a oferta e a qualidade dos bens e serviços disponíveis”. Claro que a orientação da nova entidade buscava potencializar as economias nacionais mediante a sinergia da união de mercados. O compromisso mútuo segue esta orientação em toda sua extensão.
Após um período de convergência durante o qual foi aplicada gradualmente a liberação de produtos a comercializar, no dia 1º de janeiro de 1995 cumpriu-se o tratado e nasceu o que hoje é conhecido como MERCOSUL. Do ponto de vista das negociações comerciais mundiais levou-se em conta que a nova organização teria um peso muito mais importante do que até então se previra. Deve-se ressaltar que esta era uma grande vantagem para os sócios menores, Paraguai e Uruguai.
A integração econômica não é fácil. Os interesses nacionais – legítimos – com a tradição dos países de desenvolver sua atividade em mercados menores, resistem às transformações necessárias para abrir suas economias à concorrência. Foi duro e penoso em todas as associações deste tipo que foram criadas no mundo, chamem-se NAFTA, UNIÃO EUROPÉIA, ou qualquer outra de natureza similar. Não poderíamos ser uma exceção. A integração trazia como conseqüência outra tarefa inevitável: baixar custos para sermos competitivos. Repetimos hoje o que tantas vezes já afirmamos: a integração não é uma certeza, é uma oportunidade. Para poder aproveitá-la é preciso incrementar a tecnologia, melhorar a produtividade, baixar os custos, aprender a sermos melhores.
Lamentavelmente não foi assim. Nosso país negou-se às reformas estatais necessárias e a organização não soube ou não quis encarar os conflitos derivados de barreiras não alfandegárias de exportção entre os sócios, tais como para as bicicletas e o arroz de nosso país, impedidos de ingressar nos países vizinhos.
Finalmente, e para desfigurar definitivamente a organização, surgem no horizonte tentativas de um “MERCOSUL político” que nunca esteve na mente nem nos documentos dos fundadores. A criação de um Parlamento do MERCOSUL não somente é alheia ao projeto, como é contrária aos interesses do Uruguai e contará como nossa firme oposição.
Para culminar, sem consulta nenhuma nem embasamento jurídico, criou-se a categoria de “sócio político” que ninguém sabe claramente o que quer dizer. Opomos-nos frontalmente a que qualquer país se associe nesta qualidade à organização, porém mais ainda quando a escolhida é uma nação como a Venezuela, cujo Presidente é uma personalidade tão controvertida e pouco equilibrada que só pode trazer problemas.
Lamentavelmente, hoje, em 2006, podemos dizer que o MERCOSUL com o qual um dia sonhamos, não aconteceu.
UM ACORDO HÁ MUITO ESPERADO
A assinatura, em 26 de março de 1991, do denominado Tratado de Assunción, que deu forma à constituição do Mercado Comum do Sul, MERCOSUL, entre Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, deixou para trás diversas experiências prévias de integração que já haviam sido tentadas na região, com resultados díspares.
Embora os primeiros esboços do processo de integração regional remontem à década de 1950, o primeiro passo concreto foi dado em 1960 com a assinatura do Tratado de Montevidéu que significou a criação da Associação Latino-americana de Livre Comércio (ALALC). Inicialmente este grupo regional foi integrado por Argentina, Brasil, Chile, México, Paraguai, Peru e Uruguai. Um ano depois foram agregados Equador e Colômbia, cinco anos mais tarde a Venezuela e em 1967 a Bolívia.
O principal objetivo, que era eliminar barreiras aduaneiras através de uma lista comum, nunca chegou a ser concretizado. O estancamento do grupo, ao qual se somou o aparecimento do chamado Grupo Andino, determinou que o resto dos países concluíssem que a associação deveria adotar outra estrutura.
Foi assim que surgiu em 1980 a Associação Latino-americana de Integração (ALADI) que a priori constituiria um novo marco oficial do processo de integração.
Entrementes, na década de 70, o Uruguai aprofundou seus vínculos com os sócios mais importantes: Argentina e Brasil. Com o primeiro através do Convenio Argentino Uruguayo de Cooperación Económica (CAUCE), e com o segundo mediante o Protocolo de Expansión Comercial (PEC). Nos dois casos foram fixadas as condições para um intercâmbio justo e equilibrado.
A criação do bloco regional deu condições para a formação da quarta economia mundial, com um mercado potencial de mais de 200 milhões de habitantes, uma superfície total de 12 milhões de quilômetros quadrados e um Produto Interno Bruto superior a 1 bilhão de dólares.
Em dezembro de 1994, a assinatura do Protocolo de Ouro Preto deu personalidade jurídica de direito internacional ao MERCOSUL, abrindo a chance de negociar em bloco com terceiros países, grupos de países ou organismos internacionais.
No início o grupo operou acionando o comércio exterior entre os países membros de tal maneira que o intercâmbio entre os sócios aumentou de forma considerável. No entanto, com o passar do tempo – e depois de 15 anos de experiência – o MERCOSUL começou a acentuar suas assimetrias, terminando por favorecer as economias dos países maiores em detrimento dos menores.
O cenário atual não parece ser o mais favorável: frente à incorporação da Venezuela como sócio pleno, Uruguai e Paraguai manifestaram mais de uma vez seu desagrado com a marcha do bloco regional e, além do mais, sua intenção de gerar acordos bilaterais com os Estados Unidos ou outros países fora do MERCOSUL.
Mas isto é farinha de outro saco.
[*] Refere-se ao nome oficial de Republica Oriental del Uruguay, que historicamente pertencia ao Vice-Reinado do Prata como Banda Oriental por estar a Leste da bacia hidrográfica Paraná-Uruguai-Paraguai.
LUIS ALBERTO LACALLE foi Senador, Presidente da República Oriental del Uruguay de 1990 a 1995, um dos idealizadores e fundadores do MERCOSUL, possui a Grã Cruz da Orden do Cruzeiro do Sul (1991) e diversas outras condecorações.
Artigo publicado originalmente na Edição Especial dos 25 anos de ULTIMAS NOTICIAS
Tradução: Heitor De Paola
MidiaSemMascara.org
A integração econômica da Iberoamérica é um antigo projeto. Em 1960 foi fundada, com sede em Montevidéu, a Associación Latinoamericana de Livre Comercio que funcionou durante vinte anos. Em 1980 o nome foi mudado para Associación Latinoamericana de Integración (ALADI).
Em 1990 nosso País (Uruguai) tomou conhecimento da intenção de Brasil e Argentina em subscrever um tratado de integração econômica que uniria as duas economias limítrofes a nosso País com as inevitáveis influências em nossa vida como Nação. Inteirados disto, o governo oriental[*] da época, que tínhamos a honra de presidir, iniciou contatos com os vizinhos para tentar tomar parte desta importante organização. O governo do Chile, convidado, declinou da oferta e finalmente foi o Paraguai que entrou como quarto sócio.
É interessante recordar que, no âmbito interno, a adesão de nosso país ao MERCOSUL foi precedida de consultas políticas do mais alto nível. Convocamos, e aceitaram comparecer para uma reunião informativa celebrada na sala de Ministros do Edifício Libertad, os Senhores Jorge Pacheco Areco, Julio M Sanguinetti, Jorge Batlle, Pablo Millor, Líber Seregni, Tabaré Vázquez, Hugo Batalha, Alberto Zumarán, Carlos Julio Pereyra e Gonzalo Aguirre, na verdade os titulares de todos os partidos e setores partidários que tinham responsabilidades políticas naquele momento. Oferecemos a participação de seus técnicos de confiança na tramitação prévia dos acordos, o que veio a ocorrer.
Portanto, na hora da ratificação parlamentar do Tratado de Assunción, o mesmo foi aprovado pela unanimidade do Senado e 97 votos da Câmara de Deputados. Podemos afirmar com fundamento que foi o Uruguai inteiro que aceitou suas condições e prosseguiu unificadamente para uma nova etapa da vida nacional.
É bom recordar os objetivos fixados pelas partes no documento principal assinado em Assunción, em março de 1991. O preâmbulo consta de oito parágrafos que tem um caráter programático e lançam uma clara luz sobre a vontade dos países signatários.
A terminologia e os conceitos utilizados são de clareza meridiana na expressão de uma vontade comercial e econômica como único objetivo da nova organização. Afirmava-se “que a ampliação das atuais dimensões de seus mercados nacionais através da integração, constitui condição fundamental para acelerar seus processos de desenvolvimento econômico com justiça social”. As expressões de claro cunho econômico eram reiteradas. “Aproveitamento mas eficaz dos recursos disponíveis”, “coordenação das políticas macroeconômicas e complementação dos diferentes setores da economia”, “consolidação de grandes espaços econômicos”, “modernizar suas economias para ampliar a oferta e a qualidade dos bens e serviços disponíveis”. Claro que a orientação da nova entidade buscava potencializar as economias nacionais mediante a sinergia da união de mercados. O compromisso mútuo segue esta orientação em toda sua extensão.
Após um período de convergência durante o qual foi aplicada gradualmente a liberação de produtos a comercializar, no dia 1º de janeiro de 1995 cumpriu-se o tratado e nasceu o que hoje é conhecido como MERCOSUL. Do ponto de vista das negociações comerciais mundiais levou-se em conta que a nova organização teria um peso muito mais importante do que até então se previra. Deve-se ressaltar que esta era uma grande vantagem para os sócios menores, Paraguai e Uruguai.
A integração econômica não é fácil. Os interesses nacionais – legítimos – com a tradição dos países de desenvolver sua atividade em mercados menores, resistem às transformações necessárias para abrir suas economias à concorrência. Foi duro e penoso em todas as associações deste tipo que foram criadas no mundo, chamem-se NAFTA, UNIÃO EUROPÉIA, ou qualquer outra de natureza similar. Não poderíamos ser uma exceção. A integração trazia como conseqüência outra tarefa inevitável: baixar custos para sermos competitivos. Repetimos hoje o que tantas vezes já afirmamos: a integração não é uma certeza, é uma oportunidade. Para poder aproveitá-la é preciso incrementar a tecnologia, melhorar a produtividade, baixar os custos, aprender a sermos melhores.
Lamentavelmente não foi assim. Nosso país negou-se às reformas estatais necessárias e a organização não soube ou não quis encarar os conflitos derivados de barreiras não alfandegárias de exportção entre os sócios, tais como para as bicicletas e o arroz de nosso país, impedidos de ingressar nos países vizinhos.
Finalmente, e para desfigurar definitivamente a organização, surgem no horizonte tentativas de um “MERCOSUL político” que nunca esteve na mente nem nos documentos dos fundadores. A criação de um Parlamento do MERCOSUL não somente é alheia ao projeto, como é contrária aos interesses do Uruguai e contará como nossa firme oposição.
Para culminar, sem consulta nenhuma nem embasamento jurídico, criou-se a categoria de “sócio político” que ninguém sabe claramente o que quer dizer. Opomos-nos frontalmente a que qualquer país se associe nesta qualidade à organização, porém mais ainda quando a escolhida é uma nação como a Venezuela, cujo Presidente é uma personalidade tão controvertida e pouco equilibrada que só pode trazer problemas.
Lamentavelmente, hoje, em 2006, podemos dizer que o MERCOSUL com o qual um dia sonhamos, não aconteceu.
UM ACORDO HÁ MUITO ESPERADO
A assinatura, em 26 de março de 1991, do denominado Tratado de Assunción, que deu forma à constituição do Mercado Comum do Sul, MERCOSUL, entre Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, deixou para trás diversas experiências prévias de integração que já haviam sido tentadas na região, com resultados díspares.
Embora os primeiros esboços do processo de integração regional remontem à década de 1950, o primeiro passo concreto foi dado em 1960 com a assinatura do Tratado de Montevidéu que significou a criação da Associação Latino-americana de Livre Comércio (ALALC). Inicialmente este grupo regional foi integrado por Argentina, Brasil, Chile, México, Paraguai, Peru e Uruguai. Um ano depois foram agregados Equador e Colômbia, cinco anos mais tarde a Venezuela e em 1967 a Bolívia.
O principal objetivo, que era eliminar barreiras aduaneiras através de uma lista comum, nunca chegou a ser concretizado. O estancamento do grupo, ao qual se somou o aparecimento do chamado Grupo Andino, determinou que o resto dos países concluíssem que a associação deveria adotar outra estrutura.
Foi assim que surgiu em 1980 a Associação Latino-americana de Integração (ALADI) que a priori constituiria um novo marco oficial do processo de integração.
Entrementes, na década de 70, o Uruguai aprofundou seus vínculos com os sócios mais importantes: Argentina e Brasil. Com o primeiro através do Convenio Argentino Uruguayo de Cooperación Económica (CAUCE), e com o segundo mediante o Protocolo de Expansión Comercial (PEC). Nos dois casos foram fixadas as condições para um intercâmbio justo e equilibrado.
A criação do bloco regional deu condições para a formação da quarta economia mundial, com um mercado potencial de mais de 200 milhões de habitantes, uma superfície total de 12 milhões de quilômetros quadrados e um Produto Interno Bruto superior a 1 bilhão de dólares.
Em dezembro de 1994, a assinatura do Protocolo de Ouro Preto deu personalidade jurídica de direito internacional ao MERCOSUL, abrindo a chance de negociar em bloco com terceiros países, grupos de países ou organismos internacionais.
No início o grupo operou acionando o comércio exterior entre os países membros de tal maneira que o intercâmbio entre os sócios aumentou de forma considerável. No entanto, com o passar do tempo – e depois de 15 anos de experiência – o MERCOSUL começou a acentuar suas assimetrias, terminando por favorecer as economias dos países maiores em detrimento dos menores.
O cenário atual não parece ser o mais favorável: frente à incorporação da Venezuela como sócio pleno, Uruguai e Paraguai manifestaram mais de uma vez seu desagrado com a marcha do bloco regional e, além do mais, sua intenção de gerar acordos bilaterais com os Estados Unidos ou outros países fora do MERCOSUL.
Mas isto é farinha de outro saco.
[*] Refere-se ao nome oficial de Republica Oriental del Uruguay, que historicamente pertencia ao Vice-Reinado do Prata como Banda Oriental por estar a Leste da bacia hidrográfica Paraná-Uruguai-Paraguai.
LUIS ALBERTO LACALLE foi Senador, Presidente da República Oriental del Uruguay de 1990 a 1995, um dos idealizadores e fundadores do MERCOSUL, possui a Grã Cruz da Orden do Cruzeiro do Sul (1991) e diversas outras condecorações.
Artigo publicado originalmente na Edição Especial dos 25 anos de ULTIMAS NOTICIAS
Tradução: Heitor De Paola
quinta-feira, novembro 09, 2006
Por que os republicanos perderam as eleições parlamentares agora?
Fatos: o presidente Bush demitiu seu ministro de defesa. Isso significa que atribui a derrota à guerra no Iraque, ou à atuacao do país no Iraque. Pergunta: será verdade que os estadunidenses votaram contra os republicanos por causa da guerra no Iraque?
Fatos: o presidente Bush demitiu seu ministro de defesa. Isso significa que atribui a derrota à guerra no Iraque, ou à atuacao do país no Iraque. Pergunta: será verdade que os estadunidenses votaram contra os republicanos por causa da guerra no Iraque?
quarta-feira, novembro 08, 2006
Se você ainda quer ser um estudante sério...
por Olavo de Carvalho
(...)
Os filósofos que mais estudei para encontrar as respostas (e ficam aí como sugestões para os interessados) foram Platão, Aristóteles, Sto. Agostinho, Sto, Tomás, S. Boaventura, Duns Scot, Leibniz, Schelling, Husserl, Scheler, Lavelle, Croce, Ortega, Zubiri, Marías, Voegelin, Lonergan, o nosso Mário Ferreira dos Santos e o Albert Camus de L'Homme Révolté . Os grandes historiadores da filosofia, como Gomperz, Ueberweg e Zeller, devem ser lidos com devoção. Outros autores da área de ciências humanas que muito me ajudaram foram Ibn Khaldun, Vico, Ranke, Taine, Huizinga, Weber, Böhm-Bawerk, von Mises, Sorokin, Victor Frankl, Paul Diel, Eugen Rosenstock-Huessy, Franz Rosenzweig, Lipot Szondi, Maurice Pradines, Alois Dempf, Max Dvorak, Rudolf Arnheim, Erwin Panofsky, A. D. Sertillanges, Mortimer J. Adler, Oliveira Martins, Gilberto Freyre e Otto Maria Carpeaux. Apesar de inumeráveis erros de informação, a Life of Napoleon de Walter Scott também foi de muito proveito pela acuidade da sua psicologia histórica. O maior historiador vivo hoje em dia é Modris Eksteins (sabe o que significa “tem de ler”?). Dos poetas e ficcionistas, aqueles que produziram verdadeiras descrições científicas da condição humana, muito úteis nos meus estudos, foram Sófocles, Dante, Shakespeare, Camões, Cervantes, Goethe, Dostoiévski, Alessandro Manzoni, Pío Baroja, T. S. Eliot, W. B. Yeats, Antonio Machado, Thomas Mann, Jacob Wassermann, Robert Musil, Hermann Broch, Heimito von Doderer, Julien Green, Georges Bernanos e François Mauriac. A Bíblia tem de ser relida o tempo todo (não leia o Evangelho em busca de “religião”: leia como narrativa de alguma coisa que realmente aconteceu; atenção especial para Mateus 11:1-6, onde o próprio Jesus ensina o critério para você tirar as dúvidas a respeito d'Ele; penso nisso o tempo todo). O Corão, os Vedas, o Tao-Te-King e o I-Ching, assim como os escritos de Confúcio, Shânkara e Ibn'Arabi, merecem consultas periódicas. Dos conselhos pessoais que recebi de mestres generosos, a quem incomodei por meio de cartas, telefonemas e visitas, falarei outro dia.
O importante é você não estudar por estudar, para “adquirir cultura” ou seguir carreira universitária, mas para encontrar respostas a questões determinadas, que tenham importância existencial para você, para sua formação de ser humano e não só de estudioso. É claro que as questões vão se definindo aos poucos, no curso das leituras mesmas, mas à medida que isso acontece elas vão definindo melhor o rumo dos estudos. E é essencial que, na ânsia de ler, você não deixe sua acumulação de conhecimento ultrapassar o seu nível de autoconsciência, de maturidade, de responsabilidade pessoal em todos os domínios da vida. Se você não é capaz de tirar de um livro conseqüências válidas para sua orientação moral no mundo, você não está pronto para ler esse livro. Não esqueça nunca o conselho de Goethe: “O talento se aprimora na solidão, o caráter na agitação do mundo.”
(...)
Os filósofos que mais estudei para encontrar as respostas (e ficam aí como sugestões para os interessados) foram Platão, Aristóteles, Sto. Agostinho, Sto, Tomás, S. Boaventura, Duns Scot, Leibniz, Schelling, Husserl, Scheler, Lavelle, Croce, Ortega, Zubiri, Marías, Voegelin, Lonergan, o nosso Mário Ferreira dos Santos e o Albert Camus de L'Homme Révolté . Os grandes historiadores da filosofia, como Gomperz, Ueberweg e Zeller, devem ser lidos com devoção. Outros autores da área de ciências humanas que muito me ajudaram foram Ibn Khaldun, Vico, Ranke, Taine, Huizinga, Weber, Böhm-Bawerk, von Mises, Sorokin, Victor Frankl, Paul Diel, Eugen Rosenstock-Huessy, Franz Rosenzweig, Lipot Szondi, Maurice Pradines, Alois Dempf, Max Dvorak, Rudolf Arnheim, Erwin Panofsky, A. D. Sertillanges, Mortimer J. Adler, Oliveira Martins, Gilberto Freyre e Otto Maria Carpeaux. Apesar de inumeráveis erros de informação, a Life of Napoleon de Walter Scott também foi de muito proveito pela acuidade da sua psicologia histórica. O maior historiador vivo hoje em dia é Modris Eksteins (sabe o que significa “tem de ler”?). Dos poetas e ficcionistas, aqueles que produziram verdadeiras descrições científicas da condição humana, muito úteis nos meus estudos, foram Sófocles, Dante, Shakespeare, Camões, Cervantes, Goethe, Dostoiévski, Alessandro Manzoni, Pío Baroja, T. S. Eliot, W. B. Yeats, Antonio Machado, Thomas Mann, Jacob Wassermann, Robert Musil, Hermann Broch, Heimito von Doderer, Julien Green, Georges Bernanos e François Mauriac. A Bíblia tem de ser relida o tempo todo (não leia o Evangelho em busca de “religião”: leia como narrativa de alguma coisa que realmente aconteceu; atenção especial para Mateus 11:1-6, onde o próprio Jesus ensina o critério para você tirar as dúvidas a respeito d'Ele; penso nisso o tempo todo). O Corão, os Vedas, o Tao-Te-King e o I-Ching, assim como os escritos de Confúcio, Shânkara e Ibn'Arabi, merecem consultas periódicas. Dos conselhos pessoais que recebi de mestres generosos, a quem incomodei por meio de cartas, telefonemas e visitas, falarei outro dia.
O importante é você não estudar por estudar, para “adquirir cultura” ou seguir carreira universitária, mas para encontrar respostas a questões determinadas, que tenham importância existencial para você, para sua formação de ser humano e não só de estudioso. É claro que as questões vão se definindo aos poucos, no curso das leituras mesmas, mas à medida que isso acontece elas vão definindo melhor o rumo dos estudos. E é essencial que, na ânsia de ler, você não deixe sua acumulação de conhecimento ultrapassar o seu nível de autoconsciência, de maturidade, de responsabilidade pessoal em todos os domínios da vida. Se você não é capaz de tirar de um livro conseqüências válidas para sua orientação moral no mundo, você não está pronto para ler esse livro. Não esqueça nunca o conselho de Goethe: “O talento se aprimora na solidão, o caráter na agitação do mundo.”
A tragédia do estudante sério no Brasil
por Olavo de Carvalho
(...)
A única solução viável, que enxergo, é a formação de pequenos grupos solidários, firmemente decididos a obter uma formação intelectual sólida, de início sem nenhum reconhecimento oficial ou acadêmico, mas forçando mais tarde a obtenção desse reconhecimento mediante prova de superioridade acachapante. Já não leciono no Brasil, mas a experiência mostrou que muito aluno meu, com alguns anos de aulas e bastante estudo em casa, já está pronto para dar de dez a zero, não digo em alunos, mas em professores da USP do calibrinho de Demétrio Magnoli e Emir Sader, o que, bem feitas as contas, é até luta desigual, é até covardia.
O processo é trabalhoso, mas simples: cumprir as tarefas tradicionais do estudo acadêmico, dominar o trivium , aprender a escrever lendo e imitando os clássicos de três idiomas pelo menos, estudar muito Aristóteles, muito Platão, muito Tomás de Aquino, muito Leibniz, Schelling e Husserl, absorver o quanto possível o legado da universidade alemã e austríaca da primeira metade do século XX, conhecer muito bem a história comparada de duas ou três civilizações, absorver os clássicos da teologia e da mística de pelo menos três religiões, e então, só então, ler Marx, Nietzsche, Foucault. Se depois desse regime você ainda se impressionar com esses três, é porque é burro mesmo e eu nada posso fazer por você.
(...)
(...)
A única solução viável, que enxergo, é a formação de pequenos grupos solidários, firmemente decididos a obter uma formação intelectual sólida, de início sem nenhum reconhecimento oficial ou acadêmico, mas forçando mais tarde a obtenção desse reconhecimento mediante prova de superioridade acachapante. Já não leciono no Brasil, mas a experiência mostrou que muito aluno meu, com alguns anos de aulas e bastante estudo em casa, já está pronto para dar de dez a zero, não digo em alunos, mas em professores da USP do calibrinho de Demétrio Magnoli e Emir Sader, o que, bem feitas as contas, é até luta desigual, é até covardia.
O processo é trabalhoso, mas simples: cumprir as tarefas tradicionais do estudo acadêmico, dominar o trivium , aprender a escrever lendo e imitando os clássicos de três idiomas pelo menos, estudar muito Aristóteles, muito Platão, muito Tomás de Aquino, muito Leibniz, Schelling e Husserl, absorver o quanto possível o legado da universidade alemã e austríaca da primeira metade do século XX, conhecer muito bem a história comparada de duas ou três civilizações, absorver os clássicos da teologia e da mística de pelo menos três religiões, e então, só então, ler Marx, Nietzsche, Foucault. Se depois desse regime você ainda se impressionar com esses três, é porque é burro mesmo e eu nada posso fazer por você.
(...)
Assinar:
Postagens (Atom)
