Pronunciamento do senador Gerson Camata, do PMDB do Espírito Santo, pedindo uma CPI para investigar a ação de organizações subversivas no Brasil. No trecho final, o senador lamenta a infiltração da esquerda revolucionária na Igreja Católica.
“(...)
O parêntese que fiz, Sr. Presidente, foi para registrar aqui alguns fatos tristes que estão ocorrendo no Brasil e que aconteceram no fim de semana no Espírito Santo até segunda-feira.
Há um movimento nacional de organismos - e vou usar a palavra subversivos, bandidos - para desestabilizar a economia do Brasil. Eles são comandados pelo foro de São Paulo e pelas Farc. Estou dizendo aqui há cinco anos que as Farc estão atuando no Brasil. A Abin sabe que as Farc estão atuando no Brasil; a Abin sabe que as Farc estão matando mais no Brasil do que na Colômbia. Os jovens brasileiros estão morrendo em conseqüência do tráfico de cocaína que as Farc enfiam pelas fronteiras do Brasil. As armas que estão matando os jovens brasileiros são infiltradas pela fronteira, pelas Farc, e não se vê uma providência a ser tomada pelo Brasil.
O Brasil, o contribuinte brasileiro, você, brasileiro, paga a Marinha mais cara da América Latina; paga o Exército mais caro e melhor aparelhado da América Latina; paga a Aeronáutica melhor aparelhada da América Latina e não recebe nada de volta. A fronteira do Brasil é um queijo cheio de buracos - entram armas, drogas, maconha. E o nosso Exército? Cheio de unidades no Rio e em São Paulo, aqueles quartéis precisam estar na divisa. Por que a Marinha não patrulha as nossas águas, onde são lançadas as armas para serem recolhidas pelos bandidos? Por que não vigiamos as nossas fronteiras? Por que temos as Forças Armadas mais poderosas da América Latina e ninguém nos respeita? Os paraguaios roubam as nossas armas, enchem o Brasil de maconha, metem contrabando para dentro do Brasil; a Bolívia faz a mesma coisa, a Colômbia faz isso também. E quem respeita o País?
Temos de começar a pensar, pois as Farc atuam na divisa do Espírito Santo com Minas. Paralisaram os trens da Companhia Vale do Rio Doce.
Trezentas mil toneladas, comprometendo o prestígio do Brasil no mercado internacional, de minério de ferro deixaram de ser embarcadas. Navios parados ao longo do litoral do Espírito Santo, congestionando os portos, aguardando serem abastecidos, Sr. Presidente. E mais, 2.500 passageiros da única ferrovia do Brasil que tem dois trens por dia, que liga Vitória a Belo Horizonte, que é uma ferrovia para a Companhia Vale do Rio Doce, deficitária, mas que serve ao fluxo de passageiros, 2.500 a 3.000 passageiros por dia, entre Belo Horizonte e todas aquelas cidades vizinhas ao longo do Rio Doce, que estão dentre Vitória e Belo Horizonte.
E víamos na televisão, na estação ferroviária de Vitória e na estação ferroviária de Belo Horizonte - e é preciso dizer que são as pessoas mais humildes, porque a passagem de trem custa um terço da passagem de ônibus. Essas pessoas usam esses trens, gente humilde, que estavam indo ao médico, parados, passando fome, porque acabou o dinheiro deles. Foi preciso que a assistência social da Prefeitura de Cariacica se deslocasse ate à estação com lanche para aquelas pessoas paralisadas ali.
O que essa gente ganha fazendo o pobre sofrer? Essa Via Campesina, esse MST, essas organizações marxistas, que desapareceram na Europa e nos países civilizados, nem na África existem mais, mas prosperam na América Latina. Quem é que mantém essa associação que um dia invade no Pará, noutro dia invade no Rio Grande do Sul? De onde vem esse volume de dinheiro para manter esses malandros fazendo baderna pelo País afora, desonrando o Brasil, fazendo que o País passe vergonha em âmbito nacional?
Quem paga os aviões fretados dos índios de Aracruz - falsos índios - que vão para Europa, para porta dos concorrentes desfilar de tanga? Quem aluga esses aviões? Quem é que leva esses caras para Portugal, para a Suécia, para a Itália, para fazer dança na chuva na porta dos escritórios Aracruz Celulose, que é brasileira? Precisamos saber disso.
Precisamos fazer uma CPI porque eles chegam aqui e rebentam, quebram os vidros do Congresso Nacional. Sabe o que aconteceu? Nada, Sr. Presidente. Param as estações de pedágio, quebram os computadores todos. Sabe o que acontece? Nada. Vão para a sede do Incra, arrebentam os computadores, quebram os vidros, destroem os escritórios. Sabe o que acontece? Nada. Que diabo de País é este em que não acontece nada com essa gente? Quem patrocina essa gente? Quem os abriga? Quem os defende? É na Justiça que está o problema ou na estrutura do País que está apodrecendo ideologicamente a favor dessas ideologias ultrapassadas, que não existem no mundo e que só o atraso do Brasil permite que existam aqui?
Eu acho que isso é que merece uma CPI; isso precisa de uma CPI. Essas leis precisam ser mudadas, para que o brasileiro não fique cada vez mais passando vergonha aos olhos do mundo por ações antiquadas, ultrapassadas, orquestradas, bem pagas e, com a conivência de altas autoridades brasileiras, envergonhando o Brasil, fazendo mal aos brasileiros, diminuindo as oportunidades de investimentos, as oportunidades de trabalho para milhões de brasileiros.
Eram essas as colocações que queria fazer, apresentando a solidariedade à Vale do Rio Doce, que está sendo perseguida por criar tantos empregos no Brasil.
Como católico, eu tenho medo que alguns setores da Igreja Católica estejam metido nisso. Eu falei, aqui, há algum tempo, que estava assistindo a uma missa, em São Paulo, quando veio o padre e parou tudo para distribuir um folheto, no qual se pedia a reestatização da Vale. E, dentro da igreja, estava ali a Via Campesina. Eu me retirei de lá, pois se vai num domingo à igreja para rezar, fazer uma reconciliação com Deus e é agredido com uma coisa dessas! Será que a Igreja Católica está atrás dessas coisas?
Um amigo meu disse outro dia: "Gerson, quando eu vou à missa, eu não dou mais contribuição, porque eu não sei, se esse dinheiro é para financiar o culto, se é para melhorar a minha igreja, ou se vai parar lá na mão de uma organização clandestina, comunista para fazer baderna, no Brasil, por trás de alguns sacerdotes da Igreja Católica".
Os bispos, a CNBB... Eu, que sou católico, tenho o direito de cobrar uma certa posição diante de certos extremismos, porque, no final, a gente vê que, lá por trás, há alguma ação de alguns padres que, desviados da doutrina de Jesus Cristo, partem para a doutrina marxista para agredir, atacar, semear a cizânia e o ódio entre os brasileiros. Isso não é função de quem é cristão.
Muito obrigado, Sr. Presidente.”
Veja o pronunciamento de 12/03/08 na íntegra, onde o senador faz também elogios ao fotógrafo Sebastião Salgado.
quinta-feira, março 20, 2008
segunda-feira, março 10, 2008
Foro de São Paulo
O Foro de São Paulo está vindo à tona com força. Lembro de um amigo meu, estudante de jornalismo, dizendo para mim que a entidade era praticamente inexistente. Argumentar contra isso é difícil, não é mesmo? Como uma entidade pode ser praticamente inexistente? Ou ela existe, ou não existe. Nem os meus alertas sobre a presidência de Lula no Foro o demoveram de seu petismo. Bom, agora, para usar a frase de Zagallo: “Vocês têm que engolir.” Daqui a pouco inventem outra farsa, mas descoberta essa, fico alegrinho por um período.
É gostoso realmente escutar a entrevista concedida à radio CBN pelo senhor Merval Pereira, colunista político de O Globo, falando do Foro de São Paulo, e não apenas para cobrir o buraco deixado pelo Olavo de Carvalho em O Globo. Vocês são uns oportunistas.
O querido Reinado Azevedo, que aliás está sempre alegre-a esquerda sempre dá motivo para rir, o ruim é depender dela-já falava do Foro de São Paulo no tempo da revista Primeira Leitura. Agora você pode acompanhar uma série de textinhos seus sobre o Foro.
É gostoso realmente escutar a entrevista concedida à radio CBN pelo senhor Merval Pereira, colunista político de O Globo, falando do Foro de São Paulo, e não apenas para cobrir o buraco deixado pelo Olavo de Carvalho em O Globo. Vocês são uns oportunistas.
O querido Reinado Azevedo, que aliás está sempre alegre-a esquerda sempre dá motivo para rir, o ruim é depender dela-já falava do Foro de São Paulo no tempo da revista Primeira Leitura. Agora você pode acompanhar uma série de textinhos seus sobre o Foro.
domingo, março 09, 2008
sexta-feira, março 07, 2008
As complexidades da ciência e a burrice do intelectual
Acabo de ler o artigo As complexidades da ciência e as limitações do tribunal, publicado no sítio Observatório da imprensa. Comentemos pois o artigo, digno de ser publicado num sítio apoiado pela Fundação Ford.
O autor Ulisses Capozzoli começa o artigo fazendo referências à vinda da família real portuguesa ao Brasil duzentos anos atrás, assunto cujo interesse para o tema não pude discernir, a não ser quando o autor usa o fato para falar das evolução de uma sociedade atrasada, que probia a circulação de jornais, revistas, para uma sociedade que agora pode permitir a pesquisa com células-tronco embrionárias, pegando o bonde da história.
Joseph Mengele, o médico nazista de Auschwitz que ganhou o apelido de anjo da morte, devia achar a mesma coisa quando injetou tinta azul em olhos de crianças, uniu as veias de gêmeos, deixou pessoas em tanques de água gelada para testar suas resistências, amputou membros de prisioneiros e coletou milhares de orgãos em seu laboratorio. Afinal, a roda da história não pára.
“Os 11 ministros que compõem o STF – apesar da pompa e circunstância com que se fazem notar – estarão desempenhando um papel além de suas capacidades intelectuais.”
Como é que pode um ministro do STF, enquanto tal, desempenhar um papel além de sua capacidade intelectual? Será que o ministro vai começar a correr pela sala para prolatar a sentença, exercendo assim a sua capacidade física?
“A imprensa também estará em julgamento quanto a sua capacidade de sensibilizar ou não a sociedade para uma perspectiva da ciência(...)”
Aqui o autor convoca o jornalismo a deixar de lado sua profissão de informar o cidadão sobre os fatos e perspectivas das duas teses em julgamento para abraçar e fazer propaganda de uma das teses.
Chegamos ao ponto: “o embate em torno da Lei de Biossegurança é na essência, por desconfortável e anacrônico que possa parecer, um enfrentamento entre ciência e religião.”
O autor até desconversa-“Não que ciência e religião sejam necessariamente antagônicos”, para afetar aquela douta neutralidade caríssima aos liberais, mas depois afirma ser regra o “obscurantismo que unifica as religiões.”
Bom, ciência e fé não são antagônicos, há pelo menos setecentos anos se sabe isso, desde os trabalhos de Santo Tomás de Aquino. Eles são complementares e harmônicos.
Depois de alguns parágrafos malhando a Igreja Católica, o autor admite o seguinte: “E se desconhecemos a natureza da vida não temos como fixar exatamente quando ela começa.”
É exatamente esse o argumento do ensaísta conservador Olavo de Carvalho para dizer que o aborto não pode ser permitido. Não sabemos quando começa a vida, então se vamos fazer experiência com um embrião, existe a possibilidade de estarmos tirando uma vida humana. Ulisses Capozzoli está disposto a correr esse risco.
“Certamente não é nenhuma façanha intelectual sustentar que o papel das células-tronco embrionárias na reconstituição de órgãos é parte da medicina do futuro. Mas, em muitos casos, pode amenizar de imediato a dura sorte de milhões de pessoas.”
O senhor Ulisses Capozzoli está mentindo quando afirma que o papel das células-tronco embrionárias pode amenizar de imediato a sorte de milhões de pessoas. Até agora nenhuma pesquisa com células-tronco embrionárias chegou a resultados promissores, os resultados promissores vêm da pesquisa com células-tronco adultas, pesquisa a qual não é condenada pela Igreja Católica.
Por fim, comento sobre a separação feita pelo autor entre memória e inteligência. A intenção de Ulisses Capozzoli é dizer que a memória representa a tradição atrasada enquanto a inteligência desliga-se do peso da tradição adotando o bem da ciência. Não é lindo isso? Gostaria de perguntar ao senhor Ulisses Capozzoli se ele precisou se lembrar do julgamento que aconteceu na quarta-feira para escrever o artigo. Talvez o artigo tenha brotado da inteligência futurista de Ulisses Capozzoli sem precisar da memória para lembrar do julgamento. A memória é uma das funções da inteligência, um requisito dela. Quando René Descartes descobriu que existia porque pensava, ele precisou lembrar que pensava antes. Ou fingiu que não lembrou, embolando o curso da filosofia subseqüente. O senhor Ulisses Capozzoli quer embolar toda a discussão sobre o tema da pesquisa com células-tronco embrionárias. Memória certamente ele tem, inteligência não sei dizer.
PS: Enviei o presente artigo para o sítio Observatório da imprensa, não obtendo resposta até o momento.
O autor Ulisses Capozzoli começa o artigo fazendo referências à vinda da família real portuguesa ao Brasil duzentos anos atrás, assunto cujo interesse para o tema não pude discernir, a não ser quando o autor usa o fato para falar das evolução de uma sociedade atrasada, que probia a circulação de jornais, revistas, para uma sociedade que agora pode permitir a pesquisa com células-tronco embrionárias, pegando o bonde da história.
Joseph Mengele, o médico nazista de Auschwitz que ganhou o apelido de anjo da morte, devia achar a mesma coisa quando injetou tinta azul em olhos de crianças, uniu as veias de gêmeos, deixou pessoas em tanques de água gelada para testar suas resistências, amputou membros de prisioneiros e coletou milhares de orgãos em seu laboratorio. Afinal, a roda da história não pára.
“Os 11 ministros que compõem o STF – apesar da pompa e circunstância com que se fazem notar – estarão desempenhando um papel além de suas capacidades intelectuais.”
Como é que pode um ministro do STF, enquanto tal, desempenhar um papel além de sua capacidade intelectual? Será que o ministro vai começar a correr pela sala para prolatar a sentença, exercendo assim a sua capacidade física?
“A imprensa também estará em julgamento quanto a sua capacidade de sensibilizar ou não a sociedade para uma perspectiva da ciência(...)”
Aqui o autor convoca o jornalismo a deixar de lado sua profissão de informar o cidadão sobre os fatos e perspectivas das duas teses em julgamento para abraçar e fazer propaganda de uma das teses.
Chegamos ao ponto: “o embate em torno da Lei de Biossegurança é na essência, por desconfortável e anacrônico que possa parecer, um enfrentamento entre ciência e religião.”
O autor até desconversa-“Não que ciência e religião sejam necessariamente antagônicos”, para afetar aquela douta neutralidade caríssima aos liberais, mas depois afirma ser regra o “obscurantismo que unifica as religiões.”
Bom, ciência e fé não são antagônicos, há pelo menos setecentos anos se sabe isso, desde os trabalhos de Santo Tomás de Aquino. Eles são complementares e harmônicos.
Depois de alguns parágrafos malhando a Igreja Católica, o autor admite o seguinte: “E se desconhecemos a natureza da vida não temos como fixar exatamente quando ela começa.”
É exatamente esse o argumento do ensaísta conservador Olavo de Carvalho para dizer que o aborto não pode ser permitido. Não sabemos quando começa a vida, então se vamos fazer experiência com um embrião, existe a possibilidade de estarmos tirando uma vida humana. Ulisses Capozzoli está disposto a correr esse risco.
“Certamente não é nenhuma façanha intelectual sustentar que o papel das células-tronco embrionárias na reconstituição de órgãos é parte da medicina do futuro. Mas, em muitos casos, pode amenizar de imediato a dura sorte de milhões de pessoas.”
O senhor Ulisses Capozzoli está mentindo quando afirma que o papel das células-tronco embrionárias pode amenizar de imediato a sorte de milhões de pessoas. Até agora nenhuma pesquisa com células-tronco embrionárias chegou a resultados promissores, os resultados promissores vêm da pesquisa com células-tronco adultas, pesquisa a qual não é condenada pela Igreja Católica.
Por fim, comento sobre a separação feita pelo autor entre memória e inteligência. A intenção de Ulisses Capozzoli é dizer que a memória representa a tradição atrasada enquanto a inteligência desliga-se do peso da tradição adotando o bem da ciência. Não é lindo isso? Gostaria de perguntar ao senhor Ulisses Capozzoli se ele precisou se lembrar do julgamento que aconteceu na quarta-feira para escrever o artigo. Talvez o artigo tenha brotado da inteligência futurista de Ulisses Capozzoli sem precisar da memória para lembrar do julgamento. A memória é uma das funções da inteligência, um requisito dela. Quando René Descartes descobriu que existia porque pensava, ele precisou lembrar que pensava antes. Ou fingiu que não lembrou, embolando o curso da filosofia subseqüente. O senhor Ulisses Capozzoli quer embolar toda a discussão sobre o tema da pesquisa com células-tronco embrionárias. Memória certamente ele tem, inteligência não sei dizer.
PS: Enviei o presente artigo para o sítio Observatório da imprensa, não obtendo resposta até o momento.
quinta-feira, março 06, 2008
Pesquisa com células-tronco embrionárias
Ontem houve julgamento no Supremo Tribunal Federal sobre a legalidade da pesquisa com células-tronco embrionárias. O resultado final do julgamennto não saiu ainda, pois um dos ministros pediu vista do processo. O embrião a ser pesquisado é como o ovo galado que não será chocado. Sem o útero materno, habitat natural para se desenvolver, o embrião jamais se tornará um ser humano adulto. Esse é um assunto complicado, e tendo a apoiar os que são contra a pesquisa, pois o embrião possui individualidade genética. Chama a atenção o entusiasmo amoral com que os advogados da legalidade se debruçam sobre o tema, apelando para o sofrimento dos deficientes físicos, em especial dos que usam cadeiras de rodas. Ah, se todo sofrimento que tive na vida pudesse ser consertado.. a começar pela rejeição por adotar posicionamentos conservadores em geral. Existem sofrimentos que uma pessoa vai carregar durante sua vida, as coisas funcionam assim. Claro que seria ótimo que uma pessoa em cadeira de rodas voltasse a caminhar. Mas será que vale qualquer artifício para alcançar esse objetivo?
Sabem por que alguns usuários de cadeiras de rodas aceitam se humilhar dessa forma para alcançar objetivo que mal se sabe se poderá beneficiá-los? Porque têm medo da discriminação, real e imaginária. Esse é um poderoso motor político atualmente, que enganou negros e homossexuais.
A pesquisa com células-tronco embrionárias não alcançou qualquer resultado positivo e a batalha por sua legalização deve ser considerada dentro do espectro amplo de perseguição à vida do não nascido. Não é mesmo senhor advogado Luiz Roberto Barroso?
Para maiores informações, acesse o sítio da associação pró-vida de Anápolis.
Sabem por que alguns usuários de cadeiras de rodas aceitam se humilhar dessa forma para alcançar objetivo que mal se sabe se poderá beneficiá-los? Porque têm medo da discriminação, real e imaginária. Esse é um poderoso motor político atualmente, que enganou negros e homossexuais.
A pesquisa com células-tronco embrionárias não alcançou qualquer resultado positivo e a batalha por sua legalização deve ser considerada dentro do espectro amplo de perseguição à vida do não nascido. Não é mesmo senhor advogado Luiz Roberto Barroso?
Para maiores informações, acesse o sítio da associação pró-vida de Anápolis.
terça-feira, março 04, 2008
Colômbia contra o Comunismo
O governo brasileiro sugeriu ao governo colombiano que peça desculpas ao Equador pela ação militar que desencadeou no território desse país, matando membros das Farc, inclusive um líder da organização, Raúl Reyes. Não é de surpreender a postura do governo brasileiro, visto que no começo do mandato do atual presidente da República, o presidente da Colômbia Álvaro Uribe visitara o Brasil e pedira ao governo brasileiro que classificasse as Farc como uma organização terrorista, tendo seu pedido negado. As próprias Farc declararam que sem o Partido dos Trabalhadores brasileiro a organização não teria a força que tem na atualidade.
Se querem saber, muitas pessoas ainda vêem a Colômbia como o país das drogas, de Pablo Escobar, etc. Tem toda razão que a Colômbia é o país das drogas. Mas é também o país mais corajoso da América Latina, o único disposto a enfrentar o avanço comunista. Nesse quesito os brasileiros estamos devendo.
Se querem saber, muitas pessoas ainda vêem a Colômbia como o país das drogas, de Pablo Escobar, etc. Tem toda razão que a Colômbia é o país das drogas. Mas é também o país mais corajoso da América Latina, o único disposto a enfrentar o avanço comunista. Nesse quesito os brasileiros estamos devendo.
terça-feira, fevereiro 26, 2008
A democracia no olho do furacão
No mundo moderno, a democracia nasce da transposição da vida dentro da comunidade eclesiástica cristã para a vida civil. É o reconhecimento de que difrenças eclesiástico-organizacionais não devem afetar a boa convivência entre cristãos das variadas denominações. O modo de vida eclesiástico cristão amplia-se ao recusar a disputa estéril acerca de diferenças dogmáticas e os cristãos tratam na vida secular com o empenho e dedicação que têm em sua Igreja. A famosa frase de Abraham Lincoln proferida no discurso de Gettysburg: “Governo do povo, pelo povo, para o povo,” na realidade não é dele, mas de John Wycliffe, no prólogo de sua tradução da Bíblia de 1384. O governo não trabalha pelo povo, o povo trabalha pelo governo. Forte também era a noção de uma nova Canaã, a terra prometida, que inspirava os peregrinos colonizadores da América.
A inversão demoníaca da idéia democrática cristã, que nasce num ambiente cultural maduríssimo, é o Comunismo. Alguns homens, eruditos quanto sejam-Lênin e Stálin eram, decidem que sabem o que é bom para o povo. A partir daí, permitem-se toda espécie de artifícios pelo bem maior do Comunismo. Na frase reveladora de Bertold Brecht: “Mentir em prol da verdade.” Chamam de democracia popular a pior tirania que houve na história humana.
A idéia democrática está presente no coração do homem Ocidental. Tantos os cristãos mais dedicados quanto os mais ferrenhos anti-cristãos aprovam a forma de governo. Empenhados em realizar a palavra do Evangelho que os manda ir pelos quatro cantos do mundo anunciar a Boa Nova, os cristãos constróem redes de solidariedade que gradualmente resvalam para a política democrática. George Soros e cia., pelo lado dos anti-cristãos, fomentam organizações pró-democráticas em tiranias mundo afora.
O presidente americano George W. Bush perde-se em meio aos dois grupos. Não é capaz de adotar uma política francamente cristã, como a praticada pelo amado Ronald Reagan, nem de trair por completo a base eleitoral que o elegeu. Fugindo da briga interna, ele assume então a política de espalhar através da força a liberdade no mundo. A liberdade conseguida pela força, que trouxe bons resultados na Alemanha Ocidental e Japão no pós-guerra, agora é testada no Iraque, conforme o programa dos neoconservadores.
O perigo é de o mundo inteiro viver numa democracia chocha. Aquela verdadeira democracia pode desaparecer, enfraquecida pela perseguição à cultura cristã e pela efeminação do homem que vai à Igreja.
Ps. No Brasil, o ranço entre Católicos e Protestantes, que existe de parte a parte, prejudica a formação de uma elite conservadora cristã.
A inversão demoníaca da idéia democrática cristã, que nasce num ambiente cultural maduríssimo, é o Comunismo. Alguns homens, eruditos quanto sejam-Lênin e Stálin eram, decidem que sabem o que é bom para o povo. A partir daí, permitem-se toda espécie de artifícios pelo bem maior do Comunismo. Na frase reveladora de Bertold Brecht: “Mentir em prol da verdade.” Chamam de democracia popular a pior tirania que houve na história humana.
A idéia democrática está presente no coração do homem Ocidental. Tantos os cristãos mais dedicados quanto os mais ferrenhos anti-cristãos aprovam a forma de governo. Empenhados em realizar a palavra do Evangelho que os manda ir pelos quatro cantos do mundo anunciar a Boa Nova, os cristãos constróem redes de solidariedade que gradualmente resvalam para a política democrática. George Soros e cia., pelo lado dos anti-cristãos, fomentam organizações pró-democráticas em tiranias mundo afora.
O presidente americano George W. Bush perde-se em meio aos dois grupos. Não é capaz de adotar uma política francamente cristã, como a praticada pelo amado Ronald Reagan, nem de trair por completo a base eleitoral que o elegeu. Fugindo da briga interna, ele assume então a política de espalhar através da força a liberdade no mundo. A liberdade conseguida pela força, que trouxe bons resultados na Alemanha Ocidental e Japão no pós-guerra, agora é testada no Iraque, conforme o programa dos neoconservadores.
O perigo é de o mundo inteiro viver numa democracia chocha. Aquela verdadeira democracia pode desaparecer, enfraquecida pela perseguição à cultura cristã e pela efeminação do homem que vai à Igreja.
Ps. No Brasil, o ranço entre Católicos e Protestantes, que existe de parte a parte, prejudica a formação de uma elite conservadora cristã.
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
Histórias de sala de aula
Aula de direito internacional.
Discutíamos o que era genocídio. Perguntei se Osama Bin Laden poderia ser condenado por genocídio.
-Mas ele atacou apenas as Torres Gêmeas.
-Sim, mas a intenção dele é matar todos os americanos.
-Ora, matar todos os americanos eu também quero.
Discutíamos o que era genocídio. Perguntei se Osama Bin Laden poderia ser condenado por genocídio.
-Mas ele atacou apenas as Torres Gêmeas.
-Sim, mas a intenção dele é matar todos os americanos.
-Ora, matar todos os americanos eu também quero.
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
Furo na reportagem
Fundações são alvo de CPI das ONGs
Comissão analisa indícios de irregularidade detectados em 25 entidades ligadas à universidades públicas.
............
Essa é manchete da versão digital do Jornal do Brasil de hoje. Perceberam o erro? Não há crase antes de “universidades públicas”. Poderia haver mas o trecho final seria mudado, pois a crase teria que ficar no plural: “entidades ligadas às universidades públicas.” É pedir de mais que um jornal de grande porte, ou que o foi pelo menos, escreva em bom português sua manchete de capa?
Há um blog feito por dois jornalistas experientes que analisa furos, não de reportagem, mas na reportagem, da imprensa. xingatorio.blogspot.com
Comissão analisa indícios de irregularidade detectados em 25 entidades ligadas à universidades públicas.
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Essa é manchete da versão digital do Jornal do Brasil de hoje. Perceberam o erro? Não há crase antes de “universidades públicas”. Poderia haver mas o trecho final seria mudado, pois a crase teria que ficar no plural: “entidades ligadas às universidades públicas.” É pedir de mais que um jornal de grande porte, ou que o foi pelo menos, escreva em bom português sua manchete de capa?
Há um blog feito por dois jornalistas experientes que analisa furos, não de reportagem, mas na reportagem, da imprensa. xingatorio.blogspot.com
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
Revolução parte final

Liberdade, de Delacroix, pintura símbolo da Revolução Francesa.
“Assim toda forma de iniqüidade criou raízes nos países Helênicos por causa dos problemas. A antiga simplicidade a que se juntava em grande parte a honra era desdenhada e desapareceu; e a sociedade ficou dividida em campos em que homem algum confiava em seu próximo. Para colocar um ponto final nisso, não havia esperança a que se agarrar, nem imprecação exigindo respeito; mas todos partidos lidando antes com cálculos sobre o desespero de um estado de coisas permanente, estavam mais resolvidos à auto-defesa do que capazes de passar confiança. Nessa disputa, as percepções embotadas eram mais bem sucedidas. Apreensivos de suas próprias deficiências e da esperteza de seus antagonistas, eles temiam levar a pior no debate e ser surpreendidos pelas combinações dos oponentes mais versáteis, e portanto recorriam de uma vez para a ação: enquanto seus adversários, imaginando de forma arrogante descobrir a tempo seus artifícios, e que era desnecessário garantir pela ação o que a política estabelecia, com freqüencia caíam vítimas de suas falta de precaução.”
“Nesse ínterim a Córcira deu o primeiro exemplo da maioria dos crimes a que aludimos; das represálias exigidas pelos governados que nunca haviam experienciado tratamento equitativo ou qualquer coisa menos insolência contra os governantes–quando sua hora chegou; das decisões iníquas daqueles que desejavam se ver livres de sua pobreza costumeira, e cobiçavam com ardor os bens do vizinho; e por fim, dos excessos selvagens e sem compaixão em que os homens que começaram a luta, não com um espírito de classe mas de partido, eram alimentados por suas paixões ingovernáveis. Na confusão agora reinante sobre as cidades, a natureza humana, sempre se rebelando contra a lei e agora sua mestra, mostrava-se de bom grado ingovernável na paixão, superior ao respeito pela justiça, e inimiga de toda superioridade; desde que a vingança não teria sido colocada acima da religião, e se sobreposto à justiça, não fosse o poder fatal da inveja. De fato os homens com muita freqüencia dedicam-se à perseguição de sua vingança dando o exemplo de pôr fim àquelas leis gerais a que todos podem procurar salvação na adversidade, ao invés de permitir que elas subsistam no dia de perigo em que sua ajuda será necessária.”
Tucídides, em A História da Guerra do Peloponeso, capítulo 10, livro terceiro.
Tradução minha da tradução em inglês de Richard Crawley.
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.

As crenças gnóstico-revolucionárias crêem conhecer a essência da história. Mas aqui há um problema que surge de imediato. A história, ou melhor o tempo, se estende para o futuro, e portanto a história não é uma coisa como uma pedra ou uma vaca cuja essência pode ser conhecida. Uma colega leitora do blog lançou a questão de que a verdade mudaria sempre. Respondi-lhe que ela tem razão em parte. Um ser humano carrega consigo caracteres que permitem identificá-lo mesmo com as mudanças de aparência provocadas pelo corte de cabelo ou por mudanças imperceptíveis como a troca de células de todo o corpo. Há uma forma ou essência que dá ordem àquele conjunto de moléculas e permitem a identificação. Nem o Michael Jackson escapa disso. Com a história isso não acontece. Muitos ideólogos creram ter descoberto o sentido da história, o rumo que ela está seguindo. Eles passam a interpretar toda a história de acordo com o sentido que teriam descoberto, ao invés de buscar sentido nos fatos que realmente aconteceram. E mais: ao enxergar um sentido único para a história, acabam com o fator cultura, que é exatamente a esfera das escolhas humanas. A história aconteceu de determinado modo, porém poderia ter acontecido de outro, fossem outras as escolhas. In limine, a ideologia conduz a loucuras totalitárias. O ideólogo da história acredita ser o portador da verdade histórica–veja leitora do blog, a verdade histórica não existe se a entendemos como o significado da história, só existe com referência aos fatos que já aconteceram e que não vão deixar de ter acontecido mesmo que algum tiranete obrigue a relevá-los ou negá-los– e por isso reúne todas as forças e meios vis para realizar o sentido que deu para a história. Hitler, mais modesto que Karl Marx, disse que o Terceiro Reich duraria mil anos. Durou doze. O barbudo alemão apostou que o Comunismo era o fim da história. É por isso que em Cuba, passados quarenta e cinco anos da revolução Cubana, o coma andante Fidel Castro disse que a revolução ainda estava em curso. O Comunismo é o paraíso, como o paraíso não chegou, a culpa é do sr. George Bush.
Por isso fico com meu Jesus Cristo: “Daquele dia e da hora, ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, somente o Pai.”
domingo, fevereiro 17, 2008
Revolução 2a parte
“(...)A Revolução portanto fez seu caminho de cidade em cidade, e os lugares onde chegou por último, de terem ouvido o que fora feito antes, levaram a um excesso ainda maior o refinamento de suas invenções, como manifestado na astúcia de suas iniciativas e na atrocidade de suas represálias. As palavras tinham que mudar seu significado ordinário e assumir aquele que lhes era dado agora. A audacidade temerária passou a ser considerada coragem de um leal aliado; hesitação prudente, covardia camuflada; a moderação foi considerada um disfarce para a fraqueza; a habilidade de enxergar todos os lados de uma questão, inaptidão para agir em algum deles. A violência desvairada tornou-se atributo da virilidade; a cuidadosa intriga, um meio justificado de auto-defesa. O advogado de medidas extremas era sempre confiável; seu oponente um homem de quem suspeitar. Para suceder numa intriga era requisito a cabeça astuta, para armar uma intriga uma mais astuta ainda; mas para tentar não precisar fazer qualquer uma das alternativas era necessário dissolver seu partido e então ficar com medo de seus adversários. Nos dias bons, evitar um futuro criminoso, ou sugerir a idéia de um crime onde ele era necessário, eram atitudes igualmente louváveis até que o próprio sangue se tornava um elo mais fraco que o do partido, pela presteza soberba daqueles unidos pelo partido a afrontar tudo sem reserva; pois tais associações não tinham em vista as bençãos derivadas de instituições estabelecidas mas eram formadas pela ambição de destruí-las; e a confiança de cada membro um no outro apoiava-se menos em alguma sanção religiosa do que na cumplicidade pelo crime. As propostas justas de um adversário eram recebidas com ciumentas precauções pelo mais forte dos dois, e não com uma confiança magnânima. A vingança também era mais bem considerada que a auto-preservação. Juras de reconciliação, proferidas por ambos os lados apenas como resposta a uma dificuldade imediata, só eram mantidas enquanto outra arma não estava a mão; mas quando a oportunidade surgia, aquele que primeiro se aventurava a agarrá-la e a surpreender a guarda do inimigo, imaginava essa vingança pérfida como mais doce do que uma vingança aberta, desde que, deixadas de lado as considerações de segurança, o sucesso pela traição rendia-lhe o triunfo da inteligência superior. De fato geralmente acontece de os homens considerarem os vigaristas mais inteligentes que honestos simplórios, e são tão envergonhados de serem o segundo como orgulhosos de serem o primeiro. A causa de todos esses males era a cobiça pelo poder nascendo da ganância e da ambição; e dessas paixões procedia a violência dos partidos ocupados na disputa. Os líderes nas cidades, cada qual munido com as confissões mais justas, de um lado com o brado da igualdade política do povo, do outro com o de uma aristocracia moderada, buscavam prêmios para si naqueles interesses públicos de que alegavam cuidar, e recaindo para a falta de meios nas suas lutas por ascensão entregavam-se aos mais tristes excessos; em seus atos de vingança foram a limites ainda maiores, não detendo-se ante o que a justiça ou o bem do estado requeria, porém fazendo do partido seu único critério no capricho do momento, e invocando com igual presteza a condenação de um veredicto injusto ou a autoridade da arma forte para saturar as animosidades do momento. Assim a religião não tinha lugar de honra em quaisquer dos partidos; mas o uso de frases justas para chegar a fins criminosos gozava de alta reputação. Enquanto isso o partido moderado dos cidadãos perecia entre os dois, seja por não entrar na disputa, seja porque a inveja não os deixava escapar.”
Tucídides, em A História da Guerra do Peloponeso, capítulo 10, livro terceiro.
Tucídides, em A História da Guerra do Peloponeso, capítulo 10, livro terceiro.
sexta-feira, fevereiro 15, 2008
Revolução 1a parte
“Os Peloponésios assim partiram com pressa à noite para casa, margeando a costa; e puxando seus navios ao lado do Istmo de Leucas, de modo a não serem vistos dobrando-o, desta forma partiram. Os Corciranos, conscientes da aproximação da frota Ateniense e da partida do inimigo, trouxeram os Messenianos de fora das muralhas para a cidadela, e ordenaram a frota que eles haviam tripulado a navegar em volta em direção ao porto Hilaico; e enquanto o estava fazendo, matou os inimigos conforme colocava as mãos neles, despachando em seguida, ao pô-los em terra, aqueles que persuadiram a subir a bordo dos navios. Em seguida foram ao santuário de Hera e convenceram cerca de cinqüenta homens a experimentarem seu teste, e os condenaram todos à morte. A massa dos suplicantes que se recusaram a fazê-lo, vendo o que estava acontecendo, mataram-se uns aos outros no solo consagrado; enquanto alguns se enforcavam nas árvores, e outros destruíam-se do modo que eram capazes. Durante os sete dias que Eurímedo permaneceu com seus sessenta navios, os Corciranos se dedicaram a assassinar aqueles de seus conterrâneos a quem consideravam seus inimigos: e embora o crime atribuído era o de tentar derrubar a democracia, alguns foram mortos por ódio privado, outros pelos devedores por causa do dinheiro que lhes deviam. A morte pois assolava de toda maneira; e, como freqüentemente acontece em tempos como este, não havia limites aonde a violência não chegava; os filhos eram mortos por seus pais, e suplicantes arrastados para fora do altar ou mortos lá mesmo; enquanto alguns eram até mesmo emparedados no templo de Dionísio e morriam ali.”
“Então o sangue era a marcha da revolução, e a impressão que causava era maior por ser a primeira a acontecer. Mais tarde, poder-se-ia dizer, todo o mundo Helênico estava em convulsão; lutas feitas em toda parte pelos chefes populares para trazer os Atenienses, e pelos Oligarcas para introduzir os Lacedemônios. Na paz não haveria nem o pretexto nem a vontade de fazer tal convite; mas na guerra, com uma aliança sempre no comando de quaisquer das facções para prejuízo dos adversários e sua vantagem correspondente, oportunidades para trazer o estrangeiro nunca faltavam aos partidos revolucionários. Os sofrimentos que a revolução impunha às cidades eram muitos e terríveis, como ocorreram e sempre ocorrerão enquanto a natureza da humanidade for esta; embora de uma forma mais severa ou menos severa, e variando nos sintomas, de acordo com a variedade dos casos particulares. Na paz e prosperidade, estados e indivíduos têm melhores sentimentos, porque não se encontram confrontados de modo repentino com necessidades imperiosas; mas a guerra acaba com a fácil provisão das necessidades diárias, e então prova-se uma mestra bruta, que conduz o caráter da maioria dos homens para um mesmo nível junto com suas fortunas(...)”
Tucídides, em A História da Guerra do Peloponeso, capítulo 10, livro terceiro.
“Então o sangue era a marcha da revolução, e a impressão que causava era maior por ser a primeira a acontecer. Mais tarde, poder-se-ia dizer, todo o mundo Helênico estava em convulsão; lutas feitas em toda parte pelos chefes populares para trazer os Atenienses, e pelos Oligarcas para introduzir os Lacedemônios. Na paz não haveria nem o pretexto nem a vontade de fazer tal convite; mas na guerra, com uma aliança sempre no comando de quaisquer das facções para prejuízo dos adversários e sua vantagem correspondente, oportunidades para trazer o estrangeiro nunca faltavam aos partidos revolucionários. Os sofrimentos que a revolução impunha às cidades eram muitos e terríveis, como ocorreram e sempre ocorrerão enquanto a natureza da humanidade for esta; embora de uma forma mais severa ou menos severa, e variando nos sintomas, de acordo com a variedade dos casos particulares. Na paz e prosperidade, estados e indivíduos têm melhores sentimentos, porque não se encontram confrontados de modo repentino com necessidades imperiosas; mas a guerra acaba com a fácil provisão das necessidades diárias, e então prova-se uma mestra bruta, que conduz o caráter da maioria dos homens para um mesmo nível junto com suas fortunas(...)”
Tucídides, em A História da Guerra do Peloponeso, capítulo 10, livro terceiro.
Pergunta que se quer calar

Político de um partido revolucionário discursava para uma atenta audiência:
“(...)Pois quando chegarmos ao poder, todo mundo vai poder comer sorvete de manga.”
Lá atrás, um rapaz levantou com humildade o dedo e perguntou:
“Mas siô dotô e quem não gosta de sorvete de manga?”
O político, então, arrematou:
“Meu filho, quando chegarmos ao poder, você vai gostar de sorvete de manga.”
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
Os números e a realidade
Ontem assisti a uma reportagem que dizia que o número de mortos por parada cardíaca no Brasil alcançava o número de 200.000 pessoas. O telespectador pode ficar alarmado com esse número. Mas será que essa é uma atitude inteligente? A reportagem não dizia qual seria um número razoável de mortos no universo dos quase 190 milhões de brasileiros. Faltou um termo de comparação. Sem ele, os números não dizem nada e podem trazer um alarme injustificado. A reportagem poderia dizer que em outros países o número de mortos por parada cardíaca por cem mil habitantes é tanto, e então comparar com a taxa brasileira. Mas sem um ponto de referência não podemos saber se os 200.000 brasileiros mortos por parada cardíaca são um número baixo, dentro da normalidade ou alto. As medidas em geral têm a característica de não bastar por si para descrever uma realidade. Por exemplo, pode-se dizer que o estado do Paraná é um estado grande, pois é maior do que países europeus como a Suiça por exemplo. Mas em comparação com o estado do Amazonas, o Paraná é um estado de médio porte. Também as sensações do frio e do calor têm essa característica. A temperatura que faz um alemão sentir frio é mais baixa que a temperatura que faz um carioca sentir frio. Grande, pequeno, frio, calor, precisam de um termo de comparação para fazerem sentido real. Quando se diz que uma pessoa é alta, deve-se entender que ela é mais alta que a maioria das pessoas dentro de um universo-pode ser falso ou verdadeiro o enunciado, mas seu sentido é esse. Dentro de outro universo, porém, talvez ela não fosse alta. Assim, certo mesmo é dizer que uma pessoa é mais alta que outra. O Oscar Schmidt é mais alto que o Pelé, isso é real, visível e inegável.
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Vida em condomínio e a justiça
Ontem o Fantástico apresentou uma reportagem sobre a legalidade da utilização da piscina do condomínio pelas babás. Só assisti ao final da reportagem, onde um casal de senhores considerava inconstitucional a proibição do uso da piscina pelas babás mesmo que a justiça dissesse que esse assunto deva ser tratado na reunião dos condôminos e decidido por cada condomínio. Ou seja, a justiça decide que os próprios moradores resolvam a questão. Não vou aqui dizer que o casal de senhores não tem o direito de afirmar que a decisão da justiça é inconstitucional, afinal a liberdade de expressão é um direito constitucional e portanto um direito 'forte' como aprendi na Argentina, mas também tenho o direito de simplesmenete ignorar o que o casal disse. Ah, justiça brasileira, até quando acertas és criticada? As próprias pessoas envolvidas na questão do seu dia-a-dia devem tentar resolver seus problemas. Bertrand de Jouvenal ressaltava a importância dos poderes intermediários da sociedade como contraponto ao poder avassalador do estado. Os clubes, condomínios, escolas, igrejas, associações de moradores formam uma rede de colaboração que ameniza e inibe a atuação estatal.
Uma coisa é óbvia: o juiz não mora no condomínio para saber as nuanças de uma situação que afeta os moradores. Pode-se objetar que o juiz também mora em um condomínio e portanto conhece a dinâmica dessa relação. Mas ele mora com outras pessoas, em outro lugar, e terá a chance de com elas decidir o que é melhor para o seu condomínio.
Alguém ainda poderia dizer que a justiça se omitiu por fraqueza ou por não saber o que fazer. Prudência não é fraqueza, a super intensidade emocional o é. Se a justiça apenas não sabia o que fazer, agiu bem de não se meter na questão. Mas talvez soubesse bem o que estava fazendo: reconhecendo sua menor capacidade de resolver um problema do que as pessoas que estão envolvidas diretamente com a questão.
Uma das conseqüencias da badalada 'constitucionalização do direito civil' é que agora qualquer questiúncula pode ser tachada de inconstitucional. Os senhores a quem a decisão legal desagradou não eram bacharéis em direito e mesmo assim asseveraram que a decisão era inconstitucional. Isso mostra que de uns anos para cá criou-se uma certa cultura de respeito à Constituição, como aliás o professor de direito constitucional Luiz Roberto Barroso gosta de ressaltar. Mas será que a Constituição merece esse respeito todo? A Constituição é um sistema que deriva proposições de axiomas. Os axiomas, segundo o dicionário Aurélio, são premissas imediatamente evidentes que se admitem como universalmente verdadeiras sem exigência de demonstração. 'A dignidade da pessoa humana' é um axioma. Mas pergunto eu: como resolver a questão das babás tendo em vista a dignidade da pessoa humana? Difícil não é mesmo? Certas questiúnculas fogem do guarda-chuva sistemático e devem ser resolvidas segundo a conveniência política do dia. O risco é que os axiomas e as proposições de direito se tornem “tubos vazios onde cada um coloca o que quer”, que é a definição mesma de fascismo para Pirandello.
Uma coisa é óbvia: o juiz não mora no condomínio para saber as nuanças de uma situação que afeta os moradores. Pode-se objetar que o juiz também mora em um condomínio e portanto conhece a dinâmica dessa relação. Mas ele mora com outras pessoas, em outro lugar, e terá a chance de com elas decidir o que é melhor para o seu condomínio.
Alguém ainda poderia dizer que a justiça se omitiu por fraqueza ou por não saber o que fazer. Prudência não é fraqueza, a super intensidade emocional o é. Se a justiça apenas não sabia o que fazer, agiu bem de não se meter na questão. Mas talvez soubesse bem o que estava fazendo: reconhecendo sua menor capacidade de resolver um problema do que as pessoas que estão envolvidas diretamente com a questão.
Uma das conseqüencias da badalada 'constitucionalização do direito civil' é que agora qualquer questiúncula pode ser tachada de inconstitucional. Os senhores a quem a decisão legal desagradou não eram bacharéis em direito e mesmo assim asseveraram que a decisão era inconstitucional. Isso mostra que de uns anos para cá criou-se uma certa cultura de respeito à Constituição, como aliás o professor de direito constitucional Luiz Roberto Barroso gosta de ressaltar. Mas será que a Constituição merece esse respeito todo? A Constituição é um sistema que deriva proposições de axiomas. Os axiomas, segundo o dicionário Aurélio, são premissas imediatamente evidentes que se admitem como universalmente verdadeiras sem exigência de demonstração. 'A dignidade da pessoa humana' é um axioma. Mas pergunto eu: como resolver a questão das babás tendo em vista a dignidade da pessoa humana? Difícil não é mesmo? Certas questiúnculas fogem do guarda-chuva sistemático e devem ser resolvidas segundo a conveniência política do dia. O risco é que os axiomas e as proposições de direito se tornem “tubos vazios onde cada um coloca o que quer”, que é a definição mesma de fascismo para Pirandello.
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
Aquecimento global
A China está passando pelo inverno mais rigoroso em cinqüenta anos. Ano passado nevou em Buenos Aires, fato que não acontecia há noventa anos.
Os metereologistas muitas vezes erram sobre a previsão de chuva no dia de amanhã. Por que depositar tanta confiança em cientistas que afirmam que a onda de aquecimento na Terra é causada pelo ser humano, sendo este um fenômeno muito mais complexo do que aquele? Há um vasto desejo de tornar o mundo num grande laboratório, onde tudo pode ser medido, explicado e alterado. Só esqueceram de contar para a natureza, que sem saber de nada, continuará funcionando com um fator chamado indeterminação. Certo tipo de homem pode ter tanto medo da natureza. Mais fácil seria se ele reconhecesse sua incapacidade estrutural de conhecer tudo e se abrisse confiante ao desconhecido. A despeito de querer mudar o mundo, o mundo é que está mudando o homem, cada dia mais burrinho e ambicioso (aqui no Brasil, nossa!). Lembra o personagem Cérebro do desenho animado Pinky e Cérebro, que todas as noites executa um plano para tentar dominar o mundo, os quais malogram invariavelmente, ao invés de bolar um plano mais modesto para escapar do laboratório. Ou o personagem Jack do seriado LOST, que tendo conseguido sair da ilha em que estava perdido agora não sabe como conduzir sua vida e quer voltar para lá. Um ratinho de laboratório voluntário é o que o homem vem se tornando. E falam tanto de liberdade... Mas a natureza humana, como a natureza de qualquer coisa, não muda, inventem as técnicas de manipulação comportamental que inventarem. O homem novo só pode existir desde uma perspectiva transcendental, que renova o espírito (lembrem o Cristo dizendo: “Eu torno todas as coisas novas”). Os credos de cunho escatológico imanentista, que inclui desde o Nacional Socialismo e o Comunismo até o liberalismo progressista de tipo anglo-saxão, o qual se diferencia daqueles pelo grau de moderação mas não na essência de pretender transformar a natureza humana, continuarão dando com os burros n'água, produzindo pelo caminho porém muita destruição e aflição geral.
E o aquecimento global? Ora, assista ao vídeo a seguir: A grande farsa do aquecimento global, produzido pela TV britânica.
O jornalista Jerry Carlson chegou a dar muita atenção à “New Little Ice Age” dos anos 30 aos 70, porém dados mais apurados mostraram se tratar de um pequeno ciclo aquele esfriamento. Nessa época havia políticos querendo controlar a emissão dos aerosóis poluentes, que estariam causando o esfriamento...
Aqui, o jornalista americano Glenn Beck apresenta Climate of fear.
Os metereologistas muitas vezes erram sobre a previsão de chuva no dia de amanhã. Por que depositar tanta confiança em cientistas que afirmam que a onda de aquecimento na Terra é causada pelo ser humano, sendo este um fenômeno muito mais complexo do que aquele? Há um vasto desejo de tornar o mundo num grande laboratório, onde tudo pode ser medido, explicado e alterado. Só esqueceram de contar para a natureza, que sem saber de nada, continuará funcionando com um fator chamado indeterminação. Certo tipo de homem pode ter tanto medo da natureza. Mais fácil seria se ele reconhecesse sua incapacidade estrutural de conhecer tudo e se abrisse confiante ao desconhecido. A despeito de querer mudar o mundo, o mundo é que está mudando o homem, cada dia mais burrinho e ambicioso (aqui no Brasil, nossa!). Lembra o personagem Cérebro do desenho animado Pinky e Cérebro, que todas as noites executa um plano para tentar dominar o mundo, os quais malogram invariavelmente, ao invés de bolar um plano mais modesto para escapar do laboratório. Ou o personagem Jack do seriado LOST, que tendo conseguido sair da ilha em que estava perdido agora não sabe como conduzir sua vida e quer voltar para lá. Um ratinho de laboratório voluntário é o que o homem vem se tornando. E falam tanto de liberdade... Mas a natureza humana, como a natureza de qualquer coisa, não muda, inventem as técnicas de manipulação comportamental que inventarem. O homem novo só pode existir desde uma perspectiva transcendental, que renova o espírito (lembrem o Cristo dizendo: “Eu torno todas as coisas novas”). Os credos de cunho escatológico imanentista, que inclui desde o Nacional Socialismo e o Comunismo até o liberalismo progressista de tipo anglo-saxão, o qual se diferencia daqueles pelo grau de moderação mas não na essência de pretender transformar a natureza humana, continuarão dando com os burros n'água, produzindo pelo caminho porém muita destruição e aflição geral.
E o aquecimento global? Ora, assista ao vídeo a seguir: A grande farsa do aquecimento global, produzido pela TV britânica.
O jornalista Jerry Carlson chegou a dar muita atenção à “New Little Ice Age” dos anos 30 aos 70, porém dados mais apurados mostraram se tratar de um pequeno ciclo aquele esfriamento. Nessa época havia políticos querendo controlar a emissão dos aerosóis poluentes, que estariam causando o esfriamento...
Aqui, o jornalista americano Glenn Beck apresenta Climate of fear.
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
Rolando Lero
Lição para o estudantado brasileiro: quando forem metidos e puxa-sacos, usem de garbo e elegância, pois além de não baixarem o nível, podem ainda conseguir arrancar risadas acolhedoras dos colegas (falo da vida real).
Abaixo, reportagem do Jornal Nacional na morte do saudoso Rogério Cardoso.
quarta-feira, janeiro 30, 2008
Os marcianos atacam

“O Planeta Terra tem 4 bilhôes e 600 milhões de anos.
Faça de conta que a Terra é uma pessoa com 46 anos de idade. Fazendo a conversão das escalas de tempo, teremos o seguinte quadro comparativo:
(...)
. Três dias antes de completar 46 anos, a Terra sofreu a última era glacial em todo o planeta.
. O homem moderno surgiu nas últimas quatro horas.
. Há apenas uma hora o homem descobriu a agricultura e se fixou à terra como sedentário.
. A revolução industrial ocorreu no último minuto.
. Nos 60 segundos seguintes, o homem conseguiu transformar um paraíso num lixo.
. Multiplicou-se como uma praga em todas as regiões, causando a extinção de mais de 500 espécies de animais, e devastou o planeta, à procura de combustíveis fósseis e riquezas minerais.
. Não medindo as conseqüencias, como a criança que só enxerga a si própria, já inviabilizou muitas formas de vida. Agora está afetando todo o conjunto, prejudicando a si próprio.
. Há apenas alguns poucos segundos, parte da humanidade começou a perceber que o problema mais sério a ser resolvido é restabelecer a harmonia com a natureza.”
.................
Isso foi extraído do livro de estudos para tirar a primeira habilitação, da seção Meio Ambiente. Quando digo que a ideologia ambiental é a mais forte que existe não posso estar falando bobagem. Eric Voegelin diria se tratar de uma teologia civil, a mais poderosa acrescento eu. A teologia civil são as crendices de massas (mass beliefs) presentes em toda e qualquer sociedade mas que em algumas ameaçam reduzir a vida da razão a enclaves sociais insignificantes ou até mesmo suprimí-la. A vida da razão é a vida do amor à sabedoria e da intentio animi para com Deus no sentido agostiniano, e que só alguns indivíduos, sempre minoria dentro de uma sociedade, realizam.
segunda-feira, janeiro 28, 2008
Farsa
O credor e a viúva na peça de TchekovO teatro Sesc Ginástico, na rua Graça Aranha, 187, aqui no Rio de Janeiro abrigou até domingo a peça Farsa, uma coletânea de quatro peças cômicas breves. Duas peças me chamaram atenção, O urso, de Tchekov (que se lê Tchêrrav em russo, tendo sido mal traduzido para o alfabeto latino), e Os ciúmes de um pedestre, de Martins Penna. Na primeira, um grosseiro fazendeiro exige que uma viúva pague as dívidas de seu marido e recusa-se a arredar pé de sua casa enquanto a dívida não for paga. Entre discussões e acusações contra as mulheres, o credor rude diz que chamaria a viúva para um duelo se ela não fosse mulher. A viúva indignada não se faz de rogada, e mesmo sem nunca ter manejado uma arma aceita o embate. O fazendeiro cheio de ódio no coração enxerga na viúva uma mulher com força e disposição para enfrentá-lo e cai de amores por ela. Na segunda peça, um capitão-do-mato se vê às voltas com a traição de sua esposa. Imaginando haver cometido crimes contra a esposa e seu amante o capitão-do-mato interna-se num convento. Nas duas peças, há a presença do homem durão e violento. A diferença é que na primeira o homem violento redime-se e na segunda ganha um prêmio de consolação. Tchekov se preocupa bastante com o homem violento da primeira peça enquanto Martins Penna utiliza o homem violento como bode expiatório. A peça de Tchekov é cheia de vai-e-vens, amores e ódio. Engraçadíssima. A peça de Martins Penna tira sua graça da tapeação do capitão-do-mato violento.
quinta-feira, janeiro 24, 2008
Zeus foi deposto, agora quem manda é o Turbilhão
Jacó briga com homemAlguém leu o artigo do Olavo de Carvalho de hoje no JB? É impressionante como algumas pessoas quando não gostam de alguma coisa fazem o máximo para vê-la completamente longe de si, e tentam cortar qualquer alusão à coisa em questão como se falar nela fosse tomar partido por ela ou defendê-la. No artigo anterior, Como ler a Bíblia, Olavo apenas ensinava a maneira com que se deve abordar o objeto de uma leitura, que é torná-lo parte de nossa imaginação, viver imaginativamente a história contada. No final do artigo, depois de falar das histórias ficcionais e das histórias de fatos reais, Olavo falou sobre a Bíblia, cujo personagem principal traz um complicador a mais, porque o próprio Deus está muito além de nossa imaginação. Durante a semana muitos ateus devem ter entendido o artigo como uma defesa de Deus. Ora, meu Deus do céu, absolutamente não foi isso que aconteceu. Ensinar alguém a tornar-se íntimo de um personagem não significa brigar pela existência dele. Essa gente parece que entende tudo como pró ou contra, como se estivessem num tribunal. Falar por exemplo no unicórnio, ou no Pinóquio, não significa dizer que eles existem de fato. Existem como personagens de ficção, e assim devem ser conhecidos. Se existem na realidade ou não, já é outra história. Da mesma forma, ao ler o Gênesis, é preciso imaginar Jacó brigando com um homem que depois veio dizer a ele tratar-se do próprio Deus que o estava provando. Imaginada essa situação, não significa pari passu que Deus existe, significa apenas que você conseguiu imaginar essa situação. Alguns ateus têm tanto pavor de Deus, que sequer se permitem pensar nele. Eles se tornam ateus militantes. Não querem nem ouvir falar de Deus que têm calafrios. Daqui a pouco a própria palavra Deus vão querer transfigurar para designar outro objeto qualquer, e não o Todo-Poderoso, ops, ops, nem fale nele, nem fale nele...
Quem acabou com a escravidão?

Escravos produzindo farinha
(Jean Victor-Frond)
por Dinesh D'Souza
Considere o ateu Sam Harris, que culpa o Cristianismo por apoiar a escravidão. Harris está com a razão quando diz que a escravidão existia entre os judeus do Antigo Testamento, e Paulo até orienta escravos a obedecerem seus mestres. Durante a Guerra Civil[1] ambos os lados citavam a Bíblia. Nós sabemos disso.
Mas a escravidão precedia o Cristianismo em centenas e até milênios de anos. Segundo lemos no trabalho do sociólogo Orlando Patterson, todas as culturas conhecidas tiveram escravidão. Por séculos, a escravidão não precisou de defensores porque não tinha críticos. Ateus que exaltam a Grécia Antiga e a Roma pré-cristã de algum modo parecem esquecer que aqueles impérios se baseavam na escravidão em larga escala.
O ateu Michael Shermer diz que os cristãos chegaram por último ao movimento contra a escravidão. Mas se isso é verdade, quem chegou primeiro? Não havia ninguém. Shermer provavelmente acredita que os cristãos só começaram a se opor a escravidão na era moderna.
Errado. A escravidão foi praticamente extinta da civilização ocidental – então chamada de Cristandade – entre os séculos quarto e décimo. As instituições escravocratas greco-romanas deram lugar à servidão. A servidão tem lá seus problemas mas ao menos o servo não é uma “ferramenta humana” e não pode ser comprado e vendido como uma propriedade. Então a escravidão foi abolida duas vezes no Ocidente, a primeira vez na era Medieval e depois novamente na era Moderna.
No sul dos Estados Unidos, o Cristianismo provou ser a consolação dos oprimidos. Como o historiador Eugene Genovese documenta em Roll, Jordan, Roll, quando os escravos negros buscaram dignidade durante a noite escura da escravidão, eles não a procuraram em Marco Aurélio ou David Hume; eles a procuraram na Bíblia. Quando buscaram esperança e inspiração para libertação, eles a encontraram não em Voltaire ou D’Holbach mas no Livro do Êxodo.
Os movimentos anti-escravistas liderados por Wilberforce na Inglaterra e abolicionistas na América eram dominados por cristãos. Eles acreditavam que como somos todos criados iguais aos olhos de Deus, ninguém tem o direito de subjugar outro sem o seu consentimento. Essa é a base moral não só da anti-escravidão mas da democracia.
Jefferson foi de algumas maneiras o menos ortodoxo e o mais cético dos Fundadores dos Estados Unidos da América. Mesmo assim quando condenou a escravidão se viu usando linguagem bíblica. Nas Notes on the State of Virginia Jefferson advertiu que aqueles que fossem escravizar pessoas deveriam refletir que “o Todo-Poderoso não tem qualquer atributo que possa servir para essa causa.” Jefferson acresentou, “E podem as liberdades de uma nação serem tidas por seguras quando retiramos sua única base firme, a convicção na mente das pessoas de que essas liberdades são o presente de Deus? Que elas não devem ser violadas causando sua ira? De fato eu tremo pelo meu país quando reflito que Deus é justo: que Sua justiça não pode adormecer para sempre.”
Mas não era Jefferson também um homem de ciência? Sim ele era, e foi com base na mais recente ciência de seus dias que Jefferson expressou suas convicções sobre a inferioridade negra. Citando as descobertas da ciência moderna, Jefferson notou que “há variedades na raça do homem, distinguidas por seus poderes tanto de corpo como de mente... como noto ser o caso com as raças de outros animais.” Aos negros, continuou Jefferson, faltam os poderes da razão que são evidentes nos brancos e até nos índios nativos. Enquanto os ateus de hoje gostam de posar como exemplos da dignidade, o olhar científico e cético de Jefferson contribuiu não para seus sentimentos anti-escravistas mas para seu racismo. De alguma forma Harris e Shermer falham em apontar isso.
No final permance o fato de que os únicos movimentos que se opuseram à escravidão foram mobilizados no Ocidente, e foram em sua maioria absoluta liderados e constituídos por cristãos. Infelizmente o Ocidente teve que usar a força para acabar com a escravidão em outras culturas, como o tráfico muçulmano de escravos na costa da África. Em alguns lugares a campanha para erradicar a escravidão continua.
Então quem acabou com a escravidão? Os cristão acabaram com a escravidão, enquanto todo mundo parou pelo caminho e olhou.
...
[1]N. do T. A Guerra Civil americana foi uma guerra de grandes proporções entre Estados do Norte contra Estados do Sul nos anos de 1861 a 1865 que resultou na morte de 970.000 pessoas.
Dinesh D'Souza é autor do livro What's so great about Christianity(O que há de tão formidável no Cristianismo). Sua página web pode ser acessada em dineshdsouza.com
tradução Daniel Lourenço.
terça-feira, janeiro 15, 2008
Reportagem sobre a China na GloboNews
O canal de Tv por assinatura Globo News está anunciando uma reportagem sobre a prosperidade da “economia socialista de mercado” e de sua emergente classe média. Considero uma falta de escrúpulos do jornalista ou de seu superior dentro da empresa, ou dos dois, em fazerem uma matéria sobre a China exaltando sua prosperidade econômica, que é restrita a algumas cidades, sem falarem na miséria que grassa no campo, como se a China tivesse de repente se tornado modelo de desenvolvimento para outros países, o Brasil por exemplo. Muita gente acredita nisso mesmo. Talvez algum intelequitual queira trabalhar na fábrica da Nike para ganhar um salário que dê para pagar o almoço. Mas isso não importa, o importante é que a China se ergueu e faz frente aos EUA.. Bom, a própria prosperidade chinesa, que é nada se comparada à miséria do país, é movida pelos investimentos de empresas ocidentais e americanas em particular.
Sobre a China, é importante também comentar sobre a proibição dos casais de terem mais de um filho, o que aliás faz com que o infanticídio cresça, pois famílias preferem ter apenas um filho macho e matam o bebê do sexo feminino. O Tibet parece estar saindo da moda, agora que até o líder do país, o sr. Dalai Lama, quer entregar os pontos para a ditadura comunista. De qualquer modo, o segundo líder espiritual do país, o décimo primeiro Panchem Lama, foi raptado pelo governo de Pequim e é o prisioneiro político mais jovem do planeta. A censura à Internet continua, claro.. O governo chinês até ensaiou a proibição de entrada de Bíblias no país, mas parece que a política não pegou, haja vista que em 2008 o país abrigará as Olimpíadas.
Sobre a China, é importante também comentar sobre a proibição dos casais de terem mais de um filho, o que aliás faz com que o infanticídio cresça, pois famílias preferem ter apenas um filho macho e matam o bebê do sexo feminino. O Tibet parece estar saindo da moda, agora que até o líder do país, o sr. Dalai Lama, quer entregar os pontos para a ditadura comunista. De qualquer modo, o segundo líder espiritual do país, o décimo primeiro Panchem Lama, foi raptado pelo governo de Pequim e é o prisioneiro político mais jovem do planeta. A censura à Internet continua, claro.. O governo chinês até ensaiou a proibição de entrada de Bíblias no país, mas parece que a política não pegou, haja vista que em 2008 o país abrigará as Olimpíadas.
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Indios Tabajaras
Os indios tabajaras tocam uma valsa de Chopin. Um celular malinha aparece no meio da música, mas nada que atrapalhe..
sexta-feira, janeiro 11, 2008
Confusão computadorizada
Thomas Sowell, sobre como os engenheiros de computador podem complicar nossas vidas. Aqui.
segunda-feira, janeiro 07, 2008
A filosofia de Sócrates
"Os medíocres vivem lúcidos
Somente eu aparento estar confuso"
(Lao-Tsé)
Acuado por opositores em julgamento que lhe poderia valer a morte, Sócrates contou a história de por que fazia perguntas incessantes às pessoas:
“O fato é, homens de Atenas, que adquiri essa reputação devido a nada além do que uma espécie de sabedoria. Que espécie de sabedoria é essa? Apenas a sabedoria humana. Talvez os homens de que estávamos falando sejam sábios em outra espécie de sabedoria, maior que a humana...”
“Não, não me interrompam, a palavra que falo sai da minha boca mas não fui eu em quem a disse, porém uma pessoa de peso: O próprio Oráculo de Delfos. Aqui está o irmão de Querofonte que não me deixa mentir. Ele pode testemunhar que seu irmão falecido foi a Delfos perguntar ao Oráculo se havia alguém mais sábio que eu. O Oráculo respondeu que não.”
“Ora, isso me deixou intrigado. 'O que será que esse deus quer dizer, como devo interpretar suas palavras? Pois sei que não sou sábio de modo algum. Mentindo o Oráculo não está, pois um deus não mente, mas então como ele pode ter declarado isso?' Fiquei espantado. Chegou o momento que decidi investigar o que o Oráculo dissera.”
“Fui conversar com uma dessas pessoas que as pessoas em geral dizem ser sábias. Minha intenção era descobrir alguém mais sábio que eu e então mostrar ao Oráculo que ele se enganara. Fui eu pois conversar com um homem, homem público de Atenas, e conversando com ele percebi que parecia bastante sábio para outras pessoas e até para si mesmo, mas não o era em realidade. Tentei-lhe então mostrar que pensava ser sábio sem o ser de verdade. Ele passou a me odiar, bem como muitas das pessoas ali reunidas. No caminho de volta fui pensando comigo mesmo: 'Esse homem pensa que é sábio, mas não é. Eu não sou sábio, nem penso que sou. Sou mais sábio que ele nesse respeito.”
“Segui minha jornada. Conversei com os poetas. Algumas poesias pareciam ser tão elaboradas que esperava encontrar neles a sabedoria que buscava. Para meu espanto, entretanto, os poetas não sabiam explicar bem a sua obra, e qualquer homem ali presente era capaz de explicá-la melhor que eles próprios. Então compreendi que o que os poetas compunham não o faziam por sabedoria, mas por uma inclinação natural e por uma inspiração do mesmo tipo que têm os profetas e as profetizas de oráculos, os quais também falam coisas magníficas, mas não têm idéia do que estão falando.”
“Por fim, entrevistei os artesãos. Pensava que ia encontrar homens que sabiam muitas coisas boas, e de fato não me decepcionei. Eles realmente sabiam muitas coisas boas. Porém, ó homens de Atenas, eles tinham o mesmo cacoete dos poetas. Porque praticavam bem a sua arte, criam ser muito sábios em todo e qualquer outro assunto.”
“Compreendi então o que o Oráculo dissera.”
......
Atualização de 11/08/2012.
Somente eu aparento estar confuso"
(Lao-Tsé)
Acuado por opositores em julgamento que lhe poderia valer a morte, Sócrates contou a história de por que fazia perguntas incessantes às pessoas:
“O fato é, homens de Atenas, que adquiri essa reputação devido a nada além do que uma espécie de sabedoria. Que espécie de sabedoria é essa? Apenas a sabedoria humana. Talvez os homens de que estávamos falando sejam sábios em outra espécie de sabedoria, maior que a humana...”
“Não, não me interrompam, a palavra que falo sai da minha boca mas não fui eu em quem a disse, porém uma pessoa de peso: O próprio Oráculo de Delfos. Aqui está o irmão de Querofonte que não me deixa mentir. Ele pode testemunhar que seu irmão falecido foi a Delfos perguntar ao Oráculo se havia alguém mais sábio que eu. O Oráculo respondeu que não.”
“Ora, isso me deixou intrigado. 'O que será que esse deus quer dizer, como devo interpretar suas palavras? Pois sei que não sou sábio de modo algum. Mentindo o Oráculo não está, pois um deus não mente, mas então como ele pode ter declarado isso?' Fiquei espantado. Chegou o momento que decidi investigar o que o Oráculo dissera.”
“Fui conversar com uma dessas pessoas que as pessoas em geral dizem ser sábias. Minha intenção era descobrir alguém mais sábio que eu e então mostrar ao Oráculo que ele se enganara. Fui eu pois conversar com um homem, homem público de Atenas, e conversando com ele percebi que parecia bastante sábio para outras pessoas e até para si mesmo, mas não o era em realidade. Tentei-lhe então mostrar que pensava ser sábio sem o ser de verdade. Ele passou a me odiar, bem como muitas das pessoas ali reunidas. No caminho de volta fui pensando comigo mesmo: 'Esse homem pensa que é sábio, mas não é. Eu não sou sábio, nem penso que sou. Sou mais sábio que ele nesse respeito.”
“Segui minha jornada. Conversei com os poetas. Algumas poesias pareciam ser tão elaboradas que esperava encontrar neles a sabedoria que buscava. Para meu espanto, entretanto, os poetas não sabiam explicar bem a sua obra, e qualquer homem ali presente era capaz de explicá-la melhor que eles próprios. Então compreendi que o que os poetas compunham não o faziam por sabedoria, mas por uma inclinação natural e por uma inspiração do mesmo tipo que têm os profetas e as profetizas de oráculos, os quais também falam coisas magníficas, mas não têm idéia do que estão falando.”
“Por fim, entrevistei os artesãos. Pensava que ia encontrar homens que sabiam muitas coisas boas, e de fato não me decepcionei. Eles realmente sabiam muitas coisas boas. Porém, ó homens de Atenas, eles tinham o mesmo cacoete dos poetas. Porque praticavam bem a sua arte, criam ser muito sábios em todo e qualquer outro assunto.”
“Compreendi então o que o Oráculo dissera.”
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Atualização de 11/08/2012.
Muitos comentaristas futebolísticos criticavam comentários de Pelé, o maior jogador de futebol de todos os tempos. Alguns, espantados, chegaram a se perguntar se ele não entendia de futebol. Ora, como pode ser isso?
No caso, Pelé seria como os poetas com que Sócrates conversou. Sabe jogar futebol, mas não saberia como se o faz.
sábado, dezembro 29, 2007
sexta-feira, dezembro 28, 2007
Um novo tipo de amor

Essa é uma mensagem para a oitava de Natal. O texto foi escrito por Dinesh D'Souza, que é autor do livro What's so Great About Christianity (O que há de tão formidável no Cristianismo), o qual pode ser adquirido na livraria virtual amazon.com. A página de Dinesh é dineshdsouza.com e já consta na seção de links ao lado.
....
Em seu belo livro Os quatro amores, C. S. Lewis descreve os quatro tipos distintos de amor. Três deles são universais e portanto familiares a todos. Primeiro há o STORGE ou amor familiar. Essa é a afeição que sentimos por parentes, vizinhos e as pessoas que convivem conosco. O amor entre pais e filhos provavelmente é o caso clássico de amor familiar. Curiosamente não escolhemos aqueles que serão objeto de amor familiar; por conseqüência, Storge nos introduz a pessoas com quem talvez não tivéssemos escolhido para conviver e cujas virtudes talvez jamais aprendamos a apreciar.
Segundo, há EROS ou o amor romântico. Tão poderosa é sua força que as pessoas feqüentemente se descrevem enamoradas[1], como se estivessem presas a uma força externa. Os personagens Paolo e Francesca de Dante buscam justificar seu adultério argumentando, de fato, que “Eros nos fez fazer isso.” O amor romântico parece encarnar uma espécie de altíssima moralidade que derruba as regras convencionais. O apelo de Eros é que ele nos dá aquela consciência momentânea de transcendência. Traz consigo a sugestão e até a explícita alegação de eternidade: “Eu sempre te amarei.” No entanto sabemos por experiência que Eros pode ser muito volúvel. Lewis escreve, “Eros é levado a prometer o que Eros não pode cumprir.”
A seguir há a FILIA ou amizade. A amizade não é um amor natural no sentido de que não necessitamos dela para sobreviver. Ao contrário dos pais e vizinhos, os amigos são realmente escolhidos. Os amigos não estão unidos muito por um interesse um no outro mas porque compartilham interesse em outra coisa: xadrez quem sabe ou a arte ou uma percepção comum daquilo que é importante na vida. Enquanto os amantes podem ser flagrados olhando intensamente um para o outro, os amigos podem ser flagrados lado a lado olhando intensamente na mesma direção.
Em seu máximo, argumenta Lewis, essas três formas de amor exigem de nós o mais alto compromisso. Cada um faz exigências que procura sobrepujar o outro e qualquer afeição competidora. Lewis mostra ainda que cada um contém severas limitações. O amor familiar pode ser tão forte a ponto de nos cegar para as necessidades dos outros fora desse atrativo círculo. Eros é um famoso mentiroso. A amizade pode se degenerar rapidamente em exclusividade mesquinha. Os três amores universais, escreve Lewis, devem ser integrados, reconciliados e governados por um quarto tipo de amor.
Esse amor é AGAPE ou a caridade. É o amor que temos para com aqueles que não são nada para nós. É o menos egoísta de todos os amores e também o menos natural. Simplesmente não há explicação darwinista sobre por que as pessoas se preocupam e procuram ajudar aqueles que são completos estranhos. Agape é quem mais se aproxima do amor de Deus por nós. Deus nos amou por nenhuma outra razão a não ser porque Ele escolheu nos amar. Nós somos chamados a experimentar e nos aproximar desse amor na maneira com que tratamos os outros. Nenhuma outra religião ensina Agape, que é uma invenção toda do Cristianismo. Pouco se dão conta as pessoas seculares de que quando fazem coisas boas que não as beneficiam de maneira alguma, estão agindo de acordo com o legado do Cristianismo.
Esse é o amor que o menino Jesus trouxe ao mundo, uns dois mil anos atrás. Ateus pugilistas como Richard Dawkins e Sam Harris brigam longe de Jesus, não acertando nele um golpe sequer e revelando no processo sua ríspida insignificância. De modo que se todas as pessoas - incluindo cristãos professos - tomassem com mais seriedade os ensinamentos de Cristo, e buscassem incorporar em suas vidas a virtude cristã por definição, Agape, não seria essa terra um lugar mais doce e amável?
...................................
[1] Nota do tradutor: no original, “in love”.
tradução de Daniel Lourenço
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Em seu belo livro Os quatro amores, C. S. Lewis descreve os quatro tipos distintos de amor. Três deles são universais e portanto familiares a todos. Primeiro há o STORGE ou amor familiar. Essa é a afeição que sentimos por parentes, vizinhos e as pessoas que convivem conosco. O amor entre pais e filhos provavelmente é o caso clássico de amor familiar. Curiosamente não escolhemos aqueles que serão objeto de amor familiar; por conseqüência, Storge nos introduz a pessoas com quem talvez não tivéssemos escolhido para conviver e cujas virtudes talvez jamais aprendamos a apreciar.
Segundo, há EROS ou o amor romântico. Tão poderosa é sua força que as pessoas feqüentemente se descrevem enamoradas[1], como se estivessem presas a uma força externa. Os personagens Paolo e Francesca de Dante buscam justificar seu adultério argumentando, de fato, que “Eros nos fez fazer isso.” O amor romântico parece encarnar uma espécie de altíssima moralidade que derruba as regras convencionais. O apelo de Eros é que ele nos dá aquela consciência momentânea de transcendência. Traz consigo a sugestão e até a explícita alegação de eternidade: “Eu sempre te amarei.” No entanto sabemos por experiência que Eros pode ser muito volúvel. Lewis escreve, “Eros é levado a prometer o que Eros não pode cumprir.”
A seguir há a FILIA ou amizade. A amizade não é um amor natural no sentido de que não necessitamos dela para sobreviver. Ao contrário dos pais e vizinhos, os amigos são realmente escolhidos. Os amigos não estão unidos muito por um interesse um no outro mas porque compartilham interesse em outra coisa: xadrez quem sabe ou a arte ou uma percepção comum daquilo que é importante na vida. Enquanto os amantes podem ser flagrados olhando intensamente um para o outro, os amigos podem ser flagrados lado a lado olhando intensamente na mesma direção.
Em seu máximo, argumenta Lewis, essas três formas de amor exigem de nós o mais alto compromisso. Cada um faz exigências que procura sobrepujar o outro e qualquer afeição competidora. Lewis mostra ainda que cada um contém severas limitações. O amor familiar pode ser tão forte a ponto de nos cegar para as necessidades dos outros fora desse atrativo círculo. Eros é um famoso mentiroso. A amizade pode se degenerar rapidamente em exclusividade mesquinha. Os três amores universais, escreve Lewis, devem ser integrados, reconciliados e governados por um quarto tipo de amor.
Esse amor é AGAPE ou a caridade. É o amor que temos para com aqueles que não são nada para nós. É o menos egoísta de todos os amores e também o menos natural. Simplesmente não há explicação darwinista sobre por que as pessoas se preocupam e procuram ajudar aqueles que são completos estranhos. Agape é quem mais se aproxima do amor de Deus por nós. Deus nos amou por nenhuma outra razão a não ser porque Ele escolheu nos amar. Nós somos chamados a experimentar e nos aproximar desse amor na maneira com que tratamos os outros. Nenhuma outra religião ensina Agape, que é uma invenção toda do Cristianismo. Pouco se dão conta as pessoas seculares de que quando fazem coisas boas que não as beneficiam de maneira alguma, estão agindo de acordo com o legado do Cristianismo.
Esse é o amor que o menino Jesus trouxe ao mundo, uns dois mil anos atrás. Ateus pugilistas como Richard Dawkins e Sam Harris brigam longe de Jesus, não acertando nele um golpe sequer e revelando no processo sua ríspida insignificância. De modo que se todas as pessoas - incluindo cristãos professos - tomassem com mais seriedade os ensinamentos de Cristo, e buscassem incorporar em suas vidas a virtude cristã por definição, Agape, não seria essa terra um lugar mais doce e amável?
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[1] Nota do tradutor: no original, “in love”.
tradução de Daniel Lourenço
quinta-feira, dezembro 27, 2007
Entrevista com Tom Jobim
Essa semana assisti a uma entrevista concedida pelo mestre Antonio Carlos Brasileiro Jobim nos seus 60 anos de idade. O repórter, talvez pensando que o músico se torna automaticamente um sábio por ser um ancião, fez-lhe perguntas sobre problemas atuais como desmatamento, guerra, e o músico não se fez de rogado, dando seus pitacos em tom levemente indignado, ao sabor carioca. Eis aí um homem sábio naquilo que sabe fazer, que é a música, opinando sobre aquilo que não sabe. Cena ruim de se ver.
A entrevista foi concedida em 1987. Compreende-se que nessa época as pessoas quisessem opinar sobre tudo e falar sobre qualquer coisa, pois haviam recém saído de um regime ditatorial.
O que não se aceita é que vinte anos depois esse desejo tenha crescido.
Essa idéia de que toda opinião tenha que ser respeitada é uma defesa contra o dever de buscar a verdade sem se acomodar com o sabido e de calar quando não se sabe. Mas o importante não é a opinião, e sim a verdade, entendida aqui como correspondência entre pensamento e realidade. Como a realidade não se transforma no pensamento, o pensamento tem que se transformar na realidade e isso exige um esforço contínuo de humildade, que é condição básica para o aprendizado seja do que for.
Ao invés de noticiar, jornalistas incitam os consumidores a tomar parte naquilo que estão mostrando, e o homem mal sabendo o que está acontecendo já se sente louco para “fazer algo a respeito.” É que não se trata de interpretar o mundo, mas de transformá-lo.
A entrevista foi concedida em 1987. Compreende-se que nessa época as pessoas quisessem opinar sobre tudo e falar sobre qualquer coisa, pois haviam recém saído de um regime ditatorial.
O que não se aceita é que vinte anos depois esse desejo tenha crescido.
Essa idéia de que toda opinião tenha que ser respeitada é uma defesa contra o dever de buscar a verdade sem se acomodar com o sabido e de calar quando não se sabe. Mas o importante não é a opinião, e sim a verdade, entendida aqui como correspondência entre pensamento e realidade. Como a realidade não se transforma no pensamento, o pensamento tem que se transformar na realidade e isso exige um esforço contínuo de humildade, que é condição básica para o aprendizado seja do que for.
Ao invés de noticiar, jornalistas incitam os consumidores a tomar parte naquilo que estão mostrando, e o homem mal sabendo o que está acontecendo já se sente louco para “fazer algo a respeito.” É que não se trata de interpretar o mundo, mas de transformá-lo.
domingo, dezembro 23, 2007
Dez anos do Indivíduo
O jornal eletrônico O Indivíduo completou 10 anos. Leia aqui o texto de Lucas Mafaldo que faz um balanço da influência da Internet na cultura brasileira. Está crescendo..
quinta-feira, dezembro 20, 2007
Liberais e conservadores
Vez ou outra utilizo o termo liberal contraposto ao de conservador, sem maiores explicações. Minha intenção é que os termos ganhem a mesma conotação que têm nos EUA, onde o liberal é o esquerdista, ou seja, aquele que defende o relativismo moral, e todas as implicações disso em políticas que vão desde a liberalização do aborto até a defesa do casamento de homossexuais, e o conservador é aquele que acredita que existem o certo e o errado, muito embora possa ser super difícil identificá-los na situação concreta. No Brasil o termo liberal se identifica em primeiro lugar com o defensor do livre-mercado, da tradição da economia clássica. Ocorre que não necessariamente, no entanto, um defensor do livre-mercado também acredita em valores morais, por isso a definição política de liberal é precária, dado faltar-lhe explicação sobre componente que é essencial no caráter político, qual seja, o componente moral (ou amoral).
Mais sobre o tema, e melhor explicado por homem da área de tradução, ver em http://www.pedrosette.com/2007/03/08/liberals-e-liberais-conservatives-e-conservadores/.
Mais sobre o tema, e melhor explicado por homem da área de tradução, ver em http://www.pedrosette.com/2007/03/08/liberals-e-liberais-conservatives-e-conservadores/.
segunda-feira, dezembro 17, 2007
Dez princípios conservadores.
por Russell Kirk, traduzido por Paulo Ricardo.
Clique aqui e baixe o texto.
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sábado, dezembro 08, 2007
Os EUA na Nova Ordem Mundial
Os EUA são o país onde a resistência à Nova Ordem Mundial se dá com mais intensidade. Embora hajam nascido nesse país diversos movimentos político-ideológicos contemporâneos, também nesse país se construiu a mais forte resistência a esses movimentos.
Quando a URSS se dissolveu, muitos analistas apontaram os EUA como a única superpotência do planeta, a que exerceria uma hegemonia sobre outras nações. Até mesmo o ultra perspicaz Olavo de Carvalho apontou os EUA como o novo Império. Na década de 90, porém, outros centros de poder consolidaram-se e passaram a exercer influência enorme. A ONU e entidades transnacionais como a União Européia pressionam governos a adotarem aquele rol de direitos citado no post anterior. Fundações bilionárias, as mais conhecidas dentre elas de origem americana, dão apoio financeiro a projetos relacionados. O Centro de Estudos e Pesquisas no Ensino do Direito (CEPED) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro foi fundado com apoio da Fundação Ford. Deve ser um dos motivos pelos quais minha ex-faculdade é tão liberal...
A origem de vários desses movimentos da Nova Era é americana. O feminismo, o ambientalismo, o movimento homossexual, se não tiveram suas origens nos EUA, ao menos tornaram-se bandeiras globais pelo barulho que fizeram nesse país. Por esse motivo muitas pessoas tomam os EUA como o criador da Nova Ordem Mundial. Essa idéia, porém, não é correta. Esses movimentos não são exatamente apoiados pela população. Na década de 70, a chamada “maioria silenciosa” já mostrava que não compartilhava desses valores relativistas elegendo o presidente Richard Nixon. Na década seguinte, a eleição do presidente Ronald Reagan tirou a “maioria silenciosa” do armário e o movimento conservador começou a ganhar força. Antes disso, autores conservadores como Russell Kirk e Eric Voegelin, entre outros, conquistavam o coração de estudantes sinceros. Ronald Reagan disse as seguintes palavras de Russell Kirk: “Como profeta do conservadorismo americano, Russell Kirk ensinou, estimulou e inspirou uma geração. Desde... Piety Hill, ele foi fundo nos valores americanos, escrevendo e editando trabalhos centrais de filosofia política. Sua contribuição intelectual foi um profundo ato de patriotismo. Aposto que no futuro seu trabalho continuará a exercer profunda influência na defesa de nossos valores e de nossa estimada civilização.”
Mês passado completaram-se 20 anos da publicação do livro “The closing of the american mind”, de Allan Bloom, que foi um marco na crítica à burrice universitária. Desde 1987, dois movimentos são bastante claros na sociedade americana. Por um lado, o Estado tem cada dia mais controle sobre a vida do cidadão. Por outro, no meio intelectual, a esquerda sofre derrotas atrás de derrotas. Christopher Hitchens não tem como discutir com Dinesh D' Souza a não ser apelando para um senso comum barato ao qual não falta cinismo. (ver o vídeo do debate entre os dois na página de Dinesh D' Souza, com link ao lado). O primeiro desses movimentos é o refexo político de décadas de domínio liberal da cultura, bem como das enormes somas de capital investidas pelas Fundações bilionárias. A reação a esse movimento pode ser ilustrada pelo convite feito pela American Family Association, organização conservadora americana, a boicotar os produtos da Ford, o que resultou, dentre outras causas, em queda vertiginosa no faturamento dessa empresa. O mais importante evento, no entanto, foi o surgimento dessa geração fantástica de jornalistas e escritores, que inclui Ann Coulter, Thomas Sowell, Sean Hannity - e vários outros que o autor conhece só de nome, os quais desmascaram uma a uma as artimanhas de políticos desejosos de exercer controle enorme sobre a vida do homem. Até George W. Bush não escapa da mira desses jornalistas. Se você acredita que ele é direitista, passe a ler os artigos dessa turma da pesada. Mais do que a guerra contra o Iraque, o presidente George W. Bush talvez entre para a história como o homem que permitiu o fim da soberania e identidade americanas, dissolvendo-as numa entidade transnacional chamada North American Union, que é um arremedo de União Européia para a América do Norte.
Olavo de Carvalho já disse que precisaria reescrever o capítulo de seu livro em que aponta os EUA como o novo Império. Ele tem razão. Os EUA são a bucha de canhão da Nova Ordem Mundial. A própria hegemonia americana é usada como forma de aumentar o poder do Concerto das Nações. Eu imagino se a Inglaterra do século XIX aceitaria discutir assuntos polêmicos com Brasil, China, Japão..
Presidentes dos EUA confusos aceitam políticas que vão de encontro aos valores mais americanos. A Nova Ordem Mundial é uma época de desordem.
Quando a URSS se dissolveu, muitos analistas apontaram os EUA como a única superpotência do planeta, a que exerceria uma hegemonia sobre outras nações. Até mesmo o ultra perspicaz Olavo de Carvalho apontou os EUA como o novo Império. Na década de 90, porém, outros centros de poder consolidaram-se e passaram a exercer influência enorme. A ONU e entidades transnacionais como a União Européia pressionam governos a adotarem aquele rol de direitos citado no post anterior. Fundações bilionárias, as mais conhecidas dentre elas de origem americana, dão apoio financeiro a projetos relacionados. O Centro de Estudos e Pesquisas no Ensino do Direito (CEPED) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro foi fundado com apoio da Fundação Ford. Deve ser um dos motivos pelos quais minha ex-faculdade é tão liberal...
A origem de vários desses movimentos da Nova Era é americana. O feminismo, o ambientalismo, o movimento homossexual, se não tiveram suas origens nos EUA, ao menos tornaram-se bandeiras globais pelo barulho que fizeram nesse país. Por esse motivo muitas pessoas tomam os EUA como o criador da Nova Ordem Mundial. Essa idéia, porém, não é correta. Esses movimentos não são exatamente apoiados pela população. Na década de 70, a chamada “maioria silenciosa” já mostrava que não compartilhava desses valores relativistas elegendo o presidente Richard Nixon. Na década seguinte, a eleição do presidente Ronald Reagan tirou a “maioria silenciosa” do armário e o movimento conservador começou a ganhar força. Antes disso, autores conservadores como Russell Kirk e Eric Voegelin, entre outros, conquistavam o coração de estudantes sinceros. Ronald Reagan disse as seguintes palavras de Russell Kirk: “Como profeta do conservadorismo americano, Russell Kirk ensinou, estimulou e inspirou uma geração. Desde... Piety Hill, ele foi fundo nos valores americanos, escrevendo e editando trabalhos centrais de filosofia política. Sua contribuição intelectual foi um profundo ato de patriotismo. Aposto que no futuro seu trabalho continuará a exercer profunda influência na defesa de nossos valores e de nossa estimada civilização.”
Mês passado completaram-se 20 anos da publicação do livro “The closing of the american mind”, de Allan Bloom, que foi um marco na crítica à burrice universitária. Desde 1987, dois movimentos são bastante claros na sociedade americana. Por um lado, o Estado tem cada dia mais controle sobre a vida do cidadão. Por outro, no meio intelectual, a esquerda sofre derrotas atrás de derrotas. Christopher Hitchens não tem como discutir com Dinesh D' Souza a não ser apelando para um senso comum barato ao qual não falta cinismo. (ver o vídeo do debate entre os dois na página de Dinesh D' Souza, com link ao lado). O primeiro desses movimentos é o refexo político de décadas de domínio liberal da cultura, bem como das enormes somas de capital investidas pelas Fundações bilionárias. A reação a esse movimento pode ser ilustrada pelo convite feito pela American Family Association, organização conservadora americana, a boicotar os produtos da Ford, o que resultou, dentre outras causas, em queda vertiginosa no faturamento dessa empresa. O mais importante evento, no entanto, foi o surgimento dessa geração fantástica de jornalistas e escritores, que inclui Ann Coulter, Thomas Sowell, Sean Hannity - e vários outros que o autor conhece só de nome, os quais desmascaram uma a uma as artimanhas de políticos desejosos de exercer controle enorme sobre a vida do homem. Até George W. Bush não escapa da mira desses jornalistas. Se você acredita que ele é direitista, passe a ler os artigos dessa turma da pesada. Mais do que a guerra contra o Iraque, o presidente George W. Bush talvez entre para a história como o homem que permitiu o fim da soberania e identidade americanas, dissolvendo-as numa entidade transnacional chamada North American Union, que é um arremedo de União Européia para a América do Norte.
Olavo de Carvalho já disse que precisaria reescrever o capítulo de seu livro em que aponta os EUA como o novo Império. Ele tem razão. Os EUA são a bucha de canhão da Nova Ordem Mundial. A própria hegemonia americana é usada como forma de aumentar o poder do Concerto das Nações. Eu imagino se a Inglaterra do século XIX aceitaria discutir assuntos polêmicos com Brasil, China, Japão..
Presidentes dos EUA confusos aceitam políticas que vão de encontro aos valores mais americanos. A Nova Ordem Mundial é uma época de desordem.
quarta-feira, dezembro 05, 2007
O Brasil na Nova Ordem Mundial
O Brasil é o país que se adequou perfeitamente ao projeto da Nova Ordem Mundial. Desde que George Bush o anunciou, pouco antes de a cidade do Rio de Janeiro receber a Eco-92, o Brasil vem adotando um a um os programas da ONU sobre direitos sexuais, ambientais, raciais, indígenas e outros - sem querer discriminar esse OUTROS, é que o autor dessas linhas não consegue lembrá-los agora.
O ambientalismo talvez seja a ideologia que mais forte toca o coração das pessoas. Inteligente articulista do site Mídia sem Máscara comparou o projeto TAMAR com o projeto de legalizar o aborto, chamando-o, em feliz trocadilho, de projeto MATAR. Não se toca nos ovos de tartaruga, porém o feto humano pode ser cortado com tezoura e jogado em um balde. Aquecimento global é quase um mantra, muito embora aqui e ali vozes se levantem para dizer que talvez esse seja apenas um ciclo passageiro, como o de ligeiro esfriamento global nos anos 50, o qual o jornal NY Times anunciava então com estardalhaço..
A Nova Ordem Mundial é a ordem da liberdade irrestrita. Faz-se o que quer, e ninguém tem nada com isso. Nessa era em que só se fala de democracia, seria bom voltar a ler o velho mestre Platão, cujas advertências sobre os riscos da liberdade irrestrita são bastante atuais... Traduzo do livro VIII de A República: "E a sua humanidade para com os condenados não chega a ser charmosa? Você não reparou que, em uma democracia, muitas pessoas, embora tenham sido sentenciadas à morte ou ao exílio, continuam no lugar que estão e caminham livres e soltas - os cavalheiros posam de heróis, e ninguém repara ou se importa?"
Nenhuma sociedade bem organizada se funda na idéia de liberdade, mas na de virtude. A liberdade irrestrita, o relativismo, e o ateísmo militante invariavelmente conduzem à tirania.
O ambientalismo talvez seja a ideologia que mais forte toca o coração das pessoas. Inteligente articulista do site Mídia sem Máscara comparou o projeto TAMAR com o projeto de legalizar o aborto, chamando-o, em feliz trocadilho, de projeto MATAR. Não se toca nos ovos de tartaruga, porém o feto humano pode ser cortado com tezoura e jogado em um balde. Aquecimento global é quase um mantra, muito embora aqui e ali vozes se levantem para dizer que talvez esse seja apenas um ciclo passageiro, como o de ligeiro esfriamento global nos anos 50, o qual o jornal NY Times anunciava então com estardalhaço..
A Nova Ordem Mundial é a ordem da liberdade irrestrita. Faz-se o que quer, e ninguém tem nada com isso. Nessa era em que só se fala de democracia, seria bom voltar a ler o velho mestre Platão, cujas advertências sobre os riscos da liberdade irrestrita são bastante atuais... Traduzo do livro VIII de A República: "E a sua humanidade para com os condenados não chega a ser charmosa? Você não reparou que, em uma democracia, muitas pessoas, embora tenham sido sentenciadas à morte ou ao exílio, continuam no lugar que estão e caminham livres e soltas - os cavalheiros posam de heróis, e ninguém repara ou se importa?"
Nenhuma sociedade bem organizada se funda na idéia de liberdade, mas na de virtude. A liberdade irrestrita, o relativismo, e o ateísmo militante invariavelmente conduzem à tirania.
terça-feira, dezembro 04, 2007
segunda-feira, dezembro 03, 2007
Notas sobre A República de Platão
Mais do que o desenho que faz do Estado em A República, é importante notar em Platão sua idéia de fundo de sociedade. Há pessoas que consideram Platão um tirano, mas essa é uma visão muito superficial. Algumas frases de A República são significativas para derrubar essa tese. Quando, ao ser perguntado por seu interlocutor se o guardião não rejeitaria a vida contrita que lhe é designada tornando-se um tirano, Sócrates - o personagem-voz de Platão no livro - responde, citando Hesíoso, que a "metade é melhor que o todo", ou seja, que viver as paixões com parcimônia é melhor que vivê-las desregradamente. Essa frase indica que Platão não acreditava nesse Estado modelo de uma forma utópica, muito menos imposta, mas demonstra que Platão lamenta que o guardião - o governante - possa abandonar a vida contrita feliz que tem para tiranizar os governados, tornano-se ao final infeliz também. De nada adianta todo o desenho constitucional do Estado se o guardião não estiver disposto a levar uma vida contrita. É coisa a se lamentar apenas, pois fará mal a si mesmo e à cidade. Platão sabe que a lei é feita para os homens. Uma lei boa não faz um homem bom. Ao contrário, o homem bom faz a lei boa. De forma intuitiva talvez, Platão prescreveu uma lei fundamental de conduta ao guardião a qual é a tentativa de captar a lei moral que rege o coração do grande homem, e que só esse pode conhecer. O grande homem é que ele chama de o guardião.
sábado, novembro 24, 2007
Domingo com poesia
Vale a pena ler o último Domingo com poesia de Pedro Sette Câmara (ver link ao lado). O homenageado é Bruno Tolentino, a um ano de seu último aniversário.
Não dá para não se encantar com o poema O segredo, do livro As horas de Katharina.
Não dá para não se encantar com o poema O segredo, do livro As horas de Katharina.
A educação liberal e a educação brasileira
por Daniel Lourenço
A educação liberal constitui-se dos famosos 3R's no inglês: "reading", "writing", "arithmetics". Ler, escrever e contar são os fundamentos de qualquer educação que se pretenda verdadeira. Relegar esse aprendizado a um segundo plano ou igualá-lo ao aprendizado de técnicas profissionalizantes é o erro por trás do emburrecimento de uma população.
Muito se tem falado no Brasil de inclusão digital. O governo quer que as escolas tenham computadores para que os estudantes estejam preparados a usar essas máquinas no mercado de trabalho. Preparar um estudante para mexer com computadores não é ruim, desde que não se esqueça do que é fundamental. Quem sabe ler e escrever bem tem muito mais capacidade de aprender novidades do que quem que não sabe. A técnica de usar computadores será aprendida de uma forma ou de outra durante a vida. Apenas demonstra o desinteresse pela formação humana a preocupação excessiva com esse aprendizado. Assim, não espanta que o Brasil ocupe os últimos lugares nas competições internacionais de estudantes.
Outro ponto bastante discutido é a educação através do esporte. Comenta-se que o esporte tira crianças da rua e que ensina valores como lealdade e competição. Mais uma vez há um desvio de foco do que é principal. Não se trata de condenar a educação física, mas de dar-lhe o seu devido lugar. Até grandes esportistas que ganharam salários bastante altos puderam encerrar suas carreiras em dificuldades financeiras por não saberem administrar seu dinheiro. Isso em parte porque não aprenderam a fazer contas direito.
Por fim, a política de passar de série o aluno independente de seu rendimento acadêmico tende a ser desastrosa. Alunos bons e talentosos ver-se-ão desprestigiados e desmotivados, como se já não bastasse o Presidente da República orgulhar-se de não gostar de ler.
O cenário da educação brasileira não é promissor. A ênfase dada a aspectos secundários é um erro, sem falar na ideologização do ensino. Um país não se faz apenas de profissionais, mas de homens em primeiro lugar. A educação liberal clássica cria esses homens.
A educação liberal constitui-se dos famosos 3R's no inglês: "reading", "writing", "arithmetics". Ler, escrever e contar são os fundamentos de qualquer educação que se pretenda verdadeira. Relegar esse aprendizado a um segundo plano ou igualá-lo ao aprendizado de técnicas profissionalizantes é o erro por trás do emburrecimento de uma população.
Muito se tem falado no Brasil de inclusão digital. O governo quer que as escolas tenham computadores para que os estudantes estejam preparados a usar essas máquinas no mercado de trabalho. Preparar um estudante para mexer com computadores não é ruim, desde que não se esqueça do que é fundamental. Quem sabe ler e escrever bem tem muito mais capacidade de aprender novidades do que quem que não sabe. A técnica de usar computadores será aprendida de uma forma ou de outra durante a vida. Apenas demonstra o desinteresse pela formação humana a preocupação excessiva com esse aprendizado. Assim, não espanta que o Brasil ocupe os últimos lugares nas competições internacionais de estudantes.
Outro ponto bastante discutido é a educação através do esporte. Comenta-se que o esporte tira crianças da rua e que ensina valores como lealdade e competição. Mais uma vez há um desvio de foco do que é principal. Não se trata de condenar a educação física, mas de dar-lhe o seu devido lugar. Até grandes esportistas que ganharam salários bastante altos puderam encerrar suas carreiras em dificuldades financeiras por não saberem administrar seu dinheiro. Isso em parte porque não aprenderam a fazer contas direito.
Por fim, a política de passar de série o aluno independente de seu rendimento acadêmico tende a ser desastrosa. Alunos bons e talentosos ver-se-ão desprestigiados e desmotivados, como se já não bastasse o Presidente da República orgulhar-se de não gostar de ler.
O cenário da educação brasileira não é promissor. A ênfase dada a aspectos secundários é um erro, sem falar na ideologização do ensino. Um país não se faz apenas de profissionais, mas de homens em primeiro lugar. A educação liberal clássica cria esses homens.
quarta-feira, novembro 21, 2007
Da bondade no homem
"Até que você atinja os níveis do Paraíso, a bondade será sempre mais uma busca do que uma posse, mais um objetivo do que uma experiência de obtenção."
No homem, pelo menos aqui no espaço-tempo, a bondade parece mais um deixar-se fazer do que um fazer efetivo. É como ficar feliz por algo que você nem sabe direito como aconteceu, e aconteceu através de você.
Por isso não consigo acreditar muito em responsabilidade social, campanhas disso ou daquilo. Parece-me mais um modo de a pessoa dar um pouco de seu dinheiro e esquecer-se do resto.
No homem, pelo menos aqui no espaço-tempo, a bondade parece mais um deixar-se fazer do que um fazer efetivo. É como ficar feliz por algo que você nem sabe direito como aconteceu, e aconteceu através de você.
Por isso não consigo acreditar muito em responsabilidade social, campanhas disso ou daquilo. Parece-me mais um modo de a pessoa dar um pouco de seu dinheiro e esquecer-se do resto.
quinta-feira, novembro 15, 2007
Desculpas
Por falta de atenção, não notei que hoje é dia de Proclamação da República. Creio que o humor do post anterior seria cabível em outra data, não hoje. Peço desculpas.
Por qué no te callas?
Depois das últimas manifestações de Lula sobre o cala-boca de Chavez, eu tenho uma proposta: que voltemos ao sistema político da União Ibérica e o Brasil seja governado pelo rei Juan Carlos.
quarta-feira, novembro 14, 2007
Revolução russa
Indico o site http://www.revolucaorussa.org/. O texto Tinta vermelha, capítulo do livro Tragédia de um povo, de Orlando Figes, é excelente.
domingo, novembro 11, 2007
História e ação do cinema
por Daniel Lourenço
Desde seu início, o cinema tem sido considerado a sétima arte. Os efeitos do cinema no imaginário popular são reais, e ele chega inclusive a ser usado por governos totalitários desejosos de amoldar o imaginário coletivo à sua ideologia.
O cinema se estabeleceu durante os anos 20 e 30. Nesse período grandes diretores como Fritz Lang e F. W. Murnau produziram verdadeiras obras-primas. Pessoas que jamais compreenderiam a loucura satânica de um Dr. Mabuse lendo tratados de psicologia clínica agora podiam entender sua ação perigosa sobre a sociedade em apenas duas horas. Ou ainda, crianças e jovens que ouviam as histórias do Conde Drácula, ratificavam seus temores com a forte impressão deixada pelo filme Nosferatu. Casais em crise podiam enxergar no filme Aurora um farol de esperança.
No entanto, o cinema não produziu apenas histórias edificantes. Ele também foi usado por pessoas sem escrúpulos que tentavam introduzir mentiras na sociedade. Os cinemas soviético e nazista são exemplos patentes disso. Até mesmo nos EUA, durante as décadas de 40 e 50 sobretudo, houve uma série manipulação da arte por comunistas. Fato curioso foi o filme Tropa de elite, sucesso absoluto no Brasil, que arrebatou uma legião de fãs. O filme foi produzido por dois diretores que, a julgar pelas entrevistas que concederam, são esquerdistas; o filme, porém, é o mais anti-esquerdista que já houve nesse país. Às vezes a retórica e a intenção dos diretores cedem espaço ao turbilhão de imagens reais produzidas, e o filme ganha um contexto bem diferente do que foi pretendido.
O cinema é uma novidade na história da humanidade. Ele existe desde o século XX. Seu apelo imaginativo e facilidade de acesso - que o teatro infelizmente não possue - dão à arte um poderoso meio de formar o imaginário coletivo e seus efeitos, para o bem e para o mal, são reais, embora nem sempre evidentes.
Desde seu início, o cinema tem sido considerado a sétima arte. Os efeitos do cinema no imaginário popular são reais, e ele chega inclusive a ser usado por governos totalitários desejosos de amoldar o imaginário coletivo à sua ideologia.
O cinema se estabeleceu durante os anos 20 e 30. Nesse período grandes diretores como Fritz Lang e F. W. Murnau produziram verdadeiras obras-primas. Pessoas que jamais compreenderiam a loucura satânica de um Dr. Mabuse lendo tratados de psicologia clínica agora podiam entender sua ação perigosa sobre a sociedade em apenas duas horas. Ou ainda, crianças e jovens que ouviam as histórias do Conde Drácula, ratificavam seus temores com a forte impressão deixada pelo filme Nosferatu. Casais em crise podiam enxergar no filme Aurora um farol de esperança.
No entanto, o cinema não produziu apenas histórias edificantes. Ele também foi usado por pessoas sem escrúpulos que tentavam introduzir mentiras na sociedade. Os cinemas soviético e nazista são exemplos patentes disso. Até mesmo nos EUA, durante as décadas de 40 e 50 sobretudo, houve uma série manipulação da arte por comunistas. Fato curioso foi o filme Tropa de elite, sucesso absoluto no Brasil, que arrebatou uma legião de fãs. O filme foi produzido por dois diretores que, a julgar pelas entrevistas que concederam, são esquerdistas; o filme, porém, é o mais anti-esquerdista que já houve nesse país. Às vezes a retórica e a intenção dos diretores cedem espaço ao turbilhão de imagens reais produzidas, e o filme ganha um contexto bem diferente do que foi pretendido.
O cinema é uma novidade na história da humanidade. Ele existe desde o século XX. Seu apelo imaginativo e facilidade de acesso - que o teatro infelizmente não possue - dão à arte um poderoso meio de formar o imaginário coletivo e seus efeitos, para o bem e para o mal, são reais, embora nem sempre evidentes.
quinta-feira, novembro 08, 2007
Sociopatia e revolução
por Olavo de Carvalho
publicado no Diário do comércio em 23 de outubro de 2006
Com toda a sua presunção e arrogância, a ciência social moderna não conseguiu produzir nenhuma descoberta que se aproximasse, em exatidão e força explicativa, da doutrina hindu das quatro castas, da qual a concepção marxista da luta de classes é uma imitação caricatural e remota, daí derivando a impressão de veracidade que possa exercer sobre a mente simplória do "proletariado intelectual" universitário.
É impossível, a quem tenha se dado o trabalho de estudar um pouco a explicação hinduísta do processo histórico, observar a seqüência das estruturas de poder que se sucedem ao longo da história ocidental sem notar que ela repete ipsis litteris a transição do governo brâhmana para o kshatryia, deste para o váishyia e deste para o desgoverno shudra e para a confusão dos párias que prenuncia ou o fim da sociedade ou o retorno à ordem inicial.
Vou aqui resumir brevemente essa doutrina, não como ela é em sua pura formulação originária, mas na adaptação que lhe dei, em cursos e conferências proferidos desde 1980, para torná-la mais flexível como instrumento explicativo de processos histórico-culturais mais recentes.
Os brâhmana são a casta intelectual, voltada à busca do conhecimento espiritual e à construção de uma ordem social que reflita mais ou menos a "vontade de Deus" – as leis que determinam a estrutura inteira da realidade.
Os kshatryia são os guerreiros e aristocratas, que sobrepõem à estrutura da realidade a glorificação das suas próprias tradições dinásticas e a expansão do seu poder militar.
Os váishyia são os burgueses e comerciantes. Buscam em tudo o lucro e a eficácia econômica, que tomam ilusoriamente como um poder efetivo, ignorando as bases militares e espirituais da sociedade e terminando por ser rapidamente destruídos pelos shudra. Estes são os "proletários", no sentido romano do termo. Incapazes de governar-se a si mesmos, importam somente pelo poder do número, pela extensão quantitativa da "prole".
Os brâhmana caem pela sua dificuldade de manter-se fiéis à intuição espiritual originária, esfarelada entropicamente em confrontações doutrinais de um artificialismo sufocante, cada vez mais insolúveis e violentas.
A ascensão do poder aristocrático, com a formação dos modernos Estados nacionais, nasceu diretamente da necessidade de apaziguar os conflitos religiosos por meio de uma força externa, político-militar.
O governo kshatryia cai porque o establishment aristocrático-militar é um poder essencialmente centralizador e expansionista, que tem de se apoiar numa burocracia crescente cujos funcionários ele próprio não pode continuar fornecendo indefinidamente e que ele colherá, portanto, entre os membros mais talentosos das duas castas inferiores, aos quais dará o adestramento necessário para o exercício de suas novas funções administrativas, judiciais, diplomáticas etc. Daí nasce a "intelectualidade" moderna, como subproduto de um sistema de ensino voltado à formação de funcionários para o Estado. Por outro lado, tão logo a burocracia se consolida como meio de ascensão social, os candidatos a ela são sempre em número maior do que os cargos disponíveis, ao mesmo tempo que o ensino, sendo ele próprio um instrumento de seleção, tem necessariamente de atingir um círculo maior de alunos do que aqueles aos quais pode garantir um cargo no funcionalismo público. A burocracia com que o Estado kshatryia controla a sociedade torna-se assim uma bomba de efeito retardado. De um lado, não é preciso dizer que a intelectualidade burocrática logo tem em suas mãos o controle efetivo do Estado, sonhando em sacudir de seus ombros o jugo de uma casta aristocrática cada vez mais ociosa e dispendiosa. De outro lado, há a multidão dos rejeitados. Suas ambições foram despertadas pelo ensino, frustradas pela seleção profissional. Eles formam o contingente daquilo que denominei "burocracia virtual" – o exército crescente daqueles indivíduos relativamente adestrados, mas sem função. Seu único lugar possível na sociedade é dentro do Estado, mas o Estado não tem lugar para eles. Eles são a classe revolucionária por excelência, o personagem central da aventura moderna. Não demorarão a sonhar com um Estado amoldado às suas necessidades. Enquanto não conseguem criá-lo, ocupam-se de tagarelar infindavelmente sobre todos os assuntos, espalhando por toda a sociedade seu rancor e suas frustrações e, sobretudo, adornando-se usurpatoriamente do prestígio dos antigos brâhmana, dos quais constituem a caricatura invertida. Os "intelectuais" são o clero leigo da Revolução. Se vocês já ouviram falar em PT, sabem do que estou falando. Mais adiante voltarei a isso.
Por outro lado, o Estado aristocrático custa caro e não pode se manter indefinidamente com os recursos de uma economia agrária tradicional e simplória; a expansão econômica requer a mobilização de capacidades específicas que são as dos váishyia. Os banqueiros e industriais fornecem a nova base econômica do Estado, arregimentando a mão-de-obra shudra em proporções jamais sonhadas antes e substituindo à antiga economia agrária o moderno capitalismo.
É nesse momento – e só sob esse aspecto – que a diferença entre dois sistemas de propriedade dos meios de produção se torna determinante historicamente, criando uma situação peculiar que Karl Marx projetará enganosamente sobre todo o curso da História. Mas também é claro que a ascensão do capitalismo, em si, não apresenta risco para a classe aristocrática, a qual facilmente se adapta aos novos modos de adquirir riqueza e integra nas suas fileiras, por meio de casamentos e da distribuição de títulos nobiliárquicos, os novos ricos ascendidos sem nobreza ancestral, sine nobilitate (abreviatura s. nob., donde o termo "esnobe"). A essa adaptação corresponde, politicamente, a passagem do Estado monárquico absoluto à moderna monarquia parlamentar, um processo que não tem por que ser violento ou traumático, só vindo a sê-lo na França porque o crescimento excessivo da burocracia estatal tinha ocasionado fatalmente um crescimento ainda maior da "burocracia virtual" e transformado em puro rancor revolucionário as ambições frustradas da intelectualidade. Foi esta que fez a revolução. Não havia um só capitalista entre os líderes revolucionários, e a burguesia, como se viu na Inglaterra, jamais precisou de revolução nenhuma para se elevar socialmente a um status ao qual a própria aristocracia a convidava insistentemente. O conceito de "revolução burguesa" é uma das maiores fraudes da história das ciências sociais. Os componentes da burocracia virtual, por sua vez, não podem ser definidos economicamente. Seu único traço em comum era a educação que os diferenciava da massa. Vinham de todas as classes – do campesinato, do antigo clero, da pequena burguesia, dos setores empobrecidos da própria aristocracia. Não tinham unidade de origem, mas de situação social e ambições. A fórmula verdadeira da sua unidade residia no futuro: na imagem do Estado perfeito, investido de todas as virtudes que eles próprios julgavam encarnar. Vivendo de fantasia autoglorificante, compensação psicológica de sua posição social vexatória, não é de estranhar que se concebessem como herdeiros da autoridade intelectual dos brâhmana mas também se imaginassem os sucessores naturais da Igreja como porta-vozes e protetores dos pobres e oprimidos, os shudra. Por toda parte falam em nome da "ciência", mas também da "justiça social". Imaginam encarnar ao mesmo tempo a autoridade espiritual mais alta e os direitos espezinhados da casta mais baixa. Mas assim como não houve burgueses na vanguarda da "revolução burguesa", não haverá proletários entre os líderes da "revolução proletária". Toda a sociologia revolucionária é uma fraude ideológica destinada a encobrir o poder dos "intelectuais". Estes não são casta nenhuma. São uma interface nascida acidentalmente do inchaço canceroso da burocracia, e por isso mesmo lutarão para fazê-la crescer ainda mais onde quer que adquiram os meios para isso. São, a rigor, párias – uma mescla confusa e delirante de fragmentos de discursos das várias castas. São a pseudo-casta sem função nem eixo, sociopática por nascimento e vocação.
A ascensão da burguesia capitalista não é um processo revolucionário. É um longo e complexo processo de incorporação e adaptação. O capitalismo francês nasceu e permaneceu raquítico por causa da Revolução, que veio com a expansão burocrática e continuou vivendo dela até hoje, numa nação que é, por excelência, o paraíso dos "intelectuais". O capitalismo desenvolveu-se, isto sim, na Inglaterra, onde a aristocracia se adaptou suavemente às suas novas funções capitalistas, e na América, onde, sendo rala a presença da aristocracia de sangue, a própria burguesia capitalista se investiu do ethos heróico-aristocrático, gerando uma nova casta kshatryia. Observo, de passagem, que essa transfiguração da burguesia americana em aristocracia – o fenômeno mais importante e vigoroso da história moderna – jamais teria sido possível sem a profunda impregnação cristã da nova classe, que fazia dela, em contraste com a farsa dos "intelectuais", a herdeira parcial e longínqua, mas autêntica, da autoridade brâhmana.
Na doutrina hindu, não há jamais um governo shudra. Os shudra são, por definição, governados e não governantes. O sujeito pode nascer shudra mas ao ascender a funções de importância já é um "intelectual" (se Lula continuasse torneiro mecânico, seria apenas torneiro mecânico). O que pode haver é o governo dos intelectuais fazendo-se passar por vanguarda shudra e, é claro, oprimindo os shudra mais do que nunca, para que criem a base econômica de uma burocracia estatal ilimitadamente expansiva.
Economicamente, o governo shudra, ou socialismo, só tem existência verbal. Em 1921, Ludwig von Mises deu a demonstração cabal de que a economia totalmente estatizada é inviável e de que, portanto, todo regime autonomeado socialista nunca passaria de um capitalismo disfarçado sob a carapaça de ferro da burocracia estatal. A história não cessou de lhe dar razão desde então.
Dessa breve exposição é possível tirar algumas conclusões que a experiência histórica comprova abundantemente:
1 Onde quer que a burocracia estatal se torne a via predominante de ascensão social, como aconteceu na França do século XVIII ou na Rússia do século XIX, a burocracia virtual tende a crescer indefinidamente e a tornar-se geradora de pressões revolucionárias. Muitas nações modernas aliviam essas pressões criando um número indefinido de sinecuras culturais e universitárias para integrar e "oficializar" de algum modo a burocracia virtual, mas isso, por um lado, é um paliativo caríssimo, que só pode ser custeado por um capitalismo pujante, o que supõe, precisamente, que a Revolução seja abortada em tempo; por outro lado, a burocracia virtual oficializada pode se satisfazer por algum tempo com suas novas funções na sociedade capitalista, mas a ascensão social mesma acabará por torná-la ainda mais presunçosa e arrogante. Isso explica que precisamente nas nações onde os intelectuais têm as melhores condições de vida eles sejam os mais rancorosos inimigos da sociedade que os nutre e lisonjeia, mas em compensação não consigam ou talvez nem queiram desferir o golpe mortal nessa sociedade, limitando-se a constituir um fator de corrosão estrutural permanente, neutralizado, no conjunto, pelo progresso técnico e pelo crescimento capitalista.
2 Onde a burocracia virtual ainda não perfeitamente oficializada tenha como principal veículo de integração social um partido político, esse partido, encarnando a seus próprios olhos ao mesmo tempo a suprema autoridade intelectual e os direitos de todas as vítimas reais ou imaginárias da injustiça social, se colocará necessariamente acima das leis e instituições, arrogando-se todos os direitos e todas as virtudes e não reconhecendo julgamento superior ao seu.
3 Toda esperança de integrar esse partido no processo democrático normal será repetidamente frustrada, pois ele jamais entenderá sua participação nesse processo senão como concessão temporária – e, em si mesma, repugnante – às condições que impedem a consecução dos seus objetivos.
4 A conquista do poder total será sempre o objetivo e a única razão de ser desse partido, que tentará toda sorte de golpes de Estado e ao mesmo tempo verá como golpe de Estado qualquer tentativa, por mais tímida e limitada, de impedi-lo de chegar a seus objetivos. Exemplos não faltam no Brasil. O mais recente é aquele em que os líderes do partido dominante pregam abertamente a resistência violenta a uma possível derrota nas eleições, ao mesmo tempo que denunciam literalmente como “golpe de Estado” a simples revelação jornalística do dinheiro que usaram num truque sujo contra o adversário (vejam a maravilha de retórica invertida em http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/394501-395000/394778/394778_1.html ).
5 Como a função primordial do partido revolucionário, por baixo dos mais variados pretextos ideológicos, é justamente criar um Estado burocrático para servir a seus próprios membros, é normal e inevitável que esse partido, uma vez investido do poder estatal, encare o Estado como sua propriedade, usando-o para seus próprios fins e não vendo nisso a menor imoralidade. A burocracia virtual é sociopática por nascimento e por definição; e sua forma de governo, tão logo tenha as condições de implantá-la, é e será sempre a sociopatia organizada.
6 A afinidade do partido revolucionário com o banditismo comum é algo mais que conjunção temporária de interesses. Na perspectiva da burocracia virtual, o único mal no mundo é ela não ter o poder absoluto, é existir uma sociedade que a transcende e não a obedece. Todos os outros males, se enfraquecem essa sociedade e favorecem a conquista do poder total pelo partido revolucionário, são bens. A auto-idolatria solipsística do chefe de gangue e a do líder revolucionário são exatamente a mesma, com a leve diferença do requinte intelectual um pouco maior a favor desta última. É ridículo dizer que um partido como o PT "se transformou" numa quadrilha de delinqüentes. Ele nasceu delinqüente.
7 A insistência dos adversários em fazer de conta que esse partido pode participar honradamente do processo político normal levará sempre a condições de “guerra assimétrica”, em que um dos lados terá todos os encargos, e o outro todos os direitos.
PS – Para aqueles que tiveram a infelicidade de nascer membros da burocracia virtual, só há três caminhos de vida possíveis: (1) integrar-se na farsa revolucionária e sair alardeando que são benfeitores da humanidade; (2) cair para a marginalidade, a doença mental, a autodestruição ou o banditismo; (3) compreender sua situação histórica, lutar para escapar a uma condição social essencialmente farsesca e para adquirir, por meio do estudo e da autodisciplina espiritual, a dignidade do verdadeiro estatuto brâhmana, o que implica renunciar a todo poder político e a todas as vantagens psico-sociais da participação na intelectualidade revolucionária. Economicamente, sobreviver da atividade intelectual fora do esquema revolucionário de proteção mútua é um desafio temível.
Para os que nasceram váishyias, o desafio é resistir ao canto-de-sereia revolucionário e impor o capitalismo como modo de vida moralmente superior. Isto não é possível sem o cultivo da disciplina kshatryia e a aceitação dos encargos heróicos de uma nova casta nobre, o que implica a absorção, mesmo longínqua, do legado brâhmana. A luta no mundo moderno é entre os váishyia e os burocratas virtuais – isto é, entre aqueles que alimentam o Estado e aqueles que se alimentam dele. Se os primeiros se deixam hipnotizar pela cultura revolucionária, estão liquidados, e, com eles, os shudra, que perdem o estatuto de trabalhadores livres para ser escravos da burocracia comunista.
publicado no Diário do comércio em 23 de outubro de 2006
Com toda a sua presunção e arrogância, a ciência social moderna não conseguiu produzir nenhuma descoberta que se aproximasse, em exatidão e força explicativa, da doutrina hindu das quatro castas, da qual a concepção marxista da luta de classes é uma imitação caricatural e remota, daí derivando a impressão de veracidade que possa exercer sobre a mente simplória do "proletariado intelectual" universitário.
É impossível, a quem tenha se dado o trabalho de estudar um pouco a explicação hinduísta do processo histórico, observar a seqüência das estruturas de poder que se sucedem ao longo da história ocidental sem notar que ela repete ipsis litteris a transição do governo brâhmana para o kshatryia, deste para o váishyia e deste para o desgoverno shudra e para a confusão dos párias que prenuncia ou o fim da sociedade ou o retorno à ordem inicial.
Vou aqui resumir brevemente essa doutrina, não como ela é em sua pura formulação originária, mas na adaptação que lhe dei, em cursos e conferências proferidos desde 1980, para torná-la mais flexível como instrumento explicativo de processos histórico-culturais mais recentes.
Os brâhmana são a casta intelectual, voltada à busca do conhecimento espiritual e à construção de uma ordem social que reflita mais ou menos a "vontade de Deus" – as leis que determinam a estrutura inteira da realidade.
Os kshatryia são os guerreiros e aristocratas, que sobrepõem à estrutura da realidade a glorificação das suas próprias tradições dinásticas e a expansão do seu poder militar.
Os váishyia são os burgueses e comerciantes. Buscam em tudo o lucro e a eficácia econômica, que tomam ilusoriamente como um poder efetivo, ignorando as bases militares e espirituais da sociedade e terminando por ser rapidamente destruídos pelos shudra. Estes são os "proletários", no sentido romano do termo. Incapazes de governar-se a si mesmos, importam somente pelo poder do número, pela extensão quantitativa da "prole".
Os brâhmana caem pela sua dificuldade de manter-se fiéis à intuição espiritual originária, esfarelada entropicamente em confrontações doutrinais de um artificialismo sufocante, cada vez mais insolúveis e violentas.
A ascensão do poder aristocrático, com a formação dos modernos Estados nacionais, nasceu diretamente da necessidade de apaziguar os conflitos religiosos por meio de uma força externa, político-militar.
O governo kshatryia cai porque o establishment aristocrático-militar é um poder essencialmente centralizador e expansionista, que tem de se apoiar numa burocracia crescente cujos funcionários ele próprio não pode continuar fornecendo indefinidamente e que ele colherá, portanto, entre os membros mais talentosos das duas castas inferiores, aos quais dará o adestramento necessário para o exercício de suas novas funções administrativas, judiciais, diplomáticas etc. Daí nasce a "intelectualidade" moderna, como subproduto de um sistema de ensino voltado à formação de funcionários para o Estado. Por outro lado, tão logo a burocracia se consolida como meio de ascensão social, os candidatos a ela são sempre em número maior do que os cargos disponíveis, ao mesmo tempo que o ensino, sendo ele próprio um instrumento de seleção, tem necessariamente de atingir um círculo maior de alunos do que aqueles aos quais pode garantir um cargo no funcionalismo público. A burocracia com que o Estado kshatryia controla a sociedade torna-se assim uma bomba de efeito retardado. De um lado, não é preciso dizer que a intelectualidade burocrática logo tem em suas mãos o controle efetivo do Estado, sonhando em sacudir de seus ombros o jugo de uma casta aristocrática cada vez mais ociosa e dispendiosa. De outro lado, há a multidão dos rejeitados. Suas ambições foram despertadas pelo ensino, frustradas pela seleção profissional. Eles formam o contingente daquilo que denominei "burocracia virtual" – o exército crescente daqueles indivíduos relativamente adestrados, mas sem função. Seu único lugar possível na sociedade é dentro do Estado, mas o Estado não tem lugar para eles. Eles são a classe revolucionária por excelência, o personagem central da aventura moderna. Não demorarão a sonhar com um Estado amoldado às suas necessidades. Enquanto não conseguem criá-lo, ocupam-se de tagarelar infindavelmente sobre todos os assuntos, espalhando por toda a sociedade seu rancor e suas frustrações e, sobretudo, adornando-se usurpatoriamente do prestígio dos antigos brâhmana, dos quais constituem a caricatura invertida. Os "intelectuais" são o clero leigo da Revolução. Se vocês já ouviram falar em PT, sabem do que estou falando. Mais adiante voltarei a isso.
Por outro lado, o Estado aristocrático custa caro e não pode se manter indefinidamente com os recursos de uma economia agrária tradicional e simplória; a expansão econômica requer a mobilização de capacidades específicas que são as dos váishyia. Os banqueiros e industriais fornecem a nova base econômica do Estado, arregimentando a mão-de-obra shudra em proporções jamais sonhadas antes e substituindo à antiga economia agrária o moderno capitalismo.
É nesse momento – e só sob esse aspecto – que a diferença entre dois sistemas de propriedade dos meios de produção se torna determinante historicamente, criando uma situação peculiar que Karl Marx projetará enganosamente sobre todo o curso da História. Mas também é claro que a ascensão do capitalismo, em si, não apresenta risco para a classe aristocrática, a qual facilmente se adapta aos novos modos de adquirir riqueza e integra nas suas fileiras, por meio de casamentos e da distribuição de títulos nobiliárquicos, os novos ricos ascendidos sem nobreza ancestral, sine nobilitate (abreviatura s. nob., donde o termo "esnobe"). A essa adaptação corresponde, politicamente, a passagem do Estado monárquico absoluto à moderna monarquia parlamentar, um processo que não tem por que ser violento ou traumático, só vindo a sê-lo na França porque o crescimento excessivo da burocracia estatal tinha ocasionado fatalmente um crescimento ainda maior da "burocracia virtual" e transformado em puro rancor revolucionário as ambições frustradas da intelectualidade. Foi esta que fez a revolução. Não havia um só capitalista entre os líderes revolucionários, e a burguesia, como se viu na Inglaterra, jamais precisou de revolução nenhuma para se elevar socialmente a um status ao qual a própria aristocracia a convidava insistentemente. O conceito de "revolução burguesa" é uma das maiores fraudes da história das ciências sociais. Os componentes da burocracia virtual, por sua vez, não podem ser definidos economicamente. Seu único traço em comum era a educação que os diferenciava da massa. Vinham de todas as classes – do campesinato, do antigo clero, da pequena burguesia, dos setores empobrecidos da própria aristocracia. Não tinham unidade de origem, mas de situação social e ambições. A fórmula verdadeira da sua unidade residia no futuro: na imagem do Estado perfeito, investido de todas as virtudes que eles próprios julgavam encarnar. Vivendo de fantasia autoglorificante, compensação psicológica de sua posição social vexatória, não é de estranhar que se concebessem como herdeiros da autoridade intelectual dos brâhmana mas também se imaginassem os sucessores naturais da Igreja como porta-vozes e protetores dos pobres e oprimidos, os shudra. Por toda parte falam em nome da "ciência", mas também da "justiça social". Imaginam encarnar ao mesmo tempo a autoridade espiritual mais alta e os direitos espezinhados da casta mais baixa. Mas assim como não houve burgueses na vanguarda da "revolução burguesa", não haverá proletários entre os líderes da "revolução proletária". Toda a sociologia revolucionária é uma fraude ideológica destinada a encobrir o poder dos "intelectuais". Estes não são casta nenhuma. São uma interface nascida acidentalmente do inchaço canceroso da burocracia, e por isso mesmo lutarão para fazê-la crescer ainda mais onde quer que adquiram os meios para isso. São, a rigor, párias – uma mescla confusa e delirante de fragmentos de discursos das várias castas. São a pseudo-casta sem função nem eixo, sociopática por nascimento e vocação.
A ascensão da burguesia capitalista não é um processo revolucionário. É um longo e complexo processo de incorporação e adaptação. O capitalismo francês nasceu e permaneceu raquítico por causa da Revolução, que veio com a expansão burocrática e continuou vivendo dela até hoje, numa nação que é, por excelência, o paraíso dos "intelectuais". O capitalismo desenvolveu-se, isto sim, na Inglaterra, onde a aristocracia se adaptou suavemente às suas novas funções capitalistas, e na América, onde, sendo rala a presença da aristocracia de sangue, a própria burguesia capitalista se investiu do ethos heróico-aristocrático, gerando uma nova casta kshatryia. Observo, de passagem, que essa transfiguração da burguesia americana em aristocracia – o fenômeno mais importante e vigoroso da história moderna – jamais teria sido possível sem a profunda impregnação cristã da nova classe, que fazia dela, em contraste com a farsa dos "intelectuais", a herdeira parcial e longínqua, mas autêntica, da autoridade brâhmana.
Na doutrina hindu, não há jamais um governo shudra. Os shudra são, por definição, governados e não governantes. O sujeito pode nascer shudra mas ao ascender a funções de importância já é um "intelectual" (se Lula continuasse torneiro mecânico, seria apenas torneiro mecânico). O que pode haver é o governo dos intelectuais fazendo-se passar por vanguarda shudra e, é claro, oprimindo os shudra mais do que nunca, para que criem a base econômica de uma burocracia estatal ilimitadamente expansiva.
Economicamente, o governo shudra, ou socialismo, só tem existência verbal. Em 1921, Ludwig von Mises deu a demonstração cabal de que a economia totalmente estatizada é inviável e de que, portanto, todo regime autonomeado socialista nunca passaria de um capitalismo disfarçado sob a carapaça de ferro da burocracia estatal. A história não cessou de lhe dar razão desde então.
Dessa breve exposição é possível tirar algumas conclusões que a experiência histórica comprova abundantemente:
1 Onde quer que a burocracia estatal se torne a via predominante de ascensão social, como aconteceu na França do século XVIII ou na Rússia do século XIX, a burocracia virtual tende a crescer indefinidamente e a tornar-se geradora de pressões revolucionárias. Muitas nações modernas aliviam essas pressões criando um número indefinido de sinecuras culturais e universitárias para integrar e "oficializar" de algum modo a burocracia virtual, mas isso, por um lado, é um paliativo caríssimo, que só pode ser custeado por um capitalismo pujante, o que supõe, precisamente, que a Revolução seja abortada em tempo; por outro lado, a burocracia virtual oficializada pode se satisfazer por algum tempo com suas novas funções na sociedade capitalista, mas a ascensão social mesma acabará por torná-la ainda mais presunçosa e arrogante. Isso explica que precisamente nas nações onde os intelectuais têm as melhores condições de vida eles sejam os mais rancorosos inimigos da sociedade que os nutre e lisonjeia, mas em compensação não consigam ou talvez nem queiram desferir o golpe mortal nessa sociedade, limitando-se a constituir um fator de corrosão estrutural permanente, neutralizado, no conjunto, pelo progresso técnico e pelo crescimento capitalista.
2 Onde a burocracia virtual ainda não perfeitamente oficializada tenha como principal veículo de integração social um partido político, esse partido, encarnando a seus próprios olhos ao mesmo tempo a suprema autoridade intelectual e os direitos de todas as vítimas reais ou imaginárias da injustiça social, se colocará necessariamente acima das leis e instituições, arrogando-se todos os direitos e todas as virtudes e não reconhecendo julgamento superior ao seu.
3 Toda esperança de integrar esse partido no processo democrático normal será repetidamente frustrada, pois ele jamais entenderá sua participação nesse processo senão como concessão temporária – e, em si mesma, repugnante – às condições que impedem a consecução dos seus objetivos.
4 A conquista do poder total será sempre o objetivo e a única razão de ser desse partido, que tentará toda sorte de golpes de Estado e ao mesmo tempo verá como golpe de Estado qualquer tentativa, por mais tímida e limitada, de impedi-lo de chegar a seus objetivos. Exemplos não faltam no Brasil. O mais recente é aquele em que os líderes do partido dominante pregam abertamente a resistência violenta a uma possível derrota nas eleições, ao mesmo tempo que denunciam literalmente como “golpe de Estado” a simples revelação jornalística do dinheiro que usaram num truque sujo contra o adversário (vejam a maravilha de retórica invertida em http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/394501-395000/394778/394778_1.html ).
5 Como a função primordial do partido revolucionário, por baixo dos mais variados pretextos ideológicos, é justamente criar um Estado burocrático para servir a seus próprios membros, é normal e inevitável que esse partido, uma vez investido do poder estatal, encare o Estado como sua propriedade, usando-o para seus próprios fins e não vendo nisso a menor imoralidade. A burocracia virtual é sociopática por nascimento e por definição; e sua forma de governo, tão logo tenha as condições de implantá-la, é e será sempre a sociopatia organizada.
6 A afinidade do partido revolucionário com o banditismo comum é algo mais que conjunção temporária de interesses. Na perspectiva da burocracia virtual, o único mal no mundo é ela não ter o poder absoluto, é existir uma sociedade que a transcende e não a obedece. Todos os outros males, se enfraquecem essa sociedade e favorecem a conquista do poder total pelo partido revolucionário, são bens. A auto-idolatria solipsística do chefe de gangue e a do líder revolucionário são exatamente a mesma, com a leve diferença do requinte intelectual um pouco maior a favor desta última. É ridículo dizer que um partido como o PT "se transformou" numa quadrilha de delinqüentes. Ele nasceu delinqüente.
7 A insistência dos adversários em fazer de conta que esse partido pode participar honradamente do processo político normal levará sempre a condições de “guerra assimétrica”, em que um dos lados terá todos os encargos, e o outro todos os direitos.
PS – Para aqueles que tiveram a infelicidade de nascer membros da burocracia virtual, só há três caminhos de vida possíveis: (1) integrar-se na farsa revolucionária e sair alardeando que são benfeitores da humanidade; (2) cair para a marginalidade, a doença mental, a autodestruição ou o banditismo; (3) compreender sua situação histórica, lutar para escapar a uma condição social essencialmente farsesca e para adquirir, por meio do estudo e da autodisciplina espiritual, a dignidade do verdadeiro estatuto brâhmana, o que implica renunciar a todo poder político e a todas as vantagens psico-sociais da participação na intelectualidade revolucionária. Economicamente, sobreviver da atividade intelectual fora do esquema revolucionário de proteção mútua é um desafio temível.
Para os que nasceram váishyias, o desafio é resistir ao canto-de-sereia revolucionário e impor o capitalismo como modo de vida moralmente superior. Isto não é possível sem o cultivo da disciplina kshatryia e a aceitação dos encargos heróicos de uma nova casta nobre, o que implica a absorção, mesmo longínqua, do legado brâhmana. A luta no mundo moderno é entre os váishyia e os burocratas virtuais – isto é, entre aqueles que alimentam o Estado e aqueles que se alimentam dele. Se os primeiros se deixam hipnotizar pela cultura revolucionária, estão liquidados, e, com eles, os shudra, que perdem o estatuto de trabalhadores livres para ser escravos da burocracia comunista.
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