quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Os números e a realidade

Ontem assisti a uma reportagem que dizia que o número de mortos por parada cardíaca no Brasil alcançava o número de 200.000 pessoas. O telespectador pode ficar alarmado com esse número. Mas será que essa é uma atitude inteligente? A reportagem não dizia qual seria um número razoável de mortos no universo dos quase 190 milhões de brasileiros. Faltou um termo de comparação. Sem ele, os números não dizem nada e podem trazer um alarme injustificado. A reportagem poderia dizer que em outros países o número de mortos por parada cardíaca por cem mil habitantes é tanto, e então comparar com a taxa brasileira. Mas sem um ponto de referência não podemos saber se os 200.000 brasileiros mortos por parada cardíaca são um número baixo, dentro da normalidade ou alto. As medidas em geral têm a característica de não bastar por si para descrever uma realidade. Por exemplo, pode-se dizer que o estado do Paraná é um estado grande, pois é maior do que países europeus como a Suiça por exemplo. Mas em comparação com o estado do Amazonas, o Paraná é um estado de médio porte. Também as sensações do frio e do calor têm essa característica. A temperatura que faz um alemão sentir frio é mais baixa que a temperatura que faz um carioca sentir frio. Grande, pequeno, frio, calor, precisam de um termo de comparação para fazerem sentido real. Quando se diz que uma pessoa é alta, deve-se entender que ela é mais alta que a maioria das pessoas dentro de um universo-pode ser falso ou verdadeiro o enunciado, mas seu sentido é esse. Dentro de outro universo, porém, talvez ela não fosse alta. Assim, certo mesmo é dizer que uma pessoa é mais alta que outra. O Oscar Schmidt é mais alto que o Pelé, isso é real, visível e inegável.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Vida em condomínio e a justiça

Ontem o Fantástico apresentou uma reportagem sobre a legalidade da utilização da piscina do condomínio pelas babás. Só assisti ao final da reportagem, onde um casal de senhores considerava inconstitucional a proibição do uso da piscina pelas babás mesmo que a justiça dissesse que esse assunto deva ser tratado na reunião dos condôminos e decidido por cada condomínio. Ou seja, a justiça decide que os próprios moradores resolvam a questão. Não vou aqui dizer que o casal de senhores não tem o direito de afirmar que a decisão da justiça é inconstitucional, afinal a liberdade de expressão é um direito constitucional e portanto um direito 'forte' como aprendi na Argentina, mas também tenho o direito de simplesmenete ignorar o que o casal disse. Ah, justiça brasileira, até quando acertas és criticada? As próprias pessoas envolvidas na questão do seu dia-a-dia devem tentar resolver seus problemas. Bertrand de Jouvenal ressaltava a importância dos poderes intermediários da sociedade como contraponto ao poder avassalador do estado. Os clubes, condomínios, escolas, igrejas, associações de moradores formam uma rede de colaboração que ameniza e inibe a atuação estatal.

Uma coisa é óbvia: o juiz não mora no condomínio para saber as nuanças de uma situação que afeta os moradores. Pode-se objetar que o juiz também mora em um condomínio e portanto conhece a dinâmica dessa relação. Mas ele mora com outras pessoas, em outro lugar, e terá a chance de com elas decidir o que é melhor para o seu condomínio.

Alguém ainda poderia dizer que a justiça se omitiu por fraqueza ou por não saber o que fazer. Prudência não é fraqueza, a super intensidade emocional o é. Se a justiça apenas não sabia o que fazer, agiu bem de não se meter na questão. Mas talvez soubesse bem o que estava fazendo: reconhecendo sua menor capacidade de resolver um problema do que as pessoas que estão envolvidas diretamente com a questão.

Uma das conseqüencias da badalada 'constitucionalização do direito civil' é que agora qualquer questiúncula pode ser tachada de inconstitucional. Os senhores a quem a decisão legal desagradou não eram bacharéis em direito e mesmo assim asseveraram que a decisão era inconstitucional. Isso mostra que de uns anos para cá criou-se uma certa cultura de respeito à Constituição, como aliás o professor de direito constitucional Luiz Roberto Barroso gosta de ressaltar. Mas será que a Constituição merece esse respeito todo? A Constituição é um sistema que deriva proposições de axiomas. Os axiomas, segundo o dicionário Aurélio, são premissas imediatamente evidentes que se admitem como universalmente verdadeiras sem exigência de demonstração. 'A dignidade da pessoa humana' é um axioma. Mas pergunto eu: como resolver a questão das babás tendo em vista a dignidade da pessoa humana? Difícil não é mesmo? Certas questiúnculas fogem do guarda-chuva sistemático e devem ser resolvidas segundo a conveniência política do dia. O risco é que os axiomas e as proposições de direito se tornem “tubos vazios onde cada um coloca o que quer”, que é a definição mesma de fascismo para Pirandello.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Aquecimento global

A China está passando pelo inverno mais rigoroso em cinqüenta anos. Ano passado nevou em Buenos Aires, fato que não acontecia há noventa anos.

Os metereologistas muitas vezes erram sobre a previsão de chuva no dia de amanhã. Por que depositar tanta confiança em cientistas que afirmam que a onda de aquecimento na Terra é causada pelo ser humano, sendo este um fenômeno muito mais complexo do que aquele? Há um vasto desejo de tornar o mundo num grande laboratório, onde tudo pode ser medido, explicado e alterado. Só esqueceram de contar para a natureza, que sem saber de nada, continuará funcionando com um fator chamado indeterminação. Certo tipo de homem pode ter tanto medo da natureza. Mais fácil seria se ele reconhecesse sua incapacidade estrutural de conhecer tudo e se abrisse confiante ao desconhecido. A despeito de querer mudar o mundo, o mundo é que está mudando o homem, cada dia mais burrinho e ambicioso (aqui no Brasil, nossa!). Lembra o personagem Cérebro do desenho animado Pinky e Cérebro, que todas as noites executa um plano para tentar dominar o mundo, os quais malogram invariavelmente, ao invés de bolar um plano mais modesto para escapar do laboratório. Ou o personagem Jack do seriado LOST, que tendo conseguido sair da ilha em que estava perdido agora não sabe como conduzir sua vida e quer voltar para lá. Um ratinho de laboratório voluntário é o que o homem vem se tornando. E falam tanto de liberdade... Mas a natureza humana, como a natureza de qualquer coisa, não muda, inventem as técnicas de manipulação comportamental que inventarem. O homem novo só pode existir desde uma perspectiva transcendental, que renova o espírito (lembrem o Cristo dizendo: “Eu torno todas as coisas novas”). Os credos de cunho escatológico imanentista, que inclui desde o Nacional Socialismo e o Comunismo até o liberalismo progressista de tipo anglo-saxão, o qual se diferencia daqueles pelo grau de moderação mas não na essência de pretender transformar a natureza humana, continuarão dando com os burros n'água, produzindo pelo caminho porém muita destruição e aflição geral.

E o aquecimento global? Ora, assista ao vídeo a seguir: A grande farsa do aquecimento global, produzido pela TV britânica.



O jornalista Jerry Carlson chegou a dar muita atenção à “New Little Ice Age” dos anos 30 aos 70, porém dados mais apurados mostraram se tratar de um pequeno ciclo aquele esfriamento. Nessa época havia políticos querendo controlar a emissão dos aerosóis poluentes, que estariam causando o esfriamento...

Aqui, o jornalista americano Glenn Beck apresenta Climate of fear.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Rolando Lero



Lição para o estudantado brasileiro: quando forem metidos e puxa-sacos, usem de garbo e elegância, pois além de não baixarem o nível, podem ainda conseguir arrancar risadas acolhedoras dos colegas (falo da vida real).

Abaixo, reportagem do Jornal Nacional na morte do saudoso Rogério Cardoso.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Os marcianos atacam












“O Planeta Terra tem 4 bilhôes e 600 milhões de anos.

Faça de conta que a Terra é uma pessoa com 46 anos de idade. Fazendo a conversão das escalas de tempo, teremos o seguinte quadro comparativo:

(...)

. Três dias antes de completar 46 anos, a Terra sofreu a última era glacial em todo o planeta.
. O homem moderno surgiu nas últimas quatro horas.
. Há apenas uma hora o homem descobriu a agricultura e se fixou à terra como sedentário.
. A revolução industrial ocorreu no último minuto.
. Nos 60 segundos seguintes, o homem conseguiu transformar um paraíso num lixo.
. Multiplicou-se como uma praga em todas as regiões, causando a extinção de mais de 500 espécies de animais, e devastou o planeta, à procura de combustíveis fósseis e riquezas minerais.
. Não medindo as conseqüencias, como a criança que só enxerga a si própria, já inviabilizou muitas formas de vida. Agora está afetando todo o conjunto, prejudicando a si próprio.
. Há apenas alguns poucos segundos, parte da humanidade começou a perceber que o problema mais sério a ser resolvido é restabelecer a harmonia com a natureza.”

.................

Isso foi extraído do livro de estudos para tirar a primeira habilitação, da seção Meio Ambiente. Quando digo que a ideologia ambiental é a mais forte que existe não posso estar falando bobagem. Eric Voegelin diria se tratar de uma teologia civil, a mais poderosa acrescento eu. A teologia civil são as crendices de massas (mass beliefs) presentes em toda e qualquer sociedade mas que em algumas ameaçam reduzir a vida da razão a enclaves sociais insignificantes ou até mesmo suprimí-la. A vida da razão é a vida do amor à sabedoria e da intentio animi para com Deus no sentido agostiniano, e que só alguns indivíduos, sempre minoria dentro de uma sociedade, realizam.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Farsa

O credor e a viúva na peça de Tchekov





O teatro Sesc Ginástico, na rua Graça Aranha, 187, aqui no Rio de Janeiro abrigou até domingo a peça Farsa, uma coletânea de quatro peças cômicas breves. Duas peças me chamaram atenção, O urso, de Tchekov (que se lê Tchêrrav em russo, tendo sido mal traduzido para o alfabeto latino), e Os ciúmes de um pedestre, de Martins Penna. Na primeira, um grosseiro fazendeiro exige que uma viúva pague as dívidas de seu marido e recusa-se a arredar pé de sua casa enquanto a dívida não for paga. Entre discussões e acusações contra as mulheres, o credor rude diz que chamaria a viúva para um duelo se ela não fosse mulher. A viúva indignada não se faz de rogada, e mesmo sem nunca ter manejado uma arma aceita o embate. O fazendeiro cheio de ódio no coração enxerga na viúva uma mulher com força e disposição para enfrentá-lo e cai de amores por ela. Na segunda peça, um capitão-do-mato se vê às voltas com a traição de sua esposa. Imaginando haver cometido crimes contra a esposa e seu amante o capitão-do-mato interna-se num convento. Nas duas peças, há a presença do homem durão e violento. A diferença é que na primeira o homem violento redime-se e na segunda ganha um prêmio de consolação. Tchekov se preocupa bastante com o homem violento da primeira peça enquanto Martins Penna utiliza o homem violento como bode expiatório. A peça de Tchekov é cheia de vai-e-vens, amores e ódio. Engraçadíssima. A peça de Martins Penna tira sua graça da tapeação do capitão-do-mato violento.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Zeus foi deposto, agora quem manda é o Turbilhão

Jacó briga com homem

















Alguém leu o artigo do Olavo de Carvalho de hoje no JB? É impressionante como algumas pessoas quando não gostam de alguma coisa fazem o máximo para vê-la completamente longe de si, e tentam cortar qualquer alusão à coisa em questão como se falar nela fosse tomar partido por ela ou defendê-la. No artigo anterior, Como ler a Bíblia, Olavo apenas ensinava a maneira com que se deve abordar o objeto de uma leitura, que é torná-lo parte de nossa imaginação, viver imaginativamente a história contada. No final do artigo, depois de falar das histórias ficcionais e das histórias de fatos reais, Olavo falou sobre a Bíblia, cujo personagem principal traz um complicador a mais, porque o próprio Deus está muito além de nossa imaginação. Durante a semana muitos ateus devem ter entendido o artigo como uma defesa de Deus. Ora, meu Deus do céu, absolutamente não foi isso que aconteceu. Ensinar alguém a tornar-se íntimo de um personagem não significa brigar pela existência dele. Essa gente parece que entende tudo como pró ou contra, como se estivessem num tribunal. Falar por exemplo no unicórnio, ou no Pinóquio, não significa dizer que eles existem de fato. Existem como personagens de ficção, e assim devem ser conhecidos. Se existem na realidade ou não, já é outra história. Da mesma forma, ao ler o Gênesis, é preciso imaginar Jacó brigando com um homem que depois veio dizer a ele tratar-se do próprio Deus que o estava provando. Imaginada essa situação, não significa pari passu que Deus existe, significa apenas que você conseguiu imaginar essa situação. Alguns ateus têm tanto pavor de Deus, que sequer se permitem pensar nele. Eles se tornam ateus militantes. Não querem nem ouvir falar de Deus que têm calafrios. Daqui a pouco a própria palavra Deus vão querer transfigurar para designar outro objeto qualquer, e não o Todo-Poderoso, ops, ops, nem fale nele, nem fale nele...

Quem acabou com a escravidão?


Escravos produzindo farinha









(Jean Victor-Frond)

por Dinesh D'Souza

Considere o ateu Sam Harris, que culpa o Cristianismo por apoiar a escravidão. Harris está com a razão quando diz que a escravidão existia entre os judeus do Antigo Testamento, e Paulo até orienta escravos a obedecerem seus mestres. Durante a Guerra Civil[1] ambos os lados citavam a Bíblia. Nós sabemos disso.

Mas a escravidão precedia o Cristianismo em centenas e até milênios de anos. Segundo lemos no trabalho do sociólogo Orlando Patterson, todas as culturas conhecidas tiveram escravidão. Por séculos, a escravidão não precisou de defensores porque não tinha críticos. Ateus que exaltam a Grécia Antiga e a Roma pré-cristã de algum modo parecem esquecer que aqueles impérios se baseavam na escravidão em larga escala.

O ateu Michael Shermer diz que os cristãos chegaram por último ao movimento contra a escravidão. Mas se isso é verdade, quem chegou primeiro? Não havia ninguém. Shermer provavelmente acredita que os cristãos só começaram a se opor a escravidão na era moderna.

Errado. A escravidão foi praticamente extinta da civilização ocidental – então chamada de Cristandade – entre os séculos quarto e décimo. As instituições escravocratas greco-romanas deram lugar à servidão. A servidão tem lá seus problemas mas ao menos o servo não é uma “ferramenta humana” e não pode ser comprado e vendido como uma propriedade. Então a escravidão foi abolida duas vezes no Ocidente, a primeira vez na era Medieval e depois novamente na era Moderna.

No sul dos Estados Unidos, o Cristianismo provou ser a consolação dos oprimidos. Como o historiador Eugene Genovese documenta em Roll, Jordan, Roll, quando os escravos negros buscaram dignidade durante a noite escura da escravidão, eles não a procuraram em Marco Aurélio ou David Hume; eles a procuraram na Bíblia. Quando buscaram esperança e inspiração para libertação, eles a encontraram não em Voltaire ou D’Holbach mas no Livro do Êxodo.

Os movimentos anti-escravistas liderados por Wilberforce na Inglaterra e abolicionistas na América eram dominados por cristãos. Eles acreditavam que como somos todos criados iguais aos olhos de Deus, ninguém tem o direito de subjugar outro sem o seu consentimento. Essa é a base moral não só da anti-escravidão mas da democracia.

Jefferson foi de algumas maneiras o menos ortodoxo e o mais cético dos Fundadores dos Estados Unidos da América. Mesmo assim quando condenou a escravidão se viu usando linguagem bíblica. Nas Notes on the State of Virginia Jefferson advertiu que aqueles que fossem escravizar pessoas deveriam refletir que “o Todo-Poderoso não tem qualquer atributo que possa servir para essa causa.” Jefferson acresentou, “E podem as liberdades de uma nação serem tidas por seguras quando retiramos sua única base firme, a convicção na mente das pessoas de que essas liberdades são o presente de Deus? Que elas não devem ser violadas causando sua ira? De fato eu tremo pelo meu país quando reflito que Deus é justo: que Sua justiça não pode adormecer para sempre.”

Mas não era Jefferson também um homem de ciência? Sim ele era, e foi com base na mais recente ciência de seus dias que Jefferson expressou suas convicções sobre a inferioridade negra. Citando as descobertas da ciência moderna, Jefferson notou que “há variedades na raça do homem, distinguidas por seus poderes tanto de corpo como de mente... como noto ser o caso com as raças de outros animais.” Aos negros, continuou Jefferson, faltam os poderes da razão que são evidentes nos brancos e até nos índios nativos. Enquanto os ateus de hoje gostam de posar como exemplos da dignidade, o olhar científico e cético de Jefferson contribuiu não para seus sentimentos anti-escravistas mas para seu racismo. De alguma forma Harris e Shermer falham em apontar isso.

No final permance o fato de que os únicos movimentos que se opuseram à escravidão foram mobilizados no Ocidente, e foram em sua maioria absoluta liderados e constituídos por cristãos. Infelizmente o Ocidente teve que usar a força para acabar com a escravidão em outras culturas, como o tráfico muçulmano de escravos na costa da África. Em alguns lugares a campanha para erradicar a escravidão continua.

Então quem acabou com a escravidão? Os cristão acabaram com a escravidão, enquanto todo mundo parou pelo caminho e olhou.

...

[1]N. do T. A Guerra Civil americana foi uma guerra de grandes proporções entre Estados do Norte contra Estados do Sul nos anos de 1861 a 1865 que resultou na morte de 970.000 pessoas.

Dinesh D'Souza é autor do livro What's so great about Christianity(O que há de tão formidável no Cristianismo). Sua página web pode ser acessada em dineshdsouza.com

tradução Daniel Lourenço.

terça-feira, janeiro 15, 2008

Reportagem sobre a China na GloboNews

O canal de Tv por assinatura Globo News está anunciando uma reportagem sobre a prosperidade da “economia socialista de mercado” e de sua emergente classe média. Considero uma falta de escrúpulos do jornalista ou de seu superior dentro da empresa, ou dos dois, em fazerem uma matéria sobre a China exaltando sua prosperidade econômica, que é restrita a algumas cidades, sem falarem na miséria que grassa no campo, como se a China tivesse de repente se tornado modelo de desenvolvimento para outros países, o Brasil por exemplo. Muita gente acredita nisso mesmo. Talvez algum intelequitual queira trabalhar na fábrica da Nike para ganhar um salário que dê para pagar o almoço. Mas isso não importa, o importante é que a China se ergueu e faz frente aos EUA.. Bom, a própria prosperidade chinesa, que é nada se comparada à miséria do país, é movida pelos investimentos de empresas ocidentais e americanas em particular.

Sobre a China, é importante também comentar sobre a proibição dos casais de terem mais de um filho, o que aliás faz com que o infanticídio cresça, pois famílias preferem ter apenas um filho macho e matam o bebê do sexo feminino. O Tibet parece estar saindo da moda, agora que até o líder do país, o sr. Dalai Lama, quer entregar os pontos para a ditadura comunista. De qualquer modo, o segundo líder espiritual do país, o décimo primeiro Panchem Lama, foi raptado pelo governo de Pequim e é o prisioneiro político mais jovem do planeta. A censura à Internet continua, claro.. O governo chinês até ensaiou a proibição de entrada de Bíblias no país, mas parece que a política não pegou, haja vista que em 2008 o país abrigará as Olimpíadas.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Indios Tabajaras



Os indios tabajaras tocam uma valsa de Chopin. Um celular malinha aparece no meio da música, mas nada que atrapalhe..

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Confusão computadorizada

Thomas Sowell, sobre como os engenheiros de computador podem complicar nossas vidas. Aqui.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

A filosofia de Sócrates

"Os medíocres vivem lúcidos
Somente eu aparento estar confuso"
(Lao-Tsé)

Acuado por opositores em julgamento que lhe poderia valer a morte, Sócrates contou a história de por que fazia perguntas incessantes às pessoas:

“O fato é, homens de Atenas, que adquiri essa reputação devido a nada além do que uma espécie de sabedoria. Que espécie de sabedoria é essa? Apenas a sabedoria humana. Talvez os homens de que estávamos falando sejam sábios em outra espécie de sabedoria, maior que a humana...”

“Não, não me interrompam, a palavra que falo sai da minha boca mas não fui eu em quem a disse, porém uma pessoa de peso: O próprio Oráculo de Delfos. Aqui está o irmão de Querofonte que não me deixa mentir. Ele pode testemunhar que seu irmão falecido foi a Delfos perguntar ao Oráculo se havia alguém mais sábio que eu. O Oráculo respondeu que não.”

“Ora, isso me deixou intrigado. 'O que será que esse deus quer dizer, como devo interpretar suas palavras? Pois sei que não sou sábio de modo algum. Mentindo o Oráculo não está, pois um deus não mente, mas então como ele pode ter declarado isso?' Fiquei espantado. Chegou o momento que decidi investigar o que o Oráculo dissera.”

“Fui conversar com uma dessas pessoas que as pessoas em geral dizem ser sábias. Minha intenção era descobrir alguém mais sábio que eu e então mostrar ao Oráculo que ele se enganara. Fui eu pois conversar com um homem, homem público de Atenas, e conversando com ele percebi que parecia bastante sábio para outras pessoas e até para si mesmo, mas não o era em realidade. Tentei-lhe então mostrar que pensava ser sábio sem o ser de verdade. Ele passou a me odiar, bem como muitas das pessoas ali reunidas. No caminho de volta fui pensando comigo mesmo: 'Esse homem pensa que é sábio, mas não é. Eu não sou sábio, nem penso que sou. Sou mais sábio que ele nesse respeito.”

“Segui minha jornada. Conversei com os poetas. Algumas poesias pareciam ser tão elaboradas que esperava encontrar neles a sabedoria que buscava. Para meu espanto, entretanto, os poetas não sabiam explicar bem a sua obra, e qualquer homem ali presente era capaz de explicá-la melhor que eles próprios. Então compreendi que o que os poetas compunham não o faziam por sabedoria, mas por uma inclinação natural e por uma inspiração do mesmo tipo que têm os profetas e as profetizas de oráculos, os quais também falam coisas magníficas, mas não têm idéia do que estão falando.”

“Por fim, entrevistei os artesãos. Pensava que ia encontrar homens que sabiam muitas coisas boas, e de fato não me decepcionei. Eles realmente sabiam muitas coisas boas. Porém, ó homens de Atenas, eles tinham o mesmo cacoete dos poetas. Porque praticavam bem a sua arte, criam ser muito sábios em todo e qualquer outro assunto.”

“Compreendi então o que o Oráculo dissera.”

......

Atualização de 11/08/2012.

Muitos comentaristas futebolísticos criticavam comentários de Pelé, o maior jogador de futebol de todos os tempos. Alguns, espantados, chegaram a se perguntar se ele não entendia de futebol. Ora, como pode ser isso?

No caso, Pelé seria como os poetas com que Sócrates conversou. Sabe jogar futebol, mas não saberia como se o faz.

sábado, dezembro 29, 2007

Quer entender o espírito do capitalismo?

Então leia esse post no sítio de Antonio Fernando Borges.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Um novo tipo de amor














Essa é uma mensagem para a oitava de Natal. O texto foi escrito por Dinesh D'Souza, que é autor do livro What's so Great About Christianity (O que há de tão formidável no Cristianismo), o qual pode ser adquirido na livraria virtual amazon.com. A página de Dinesh é dineshdsouza.com e já consta na seção de links ao lado.
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Em seu belo livro Os quatro amores, C. S. Lewis descreve os quatro tipos distintos de amor. Três deles são universais e portanto familiares a todos. Primeiro há o STORGE ou amor familiar. Essa é a afeição que sentimos por parentes, vizinhos e as pessoas que convivem conosco. O amor entre pais e filhos provavelmente é o caso clássico de amor familiar. Curiosamente não escolhemos aqueles que serão objeto de amor familiar; por conseqüência, Storge nos introduz a pessoas com quem talvez não tivéssemos escolhido para conviver e cujas virtudes talvez jamais aprendamos a apreciar.

Segundo, há EROS ou o amor romântico. Tão poderosa é sua força que as pessoas feqüentemente se descrevem enamoradas[1], como se estivessem presas a uma força externa. Os personagens Paolo e Francesca de Dante buscam justificar seu adultério argumentando, de fato, que “Eros nos fez fazer isso.” O amor romântico parece encarnar uma espécie de altíssima moralidade que derruba as regras convencionais. O apelo de Eros é que ele nos dá aquela consciência momentânea de transcendência. Traz consigo a sugestão e até a explícita alegação de eternidade: “Eu sempre te amarei.” No entanto sabemos por experiência que Eros pode ser muito volúvel. Lewis escreve, “Eros é levado a prometer o que Eros não pode cumprir.”

A seguir há a FILIA ou amizade. A amizade não é um amor natural no sentido de que não necessitamos dela para sobreviver. Ao contrário dos pais e vizinhos, os amigos são realmente escolhidos. Os amigos não estão unidos muito por um interesse um no outro mas porque compartilham interesse em outra coisa: xadrez quem sabe ou a arte ou uma percepção comum daquilo que é importante na vida. Enquanto os amantes podem ser flagrados olhando intensamente um para o outro, os amigos podem ser flagrados lado a lado olhando intensamente na mesma direção.

Em seu máximo, argumenta Lewis, essas três formas de amor exigem de nós o mais alto compromisso. Cada um faz exigências que procura sobrepujar o outro e qualquer afeição competidora. Lewis mostra ainda que cada um contém severas limitações. O amor familiar pode ser tão forte a ponto de nos cegar para as necessidades dos outros fora desse atrativo círculo. Eros é um famoso mentiroso. A amizade pode se degenerar rapidamente em exclusividade mesquinha. Os três amores universais, escreve Lewis, devem ser integrados, reconciliados e governados por um quarto tipo de amor.

Esse amor é AGAPE ou a caridade. É o amor que temos para com aqueles que não são nada para nós. É o menos egoísta de todos os amores e também o menos natural. Simplesmente não há explicação darwinista sobre por que as pessoas se preocupam e procuram ajudar aqueles que são completos estranhos. Agape é quem mais se aproxima do amor de Deus por nós. Deus nos amou por nenhuma outra razão a não ser porque Ele escolheu nos amar. Nós somos chamados a experimentar e nos aproximar desse amor na maneira com que tratamos os outros. Nenhuma outra religião ensina Agape, que é uma invenção toda do Cristianismo. Pouco se dão conta as pessoas seculares de que quando fazem coisas boas que não as beneficiam de maneira alguma, estão agindo de acordo com o legado do Cristianismo.

Esse é o amor que o menino Jesus trouxe ao mundo, uns dois mil anos atrás. Ateus pugilistas como Richard Dawkins e Sam Harris brigam longe de Jesus, não acertando nele um golpe sequer e revelando no processo sua ríspida insignificância. De modo que se todas as pessoas - incluindo cristãos professos - tomassem com mais seriedade os ensinamentos de Cristo, e buscassem incorporar em suas vidas a virtude cristã por definição, Agape, não seria essa terra um lugar mais doce e amável?

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[1] Nota do tradutor: no original, “in love”.

tradução de Daniel Lourenço

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Entrevista com Tom Jobim

Essa semana assisti a uma entrevista concedida pelo mestre Antonio Carlos Brasileiro Jobim nos seus 60 anos de idade. O repórter, talvez pensando que o músico se torna automaticamente um sábio por ser um ancião, fez-lhe perguntas sobre problemas atuais como desmatamento, guerra, e o músico não se fez de rogado, dando seus pitacos em tom levemente indignado, ao sabor carioca. Eis aí um homem sábio naquilo que sabe fazer, que é a música, opinando sobre aquilo que não sabe. Cena ruim de se ver.

A entrevista foi concedida em 1987. Compreende-se que nessa época as pessoas quisessem opinar sobre tudo e falar sobre qualquer coisa, pois haviam recém saído de um regime ditatorial.
O que não se aceita é que vinte anos depois esse desejo tenha crescido.

Essa idéia de que toda opinião tenha que ser respeitada é uma defesa contra o dever de buscar a verdade sem se acomodar com o sabido e de calar quando não se sabe. Mas o importante não é a opinião, e sim a verdade, entendida aqui como correspondência entre pensamento e realidade. Como a realidade não se transforma no pensamento, o pensamento tem que se transformar na realidade e isso exige um esforço contínuo de humildade, que é condição básica para o aprendizado seja do que for.

Ao invés de noticiar, jornalistas incitam os consumidores a tomar parte naquilo que estão mostrando, e o homem mal sabendo o que está acontecendo já se sente louco para “fazer algo a respeito.” É que não se trata de interpretar o mundo, mas de transformá-lo.

domingo, dezembro 23, 2007

Dez anos do Indivíduo

O jornal eletrônico O Indivíduo completou 10 anos. Leia aqui o texto de Lucas Mafaldo que faz um balanço da influência da Internet na cultura brasileira. Está crescendo..

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Liberais e conservadores

Vez ou outra utilizo o termo liberal contraposto ao de conservador, sem maiores explicações. Minha intenção é que os termos ganhem a mesma conotação que têm nos EUA, onde o liberal é o esquerdista, ou seja, aquele que defende o relativismo moral, e todas as implicações disso em políticas que vão desde a liberalização do aborto até a defesa do casamento de homossexuais, e o conservador é aquele que acredita que existem o certo e o errado, muito embora possa ser super difícil identificá-los na situação concreta. No Brasil o termo liberal se identifica em primeiro lugar com o defensor do livre-mercado, da tradição da economia clássica. Ocorre que não necessariamente, no entanto, um defensor do livre-mercado também acredita em valores morais, por isso a definição política de liberal é precária, dado faltar-lhe explicação sobre componente que é essencial no caráter político, qual seja, o componente moral (ou amoral).

Mais sobre o tema, e melhor explicado por homem da área de tradução, ver em http://www.pedrosette.com/2007/03/08/liberals-e-liberais-conservatives-e-conservadores/.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Dez princípios conservadores.

por Russell Kirk, traduzido por Paulo Ricardo.
Clique aqui e baixe o texto.

sábado, dezembro 08, 2007

Os EUA na Nova Ordem Mundial

Os EUA são o país onde a resistência à Nova Ordem Mundial se dá com mais intensidade. Embora hajam nascido nesse país diversos movimentos político-ideológicos contemporâneos, também nesse país se construiu a mais forte resistência a esses movimentos.

Quando a URSS se dissolveu, muitos analistas apontaram os EUA como a única superpotência do planeta, a que exerceria uma hegemonia sobre outras nações. Até mesmo o ultra perspicaz Olavo de Carvalho apontou os EUA como o novo Império. Na década de 90, porém, outros centros de poder consolidaram-se e passaram a exercer influência enorme. A ONU e entidades transnacionais como a União Européia pressionam governos a adotarem aquele rol de direitos citado no post anterior. Fundações bilionárias, as mais conhecidas dentre elas de origem americana, dão apoio financeiro a projetos relacionados. O Centro de Estudos e Pesquisas no Ensino do Direito (CEPED) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro foi fundado com apoio da Fundação Ford. Deve ser um dos motivos pelos quais minha ex-faculdade é tão liberal...

A origem de vários desses movimentos da Nova Era é americana. O feminismo, o ambientalismo, o movimento homossexual, se não tiveram suas origens nos EUA, ao menos tornaram-se bandeiras globais pelo barulho que fizeram nesse país. Por esse motivo muitas pessoas tomam os EUA como o criador da Nova Ordem Mundial. Essa idéia, porém, não é correta. Esses movimentos não são exatamente apoiados pela população. Na década de 70, a chamada “maioria silenciosa” já mostrava que não compartilhava desses valores relativistas elegendo o presidente Richard Nixon. Na década seguinte, a eleição do presidente Ronald Reagan tirou a “maioria silenciosa” do armário e o movimento conservador começou a ganhar força. Antes disso, autores conservadores como Russell Kirk e Eric Voegelin, entre outros, conquistavam o coração de estudantes sinceros. Ronald Reagan disse as seguintes palavras de Russell Kirk: “Como profeta do conservadorismo americano, Russell Kirk ensinou, estimulou e inspirou uma geração. Desde... Piety Hill, ele foi fundo nos valores americanos, escrevendo e editando trabalhos centrais de filosofia política. Sua contribuição intelectual foi um profundo ato de patriotismo. Aposto que no futuro seu trabalho continuará a exercer profunda influência na defesa de nossos valores e de nossa estimada civilização.”

Mês passado completaram-se 20 anos da publicação do livro “The closing of the american mind”, de Allan Bloom, que foi um marco na crítica à burrice universitária. Desde 1987, dois movimentos são bastante claros na sociedade americana. Por um lado, o Estado tem cada dia mais controle sobre a vida do cidadão. Por outro, no meio intelectual, a esquerda sofre derrotas atrás de derrotas. Christopher Hitchens não tem como discutir com Dinesh D' Souza a não ser apelando para um senso comum barato ao qual não falta cinismo. (ver o vídeo do debate entre os dois na página de Dinesh D' Souza, com link ao lado). O primeiro desses movimentos é o refexo político de décadas de domínio liberal da cultura, bem como das enormes somas de capital investidas pelas Fundações bilionárias. A reação a esse movimento pode ser ilustrada pelo convite feito pela American Family Association, organização conservadora americana, a boicotar os produtos da Ford, o que resultou, dentre outras causas, em queda vertiginosa no faturamento dessa empresa. O mais importante evento, no entanto, foi o surgimento dessa geração fantástica de jornalistas e escritores, que inclui Ann Coulter, Thomas Sowell, Sean Hannity - e vários outros que o autor conhece só de nome, os quais desmascaram uma a uma as artimanhas de políticos desejosos de exercer controle enorme sobre a vida do homem. Até George W. Bush não escapa da mira desses jornalistas. Se você acredita que ele é direitista, passe a ler os artigos dessa turma da pesada. Mais do que a guerra contra o Iraque, o presidente George W. Bush talvez entre para a história como o homem que permitiu o fim da soberania e identidade americanas, dissolvendo-as numa entidade transnacional chamada North American Union, que é um arremedo de União Européia para a América do Norte.

Olavo de Carvalho já disse que precisaria reescrever o capítulo de seu livro em que aponta os EUA como o novo Império. Ele tem razão. Os EUA são a bucha de canhão da Nova Ordem Mundial. A própria hegemonia americana é usada como forma de aumentar o poder do Concerto das Nações. Eu imagino se a Inglaterra do século XIX aceitaria discutir assuntos polêmicos com Brasil, China, Japão..

Presidentes dos EUA confusos aceitam políticas que vão de encontro aos valores mais americanos. A Nova Ordem Mundial é uma época de desordem.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

O Brasil na Nova Ordem Mundial

O Brasil é o país que se adequou perfeitamente ao projeto da Nova Ordem Mundial. Desde que George Bush o anunciou, pouco antes de a cidade do Rio de Janeiro receber a Eco-92, o Brasil vem adotando um a um os programas da ONU sobre direitos sexuais, ambientais, raciais, indígenas e outros - sem querer discriminar esse OUTROS, é que o autor dessas linhas não consegue lembrá-los agora.

O ambientalismo talvez seja a ideologia que mais forte toca o coração das pessoas. Inteligente articulista do site Mídia sem Máscara comparou o projeto TAMAR com o projeto de legalizar o aborto, chamando-o, em feliz trocadilho, de projeto MATAR. Não se toca nos ovos de tartaruga, porém o feto humano pode ser cortado com tezoura e jogado em um balde. Aquecimento global é quase um mantra, muito embora aqui e ali vozes se levantem para dizer que talvez esse seja apenas um ciclo passageiro, como o de ligeiro esfriamento global nos anos 50, o qual o jornal NY Times anunciava então com estardalhaço..

A Nova Ordem Mundial é a ordem da liberdade irrestrita. Faz-se o que quer, e ninguém tem nada com isso. Nessa era em que só se fala de democracia, seria bom voltar a ler o velho mestre Platão, cujas advertências sobre os riscos da liberdade irrestrita são bastante atuais... Traduzo do livro VIII de A República: "E a sua humanidade para com os condenados não chega a ser charmosa? Você não reparou que, em uma democracia, muitas pessoas, embora tenham sido sentenciadas à morte ou ao exílio, continuam no lugar que estão e caminham livres e soltas - os cavalheiros posam de heróis, e ninguém repara ou se importa?"

Nenhuma sociedade bem organizada se funda na idéia de liberdade, mas na de virtude. A liberdade irrestrita, o relativismo, e o ateísmo militante invariavelmente conduzem à tirania.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Hitler era um esquerdista

(Clique no título e suba com o mouse na tela que aparecer)

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Notas sobre A República de Platão

Mais do que o desenho que faz do Estado em A República, é importante notar em Platão sua idéia de fundo de sociedade. Há pessoas que consideram Platão um tirano, mas essa é uma visão muito superficial. Algumas frases de A República são significativas para derrubar essa tese. Quando, ao ser perguntado por seu interlocutor se o guardião não rejeitaria a vida contrita que lhe é designada tornando-se um tirano, Sócrates - o personagem-voz de Platão no livro - responde, citando Hesíoso, que a "metade é melhor que o todo", ou seja, que viver as paixões com parcimônia é melhor que vivê-las desregradamente. Essa frase indica que Platão não acreditava nesse Estado modelo de uma forma utópica, muito menos imposta, mas demonstra que Platão lamenta que o guardião - o governante - possa abandonar a vida contrita feliz que tem para tiranizar os governados, tornano-se ao final infeliz também. De nada adianta todo o desenho constitucional do Estado se o guardião não estiver disposto a levar uma vida contrita. É coisa a se lamentar apenas, pois fará mal a si mesmo e à cidade. Platão sabe que a lei é feita para os homens. Uma lei boa não faz um homem bom. Ao contrário, o homem bom faz a lei boa. De forma intuitiva talvez, Platão prescreveu uma lei fundamental de conduta ao guardião a qual é a tentativa de captar a lei moral que rege o coração do grande homem, e que só esse pode conhecer. O grande homem é que ele chama de o guardião.

sábado, novembro 24, 2007

Domingo com poesia

Vale a pena ler o último Domingo com poesia de Pedro Sette Câmara (ver link ao lado). O homenageado é Bruno Tolentino, a um ano de seu último aniversário.

Não dá para não se encantar com o poema O segredo, do livro As horas de Katharina.

A educação liberal e a educação brasileira

por Daniel Lourenço

A educação liberal constitui-se dos famosos 3R's no inglês: "reading", "writing", "arithmetics". Ler, escrever e contar são os fundamentos de qualquer educação que se pretenda verdadeira. Relegar esse aprendizado a um segundo plano ou igualá-lo ao aprendizado de técnicas profissionalizantes é o erro por trás do emburrecimento de uma população.

Muito se tem falado no Brasil de inclusão digital. O governo quer que as escolas tenham computadores para que os estudantes estejam preparados a usar essas máquinas no mercado de trabalho. Preparar um estudante para mexer com computadores não é ruim, desde que não se esqueça do que é fundamental. Quem sabe ler e escrever bem tem muito mais capacidade de aprender novidades do que quem que não sabe. A técnica de usar computadores será aprendida de uma forma ou de outra durante a vida. Apenas demonstra o desinteresse pela formação humana a preocupação excessiva com esse aprendizado. Assim, não espanta que o Brasil ocupe os últimos lugares nas competições internacionais de estudantes.

Outro ponto bastante discutido é a educação através do esporte. Comenta-se que o esporte tira crianças da rua e que ensina valores como lealdade e competição. Mais uma vez há um desvio de foco do que é principal. Não se trata de condenar a educação física, mas de dar-lhe o seu devido lugar. Até grandes esportistas que ganharam salários bastante altos puderam encerrar suas carreiras em dificuldades financeiras por não saberem administrar seu dinheiro. Isso em parte porque não aprenderam a fazer contas direito.

Por fim, a política de passar de série o aluno independente de seu rendimento acadêmico tende a ser desastrosa. Alunos bons e talentosos ver-se-ão desprestigiados e desmotivados, como se já não bastasse o Presidente da República orgulhar-se de não gostar de ler.

O cenário da educação brasileira não é promissor. A ênfase dada a aspectos secundários é um erro, sem falar na ideologização do ensino. Um país não se faz apenas de profissionais, mas de homens em primeiro lugar. A educação liberal clássica cria esses homens.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Da bondade no homem

"Até que você atinja os níveis do Paraíso, a bondade será sempre mais uma busca do que uma posse, mais um objetivo do que uma experiência de obtenção."

No homem, pelo menos aqui no espaço-tempo, a bondade parece mais um deixar-se fazer do que um fazer efetivo. É como ficar feliz por algo que você nem sabe direito como aconteceu, e aconteceu através de você.
Por isso não consigo acreditar muito em responsabilidade social, campanhas disso ou daquilo. Parece-me mais um modo de a pessoa dar um pouco de seu dinheiro e esquecer-se do resto.

quinta-feira, novembro 15, 2007

Desculpas

Por falta de atenção, não notei que hoje é dia de Proclamação da República. Creio que o humor do post anterior seria cabível em outra data, não hoje. Peço desculpas.

Por qué no te callas?

Depois das últimas manifestações de Lula sobre o cala-boca de Chavez, eu tenho uma proposta: que voltemos ao sistema político da União Ibérica e o Brasil seja governado pelo rei Juan Carlos.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Revolução russa

Indico o site http://www.revolucaorussa.org/. O texto Tinta vermelha, capítulo do livro Tragédia de um povo, de Orlando Figes, é excelente.

domingo, novembro 11, 2007

História e ação do cinema

por Daniel Lourenço

Desde seu início, o cinema tem sido considerado a sétima arte. Os efeitos do cinema no imaginário popular são reais, e ele chega inclusive a ser usado por governos totalitários desejosos de amoldar o imaginário coletivo à sua ideologia.

O cinema se estabeleceu durante os anos 20 e 30. Nesse período grandes diretores como Fritz Lang e F. W. Murnau produziram verdadeiras obras-primas. Pessoas que jamais compreenderiam a loucura satânica de um Dr. Mabuse lendo tratados de psicologia clínica agora podiam entender sua ação perigosa sobre a sociedade em apenas duas horas. Ou ainda, crianças e jovens que ouviam as histórias do Conde Drácula, ratificavam seus temores com a forte impressão deixada pelo filme Nosferatu. Casais em crise podiam enxergar no filme Aurora um farol de esperança.

No entanto, o cinema não produziu apenas histórias edificantes. Ele também foi usado por pessoas sem escrúpulos que tentavam introduzir mentiras na sociedade. Os cinemas soviético e nazista são exemplos patentes disso. Até mesmo nos EUA, durante as décadas de 40 e 50 sobretudo, houve uma série manipulação da arte por comunistas. Fato curioso foi o filme Tropa de elite, sucesso absoluto no Brasil, que arrebatou uma legião de fãs. O filme foi produzido por dois diretores que, a julgar pelas entrevistas que concederam, são esquerdistas; o filme, porém, é o mais anti-esquerdista que já houve nesse país. Às vezes a retórica e a intenção dos diretores cedem espaço ao turbilhão de imagens reais produzidas, e o filme ganha um contexto bem diferente do que foi pretendido.

O cinema é uma novidade na história da humanidade. Ele existe desde o século XX. Seu apelo imaginativo e facilidade de acesso - que o teatro infelizmente não possue - dão à arte um poderoso meio de formar o imaginário coletivo e seus efeitos, para o bem e para o mal, são reais, embora nem sempre evidentes.

quinta-feira, novembro 08, 2007

Sociopatia e revolução

por Olavo de Carvalho
publicado no Diário do comércio em 23 de outubro de 2006

Com toda a sua presunção e arrogância, a ciência social moderna não conseguiu produzir nenhuma descoberta que se aproximasse, em exatidão e força explicativa, da doutrina hindu das quatro castas, da qual a concepção marxista da luta de classes é uma imitação caricatural e remota, daí derivando a impressão de veracidade que possa exercer sobre a mente simplória do "proletariado intelectual" universitário.

É impossível, a quem tenha se dado o trabalho de estudar um pouco a explicação hinduísta do processo histórico, observar a seqüência das estruturas de poder que se sucedem ao longo da história ocidental sem notar que ela repete ipsis litteris a transição do governo brâhmana para o kshatryia, deste para o váishyia e deste para o desgoverno shudra e para a confusão dos párias que prenuncia ou o fim da sociedade ou o retorno à ordem inicial.

Vou aqui resumir brevemente essa doutrina, não como ela é em sua pura formulação originária, mas na adaptação que lhe dei, em cursos e conferências proferidos desde 1980, para torná-la mais flexível como instrumento explicativo de processos histórico-culturais mais recentes.

Os brâhmana são a casta intelectual, voltada à busca do conhecimento espiritual e à construção de uma ordem social que reflita mais ou menos a "vontade de Deus" – as leis que determinam a estrutura inteira da realidade.

Os kshatryia são os guerreiros e aristocratas, que sobrepõem à estrutura da realidade a glorificação das suas próprias tradições dinásticas e a expansão do seu poder militar.

Os váishyia são os burgueses e comerciantes. Buscam em tudo o lucro e a eficácia econômica, que tomam ilusoriamente como um poder efetivo, ignorando as bases militares e espirituais da sociedade e terminando por ser rapidamente destruídos pelos shudra. Estes são os "proletários", no sentido romano do termo. Incapazes de governar-se a si mesmos, importam somente pelo poder do número, pela extensão quantitativa da "prole".

Os brâhmana caem pela sua dificuldade de manter-se fiéis à intuição espiritual originária, esfarelada entropicamente em confrontações doutrinais de um artificialismo sufocante, cada vez mais insolúveis e violentas.

A ascensão do poder aristocrático, com a formação dos modernos Estados nacionais, nasceu diretamente da necessidade de apaziguar os conflitos religiosos por meio de uma força externa, político-militar.

O governo kshatryia cai porque o establishment aristocrático-militar é um poder essencialmente centralizador e expansionista, que tem de se apoiar numa burocracia crescente cujos funcionários ele próprio não pode continuar fornecendo indefinidamente e que ele colherá, portanto, entre os membros mais talentosos das duas castas inferiores, aos quais dará o adestramento necessário para o exercício de suas novas funções administrativas, judiciais, diplomáticas etc. Daí nasce a "intelectualidade" moderna, como subproduto de um sistema de ensino voltado à formação de funcionários para o Estado. Por outro lado, tão logo a burocracia se consolida como meio de ascensão social, os candidatos a ela são sempre em número maior do que os cargos disponíveis, ao mesmo tempo que o ensino, sendo ele próprio um instrumento de seleção, tem necessariamente de atingir um círculo maior de alunos do que aqueles aos quais pode garantir um cargo no funcionalismo público. A burocracia com que o Estado kshatryia controla a sociedade torna-se assim uma bomba de efeito retardado. De um lado, não é preciso dizer que a intelectualidade burocrática logo tem em suas mãos o controle efetivo do Estado, sonhando em sacudir de seus ombros o jugo de uma casta aristocrática cada vez mais ociosa e dispendiosa. De outro lado, há a multidão dos rejeitados. Suas ambições foram despertadas pelo ensino, frustradas pela seleção profissional. Eles formam o contingente daquilo que denominei "burocracia virtual" – o exército crescente daqueles indivíduos relativamente adestrados, mas sem função. Seu único lugar possível na sociedade é dentro do Estado, mas o Estado não tem lugar para eles. Eles são a classe revolucionária por excelência, o personagem central da aventura moderna. Não demorarão a sonhar com um Estado amoldado às suas necessidades. Enquanto não conseguem criá-lo, ocupam-se de tagarelar infindavelmente sobre todos os assuntos, espalhando por toda a sociedade seu rancor e suas frustrações e, sobretudo, adornando-se usurpatoriamente do prestígio dos antigos brâhmana, dos quais constituem a caricatura invertida. Os "intelectuais" são o clero leigo da Revolução. Se vocês já ouviram falar em PT, sabem do que estou falando. Mais adiante voltarei a isso.

Por outro lado, o Estado aristocrático custa caro e não pode se manter indefinidamente com os recursos de uma economia agrária tradicional e simplória; a expansão econômica requer a mobilização de capacidades específicas que são as dos váishyia. Os banqueiros e industriais fornecem a nova base econômica do Estado, arregimentando a mão-de-obra shudra em proporções jamais sonhadas antes e substituindo à antiga economia agrária o moderno capitalismo.

É nesse momento – e só sob esse aspecto – que a diferença entre dois sistemas de propriedade dos meios de produção se torna determinante historicamente, criando uma situação peculiar que Karl Marx projetará enganosamente sobre todo o curso da História. Mas também é claro que a ascensão do capitalismo, em si, não apresenta risco para a classe aristocrática, a qual facilmente se adapta aos novos modos de adquirir riqueza e integra nas suas fileiras, por meio de casamentos e da distribuição de títulos nobiliárquicos, os novos ricos ascendidos sem nobreza ancestral, sine nobilitate (abreviatura s. nob., donde o termo "esnobe"). A essa adaptação corresponde, politicamente, a passagem do Estado monárquico absoluto à moderna monarquia parlamentar, um processo que não tem por que ser violento ou traumático, só vindo a sê-lo na França porque o crescimento excessivo da burocracia estatal tinha ocasionado fatalmente um crescimento ainda maior da "burocracia virtual" e transformado em puro rancor revolucionário as ambições frustradas da intelectualidade. Foi esta que fez a revolução. Não havia um só capitalista entre os líderes revolucionários, e a burguesia, como se viu na Inglaterra, jamais precisou de revolução nenhuma para se elevar socialmente a um status ao qual a própria aristocracia a convidava insistentemente. O conceito de "revolução burguesa" é uma das maiores fraudes da história das ciências sociais. Os componentes da burocracia virtual, por sua vez, não podem ser definidos economicamente. Seu único traço em comum era a educação que os diferenciava da massa. Vinham de todas as classes – do campesinato, do antigo clero, da pequena burguesia, dos setores empobrecidos da própria aristocracia. Não tinham unidade de origem, mas de situação social e ambições. A fórmula verdadeira da sua unidade residia no futuro: na imagem do Estado perfeito, investido de todas as virtudes que eles próprios julgavam encarnar. Vivendo de fantasia autoglorificante, compensação psicológica de sua posição social vexatória, não é de estranhar que se concebessem como herdeiros da autoridade intelectual dos brâhmana mas também se imaginassem os sucessores naturais da Igreja como porta-vozes e protetores dos pobres e oprimidos, os shudra. Por toda parte falam em nome da "ciência", mas também da "justiça social". Imaginam encarnar ao mesmo tempo a autoridade espiritual mais alta e os direitos espezinhados da casta mais baixa. Mas assim como não houve burgueses na vanguarda da "revolução burguesa", não haverá proletários entre os líderes da "revolução proletária". Toda a sociologia revolucionária é uma fraude ideológica destinada a encobrir o poder dos "intelectuais". Estes não são casta nenhuma. São uma interface nascida acidentalmente do inchaço canceroso da burocracia, e por isso mesmo lutarão para fazê-la crescer ainda mais onde quer que adquiram os meios para isso. São, a rigor, párias – uma mescla confusa e delirante de fragmentos de discursos das várias castas. São a pseudo-casta sem função nem eixo, sociopática por nascimento e vocação.

A ascensão da burguesia capitalista não é um processo revolucionário. É um longo e complexo processo de incorporação e adaptação. O capitalismo francês nasceu e permaneceu raquítico por causa da Revolução, que veio com a expansão burocrática e continuou vivendo dela até hoje, numa nação que é, por excelência, o paraíso dos "intelectuais". O capitalismo desenvolveu-se, isto sim, na Inglaterra, onde a aristocracia se adaptou suavemente às suas novas funções capitalistas, e na América, onde, sendo rala a presença da aristocracia de sangue, a própria burguesia capitalista se investiu do ethos heróico-aristocrático, gerando uma nova casta kshatryia. Observo, de passagem, que essa transfiguração da burguesia americana em aristocracia – o fenômeno mais importante e vigoroso da história moderna – jamais teria sido possível sem a profunda impregnação cristã da nova classe, que fazia dela, em contraste com a farsa dos "intelectuais", a herdeira parcial e longínqua, mas autêntica, da autoridade brâhmana.
Na doutrina hindu, não há jamais um governo shudra. Os shudra são, por definição, governados e não governantes. O sujeito pode nascer shudra mas ao ascender a funções de importância já é um "intelectual" (se Lula continuasse torneiro mecânico, seria apenas torneiro mecânico). O que pode haver é o governo dos intelectuais fazendo-se passar por vanguarda shudra e, é claro, oprimindo os shudra mais do que nunca, para que criem a base econômica de uma burocracia estatal ilimitadamente expansiva.

Economicamente, o governo shudra, ou socialismo, só tem existência verbal. Em 1921, Ludwig von Mises deu a demonstração cabal de que a economia totalmente estatizada é inviável e de que, portanto, todo regime autonomeado socialista nunca passaria de um capitalismo disfarçado sob a carapaça de ferro da burocracia estatal. A história não cessou de lhe dar razão desde então.
Dessa breve exposição é possível tirar algumas conclusões que a experiência histórica comprova abundantemente:

1 Onde quer que a burocracia estatal se torne a via predominante de ascensão social, como aconteceu na França do século XVIII ou na Rússia do século XIX, a burocracia virtual tende a crescer indefinidamente e a tornar-se geradora de pressões revolucionárias. Muitas nações modernas aliviam essas pressões criando um número indefinido de sinecuras culturais e universitárias para integrar e "oficializar" de algum modo a burocracia virtual, mas isso, por um lado, é um paliativo caríssimo, que só pode ser custeado por um capitalismo pujante, o que supõe, precisamente, que a Revolução seja abortada em tempo; por outro lado, a burocracia virtual oficializada pode se satisfazer por algum tempo com suas novas funções na sociedade capitalista, mas a ascensão social mesma acabará por torná-la ainda mais presunçosa e arrogante. Isso explica que precisamente nas nações onde os intelectuais têm as melhores condições de vida eles sejam os mais rancorosos inimigos da sociedade que os nutre e lisonjeia, mas em compensação não consigam ou talvez nem queiram desferir o golpe mortal nessa sociedade, limitando-se a constituir um fator de corrosão estrutural permanente, neutralizado, no conjunto, pelo progresso técnico e pelo crescimento capitalista.

2 Onde a burocracia virtual ainda não perfeitamente oficializada tenha como principal veículo de integração social um partido político, esse partido, encarnando a seus próprios olhos ao mesmo tempo a suprema autoridade intelectual e os direitos de todas as vítimas reais ou imaginárias da injustiça social, se colocará necessariamente acima das leis e instituições, arrogando-se todos os direitos e todas as virtudes e não reconhecendo julgamento superior ao seu.

3 Toda esperança de integrar esse partido no processo democrático normal será repetidamente frustrada, pois ele jamais entenderá sua participação nesse processo senão como concessão temporária – e, em si mesma, repugnante – às condições que impedem a consecução dos seus objetivos.

4 A conquista do poder total será sempre o objetivo e a única razão de ser desse partido, que tentará toda sorte de golpes de Estado e ao mesmo tempo verá como golpe de Estado qualquer tentativa, por mais tímida e limitada, de impedi-lo de chegar a seus objetivos. Exemplos não faltam no Brasil. O mais recente é aquele em que os líderes do partido dominante pregam abertamente a resistência violenta a uma possível derrota nas eleições, ao mesmo tempo que denunciam literalmente como “golpe de Estado” a simples revelação jornalística do dinheiro que usaram num truque sujo contra o adversário (vejam a maravilha de retórica invertida em http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/394501-395000/394778/394778_1.html ).

5 Como a função primordial do partido revolucionário, por baixo dos mais variados pretextos ideológicos, é justamente criar um Estado burocrático para servir a seus próprios membros, é normal e inevitável que esse partido, uma vez investido do poder estatal, encare o Estado como sua propriedade, usando-o para seus próprios fins e não vendo nisso a menor imoralidade. A burocracia virtual é sociopática por nascimento e por definição; e sua forma de governo, tão logo tenha as condições de implantá-la, é e será sempre a sociopatia organizada.

6 A afinidade do partido revolucionário com o banditismo comum é algo mais que conjunção temporária de interesses. Na perspectiva da burocracia virtual, o único mal no mundo é ela não ter o poder absoluto, é existir uma sociedade que a transcende e não a obedece. Todos os outros males, se enfraquecem essa sociedade e favorecem a conquista do poder total pelo partido revolucionário, são bens. A auto-idolatria solipsística do chefe de gangue e a do líder revolucionário são exatamente a mesma, com a leve diferença do requinte intelectual um pouco maior a favor desta última. É ridículo dizer que um partido como o PT "se transformou" numa quadrilha de delinqüentes. Ele nasceu delinqüente.

7 A insistência dos adversários em fazer de conta que esse partido pode participar honradamente do processo político normal levará sempre a condições de “guerra assimétrica”, em que um dos lados terá todos os encargos, e o outro todos os direitos.

PS – Para aqueles que tiveram a infelicidade de nascer membros da burocracia virtual, só há três caminhos de vida possíveis: (1) integrar-se na farsa revolucionária e sair alardeando que são benfeitores da humanidade; (2) cair para a marginalidade, a doença mental, a autodestruição ou o banditismo; (3) compreender sua situação histórica, lutar para escapar a uma condição social essencialmente farsesca e para adquirir, por meio do estudo e da autodisciplina espiritual, a dignidade do verdadeiro estatuto brâhmana, o que implica renunciar a todo poder político e a todas as vantagens psico-sociais da participação na intelectualidade revolucionária. Economicamente, sobreviver da atividade intelectual fora do esquema revolucionário de proteção mútua é um desafio temível.

Para os que nasceram váishyias, o desafio é resistir ao canto-de-sereia revolucionário e impor o capitalismo como modo de vida moralmente superior. Isto não é possível sem o cultivo da disciplina kshatryia e a aceitação dos encargos heróicos de uma nova casta nobre, o que implica a absorção, mesmo longínqua, do legado brâhmana. A luta no mundo moderno é entre os váishyia e os burocratas virtuais – isto é, entre aqueles que alimentam o Estado e aqueles que se alimentam dele. Se os primeiros se deixam hipnotizar pela cultura revolucionária, estão liquidados, e, com eles, os shudra, que perdem o estatuto de trabalhadores livres para ser escravos da burocracia comunista.

terça-feira, outubro 23, 2007

O declínio do riso

por Roger Scruton

A razão se mostra em todas as nossas tentativas de entender o mundo e em todas as maneiras de nos relacionarmos uns com os outros. Está presente nas nossas escolhas, e também nas nossas reações involuntárias. Apenas um ser racional é capaz de chorar ou corar, mesmo que essas duas reações estejam fora do alcance de nossa vontade. E apenas o ser racional é capaz de rir. Hienas fazem um som como de riso, mas não se trata na realidade de um sinal de contentamento, nem tem a função social que o riso tem – que é iluminar as nossas diferenças e alegrar-se com o que compartilhamos. O riso não é somente regozijo e satisfação, é a principal maneira de aceitarmos os defeitos de nossos semelhantes. E o riso, embora restrito aos seres racionais, deve ser espontâneo caso se pretenda real. O riso programado é uma espécie de zombaria; a risada espontânea é uma aceitação daquilo que a provoca, mesmo quando, ao rirmos de alguém, quebramos sua auto-confiança.

Uma sociedade que não ri é uma sociedade sem uma válvula de escape importante, e uma sociedade onde não se interpreta o humor bruto como o primeiro passo em direção a relações amistosas, mas como uma ofensa mortal, é uma sociedade onde a vida cotidiana tornou-se perigosa. Seres humanos que vivem em comunidades de estrangeiros necessitam desesperadamente de rir, caso não queiram ver suas diferenças transformadas em guerra civil. Essa foi uma das funções desempenhadas pela piada étnica. Quando poloneses, irlandeses, judeus e italianos competiam por territórios no Novo Mundo para onde haviam fugido, eles se abasteciam com uma reserva de piadas étnicas para rirem de suas manifestas diferenças.

O humor étnico foi estudado com profundidade pelo sociólogo britânico Christie Davies, e suas descobertas – no livro Mirth of Nations – são uma lembrete salutar da facilidade com que as soluções espontâneas criadas pela sociedade podem ser confiscadas pelos censores sem humor que querem nos governar. As piadas e provocações são gestos de conciliação, em que as diferenças se tornam inofensivas, jogadas para escanteio pelo riso. No entanto, em qualquer lugar do mundo moderno uma espécie de vigilância puritana está destruindo a piada étnica, condenando-a como uma ofensa à nossa humanidade. O que tradicionalmente era considerado como uma forma de prevenir conflitos sociais agora é visto como uma de suas principais causas: A piada étnica é acusada de “criar estereótipos,” e então maculada com a indelével pecha de racismo.

Ainda mais reprovável que a piada étnica aos olhos de nossos guardiões morais está a velha comédia dos sexos. Apesar de todo o inventivo labor das feministas, as pessoas comuns notam as diferenças bem reais entre os sexos, e a bastante necessidade de se acomodar essas diferenças e reduzir os conflitos a que elas podem dar ensejo. O humor tem sido o recurso clássico da humanidade para esse propósito, com o homem submetendo-se com graça à sua “melhor metade” e a mulher acatando os editos do “chefe da casa”. Mas quem agora ousaria fazer uma piada sobre relações sexuais ou sobre o temperamento feminino no campus de uma faculdade? Você pode pensar que a censura tem apenas um sentido: Haja vista que denúncias ferozes contra os homens, e disciplinas pseudo-acadêmicas inteiras dedicadas a repetí-las, são traços familiares na vida universitária americana. Mas tente fazer uma piada sobre os defeitos masculinos, e você se verá nos mesmos apuros que se tivesse feito uma piada sobre a fragilidade feminina. Isso porque para as feministas as falhas dos homens não são objeto de riso. Não há surpresa, portanto, no fato de na literatura feminina o humor estar ausente – o que faz bastante sentido, porque se o humor fosse empregado na literatura feminina, ela morreria rindo de si mesma.

Há muitos textos sem piadas na nossa literatura religiosa. O Velho Testamento está cheio delas – pense no aterrador livro de Josué – e o Corão é tão rigidamente sem piadas como qualquer documento que tenha sobrevivido aos esforços da humanidade de trivializá-lo. Mas isso aponta para outra área em que o humor se tornou perigoso. Cristãos, Judeus, ateístas, e Muçulmanos, vivendo lado a lado com aguda consciência das divisões entre si, e precisando desesperadamente da piada religiosa. Pela experiência da Diáspora, vivendo como estrangeiros ou residentes temporários em comunidades que a qualquer momento poderiam se voltar contra eles, os Judeus há bastante tempo têm consciência disso. Como resultado, as tradições rabínicas estão cheias de piadas auto-depreciativas, que sublinham a absurda posição de povo escolhido de Deus, vivendo às margens de um mundo que não sabe que é isso o que eles são. O humor judaico é um dos melhores mecanismos de sobrevivência jamais inventados – que ajudou não somente a sua sobrevivência mas a preservação da identidade judaica, em meio a uma história sem igual de tentativas de apagá-la.

Está claro para mim que precisamos de um repertório de piadas religiosas e do hábito de expressá-las sem temor. No entanto, muitos muçulmanos têm uma susceptibilidade exagerada para sentir-se desdenhados, e mal se pode fazer uma piadinha sequer sobre o Islam que não venha a ser interpretada como expressão de hostilidade. Aqui também os censores trabalham duro, privando a humanidade de sua maneira natural de resolver conflitos, e forçando-nos a adotar todo tipo de cuidados e deferência temerosa que são em realidade muito mais hostis do que uma gargalhada bem dada. É óbvio que religião é um assunto sensível, e a resposta britânica tradicional, de que não se deve jamais mencioná-la em sociedade polida, é compreensível. Mas num mundo em que os artigos de fé são cada vez mais beligerantes, a solução britânica deixou de ser viável. Sátiras do tipo que Molière dirigiu a Tartufo são exatamente o que os mullahs merecem. Satirizando-os, nós acertamos as contas com eles; também distinguimos seu ridículo farisaísmo da branda vereda de acomodação que os muçulmanos querem e precisam.

Um observador de fora não pode deixar de ficar atônito com o declínio deste tipo de humor nos Estados Unidos. Esse recurso humano universal, que nas obras de James Thurber, H.L. Mencken, Nathanael West, e outros grandes expoentes permitiram à América atravessar sem riscos convulsões sociais, e até acomodar a nova mulher americana, agora foi marginalizado ou desaprovado. Uma piada de mau-gosto pode custar-lhe a carreira, como Don Ismus recentemente descobriu – e qualquer piada que fale de raça, sexo ou religião, sofisticada o quanto seja, traz um sério risco de punição. Consequência disso é que um lúgubre silêncio envolve as grandes questões da sociedade americana moderna – um silêncio pontuado aqui e ali pelas histéricas manifestações de falta de humor dos que vêem suas sensibilidades artificiais provocadas.

Que isso é uma situação pouco saudável não é necessário mencionar. Mais deprimente, no entanto, são os efeitos na moral ordinária. No passado, era axiomático que as faltas deviam ser perdoadas se seguidas de clara intenção de repará-las. Esse axioma, ao que parece, não se aplica ao mundo da censura americana. Uma observação julgada “racista”, “sexista”,“estereotipada”, ou “homofóbica”, e você deve deixar o mundo das almas salvas para sempre. É o fim de suas perspectivas em qualquer carreira sobre as quais os censores exerçam controle – e isso significa qualquer carreira na educação ou no governo. Você pode rastejar o quanto queira, como fez Don Ismus; você pode representar o equivalente à peregrinação descalça do rei Henry II a Canterbury, e não fará diferença. Uma falta e você já era.

E não importa que não seja uma falta: Sua observação pode ter sido mal compreendida, sua piada pode ter ganho uma intenção não desejada, você pode ter cometido um ato falho – você pode, como o herói da grande novela de Philip Roth, The Human Stain, ter apenas usado no sentido comum uma palavra a que fora dado contexto político em algum romance.

De mais a mais, a habilidade dos auto-intitulados censores de discernir pecados ideológicos e heresias foi bastante acentuada pelo seu exercício diário de ressentimento. Esses acusadores sabem como distinguir crimes de pensamento racista, sexista e homofóbico na maior sem cerimônia. E eles não conhecem o perdão, porque eles não praticam, tal como todas as pessoas desprovidas de humor, o processo de auto-conhecimento. O desejo de acusar, que traz consigo a reputação de virtude sem o custo de adquirí-la, tomou o lugar da atitude humana habitual de perdoar, criando uma personalidade biônica familiar a todos que tenham tido de lidar com os lobbies que agora controlam a opinião pública na América.

Qual deveria ser nossa resposta a isso? É fácil de dizer que deveríamos rir disso. Mas perder sua carreira não tem graça alguma; menos graça ainda tem ser posto na lista negra da máquina de guerra islâmica. A mim parece que o necessário é uma classe de jornalistas rudes, arrogantes e cultos, que emprestariam apoio uns aos outros ao ridicularizarem a pretensão dos censores.

Nós tínhamos uma classe de jornalistas assim na Inglaterra até há bem pouco tempo. Durante todo o período de domínio das universidades pela extrema-esquerda nos anos 70, jornalistas como T.E. Utley, Peregrine Worsthorne, George Gale e Colin Welch dariam a seus leitores uma cobertura humorística, desrepeitosa e sem rodeios dos novos movimentos intelectuais. Como conseqüência, esses movimentos ganharam controle apenas das universidades e não da opinião pública. Alguns representantes daquela corajosa geração de jornalistas estavam na esquerda, como Alan Watkins e Hugo Young; alguns estavam na direita, como Utley e Worsthorne. Mas na disputa contra os censores eles juntavam forças, unidos no desprezo pela doença puritana. O resultado foi que cada um podia ser rude o quanto quisesse sobre o mar de estupidez que os cercava e ainda arrancar risadas acolhedoras dos leitores.

Infelizmente, a maioria daqueles jornalistas não está mais conosco, e lendo sobre o episódio de Don Ismus na mídia americana, eu imagino o que aconteceria se eles tivessem o seu equivalente por aqui.

tradução: Daniel Lourenço

sábado, outubro 20, 2007

Carta de um bebê

Recomendo o texto Carta de um bebê, no blogue de Leilah Carvalho, com link ao lado.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Quando nada mais resta

por Viktor Frankl. Capítulo do livro O homem em busca de sentido.

Enquanto avançamos aos tropeços, quilômetros a fio, vadeando pela neve ou resvalando no gelo, constantemente nos apoiamos um no outro, erguendo-nos e arrastando-nos mutuamente. Nenhum de nós pronuncia uma palavra mais, mas sabemos neste momento que cada um ainda só pensa em sua mulher. Vez por outra olho para o céu aonde vão empalidecendo as estrelas, ou para aquela região no horizonte em que assoma a alvorada por detrás de um lúgubre grupo de nuvens. Mas agora meu espírito está tomado daquela figura à qual ele se agarra com uma fantasia incrivelmente viva, que eu jamais conhecera antes na vida normal. Converso com minha esposa. Ouço-a responder, vejo-a sorrindo, vejo seu olhar como que a exigir e a animar ao mesmo tempo e - tanto faz se é real ou não a sua presença - seu olhar agora brilha com mais intensidade que o sol que está nascendo. Um pensamento me sacode. É a primeira vez na vida que experimento a verdade daquilo que tantos pensadores ressaltaram como a quintessência da sabedoria, por tantos poetas cantada: a verdade de que o amor é, de certa forma, o bem último e supremo que pode ser alcançado pela existência humana. Compreendo agora as coisas últimas e extremas que podem ser expressas em pensamento, poesia - em fé humana: a redenção pelo amor e no amor! Passo a compreender que a pessoa, mesmo que nada mais lhe reste neste mundo, pode tornar-se bem-aventurada - ainda que somente por alguns momentos - entregando-se interiormente à imagem da pessoa amada. Na pior situação exterior que se possa imaginar, numa situação em que a pessoa não pode realizar-se através de alguma conquista, numa situação em que sua conquista pode consistir unicamente num sofrimento reto, num sofrimento de cabeça erguida, nesta situação a pessoa pode realizar-se na contemplação amorosa da imagem espiritual que ela porta dentro de si da pessoa amada. Pela primeira vez na vida entendo o que quer dizer: Os anjos são bem-aventurados na perpétua contemplação, em amor, de uma glória infinita. . .

A minha frente um companheiro cai por terra, e os que vão atrás dele também caem. Num instante o guarda está lá e usa seu chicote sobre eles. Por alguns segundos se interrompe minha vida contemplativa. Mas num abrir e fechar de olhos eleva-se novamente minha alma, salva-se mais uma vez do aquém, da existência prisioneira, para um além que retoma mais uma vez o diálogo com o ente querido: Eu pergunto - ela responde; ela pergunta - eu respondo.

"Alto!" Chegamos ao local da obra. "Cada qual busque sua ferramenta! Cada um pegue uma picareta e uma pá!" E todos se precipitam para dentro do galpão completamente às escuras para arrebanhar uma pá jeitosa ou uma picareta mais firme. "Como é, não vão se apressar, seus cachorros imundos?" Dali a pouco estamos no valo, cada um em seu lugar da véspera. A picareta estilhaça o chão congelado, soltando até fagulhas. Nem mesmo os cérebros ainda degelaram, os companheiros continuam calados. Meu espírito ainda se apega à imagem da pessoa amada. Continuo falando com ela, e ela continua falando comigo. De repente me dou conta: nem sei se minha esposa ainda vive! Naquele momento fico sabendo que o amor pouco tem a ver com a existência física de uma pessoa. Ele está ligado a tal ponto à essência espiritual da pessoa amada, a seu "ser assim" (nas palavras dos filósofos) que a sua "presença" e seu "estar aqui comigo" podem ser reais sem sua existência física em si e independentemente de seu estar com vida. Eu não sabia, nem poderia ou precisaria saber, se a pessoa amada estava viva. Durante todo o período do campo de concentração não se podia escrever nem receber cartas. Mas isto naquele momento de certa forma não tinha importância. As circunstâncias externas não conseguiam mais interferir no meu amor, na minha lembrança e na contemplação amorosa da imagem espiritual da pessoa amada. Se naquela ocasião tivesse sabido: minha esposa está morta - acho que este conhecimento não teria perturbado meu enlevo interior naquela contemplação amorosa. O diálogo intelectual teria sido intenso e gratificante em igual escala. Naquele momento me apercebo da verdade: "põe-me como selo sobre o teu coração... porque o amor é forte como a morte." (Cântico dos Cânticos 8.6).

quinta-feira, outubro 11, 2007

Filmando a grande fraude

por Jefrrey Nyquist

© 2007 MidiaSemMascara.org

O cineasta Robert Buchar está tentando montar um documentário sobre o fim da Guerra Fria e o colapso do comunismo na Europa. O título provisório é “The Grand Deception – Uncertain History.” [A Grande Fraude – História Incerta]. Baseado em entrevistas com ex-agentes de inteligência do bloco comunista, funcionários graduados da CIA e estudiosos, o filme mostra que o colapso do comunismo não foi espontâneo. A diretiva para a mudança veio de Moscou. O “Poder do Povo” nada teve a ver com esse colapso. De acordo com Buchar, “ao longo dos últimos três anos não pude descobrir qualquer órgão da mídia interessado nesse tópico”. “Autoridades”, “especialistas” e âncoras de TV nos diziam, repetidas vezes, que as revoluções no Leste Europeu foram causadas pelo descontentamento popular. De acordo com os partidários do conservadorismo americano, a União Soviética caiu porque Ronald Reagan a derrubou. Não foi bem assim, diz Buchar: “A versão dos eventos apresentada ao público é bastante diferente daquilo que realmente aconteceu”.

Sobre este tema, Buchar entrevistou vários insiders e analistas. O ex-chefe do departamento de contra-inteligência da CIA responsável pelo bloco soviético, Tennent H. “Pete” Bagley [1], contou a Buchar que havia uma obscura mão por trás do colapso do comunismo no Leste Europeu. “Havia uma verdade diferente a esse respeito”, diz Bagley. “[...] e essa é uma verdade que foi tão bem ocultada que eu não sei se um dia sequer virá à tona...”. De acordo com Ludvik Zivcak, um oficial da polícia secreta comunista cuja tarefa foi a de organizar a demonstração que serviu de gatilho à “Revolução de Veludo” [2] na Tchecoslováquia, “Muitas pessoas pensam ou acreditam que, em 1989, houve um levante em massa da nação. Considerando o que eu fiz, ou onde trabalhei, não houve levante algum. Hoje é difícil encontrar quem escreveu o script, mas este não foi escrito nos EUA. Os EUA simplesmente pegaram o bonde quase no final. Assim, o enredo foi escrito, muito mais provavelmente, no Leste Europeu”.

De acordo com o pesquisador dissidente e ex-preso político soviético Vladimir Bukovsky, “a KGB foi parte integrante de toda a perestroika de Gorbachev.” Bukovsky relatou a Buchar que o Ocidente “nunca entendeu o sistema soviético como tal”, falhando ao não compreender “porque era inerentemente agressivo” e perigoso. O Ocidente assinou tratados inúteis com a Rússia, “Como se um pedaço de papel pudesse algum dia deter o monstro.” O Ocidente não entendeu Stalin, nem Khrushchev ou Brezhnev e jamais compreenderia o lado sinistro da ofensiva de paz de Gorbachev. “Deste modo, acreditariam em qualquer nonsense”, enfatiza Bukovsky. “[Acreditariam] até no incrível nonsense de que havia uma disputa entre reformistas e a linha-dura no Politburo e na liderança do PCUS”.[3]

No fim da Guerra Fria, durante a Cúpula de Malta, mantida entre o presidente Bush (pai) e Gorbachev, a seguinte troca de idéias ficou registrada para a posteridade: o então Secretário de Estado James Baker levantou a questão de defender os valores ocidentais e os russos ficaram perturbados e agitados. O presidente George H. W. Bush interveio com um comentário decisivo: “Vamos evitar palavras descuidadas e outras discussões sobre ‘valores’. Do fundo de nossos corações, saudamos as mudanças vindouras”. Isso era tudo que os russos queriam ouvir. Valores americanos e ajuda na queda do comunismo não eram bem-vindos porque a KGB estava montando a sua própria versão de democracia e a sua própria versão de capitalismo.[4] Bukovsky interpreta esse diálogo da seguinte maneira: “Gorbachev simplesmente disse a Bush que mudaria completamente os regimes na Europa Oriental... e que pedia seriamente aos EUA e aos seus aliados ocidentais que não se envolvessem. Para não criar mais problemas, porque era uma transição muito frágil, um período muito delicado, etc. “Nós as faremos [as mudanças], não se preocupe, só não se meta. Não estrague tudo”. E Bush não se meteu.

Portanto, as mudanças foram iniciadas a partir de Moscou e aos EUA foi dito que ficassem de fora. Era um assunto da KGB administrar o colapso do comunismo, e agora vemos – mais claramente do que vimos em 1991 – para onde esse colapso nos levou. A atitude européia mudou para uma posição de confrontação à política externa americana. Para nossa consternação, um alto oficial da KGB é o presidente da Federação Russa. Ex-agentes e funcionários das polícias secretas comunistas são os líderes de muitos dos países “ex-membros” do Pacto de Varsóvia. A opressão da dissensão é levada a cabo ao estilo dos assassinatos entre gangues (tal como nas mortes de Anna Politkovskaya e Paul Klebnikov). O encarceramento de dissidentes é conduzido sob pretextos legais. O jornalista e político tcheco Jan Stetina disse a Buchar que: “Depois de alguns anos ficou claro que o termo ‘queda do comunismo’ não reflete a realidade. O entusiasmo não durou muito e eu diria que hoje estamos num estado de desilusão”. O dissidente e ex-prisioneiro político tcheco Petr Cibulka explicou: “Eu fui solto da prisão em 17 de novembro de 1989 e durante as duas primeiras semanas eu acreditei que estavam acontecendo mudanças. Mas bastaram apenas mais algumas semanas para que eu percebesse que as mudanças eram apenas cosméticas, mudanças de cenário; que o poder continuaria nas mãos dos comunistas e que eles não precisavam se preocupar quanto a perder o que quer que fosse”. Cibulka declarou ainda: “Isto não é uma revolução, mas outra trapaça comunista”.

O ex-prisioneiro político tcheco Vladimir Hucin relatou a Buchar: “Eu assinei a Carta 77 [5] depois de solto da prisão em 1986. Quando mais tarde eu tive acesso a documentos dos arquivos da STB (polícia secreta comunista), descobri quantas pessoas da Carta 77 estiveram envolvidas com a STB, quantos agentes a STB tinha nesse grupo. Isso foi um grande desapontamento para mim”. Conforme o historiador tcheco Pavel Zacek confirmou a Buchar: “A STB funcionou com muita eficácia. Eles se infiltraram em todos os grupos regionais de oposição. Eles manobraram de modo a colocar seus agentes nas principais posições de liderança do Fórum Cívico, além de recrutarem novos agentes entre os quadros dos partidos social-democratas populares da Tchecoslováquia. Não foram encontrados documentos sobre como essa operação foi conduzida...”.

Robert Buchar é um cineasta da Tchecoslováquia e que de lá fugiu em 1980, indo para os EUA em 1981. Trabalhou como operador de câmera para a rede de TV CBS e, desde 1990, ensina cinematografia no Columbia College, em Chicago. Em 1999 produziu o documentário Velvet Hangover [Ressaca de Veludo], que foi transformado em livro em 2003, sob o título Czech New Wave Filmmakers in Interviews [Novos Cineastas Tchecos em Entrevistas]. “Foi o trabalho que fiz para esse livro que me levou à idéia de rodar um filme”, explicou Buchar. “E foi o ex-dissidente e prisioneiro político tcheco Petr Cibulka quem me convenceu a fazê-lo quando me disse: ‘Se você não fizer o filme, ninguém mais o fará’. Assim, comecei a trabalhar neste documentário ‘The Grand Deception – Uncertain History’ em 2004 e finalizei a fotografia principal em junho de 2007. Estou editando entrevistas, mas está tudo parado, pois preciso levantar dinheiro para comprar imagens de arquivo de noticiários da época para terminar o filme. Talvez eu tenha de publicar o livro antes de acabar o filme”.

Na qualidade de ex-cidadão da Tchecoslováquia comunista, o que Buchar aprendeu dessas entrevistas? “De antemão, você tem uma idéia desse evento”, diz Buchar, “e essa idéia muda quando você ouve todos os detalhes descritos por testemunhas oculares. E então, é claro, ao ligar os pontos de diferentes lugares, você é levado a um quadro terrificante e a uma conclusão que me preocupa. As pessoas normalmente me olham de um jeito estranho quando digo que decidi fugir do meu país, porque, lá pelo final dos anos 70, eu cheguei à conclusão de que o processo de mudança do sistema já estava em curso e quando acontecesse de verdade seria orquestrado desde dentro, com um resultado predeterminado e inaceitável para mim. Eu só não imaginava que aconteceria tão cedo. Eu imaginava mais uns dez anos para que acontecesse”.

Os leitores podem estar curiosos quanto ao que Buchar pensa a respeito da reação ocidental ao colapso do comunismo. “Bem…”, diz ele, “uma coisa que eu aprendi e da qual eu não estava nada ciente antes – é o nível de incompetência da CIA no que diz respeito ao seu grau de compreensão do sistema comunista, do modo de operação nos países do Bloco Oriental; uma incompetência que ignorava a importância da ideologia e o nível da infiltração soviética na própria agência. É algo parecido ao que Bill Gertz chama de mentalidade ‘antianticomunista’ [contrária ao anticomunismo] na CIA. Isso foi realmente chocante para mim”.

© 2007 Jeffrey R. Nyquist

Publicado por Financialsense.com

Tradução: MSM

[1] Ver CIA: Mito e História

[2] NT: A expressão "Revolução de Veludo" foi cunhada por jornalistas após os acontecimentos, aceita pela mídia mundial e em seguida, usada pela própria Tchecoslováquia.

[3] NT: Liderança do Partido Comunista da União Soviética, órgão colegiado e composto por muitos membros, dentre os quais eram escolhidos os membros do Politburo. O Politburo sempre contou, necessariamente, com membros da KGB e esteve sempre acima do comando das forças armadas soviéticas.

[4] Ou seja, captação de pesados investimentos estrangeiros, especialmente europeus, em petróleo e gás, e a máfia russa, desde sempre controlada pela KGB.

[5] Charta 77 (em Tcheco e Eslovaco) foi, nominalmente, uma iniciativa cívica informal na Tchecoslováquia, de 1977 a 1992, cujo nome deriva do documento Carta 77, de janeiro de 1977. Os seus membros fundadores e arquitetos foram Václav Havel, Jan Patočka, Zdeněk Mlynář, Jiří Hájek, e Pavel Kohout. Depois da “Revolução de Veludo” de 1989, muitos de seus membros desempenharam papéis importantes na política tcheca e eslovaca.

Verdade inconveniente com reservas

Juiz britânico admite que o filme Verdade inconveniente seja exibido em colégios britânicos, porém os alunos deverão ser avisados de que ele contém nove mentiras. Um pai de um aluno entrara na Justiça pedindo a proibição da exibição do filme. O juiz considerou que o filme tem viés político, porém limitou-se a mandar que as mentiras do filme sejam identificadas para os alunos.

ver reportagem em: http://www.dailymail.co.uk/pages/live/articles/news/news.html?in_article_id=486969&in_page_id=1770

terça-feira, outubro 02, 2007

True Outspeak

Quem quer que queira entender algo do que acontece no Brasil e no mundo, escute ao programa de rádio do jornalista brasileiro Olavo de Carvalho. O link é esse: www.blogtalkradio.com/olavo. O programa é transmitido pela rede.

segunda-feira, setembro 17, 2007

A Xeroxona

Bruno Tolentino

A bela Espinozona é mesmo um ás!
Filha da Maria Antônia, e sumidadede
que a USP garante a idoneidade,
se bem me lembra há pouco tempo atrás

era ainda uma vulva tão voraz
que deglutia os mestres à vontade,
chegou a fazer seu mais da metade
de um livro do Leffort - o que aliás

assustou o Merquior... Essa araruta,
que a fim de ter seu dia de mingau,
chupa o trabalho alheio pelo pau,

pode até ser o que ninguém disputa
- a Vênus que dá tudo pela luta -
mas xerox em xereca é genial!

.....................
A homenageada é Marilena Chauí, professora de filosofia da USP. Explica-se: Marilena Chauí foi acusada por José Guilherme Merquior de ter plagiado um livro de Claude Leffort, ao que ela respondeu que teve um caso amoroso com o plagiado em Paris.

domingo, setembro 16, 2007

O filósofo mecanicista

"O filósofo mecanicista professa rejeitar a idéia de uma vontade soberana e universal, a mesma vontade soberana cuja atividade na elaboração das leis universais ele reverencia tanto. Que homenagem sem intenção o mecanicista acaba por prestar ao Criador das leis quando concebe essas leis como sendo atuantes por si próprias e auto-explicativas!
É um erro crasso humanizar Deus, exceto no conceito do Ajustador de Pensamento residente, mas mesmo isso não é tão estúpido quanto mecanizar por completo a idéia da Primeira Grande Fonte e Centro." (Capítulo 6, Documento 3, Livro de Urântia).

segunda-feira, setembro 10, 2007

Cuba em números

Na seção de comentários do artigo Dois pesos e duas medidas, disse que a ditadura castrista matou cem mil pessoas. Os números são esses aqui:

"Fuzilados: 5.621. Assassinados extrajudicialmente: 1.163. Presos políticos mortos no cárcere por maus-tratos, falta de assistência médica ou causas naturais: 1.081. Guerrilheiros anticastristas mortos em combate: 1.258. Soldados cubanos mortos em missões no exterior: 14.160. Mortos ou desaparecidos em tentativas de fuga do país: 77.824. Civis mortos em ataques químicos em Mavinga, Angola: 5.000. Guerrilheiros da Unita mortos em combate contra tropas cubanas: 9.380. Total: 115.127 (não inclui mortes causadas por atividades subversivas no exterior)."

fonte: Cuba em números, por Olavo de Carvalho, publicado no saite midiasemmascara.org

Lista de leitura do St. John´s college

O curso de leitura dos clássicos no St. John´s College dá-se em quatro anos. Os alunos lêem os livros em casa e se reúnem para discutir suas impressões em sala de aula mediados por um professor que limita-se a extrair deles o que eles próprios já sabem. Valei-me Sócrates. Mais informações no próprio saite do St. John´s College ( link ao lado ) e no excelente saite Aristoi ( também com link ao lado ), uma grata surpresa, feito por um monte de bobocas que além de quererem uma educação de verdade aspiram a transmití-la a outros. Devem estar loucos!

Primeiro ano (primeiro semestre):

Homero: Ilíada.

Homero: Odisséia.

Platão: Mênon.

Ésquilo: Agamêmnon.

Ésquilo: Coéforas e Eumênides.

Platão: Górgias.

Plutarco: Vidas de Licurgo e de Sólon.

Heródoto: História (livros I; II, 50-53 112-120; III, 37, 38, 66-87).

Heródoto: História (V, 76-78, 91-93, 105; VI, 48 56-72, 94-120; XII)

Heródoto: História (VIII; IX).

Platão: República.

Aristófanes: As nuvens.

Platão: Apologia de Sócrates e Críton.

Platão: Fédon.

Tucídides: A guerra do Peloponeso.

Platão: O banquete (ou Simpósio)

domingo, setembro 09, 2007

"Honrar pai e mãe"

Filosofia da ética: tópico na comunidade Filosofia em Olavo de Carvalho, no orkut.

Os dois últimos posts foram esses:

Daniel
Concordo, Álvaro. Só adicionaria que em casos de desespero total, quando a pessoa está praticamente insensível, como no caso do personagem de O estrangeiro, e também no de Nicolas Stavroguine, do romance Os demônios, de Dostoievski, só um Viktor Frankl pode ajudar. Ele viveu os horrores do campo de concentração e saiu de lá para ajudar pessoas a encontrarem sentido para suas vidas. O Primo Levi, outro sobrevivente do campo de concentração nazista, escreveu um livro de denúncia e em seguida se suicidou. Frankl, por sua vez, iniciava a sessão de terapia perguntando a seus pacientes por que eles não se suicidavam; a partir de suas respostas ajudava-os a ver o que era importante para suas vidas, por que ela valia a pena. (...)

Álvaro
Viktor Frankl possui uma história fantástica mesmo. Como aquela em que ele encontrou nos escombros de uma igreja bombardeada pelos nazistas uma pedra com o mandamento: "Honrar pai e mãe". O que o levou a ficar na Alemanha cuidando de seus pais até ser preso pelos nazistas.
O título do primeiro livro que eu publiquei (O Amor ao Teatro e o Sentido da Vida) faz uma alusão direta à logoterapia e nele eu discorro sobre Viktor Frankl.

sábado, setembro 08, 2007

Freaking conclusions

Steven Levitt, autor do livro Freakonomics, cujo blog está agora na página do New York Times, chegou à brilhante conclusão de que permitir abortos dimunui o número de crimes. Isso porque as crianças indesejadas, as quais poderiam ser abortadas, são propensas a cometerem crimes quando crescerem. Ok. Mas que tal considerarmos o próprio aborto como um crime? Aí as conclusões se revelam completamente furadas, não é mesmo?
Essa pesquisa foi alardeada em várias páginas da imprensa, e não houve um jornalista sequer para formular a questão nesses termos. Só não me pergunte se agiram por má fé ou por estupidez.

Meu filho ( 8 anos ) perguntou: para que serve ler?

Tópico discutido na comunidade Olavo de Carvalho, no orkut.

Marcelo
meu filho (8 anos) perguntou: para que serve ler?
Ele estava fazendo comparação com o nosso presidente , que não gosta muto de leitura...e não estudou...e é presidente..

leiam mais:

http://cienciabrasil.blogspot.com/2007/09/o-super-ignorante.html

Comentários?

Caio
Se hoje em dia alguém quer viver honestamente, sem passar a perna nos outros, deve se instruir para se inserir na economia

Daniel
Não só para se inserir na economia, uma pessoa tem que buscar conhecimento para saber dos sentimentos humanos, saber o que está sentindo, se conhecer. É mais fácil se relacionar com outras pessoas conhecendo-se e conhecendo aos outros. Pergunte a seu filho se ele quer ser que nem o Lula, um sujeito que nem sabe do que está falando, cujo raciocínio é X igual a A, logo X igual a A, um homem totalmente inócuo, cuja vida é um vexame inconsciente.

Fale para o seu filho que ser presidente da República não é nada perto de ser um Dante Aligheri, um Homero, Platão ou Ésquilo. É nesses ele tem que se esmerar.

Fora Lula

www.grandevaia.org.

terça-feira, setembro 04, 2007

O riso

por Roger Scruton

A razão se mostra em todas as nossas tentativas de entender o mundo e em todas as meneiras de nos relacionarmos uns com os outros. Está presente nas nossas escolhas, e também nas nossas reações involuntárias. Apenas um ser racional é capaz de chorar ou corar, mesmo que essas duas reações estejam fora do alcance de nossa vontade. E apenas o ser racional é capaz de rir. Hienas fazem um som como de riso, mas não se trata na realidade de um sinal de contentamento, nem tem a função social que o riso tem – que é iluminar as nossas diferenças e alegrar-se com o que compartilhamos. O riso não é somente regozijo e confôrto, é a principal maneira de aceitarmos os defeitos de nossos semelhantes. E o riso, embora restrito aos seres racionais, deve ser espontâneo caso se pretenda real. O riso programado é uma espécie de zombaria; a risada espontânea é uma aceitação daquilo que a provoca, mesmo quando, rindo de alguém, jogamos no chão sua auto-confiança.

..................

trecho do artigo O declínio do riso, que pode ser acessado no site do autor, com link aqui ao lado.

A tradução do trecho é minha.