sexta-feira, maio 04, 2007

Ohem que maravilha!

Marcelo Victor Gomes, criador da comunidade Filosofia da linguagem no Orkut, propôs uma enquete nos seguintes termos: "A comunidade tem que ser moderada? Pessoal todo dia o dono da comunidade tem que tirar vários tópicos pornográficos, a moderação diminuirá consideralvemente tal encômodo."
Pois é, se o criador da comunidade Filosofia da linguagem não for se encomodar, realmente gostaria que ele escrevesse um pouco melhor.
"If we consider men and women generally, and apart from their professions or occupations, there is only one situation I can think of in which they almost pull themselves up by their bootstraps, making an effort to read better than they usually do. When they are in love and are reading a love letter, they read between the lines and in the margin; they read the whole in terms of the parts, and each part in terms of the whole; they grow sensitive to context and ambiguity, to insinuation and implication; they perceive the colors of words, the odor of phrases, and the weight of sentences. They may even take the punctuation into account. Then, if never before or after, they read."
Mortimer Adler, em How to read a book ( capítulo 1, parte 4 ).

sábado, abril 28, 2007

Comentário ao post anterior

O cachorro tem mais fervor religioso que o menino.

Que foto legal.


Frase do post abaixo.

"Não adianta dizer isso para um garoto de 17 anos."
Não adianta dizê-lo fica bem melhor, não é não?

A existência de Deus foi provada?

na comunidade Olavo de Carvalho, no orkut, fiz esses dois comentários no tópico com o nome acima:

"Existe a frase do Olavo, que ele gostava de repetir em sala de aula: "um ser necessário existe necessariamente." Isso não é uma prova exatamente, é um juízo auto-evidente. Porém, para descobrir o seu significado e validade, para entendê-lo, é preciso ter experiência de vida, e esse ponto era ressaltado pelo Olavo. Não adianta dizer isso para um garoto de 17 anos. Eu tenho 23, venho entendendo aos poucos. O argumento é uma simplificação do argumento ontológico de Santo Anselmo. Pense no ser maior que existe, não há nada de maior que você possa pensar além deste ser, este ser em que você pensou é Deus. O argumento ontológico foi bem explicado pelo Mário Ferreira dos Santos no livro O homem em busca do infinito."

"Deixo aqui também uma passagem do Livro de Urântia sobre o tema:"The existence of God can never be proved by scientif experiment or by the pure reason of logical deduction. God can be realized only in the realms of human experience; nevertheless, the true concept of the reality of God is reasonable to logic, plausible to philosophy, essential to religion, and indispensable to any hope of personality survival." ( Part 1, Paper 1 )."

Link para o orkut.

Obs: o nome do livro de Mário Ferreira dos Santos não é O homem em busca do infinito, mas O homem perante o infinito.

quinta-feira, abril 26, 2007

Eu FUI. Eu fui ao espetáculo Café de los maestros. Aqui eles tocam Tanguera. Enjoy.

quarta-feira, abril 25, 2007

Entrevista de Rodolfo Dinzel

Entrevista do mestre de tango Rodolfo Dinzel concedida à revista Milonga Argentina de Outubro de 2006. Rodolgo e sua esposa e parceira Gloria trabalham na teorização do psicotango, tentativa de compreender a música como ferramenta terapêutica.

- Esto no es nuevo, ya trabajó en hospitales.
- Con Gloria hace doce años iniciamos la enseñanza a personas con capacidades diferentes, trabajamos con patologías declaradas, cuidados paliativos, mal de parkinson, psicóticos leves.
- ¿Entonces el tango cura?
- Mirá, el Barón Megata en 1920 algo decía al respecto, yo sólo tomé la posta. Este noble japonés, que hereda el título de su padre, enfermo en su piel, viaja a Francia para ser tratado. En París complementa tratamientos médicos con el cabaret "El Garrón", dermatólogos y las orquestas de Juan Canaro y Manuel Pizarro. Así descubre o decide que es el tango quien lo cura. Megata comienza a enseñar nuestra danza en su castillo y aquel descendiente de samurai se transforma en director de una academía de tango.
- Maestro, ¿el tango es improvisación?
- Sí, las coreografias son para los artistas, el pueblo se ajusta a las figuras, utiliza la improvisación secuencial, esto es el uso de las figuras conocidas - el vocabulario se me ocurre agregar - en el orden que la música nos pide.
- Improvisar, enamorar. ¿Por qué aparecen verbos de estas características si el tango, dicen, es tristeza pura?
- Mirá Nietzsche decía que un individuo está realmente preparado para una disciplina cuando al hacerlo, tiene la seriedad de un niño cuando juega. Esta seriedad no inhabilita ni el gozo, ni una sonrisa.
Juan Pablo Guerri

sábado, abril 21, 2007

Profumo di donna

( Clique no título )
A maravilhosa cena do cinema em que o coronel Slade senta-se à mesa com a senhorita e a convida a bailar un tango. En italiano. Imperdível.

sexta-feira, abril 06, 2007

Alborghetti manda à merda

( Clique no título )
A legenda está errada: não é vender uma fita por 200 reais, é vender uma vida por 200 reais. Vá à merda, porra.

quarta-feira, abril 04, 2007

Mercedes Sosa cantando Naranjo en flor.

( Clique no título )
Bom, como eu não consigo cadastrar meu blog no Youtube para poder postar os vídeos aqui mesmo, vou deixar o link. Computador é uma coisa, às vezes dá vontade de quebrar.
O comentário é o seguinte: a Mercedes Sosa tá parecendo o geléia dos Caça-fantasmas nesse espetáculo. Eu assisti a uma parte do espetáculo na televisão quando estava em Buenos Aires. A música é um clássico, esse tom lastimoso do bandoneón, ótimo. Vejam. Vale a pena.

quinta-feira, março 29, 2007

Escutem, escutem Néstor Garnica.

E saibam como se dança a Chacarera aqui.

Transcrição de trecho do programa True Outspeak, de Olavo de Carvalho, no dia 26 de março de 2007

"(...)
Diz ele aqui: "Você já esteve envolvido com socialismo, com Idries Shah, Gurdjieff, Schuon e etc" e diz que eu fui abandonando cada um deles.

Claro! Eu nunca entrei em parte alguma, em organismo algum, em organização alguma, esperando encontrar ali A Verdade. Nunca. Eu não sou idiota a esse ponto. Eu sou idiota no sentido de que eu preciso aprender devagarzinho. E tem muita coisa que não basta a leitura, tem que ir lá para ver como é que é. Eu pago o meu conhecimento, vamos dizer, com o meu próprio prejuízo. Se você quer aprender, você tem que correr riscos.

Então sempre fui buscando aprender as coisas e aprendendo um pouquinho de cada um. Aprendo e logo vou embora porque não tem mais nada para aprender ali. Nunca esperei que alguma me entregasse a verdade pronta na mão, nem mesmo a Igreja Católica.

A Igreja Católica te entrega a verdade e a verdade está no Credo. Você lê o Credo, muito bem, só que agora você tem que entender o Credo e isso é o resto da sua vida. Isto não é a transmissão de uma verdade, é a transmissão de um símbolo da verdade e esse símbolo tem que ser decodificado, transformado em discurso, transformado em prática e aí é que vai sendo, aos poucos, o conhecimento da verdade. A verdade pronta, ninguém vai te dar, nem mesmo as igrejas, quanto mais uma sociedade de Gurdjieff.

As outras pessoas entram nisso com um espírito muito diferente do meu. Eu entrei sempre com o espírito de aprendizado. Por isso, entro por um lado e saio pelo outro e saio inteiro. As outras pessoas, não. Quando entram no socialismo, é porque acreditam plenamente no socialismo, e quando o socialismo falha, elas dizem "ah, meu mundo caiu" e têm que fazer 10 anos de psicoterapia. Ficam todo traumatizadinhos.

Não é assim que as coisas funcionam. Você tem que seguir a palavra do apóstolo: experimentai de tudo e ficai com o que é bom. Não tenha medo de experimentar e entre nas coisas sem prevenção, de coração aberto, disposto a pegar ali o que tiver de bom e largar o ruim e ir embora. Porque, definitivo, só Deus. Não tem guru, não tem mestre, não tem organização, não tem igreja, não tem coisa nenhuma.

No Brasil é o seguinte, se você passou por essas coisas, as pessoas pensam que são sucessivas lealdades, que se você foi lá, jurou lealdade e em seguida abjurou. Isso é coisa de maluco. Esse é um espírito partidário, um espírito de sectário imbecil. O sujeito não pode trocar de time de futebol. É aquele negócio: "o homem nasce, cresce, vive e morre corintiano."

No Brasil, todos têm que ser igual ao Rodrigo Constantino: ele viu a luz aos 14 anos e já entendeu toda a verdade aos 14 anos - até sobre o marxismo, ele já tinha entendido a falácia do marxismo aos 14 anos - então esse aí já não precisa aprender pois já nasceu sabendo. Agora, para quem é mais burro como eu, a gente já tem que ir aprendendo, passando por todas as dificuldades e humilhações do aprendizado - porque já dizia Nietzsche "a humilhação é a mãe do aprendizado".

Então é humilhação, é canseira, é trabalho, e a gente vai aprendendo. Para compensar, eu não tenho trauma de nada disso. Quando eu descobri que o marxismo era furada, não foi trauma, foi apenas mais uma coisa que eu descobri. Descobri que a psicanálise era uma furada e passei anos da minha vida também experimentando análises, e no fim, descobri que era tudo furado.

E daí? Fiquei traumatizado por causa disso? Não. Depois passei pela escola Gurdjieff e descobri que era furada. A gente vai vivendo e aprendendo, ué? Não se pode ter medo de aprender. O medo de aprender é o medo ao conhecimento e a vontade de encontrar lealdades definitivas facilmente - isto é o que mata o brasileiro. O cara quer uma igreja, quer uma escola, quer um partido no qual ele possa filiar-se e ser leal o resto da vida.

Quer saber? Isto não existe. Só tem que ser leal ao próprio Deus, nosso Senhor Jesus Cristo e mais nada. E não identificá-lo com nenhuma organização, com nenhum padre. Nós estamos numa época em que cada um, sozinho, tem que pedir diretamente ao nosso Senhor Jesus Cristo. Peça, que será respondido.

*

Até semana que vem e muito obrigado."

sexta-feira, novembro 10, 2006

O Mercosul que não houve

por Luis Alberto Lacalle, em 05 de outubro de 2006.
MidiaSemMascara.org

A integração econômica da Iberoamérica é um antigo projeto. Em 1960 foi fundada, com sede em Montevidéu, a Associación Latinoamericana de Livre Comercio que funcionou durante vinte anos. Em 1980 o nome foi mudado para Associación Latinoamericana de Integración (ALADI).
Em 1990 nosso País (Uruguai) tomou conhecimento da intenção de Brasil e Argentina em subscrever um tratado de integração econômica que uniria as duas economias limítrofes a nosso País com as inevitáveis influências em nossa vida como Nação. Inteirados disto, o governo oriental[*] da época, que tínhamos a honra de presidir, iniciou contatos com os vizinhos para tentar tomar parte desta importante organização. O governo do Chile, convidado, declinou da oferta e finalmente foi o Paraguai que entrou como quarto sócio.
É interessante recordar que, no âmbito interno, a adesão de nosso país ao MERCOSUL foi precedida de consultas políticas do mais alto nível. Convocamos, e aceitaram comparecer para uma reunião informativa celebrada na sala de Ministros do Edifício Libertad, os Senhores Jorge Pacheco Areco, Julio M Sanguinetti, Jorge Batlle, Pablo Millor, Líber Seregni, Tabaré Vázquez, Hugo Batalha, Alberto Zumarán, Carlos Julio Pereyra e Gonzalo Aguirre, na verdade os titulares de todos os partidos e setores partidários que tinham responsabilidades políticas naquele momento. Oferecemos a participação de seus técnicos de confiança na tramitação prévia dos acordos, o que veio a ocorrer.
Portanto, na hora da ratificação parlamentar do Tratado de Assunción, o mesmo foi aprovado pela unanimidade do Senado e 97 votos da Câmara de Deputados. Podemos afirmar com fundamento que foi o Uruguai inteiro que aceitou suas condições e prosseguiu unificadamente para uma nova etapa da vida nacional.
É bom recordar os objetivos fixados pelas partes no documento principal assinado em Assunción, em março de 1991. O preâmbulo consta de oito parágrafos que tem um caráter programático e lançam uma clara luz sobre a vontade dos países signatários.
A terminologia e os conceitos utilizados são de clareza meridiana na expressão de uma vontade comercial e econômica como único objetivo da nova organização. Afirmava-se “que a ampliação das atuais dimensões de seus mercados nacionais através da integração, constitui condição fundamental para acelerar seus processos de desenvolvimento econômico com justiça social”. As expressões de claro cunho econômico eram reiteradas. “Aproveitamento mas eficaz dos recursos disponíveis”, “coordenação das políticas macroeconômicas e complementação dos diferentes setores da economia”, “consolidação de grandes espaços econômicos”, “modernizar suas economias para ampliar a oferta e a qualidade dos bens e serviços disponíveis”. Claro que a orientação da nova entidade buscava potencializar as economias nacionais mediante a sinergia da união de mercados. O compromisso mútuo segue esta orientação em toda sua extensão.
Após um período de convergência durante o qual foi aplicada gradualmente a liberação de produtos a comercializar, no dia 1º de janeiro de 1995 cumpriu-se o tratado e nasceu o que hoje é conhecido como MERCOSUL. Do ponto de vista das negociações comerciais mundiais levou-se em conta que a nova organização teria um peso muito mais importante do que até então se previra. Deve-se ressaltar que esta era uma grande vantagem para os sócios menores, Paraguai e Uruguai.
A integração econômica não é fácil. Os interesses nacionais – legítimos – com a tradição dos países de desenvolver sua atividade em mercados menores, resistem às transformações necessárias para abrir suas economias à concorrência. Foi duro e penoso em todas as associações deste tipo que foram criadas no mundo, chamem-se NAFTA, UNIÃO EUROPÉIA, ou qualquer outra de natureza similar. Não poderíamos ser uma exceção. A integração trazia como conseqüência outra tarefa inevitável: baixar custos para sermos competitivos. Repetimos hoje o que tantas vezes já afirmamos: a integração não é uma certeza, é uma oportunidade. Para poder aproveitá-la é preciso incrementar a tecnologia, melhorar a produtividade, baixar os custos, aprender a sermos melhores.
Lamentavelmente não foi assim. Nosso país negou-se às reformas estatais necessárias e a organização não soube ou não quis encarar os conflitos derivados de barreiras não alfandegárias de exportção entre os sócios, tais como para as bicicletas e o arroz de nosso país, impedidos de ingressar nos países vizinhos.
Finalmente, e para desfigurar definitivamente a organização, surgem no horizonte tentativas de um “MERCOSUL político” que nunca esteve na mente nem nos documentos dos fundadores. A criação de um Parlamento do MERCOSUL não somente é alheia ao projeto, como é contrária aos interesses do Uruguai e contará como nossa firme oposição.
Para culminar, sem consulta nenhuma nem embasamento jurídico, criou-se a categoria de “sócio político” que ninguém sabe claramente o que quer dizer. Opomos-nos frontalmente a que qualquer país se associe nesta qualidade à organização, porém mais ainda quando a escolhida é uma nação como a Venezuela, cujo Presidente é uma personalidade tão controvertida e pouco equilibrada que só pode trazer problemas.
Lamentavelmente, hoje, em 2006, podemos dizer que o MERCOSUL com o qual um dia sonhamos, não aconteceu.
UM ACORDO HÁ MUITO ESPERADO
A assinatura, em 26 de março de 1991, do denominado Tratado de Assunción, que deu forma à constituição do Mercado Comum do Sul, MERCOSUL, entre Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, deixou para trás diversas experiências prévias de integração que já haviam sido tentadas na região, com resultados díspares.
Embora os primeiros esboços do processo de integração regional remontem à década de 1950, o primeiro passo concreto foi dado em 1960 com a assinatura do Tratado de Montevidéu que significou a criação da Associação Latino-americana de Livre Comércio (ALALC). Inicialmente este grupo regional foi integrado por Argentina, Brasil, Chile, México, Paraguai, Peru e Uruguai. Um ano depois foram agregados Equador e Colômbia, cinco anos mais tarde a Venezuela e em 1967 a Bolívia.
O principal objetivo, que era eliminar barreiras aduaneiras através de uma lista comum, nunca chegou a ser concretizado. O estancamento do grupo, ao qual se somou o aparecimento do chamado Grupo Andino, determinou que o resto dos países concluíssem que a associação deveria adotar outra estrutura.
Foi assim que surgiu em 1980 a Associação Latino-americana de Integração (ALADI) que a priori constituiria um novo marco oficial do processo de integração.
Entrementes, na década de 70, o Uruguai aprofundou seus vínculos com os sócios mais importantes: Argentina e Brasil. Com o primeiro através do Convenio Argentino Uruguayo de Cooperación Económica (CAUCE), e com o segundo mediante o Protocolo de Expansión Comercial (PEC). Nos dois casos foram fixadas as condições para um intercâmbio justo e equilibrado.
A criação do bloco regional deu condições para a formação da quarta economia mundial, com um mercado potencial de mais de 200 milhões de habitantes, uma superfície total de 12 milhões de quilômetros quadrados e um Produto Interno Bruto superior a 1 bilhão de dólares.
Em dezembro de 1994, a assinatura do Protocolo de Ouro Preto deu personalidade jurídica de direito internacional ao MERCOSUL, abrindo a chance de negociar em bloco com terceiros países, grupos de países ou organismos internacionais.
No início o grupo operou acionando o comércio exterior entre os países membros de tal maneira que o intercâmbio entre os sócios aumentou de forma considerável. No entanto, com o passar do tempo – e depois de 15 anos de experiência – o MERCOSUL começou a acentuar suas assimetrias, terminando por favorecer as economias dos países maiores em detrimento dos menores.
O cenário atual não parece ser o mais favorável: frente à incorporação da Venezuela como sócio pleno, Uruguai e Paraguai manifestaram mais de uma vez seu desagrado com a marcha do bloco regional e, além do mais, sua intenção de gerar acordos bilaterais com os Estados Unidos ou outros países fora do MERCOSUL.
Mas isto é farinha de outro saco.

[*] Refere-se ao nome oficial de Republica Oriental del Uruguay, que historicamente pertencia ao Vice-Reinado do Prata como Banda Oriental por estar a Leste da bacia hidrográfica Paraná-Uruguai-Paraguai.

LUIS ALBERTO LACALLE foi Senador, Presidente da República Oriental del Uruguay de 1990 a 1995, um dos idealizadores e fundadores do MERCOSUL, possui a Grã Cruz da Orden do Cruzeiro do Sul (1991) e diversas outras condecorações.

Artigo publicado originalmente na Edição Especial dos 25 anos de ULTIMAS NOTICIAS
Tradução: Heitor De Paola

quinta-feira, novembro 09, 2006

Observação

Existe uma guerra cultural nos Eua que os republicanos não assumem e recusam-se a lutar.
Por que os republicanos perderam as eleições parlamentares agora?
Fatos: o presidente Bush demitiu seu ministro de defesa. Isso significa que atribui a derrota à guerra no Iraque, ou à atuacao do país no Iraque. Pergunta: será verdade que os estadunidenses votaram contra os republicanos por causa da guerra no Iraque?

quarta-feira, novembro 08, 2006

Se você ainda quer ser um estudante sério...

por Olavo de Carvalho

(...)
Os filósofos que mais estudei para encontrar as respostas (e ficam aí como sugestões para os interessados) foram Platão, Aristóteles, Sto. Agostinho, Sto, Tomás, S. Boaventura, Duns Scot, Leibniz, Schelling, Husserl, Scheler, Lavelle, Croce, Ortega, Zubiri, Marías, Voegelin, Lonergan, o nosso Mário Ferreira dos Santos e o Albert Camus de L'Homme Révolté . Os grandes historiadores da filosofia, como Gomperz, Ueberweg e Zeller, devem ser lidos com devoção. Outros autores da área de ciências humanas que muito me ajudaram foram Ibn Khaldun, Vico, Ranke, Taine, Huizinga, Weber, Böhm-Bawerk, von Mises, Sorokin, Victor Frankl, Paul Diel, Eugen Rosenstock-Huessy, Franz Rosenzweig, Lipot Szondi, Maurice Pradines, Alois Dempf, Max Dvorak, Rudolf Arnheim, Erwin Panofsky, A. D. Sertillanges, Mortimer J. Adler, Oliveira Martins, Gilberto Freyre e Otto Maria Carpeaux. Apesar de inumeráveis erros de informação, a Life of Napoleon de Walter Scott também foi de muito proveito pela acuidade da sua psicologia histórica. O maior historiador vivo hoje em dia é Modris Eksteins (sabe o que significa “tem de ler”?). Dos poetas e ficcionistas, aqueles que produziram verdadeiras descrições científicas da condição humana, muito úteis nos meus estudos, foram Sófocles, Dante, Shakespeare, Camões, Cervantes, Goethe, Dostoiévski, Alessandro Manzoni, Pío Baroja, T. S. Eliot, W. B. Yeats, Antonio Machado, Thomas Mann, Jacob Wassermann, Robert Musil, Hermann Broch, Heimito von Doderer, Julien Green, Georges Bernanos e François Mauriac. A Bíblia tem de ser relida o tempo todo (não leia o Evangelho em busca de “religião”: leia como narrativa de alguma coisa que realmente aconteceu; atenção especial para Mateus 11:1-6, onde o próprio Jesus ensina o critério para você tirar as dúvidas a respeito d'Ele; penso nisso o tempo todo). O Corão, os Vedas, o Tao-Te-King e o I-Ching, assim como os escritos de Confúcio, Shânkara e Ibn'Arabi, merecem consultas periódicas. Dos conselhos pessoais que recebi de mestres generosos, a quem incomodei por meio de cartas, telefonemas e visitas, falarei outro dia.
O importante é você não estudar por estudar, para “adquirir cultura” ou seguir carreira universitária, mas para encontrar respostas a questões determinadas, que tenham importância existencial para você, para sua formação de ser humano e não só de estudioso. É claro que as questões vão se definindo aos poucos, no curso das leituras mesmas, mas à medida que isso acontece elas vão definindo melhor o rumo dos estudos. E é essencial que, na ânsia de ler, você não deixe sua acumulação de conhecimento ultrapassar o seu nível de autoconsciência, de maturidade, de responsabilidade pessoal em todos os domínios da vida. Se você não é capaz de tirar de um livro conseqüências válidas para sua orientação moral no mundo, você não está pronto para ler esse livro. Não esqueça nunca o conselho de Goethe: “O talento se aprimora na solidão, o caráter na agitação do mundo.”

A tragédia do estudante sério no Brasil

por Olavo de Carvalho

(...)
A única solução viável, que enxergo, é a formação de pequenos grupos solidários, firmemente decididos a obter uma formação intelectual sólida, de início sem nenhum reconhecimento oficial ou acadêmico, mas forçando mais tarde a obtenção desse reconhecimento mediante prova de superioridade acachapante. Já não leciono no Brasil, mas a experiência mostrou que muito aluno meu, com alguns anos de aulas e bastante estudo em casa, já está pronto para dar de dez a zero, não digo em alunos, mas em professores da USP do calibrinho de Demétrio Magnoli e Emir Sader, o que, bem feitas as contas, é até luta desigual, é até covardia.
O processo é trabalhoso, mas simples: cumprir as tarefas tradicionais do estudo acadêmico, dominar o trivium , aprender a escrever lendo e imitando os clássicos de três idiomas pelo menos, estudar muito Aristóteles, muito Platão, muito Tomás de Aquino, muito Leibniz, Schelling e Husserl, absorver o quanto possível o legado da universidade alemã e austríaca da primeira metade do século XX, conhecer muito bem a história comparada de duas ou três civilizações, absorver os clássicos da teologia e da mística de pelo menos três religiões, e então, só então, ler Marx, Nietzsche, Foucault. Se depois desse regime você ainda se impressionar com esses três, é porque é burro mesmo e eu nada posso fazer por você.
(...)

sábado, outubro 07, 2006

Controladores ingleses da economia mundial confirmam intenção de internacionalizar e privatizar a Amazônia

Quarta-feira, Outubro 04, 2006

Edição de Quarta-feira do Alerta Total
http://alertatotal.blogspot.com/.
Por Jorge Serrão

Para os controladores ingleses da economia mundial, pouco importa se será Lula, Alckmin ou Al Capone quem vai assumir a Presidência. Eles estão mesmo interessados na manipulação das organizações político-administrativas do Brasil para garantir a exploração econômica da Nação e dos recursos naturais do seu território. Um dos principais alvos dos controladores é Amazônia. Prova recente disto é o plano de transformar a floresta Amazônica em uma grande área privada, internacional. A idéia foi anunciada semana passada, na cidade mexicana de Monterrey, pelo secretário de Meio Ambiente britânico, David Miliband, durante um encontro que reuniu os governos dos 20 países mais poluidores do mundo.
Não é cascata, nem teoria da conspiração. Os controladores ingleses, liderados pelos banqueiros Rothschild, já têm uma estratégia bem definida para atingir o objetivo de internacionalizar a Amazônia. Eles investem na atuação de agentes de influência, que são as ONGs, a mídia e os chamados “movimentos populares”, para defenderem a tese de que o governo brasileiro não tem competência para administrar a região. Toda a trapalhada no controle do espaço aéreo, na recente tragédia do avião da Gol, será mais um fato negativo a ser explorado, comprovando que o Brasil não tem condições, sozinho, de proteger e conservar a região florestal que eles consideram “um patrimônio da humanidade”.
Outra ação inglesa, antes de chegar ao governo brasileiro, é comer o Brasil pela beirada. Não foi outro o espírito do Tratado dos Povos das Américas com Londres, assinado quase que secretamente, no dia 17 de maio, entre os ingleses e o presidente da República Bolivariana da Venezuela, Hugo Chávez (um homem que viaja mais vezes a Manaus que o Presidente da República do Brasil). Por isso, os ingleses apostam e investem na eleição de membros do Foro de São Paulo, entidade que reúne a chamada esquerda na América Latina. No planejamento inglês, Cháves será um dos latinos a lançar a idéia de se formar um “consórcio mundial”, pretensamente liderado pelo Brasil, para proteger a Amazônia.
O plano dos ingleses prevê que uma grande área da Amazônia passaria a ser administrada por um consórcio internacional. Grupos ou mesmo pessoas físicas poderiam então comprar árvores da floresta. A proposta dos empresários ingleses conta com o aval do primeiro-ministro Tony Blair. Na conversa fiada dos controladores, usando o ministro Miliband como porta-voz, a idéia visa a proteger a floresta. O ministro admitiu ao jornal "Daily Telegraph" que a idéia está em seu estágio inicial e que será preciso discutir as questões de soberania da região com o Brasil.
Outra frente em que os controladores ingleses atuam é a de apressar a regulamentação da Lei de Gestão de Florestas Públicas. Teoricamente, a Lei 11.284 prevê a possibilidade de explorar madeira, frutas, remédios e outros produtos da floresta amazônica sem prejudicar o meio ambiente. E ainda ajudar as populações ribeirinhas, os índios e os quilombolas que vivem na região. Em ação integrada com Londres, ontem, membros de organizações não-governamentais, representantes de universidades e do “setor produtivo” começaram a discutir o assunto. Divididos em dois grupos, eles reuniram sugestões sobre o que deve constar das licitações para que empresários brasileiros possam obter as concessões de terras.
Em tese, a população brasileira também vai participar dessa definição, dentro da agenda elaborada pela diretoria do Serviço Florestal Brasileiro. O órgão foi criado pela lei de Gestão de Florestas Públicas e é dirigido por Tasso Azevedo. Já existe até um Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal, que os banqueiros ingleses têm a intenção de gerenciar. Até o final deste mês, tal agenda prevê visitas de técnicos do Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis a oito cidades da região amazônica, onde promoverão audiências públicas para analisar sugestões. Quem quiser opinar sobre a regulamentação da lei pela internet, pode acessar o site: www.mma.gov.br.
De boas intenções...
O diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, Tasso Azevedo,defende que a Lei de Gestão de Florestas Públicas é um processo que possibilitará a criação de emprego e renda, além da preservação.
Sérgio Leitão, da organização não-governamental Greenpeace, avalia que a lei permite que o governo federal retome o controle sobre a maior parte da Amazônia, que são terras públicas e hoje vêm sendo griladas, privatizadas de forma irregular.“A intenção dessa lei é permitir que o Estado possibilite a exploração, de forma ordenada, respeitando as regras do bom manejo florestal”.
Negativa inglesa
Na tarde de ontem, o secretário-executivo do Meio Ambiente, Cláudio Langone, chefe da delegação brasileira, foi procurado informalmente pelo ministro Miliband para desfazer o que chamou de mal-entendido.
O britânico assegurou que a imprensa inglesa distorceu suas idéias e que nunca se falou em privatização da floresta amazônica.
Segundo o secretário brasileiro, Miliband alegou defender todas as iniciativas para a redução do desmatamento e emissão de gases que causam o efeito estufa.
E reiterou que não faria nenhum tipo de proposta que ferisse a soberania brasileira sobre a Amazônia.
Pesquisa ou exploração?
Além da Lei de Gestão de Florestas Públicas e da proposta inglesa de privatizar áreas da Amazônia, os defensores da soberania brasileira na região devem ficar de olho na Instrução Normativa n° 114/06, baixada no último dia 20 de setembro, no Diário Oficial da União, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama.
Tal legislação estabelece que deverão firmar o Acordo de Manejo e Empréstimo todas as instituições no exterior que desejam receber animais pertencentes à lista oficial das espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção.
Na teoria, a Instrução Normativa padroniza as normas que asseguram ao Ibama o controle sobre a integridade física e o patrimônio genético das espécies que deixam o Brasil para essa experiência em outros países.
O Ibama informa que já mantém vários convênios com entidades estrangeiras visando a reprodução de animais ameaçados de extinção.Dotadas de centros com alta tecnologia, elas arcam com os custos desse processo - que transcorre em cativeiro - e da devolução das novas populações à natureza.Resta saber como tal regulamentação vai funcionar, na prática...
Apanhando dos controladores
A Suprema Corte da Inglaterra condenou o Grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, a pagar ao ex-executivo do grupo Luiz R. Demarco o equivalente a 3,5% de participação do Opportunity E. Partners, empresa de fundos de investimentos das Ilhas Caiman.
Daniel Dantas começa a sentir na pele, em proporções diferentes, o peso de fazer negócios com os controladores ingleses experimentado pelo empresário brasileiro Irineu Evangelista de Sousa, o famoso Barão de Mauá, na segunda metade do século 19.
O Barão, que também era banqueiro e contrariou os sócios e financiadores ingleses de seus empreendimentos, foi levado à falência pelos controladores.
Quem tiver curiosidade em conferir essa estória, é só alugar nas locadoras, em videocassete, o filme “Mauá, o Imperador e o Rei”.
O azar maior de Daniel Dantas é que o caso dele não vai virar filme...

O Governo do Crime Organizado no Brasil

Domingo, Setembro 24, 2006

Edição de artigos de Domingo do Alerta Total
http://alertatotal.blogspot.com/
Por Jorge Serrão

O próximo governo já começa acabado, antes mesmo de começar. A previsão de desgaste é líquida e certa. Não se trata de pessimismo, mas de uma avaliação objetiva de uma realidade que parece muito subjetiva para muitos ignorantes do sistema de poder mundial que controla, realmente, o Brasil. Se Lula da Silva for reeleito, não terá condições éticas, morais e políticas de governar. Se outro adversário ganhar (Geraldo Alckmin) vai se sentir, literalmente, como um picolé de chuchu em uma “gelada institucional”.
A governabilidade da pretensa oposição ao atual grupo no poder será dificultada por três fatores: a máquina do PT no poder, que dificilmente será desmontada com a eventual derrota; a oposição radical dos chamados “movimentos sociais” que vão para a rua desestabilizar o “inimigo”; e a explosão do “quarto elemento”, que é o crime organizado, agindo contra um governo que não tem instituições preparadas para responder, de modo rápido e eficaz, a um ataque desestabilizador.
Um outro detalhe fundamental deve ser lembrado quando se desenha um cenário provável para o próximo governo (ou desgoverno). Nenhum dos candidatos favoritos à Presidência indicou caminhos objetivos para a conquista da soberania e da autodeterminação do Brasil, tendo projetos de desenvolvimento a partir destes dois pressupostos. Aliás, nenhum deles consegue “pensar” o Brasil e apresentar soluções objetivas para o País. E o motivo é simples. Nossa classe política é formada por bonecos do ventríloco. Nossos políticos profissionais são marionetes do poder mundial.
A oligarquia política brasileira (tenha o verniz ideológico de direita, centro, democrata-cristão, social-democrata ou de esquerda) obedece a um mesmo controlador externo e ocupa o governo no Brasil representando os interesses globais e anti-nacionais. Por isso, “nossos” governantes mantêm o Brasil, que é um País rico, artificialmente na miséria e sempre pronto a ter seus recursos explorados. O papel de entreguista é uma característica histórica dos nossos dirigentes políticos. Suas ideologias (oferecidas ao cidadão-eleitor-contribuinte como mercadoria político-eleitoral) são meros instrumentos de dominação daqueles que nos governam e controlam, de fato, mesmo sem direito).
Não importa quem vença a eleição no Brasil - Lula é o grande favorito -, os interesses estrangeiros estão bem amarrados nos apoios de grandes grupos de poder internacionais aos principais candidatos. O Centro Tricontinental (sediado na Bélgica) joga suas fichas em Lula e no time do Foro de São Paulo. A Comissão Trilateral (também européia) aposta em Heloísa Helena. E o norte-americano CFR (Council on Foreign Relations), que opera o Diálogo Interamericano, fecha com Geraldo Alckmin. Em comum, os membros desses grupos de poder têm o controlador de seus investimentos: os banqueiros Rothschild. Os ingleses coordenam a oligarquia financeira e petrolífera que comanda o mundo.
A banda do poder mundial toca afinadinha, há séculos. O primeiro escalão do poder é a Oligarquia Bancos & Petróleo, que age a partir da base anglo-norte-americana, tem entre seus membros os Rothschild, a British Petroleum, a Shell, os Banco Barclay´s e o HSBC (do lado inglês e europeu) e os Rockfeller, a Exxon, a Móbile e a Texaco (do lado dos EUA). O segundo escalão, que segue as ordens do primeiro, é formado pelas Bolsas de Valores que comandam os negócios mundiais: a tradicional City de Londres e a recém fundada bolsa de valores transatlântica. Esta nova empresa financeira foi o resultado da fusão da Nyse (Bolsa de Valores de Nova York, na sigla em inglês) com o grupo europeu Euronext, que administra as Bolsas de Paris, Bruxelas, Amsterdã e Lisboa, além de derivativos em Londres.
No terceiro escalão do poder mundial, vêm os bancos centrais do Reino Unido e dos Estados Unidos. O Bank of England e o Federal Reserve Board, que é um organismo privatizado, cuja a imagem é vendida como a de “um banco central independente”. No quarto escalão do poder, estão os ministros da Fazenda destes dois países, que implementam a política monetária definida pelos controladores, impondo-a ao resto do mundo. São eles os propagadores da “religião” do Monetarismo, uma aberração do pensamento único na política econômica.
Este é o papel histórico do Chancellor Exchequer inglês e do Secretário do Tesouro norte-americano. Curioso é notar que, apenas no quinto escalão do poder, aparecem os “políticos” dos EUA e do Reino Unido. O presidente dos EUA e o Primeiro Ministro inglês seguem as ordens dos controladores, executando-as e difundindo-as para o resto do mundo. Para isso entra na jogada o sexto escalão do poder mundial, formado pelas instituições financeiras multilaterais, como o Banco Mundial, FMI e Banco Interamericano de Desenvolvimento (no caso da América Latina).
Apenas a partir do sétimo escalão começam a aparecer os governos formais dos países em desenvolvimento. A sétima escala deste poder é formada pelo Banco Central do Brasil, cujos interesses e diretrizes controlam o oitavo escalão, formado pelo Ministério da Fazenda. O Presidente do Brasil, figura que agora vamos eleger (ou reeleger) aparece apenas no nono escalão da esfera do Poder Real. Enquanto não tivermos soberania e autodeterminação, ele será uma mera marionete que finge comandar nossas organizações político-administrativas, na verdade dirigidas pelos interesses dos controladores externos.
Eles têm pelo menos dois objetivos bem definidos, para justificar seu controle. O primeiro é a exploração econômica da nação e dos recursos naturais do seu território. O segundo é a contenção das potencialidades sócio-econômicas, políticas e militares da Nação, na medida exata de seus interesses transnacionais. Os controladores manipulam agentes conscientes e inconscientes na esfera político e econômica. Agindo sobre as organizações político-administrativas (OPAs), os controladores atuam em quatro frentes aparentemente distintas, porém intimamente ligadas em um organograma.
A ação não segue diretamente tal ordem – aqui descrita apenas para efeito didático e expositivo. A ação dos controladores é concomitante sobre as OPAs. A primeira frente são os agentes de influência, formados pela mídia, as ONGs e os Movimentos Populares. A segunda frente, que é a força motriz do mecanismo de poder, são os partidos políticos no poder. A terceira frente é a institucional, cujos componentes funcionam como forças de sustentação da ação dos controladores. Trata-se do governo formal, formado pelo Executivo, Legislativo e Judiciário.
Neste caso, como instrumentos de legitimação do controle institucional, merecem destaque o Ministério Público, as Forças Policiais e a Receita Federal. Configura-se, neste caso, o sutil controle sobre o aparelho repressivo do Estado. Aí ficam evidentes quais são os três instrumentos de dominação básicos empregados pelo controlador e seus agentes conscientes e inconscientes, nas instituições ou em torno dela, na esfera político e econômica de poder. Os instrumentos são: as ideologias; as diferenças regionais (sejam econômicas, sociais, religiosas e raciais); e, no caso extremo, a violência e sua evolução que é o terrorismo. Neste último caso, entra em cena o chamado “quarto elemento” ou a quarta frente de ação do poder controlador. Tratam-se das Forças Subterrâneas ou atividades criminosas executadas pela narcoguerrilha urbana e rural.
Quando as quatro frentes atuam coordenadas, temos o chamado “Governo do Crime Organizado”. Doutrinariamente, o GCO é a sinistra associação objetiva de criminosos formais de toda a espécie com membros dos poderes estatais, para a prática de ações delituosas. Os bandidos utilizam a corrupção sobre as instituições republicanas como o principal meio para atingir seus fins. O crime não se organiza sem a participação do Estado. Por isso, principalmente no Brasil, mas também em outras nações, podemos ironizar que estamos vivendo em um “Estado Cleptocrático sem Direito”. O crime organizado utiliza a corrupção, a violência e as sutilezas ideológicas como instrumentos de dominação da sociedade.
Em sua origem grega, a palavra Cleptocracia, significa, literalmente, "Estado governado por ladrões".Na Cleptocracia, não existe Democracia, que é definida como “a segurança do Direito”. Neste regime, impera a injustiça. Institui-se o legítimo “direito de roubar”, que é a negação de qualquer Direito. Na conjuntura cleptocrática, o poder Judiciário se transforma, na melhor hipótese, em agente inconsciente da legitimação do crime organizado, em parceria com os poderes Executivo e Legislativo. Mas a classe política, como força motriz no poder, é o principal agente consciente do crime organizado.
Conceitualmente, o governo do crime organizado ocorre quando uma nação deixa de ser governada por um Estado de Direito imparcial, com segurança, e passa a ser governada pelo poder discricionário de pessoas que tomaram o poder político nos diversos níveis. Estes agentes conscientes do crime conseguem transformar seu poder político em valor econômico. Atinge-se o estágio cleptocrático do Estado, quando a maior parte do sistema público governamental é subjugada por sujeitos que praticam a corrupção política e econômica, nos apodrecidos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Na cleptocracia, o Estado funciona como uma máquina para a extração ilegal de renda da sociedade. Os mecanismos jurídicos e institucionais – como a Lei de Licitações, por exemplo – cumprem este papel criminoso. A corrupção se legitima como uma tática de negócio na relação entre o Estado e as empresas prestadoras de serviço ou fornecedoras de bens. Os exemplos de atuação política da organização criminosa são variados, porém bem claros no Brasil. Vejam o caso do “mensalão” (tecnicamente definido como a propina periódica paga a políticos ou aliados de um governo, resultante de participações de empresas que prestam serviços ou vendem produtos para o poder Estatal).
Depois que se entende esse complicado e nem sempre perceptível mecanismo de poder do Governo Mundial, fica praticamente banal promover qualquer debate acerca de uma previsão eleitoral para o próximo domingo. Não interessa quem vença formalmente a eleição. Os vencedores do pleito, de fato e mais uma vez, serão nossos controladores políticos e econômicos. Eles não jogam o destino de seus objetivos, interesses e negócios no Cassino do Al Capone, que tem até urna eletrônica para iludir os apostadores mais inocentes.
Se o presidente Lula da Silva não tivesse sustentado pelos controladores, já teria caído ou sido derrubado, há muito tempo, do seu aparente poder, que é o poder apenas formal do Estado brasileiro – que obedece a um Governo Real Mundial. Lembremos sempre: o presidente do Brasil aparece apenas, como um boneco do ventríloco, no nono escalão do poder. E a teoria não vale apenas para o coitado do Lula, que vive embriagado pelo poder, mas para todos os presidentes de um Brasil sem soberania e autodeterminação. FHC era apenas um boneco com o intelecto mais refinado, que fez seu dever de casa muito além das expectativas dos controladores, em tempos de grave instabilidade econômica mundial.
Sobre o destino imediato de Lula, já que os leitores do Alerta Total insistem em perguntar, vamos às previsões possíveis. Ele pode até vencer a eleição domingo que vem. Pode até ganhar no primeiro turno – o que parece cada vez menos provável. Mas seu segundo mandato será asfixiante do ponto de vista político. Lula sofrerá pressões da sua pretensa oposição, que não consegue ficar de fora do poder por muito tempo, e também terá de suportar as demandas ideológicas dos radicais que o cercam, em favor da revolução do poder no Brasil e na América Latina.
Por isso, se vencer, Lula aposta tudo no que chama de “reforma política”. Ela articula a formação de um novo partido (substituto do desgastado PT, envolvido em tantas denúncias) conta com o apoio internacional do Centro Tricontinental (grupo de poder sediado na Bélgica) que joga suas fichas em Lula e no time do Foro de São Paulo – a entidade que reúne as “esquerdas” na América Latina e Caribe. O mesmo organismo - que obedece ao grupo de banqueiros Rothschild (o controlador do mercado de derivativos e das dívidas externas dos países do terceiro mundo) – dá sustentação à recém anunciada “revolução socialista” do presidente Hugo Chávez, na República Bolivariana da Venezuela. Lula não quer ser ofuscado por Chávez que saiu na frente para herdar o legado revolucionário de Fidel Castro – em fim de carreira, por problemas de idade e saúde. Ambição, Ciúme e Vaidade são uma merda...
Ainda sobre o destino imediato de Lula, dependendo do calibre da oposição e da rearticulação dela com os controladores (também representados no Council on Foreingn Relations e no Diálogo Interamericano), o presidente pode ganhar a eleição e não emplacar o segundo mandato. O “dossiêgate” e o grampo telefônico ilegal no Supremo Tribunal Federal são batom na cueca (ora cheia de dólares ora manchada de bosta) do governo. A lei é clara quando prevê que, comprovado o uso de dinheiro ilícito na campanha, o candidato – ainda que eleito – terá o seu diploma cassado. Se Lula vencer as eleições e, depois de empossado, for considerado culpado pelo tribunal, perderá o mandato, assim como seu vice José Alencar. Novas eleições serão convocadas e o petista ficará inelegível por três anos.
O segundo parágrafo do artigo 30-A da Lei Eleitoral deixa bem claro: "Comprovados captação ou gastos ilícitos de recursos para fins eleitorais, será negado diploma ao candidato, ou cassado, se já houver sido outorgado". O caso de Lula é gravíssimo. Ele é acusado de ser o principal beneficiário dos dois supostos ilícitos eleitorais (de abuso de poder econômico e de poder político, ambos previstos em lei complementar à Lei de Inelegibilidades).Ainda sobre o destino de Lula, vamos pensar um terceiro cenário, caso ele seja punido pela Justiça Eleitoral. O presidente ainda poderá recorrer da decisão. Lula poderá apelar ao Supremo Tribunal Federal, alegando inconstitucionalidade na decisão do TSE. Caso o STF conceda o efeito suspensivo da sentença, não haveria novas eleições e o presidente continuaria no cargo, pelo menos até o julgamento do mérito do recurso. O problema é que, como nossa Justiça é muito rápida, o julgamento poderia levar anos, e o Lula ficaria sem a menor condição de governabilidade.
Tal fato não interessa aos controladores. Eles querem um boneco obediente, que possa fazer o que eles querem. Nestes casos, quando as marionetes não funcionam direito, atrapalhando teatrinho do poder mundial, os bonecos são trocados por outros. Este é o verdadeiro risco que corre Luiz Inácio Lula da Silva. E nem vai adiantar convocar o diabinho que existe dentro de si, porque os controladores (freqüentadores de seitas satânicas, segundo revelam seus estudiosos) não têm medo de diabo e, muito menos, fazem negócio com otários.

Jorge Serrão, jornalista radialista e publicitário, é Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. http://alertatotal.blogspot.com/ e http://podcast.br.inter.net/podcast/alertatotal
Posted by Alerta Total de Jorge Serrão at 11:30