quarta-feira, setembro 26, 2012

O Leitor

O filme O Leitor conta a história de um rapaz e uma moça vinte anos mais velha que vivem um caso amoroso. Ele tem o entusiasmo e a identificação pelo ser amado que o primeiro amor produz. Ela o ama e gosta que ele leia seus livros prediletos para ela.


Parênteses: aos dezesseis anos, o rapaz lia Homero em grego. No Brasil não existe uma escola, uma mísera escola onde se ensine latim e grego para os jovens. Como o Brasil quer ser país de primeiro mundo se não consegue sequer formar uma elite? Elite, aqui, claro, nada tem a ver com dinheiro, como as classes política e universitária dominantes de hoje, isto é, PT e quejandos, gosta de se referir aos endinheirados (como a zelite).

Se você não viu o filme, advirto para parar por aqui.



Ela se muda sem dar notícia e o romance termina. Ele vai fazer faculdade de direito dali a alguns anos e a encontra de novo em situação inusitada. Ela está no banco dos réus por ter sido guarda de um campo de concentração nazista. No julgamento, as outras guardas a acusam de ter sido a chefe de um massacre, o que é falso, mas ela prefere aceitar a acusação ao invés de fazer um teste de caligrafia. O rapaz, naquele momento, entende que ela era analfabeta. E que tinha vergonha. Quer ir falar-lhe na prisão, mas desiste. Ela decidira não revelar que era analfabeta.

Um dos momentos mais bonitos do filme é ela aprendendo a ler na prisão a partir das fitas cassete que ele lha manda declamando a Odisséia de Homero e outros livros. Esse é o único contato que há entre os dois. Eles não se vêem durante esses anos.

Imagino como deve ter sido difícil ter amado uma mulher que foi uma carrasca nazista. Ao mesmo tempo, ela obedecia a ordens, não ordenou a morte de ninguém. Sua responsabilidade não é simples de ver. Quem sofre com o recolhimento do rapaz, já homem, é sua filha. Ela não entende por que é ensimesmado e acha que pode ser algo consigo. "Como você está enganada, filha". Mas ele quer explicar para ela. O filme termina com ele levando-a para visitar o túmulo de Hanna, onde lhe contará sobre sua história de amor.

Ponto fraco do filme é o encontro de Michael com uma sobrevivente do campo nazista a quem Hanna quis legar o dinheiro que guardou. O diálogo não foi bom, e Ralph Fiennes poderia ter desenvolvido melhor a cena.

sexta-feira, setembro 14, 2012

Completamente à revelia do povo brasileiro, oitenta por cento do qual acha que a atual legislação sobre aborto deve ser mantida, o projeto de lei que criaria o novo código penal quer permití-lo até três meses de gestação.

O projeto de lei proíbe o terrorismo, mas se o autor for um movimento social está isento de punição. Não estou inventando. Está lá:

"Art. 239.........................................
 .......................................
§ 7º. Não constitui crime de terrorismo a conduta individual ou coletiva de pessoas movidas por propósitos sociais ou reivindicatórios, desde que os objetivos e meios sejam compatíveis e adequados à sua finalidade."

Não acabou. O projeto de lei extingue o crime de rufianismo, isto é, cafetinagem, o que, conjugado com o fato de que fazer sexo com maior de doze anos não é mais crime, torna liberado o uso do maior de doze anos (sim, doze anos) para a prostituição.

O senhor, José Sarney, é responsável por esse projeto de lei. Você, Sarney, quis ser responsável por essa estrovega. O senhor se vendeu para a vaidade de terminar a presidência do Senado com um feito marcante, dando ouvidos a grupinhos idiotas de pressão. O senhor me envergonha. Desapareça, DESAPAREÇA da vida pública brasileira.

quarta-feira, agosto 22, 2012

Preparando-me para ler Duns Scot:

pego os comentários à metafísica, coloco uma garrafa de conhaque sobre a mesa e dou um murro nela. Olho para o gato e falo: Vamos lá.

domingo, agosto 19, 2012

Ética em Sócrates, Platão, Aristóteles e o Livro de Urântia -- parte 3



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Não é à toa que o Ajustador do Pensamento é chamado de Monitor Misterioso (sobre a dificuldade de explicar como funciona seu trabalho).

A gravura medieval no início do vídeo é de Aristóteles.

sábado, julho 07, 2012

"Pois este é o caminho por que Deus nos guia".

Assistindo à aula que Olavo de Carvalho está dando hoje por ocasião do lançamento de seu novo livro, devo lamentar (mais uma vez) que não lhe tenha interessado ler o Livro de Urântia, o que evitaria erros, por exemplo o de dizer que o daimon de Sócrates lhe impunha atitudes. O daimon de Sócrates é seu Ajustador de Pensamento, o espírito de Deus presente em cada homem nascido em nosso planeta desde que Jesus legou o Espírito da Verdade.*

O Ajustador do Pensamento jamais impõe qualquer coisa ao ser humano a que está ligado, ele lhe sugere, e sempre se sujeita à sua decisão final. O espírito consegue realizar algo quando a vontade soberana do homem coaduna-se com o que o espírito lhe propõe. Eles experenciam em conjunto então, à sua maneira, algo de significativo no plano cósmico.

Sócrates pode chiar que o espírito pede isso ou aquilo, fazer um charminho (na realidade ele não fez, diante da morte agiu com um verdadeiro estóico avant la lettre, só vale como argumento), mas ele quis realizar o que o espírito lhe traz à alma; eles chegaram a um entendimento.

OK, digamos que Olavo foi impreciso no termo que usou (antes que fique ofendido). Numa palestra em que reclama justamente da falta de clareza conceitual, é bom fazermos aqui a nossa parte também.

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* Antes de Jesus (caso algum sujeitinho queira meter-se à besta) o Ajustador do Pensamento também habitava a mente de homens de carne e osso, como a de Sócrates, mas não a de todos.

domingo, junho 17, 2012

Carta de Hamlet

Duvide que as estrelas não sejam fogo
Duvide que o próprio sol seja um engano
Duvide que a verdade não fale engodos
Mas, Ofélia, nunca duvide que eu amo.

quinta-feira, junho 14, 2012

O escravo de Mênon

Sócrates acredita que seu método de mostrar a uma pessoa que ela não conhece para valer aquilo que acredita que conhece lhe faz um bem, muito embora a desnorteie como a uma barata tonta num primeiro momento. Pois, diz ele, "agora, ciente de que não sabe, terá, quicá, prazer em, de fato, procurar (...)".

Procedendo por perguntas e respostas, Sócrates faz com que o escravo dê o ar da graça àquilo que, segundo ele (não sei se concordo com isso), já sabia, ou seja, que o lado do quadrado de oito pés é um quadrado inscrito num quadrado de dezesseis pés. Já sabia, mas o tinha esquecido, dirá Platão. O trabalho socrático consiste portanto numa rememoração do que foi esquecido.
  (http://www.prof2000.pt/users/amma/af18/t5/menon.htm)

Dar aula é um exercício de extrair do aluno o que ele já sabe (e pelo que já sabe chegar ao que não sabe, porém desconfia, por degraus), fazendo-o expressar-se a seu jeito, com suas palavras. Sócrates costumava encorajar seus interlocutores meninos a expressarem-se sem medo sobre aquilo que pensavam. Lançar-se a falar, ter que esboçar aquilo que está dentro de si, é a melhor maneira de iniciar o aprendizado. Como ele dizia, se a pessoa não sabe, vai se embananar e perceberá que não sabe aquilo que lhe parecia fácil de longe. O seriado Chaves mostra algumas situações deste tipo no cenário da escola. "Mas isso é muito fácil." "Ok, então me responda", diz o professor Girafáles.  "Mas é muito fácil, me dá outra." "Não, responda-me essa antes." E o aluno vê que não sabe. Em matemática, acontece de montão.

Como Sócrates disse, é realmente um trabalho de parto. As dores vão aperecendo para o bebê vir à luz.

O trabalho de Jesus era um pouquinho diferente. Consistia antes em acionar o altruísmo da pessoa pedindo-lhe ajuda, trazer à luz seu lume divino, mas não em limar seus erros (não de início). Não era um ensino técnico. Era um ensino de bondade, que se dava pela sua própria vida, pelo que era capaz de inspirar nas pessoas por quem passava.

O método socrático dificilmente seria utilizado por Jesus, porque Sócrates com freqüência sobrecarregava o interlocutor (e podia causar antipatia) com sua série de perguntas e correções. Jesus procuraria antes tornar seu evangelho atraente, gracioso.

Na realidade, quando Sócrates aceitou morrer por Atenas, sua vida também define-se (se faltava alguma dúvida) como uma inspiração. Não é à toa que muita gente compara a trajetória de ambos. Sócrates quis fazer a vontade do Deus interior, que naquele momento lhe sussurrava para ficar.

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Retirado do texto deste saite: Conhecimento em Platão.

segunda-feira, junho 11, 2012

Experimente falar mal de Caetano Veloso numa faculdade de letras para ver o cinturão de silêncio búdico que farão em seu torno. Queria ver só o que Tom Jobim responderia (se estivesse com saco) se alguém lhe chamasse de poeta: "Meu filho, Manuel Bandeira é poeta. Eu sou músico popular com requintes clássicos." Uma amiga minha ficou toda mexida e respondeu com algumas pedras na mão quando disse que Gilberto Gil não sabe o que é cultura. Gilberto Gil entende, no máximo, de música popular. Como ministro, foi um falastrão irresponsável. Existe uma idolatria desprezível no Brasil em torno de certas figuras. Intocáveis como Lula, Gilberto Gil, Caetano Veloso (coitado do Caetano, as pessoas dizem que é poeta, mas ele sabe que isso é tudo balela, só não tem saco de negá-las, dá muito trabalho e ele é baiano). Amiga minha, cresça. É preciso falar mal das pessoas (que fique claro: sem maledicência. É preciso criticar comportamentos ruins, comportamentos que podem ser mudados). Pode falar mal de mim.

sábado, junho 09, 2012

quinta-feira, maio 31, 2012

Manhattan

(Tracy) -- Páre de lutar contra. Você sabe que você é louco por mim.

(Isaac) -- Eu sou. Você é... Você é a resposta de Deus a Jó. Você teria acabado com as brigas entre eles. Ele teria apontado para você e dito assim: "Eu faço coisas terríveis, mas também faço coisas assim."

(Isaac) -- E Jó teria dito: "OK, você venceu."

quarta-feira, maio 30, 2012

Sete músicas populares brasileiras

Considerem o momento, amanhã posso gostar de outras. Mas hoje Metamorfose ambulante fica de fora.

Marcha dos pescadores - Dorival Caymmi
Água de beber - Tom Jobim
Brasil pandeiro - Novos Baianos
Preta pretinha - Novos Baianos
Marina - Dorival Caymmi
Dora - Dorival Caymmi
Nossa Senhora - Roberto Carlos

terça-feira, maio 29, 2012

A pior coisa do mundo é o amor não correspondido.

domingo, maio 20, 2012

Colegas, compartilho com vocês aqui mensagem de Wagner M. Andrade (apresentando texto de Douglas Campos Frazão) no fórum do ELUB, acrônimo para estudantes do Livro de Urântia no Brasil. Ela fala sobre os fracassos e como eles podem ajustar e afinar nossa percepção da realidade, e utiliza um exemplo marcante de vida. Foi embasada nos discursos de Rodam de Alexandria, filósofo da escola que daria um Clemente no século seguinte. Bom, enjoy.

......

Coloco aqui pra vocês, uma daquelas pérolas que guardo com muito carinho dos nossos companheiros de jornada.  É um estudo feito pelo Douglas Campos Frasão. Ele postou no facebook uns 20 dias atrás, salvei e consegui ler somente agora, depois entro lá e dou um "curtir" rsrsrs. Ele colocou um pouco de sua alma neste texto, talvez seja por isso que me tocou também na alma. Então vamos a mensagem:

“Deixe-me compartilhar com vocês a história da vida de alguém.
Era um homem que:
Faliu no negócio com 31 anos de idade.
Foi derrotado numa eleição para o Legislativo com 32 anos.
Faliu outra vez no negócio aos 34 anos.
Superou a morte de sua namorada aos 35.
Teve um colapso nervoso quando tinha 36 anos.
Perdeu uma eleição com a idade de 38.
Perdeu nas eleições para o Congresso aos 43, 46 e 48.
Perdeu uma disputa para o Senado com a idade de 55.
Fracassou na tentativa de tornar-se vice-presidente aos 56 anos.
Perdeu uma disputa senatorial aos 58 anos.”

Depois de agradável colóquio aqui neste grupo sobre as maravilhas do documento 140 e as excelências do 160, resolvi reler o documento 160 do LU e, ao meditar no trecho abaixo, imediatamente relembrei o que havia lido alhures na minha adolescência, no livro “Poder Sem Limites” de Anthony Robbins (sim, é um livro de P.N.L) a respeito do homem acima descrito. O trecho ao qual me refiro do livro de Urantia no documento 160 é o seguinte:

*160:4.13 “A vida, contudo, transformar-se-á em uma carga existencial, a menos que aprendais como fracassar airosamente. Existe na derrota uma arte que as almas nobres sempre adquirem; deveis saber como perder sem perder a alegria; não deveis ter temor ao desapontamento. Nunca hesiteis em admitir o fracasso. Não tenteis disfarçar o fracasso por baixo de sorrisos justificativos ou, mesmo, de decepção ou de otimismo irradiantes. Soa bem clamarmos pelo sucesso, sempre; mas os resultados finais podem ser consternadores. Tal técnica leva diretamente à criação de um mundo de irrealidade e ao choque inevitável da desilusão final”.*

Aqueles de nós que cresceram em meio a traumas que esmagaram a auto-estima e o amor próprio, trazendo para a vida adulta os desafios de antanho, no mínimo se sentem agradavelmente surpresos com a afirmativa do LU acima. Eu pelo menos me senti. Nunca me foi ensinada quando mais precisei a sabedoriadessa realidade que é o ‘crescimento em sabedoria através do fracasso’. Essa ‘arte’ como o Livro traz é vital para a sedimentação de uma personalidade saudável, que sabe rir dos próprios erros, que não tem medo de fracassar porque o fracasso é um aprendizado tanto quanto o sucesso. Ou mais (?). E sobretudo, a pessoa que cresce nessa arte não tem medo de tentar, não tem medo de arriscar, não tem medo de colocar a cara a tapa para a vida e pagar o preço para vencer, a si mesma e aos desafios, porque sabe que:

*160:4.14 “O êxito pode gerar coragem e proporcionar autoconfiança, mas a sabedoria advém somente das experiências de ajustamento aos resultados dos fracassos. Os homens que preferem as ilusões otimistas à realidade nunca se tornam sábios. Somente aqueles que enfrentam de frente os fatos, ajustando-os aos ideais, podem alcançar a sabedoria. A sabedoria inclui tanto os fatos, quanto o ideal e, por conseguinte, salva os seus devotos dos dois extremos estéreis da filosofia — o do homem cujo idealismo exclui os fatos; e o do materialista que é desprovido de abertura espiritual. As almas tímidas, que só mantêm a luta pela vida com a ajuda de falsas ilusões continuadas de sucesso, estão fadadas a sofrer fracassos e a experimentar a derrota quando, finalmente, acordarem do mundo de sonhos da sua própria imaginação”.*

Eu vi aqui palavras que cresceram aos meus olhos: ajustamento, enfrentar os fatos, ajustar os fatos aos ideais... Quem pilota sabe que o curso tem de ser permanentemente ajustado para que o desiderato final seja atingido. Por isso o bom piloto não dispensa a orientação de um navegador. Esse ajuste, essa adaptação evolutiva, traz experiência e se a experiência for bem aplicada, advém a sabedoria prática. Todavia, o mais fascinante nessa experiência é que o nosso destino final não é aleatório. Temos um pré-destino (ou seja, um alvo final previamente designado) sabiamente escolhido por Ele mesmo, o autor da Vida em pessoa, sendo ele mesmo nosso alvo maior, nosso escopo! Por isso, podemos concordar com o que o LU traz:

*160:4.15 “E, nesse afã de encarar os insucessos, e de ajustamento à derrota, é que a visualização de longa distância, na religião, exerce a sua suprema influência. O malogro é simplesmente um episódio educacional — um experimento cultural na aquisição da sabedoria — , na experiência do homem que busca a Deus e que embarcou na aventura eterna da exploração de um universo. Para tais homens a derrota não é senão um novo instrumento para a realização de níveis mais elevados de realidade no universo”.*

Essa aventura eterna da exploração pressupõe que quedas, desacertos, malogros e demais desafios ocorram sim, porque daí surge o aprendizado necessário como alicerce para a construção de novas experiências, em novos níveis, em cada vez mais refinadas zonas espaço-tempo dimensionais por enquanto só imaginadas, e ainda assim tão parcamente. Mas até que esse destino possa ser atingido, a caminhada em si já é um somatório de oportunidades para rápidos ‘encontros’ com o Destino Inicial/Final/Inicial de todos nós, ainda que tudo aparentemente seja fracasso e miséria. Por isso o Livro de Urantia arremata:

*160:4.16 “A carreira de um homem que busca a Deus pode ser um grande êxito à luz da eternidade, ainda que toda a empresa da vida temporal possa parecer um completo malogro, cada fracasso na vida deve ser colhido como um complemento para se alcançar a cultura da sabedoria e do espírito. Não cometais o erro de confundir conhecimento, cultura e sabedoria. Eles estão relacionados entre si na vida, mas representam valores espirituais bastante diferentes: a sabedoria sempre domina o conhecimento e sempre glorifica a cultura”.*

Pois bem: conhecimento+experiência(de sucessos e principalmente fracassos)=sabedoria. Penso que o conhecimento seja estático, a sabedoria dinâmica. O conhecimento é potencial, a sabedoria é ato. E mais do que isso, a sabedoria é quem manda! Rsrsrs. Ela deve dominar o conhecimento, e não o contrário. E só ela pode glorificar a cultura. O conhecimento, se o faz, faz sem autoridade moral... E a sabedoria só vem da maturidade oriunda de uma experiência que alberga conhecimentos do sucesso e do fracasso.

Voltando um pouco no texto do documento 160, Rodam, o alexandrino, faz importantes e fulcrais questionamentos:

*“160:3.1 O esforço na direção da maturidade exige trabalho; e trabalho requer energia. De onde viria o poder para realizar tudo isso? * * As coisas materiais poderiam ser visualizadas como algo garantido e, sobre isso o Mestre disse bem: “Nem só de pão vive o homem”. * * Garantida a posse de um corpo normal e com saúde razoavelmente boa, devemos em seguida procurar pelas atrações que atuarão como estímulo para despertar as forças espirituais adormecidas do homem. Jesus ensinou que Deus vive no homem; * * então, como podemos induzir os homens a liberar esses poderes, de divindade e de infinitude, de dentro das suas almas? * * Como induzirmos os homens a liberar o Deus de dentro de si, para que possa Ele refrescar as nossas próprias almas; e para que, manifestando-se fora de nós, possa Ele, assim, servir ao propósito de iluminar, elevar e abençoar outras incontáveis almas?* * Como posso eu, da melhor maneira, despertar tais poderes latentes, adormecidos nas vossas almas, para o bem? * * De uma coisa estou seguro: a excitação emocional não é o estímulo espiritual ideal. A excitação não aumenta a energia; antes exaure os poderes, tanto da mente, quanto do corpo.* * De onde vem então a energia para fazer as grandes coisas? * * Vede o vosso Mestre. Ainda agora, está longe nas montanhas, enchendo — se de energias, enquanto nós estamos aqui, gastando energia. O segredo de toda essa questão está guardado na comunhão espiritual, na adoração. Do ponto de vista humano, é uma questão de combinação entre meditação e relaxamento. A meditação faz o contato da mente com o espírito; o relaxamento determina a capacidade de receptividade espiritual. E esse intercâmbio, de força por fraqueza, de coragem por medo, da vontade de Deus pela vontade da mente do ego, constitui em si a adoração. Pelo menos, esse é o modo pelo qual o filósofo a vê”.*

É curioso isso: as pessoas confundem excitação emocional com estímulo espiritual. Mas por sua própria natureza (e Rodam já havia analisado isso antes) emoções e sentimentos se manifestam em gangorra que acabam por quedar a pessoa que vive em função deles, fazendo o contrário do que se deveria que é fazer os sentimentos e emoções viverem em função do todo maior que é a pessoa. Vemos isso nas religiões mais diversas, sobretudo as mais populares. Contudo, Rodam afirma que* “O segredo de toda essa questão está guardado na comunhão espiritual, na adoração. Do ponto de vista humano, é uma questão de combinação entre meditação e relaxamento. A meditação faz o contato da mente com o espírito; o relaxamento determina a capacidade de receptividade espiritual”.*

O recolhimento em si para comunhão individual com o Pai que habita em nós desperta em ondas cada vez maiores e melhores, que trazem à tona a força espiritual necessária para ajustar a realidade ao ideal, para reajustar o curso, para recomeçar de novo pela 9.999 vez uma forma nova de não se fazer a lâmpada. E essa é a força desejável para se ir em frente. Como diriam os publicitários agora: JUST DO IT!

Ah, lembram-se do fracassado do início dessas linhas? Anthony Robbins conclui a história dele assim:

“Foi eleito presidente dos Estados Unidos aos 60 anos. O nome do homem era Abraham Lincoln. Poderia ele ter se tornado presidente se tivesse visto suas perdas nas eleições como fracassos?”

Pensem nisso. Bom final de semana e um grande beijo, no Bem, no Belo e no Verdadeiro que há em vocês.

D.’.

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Abraham Lincoln, numa época em que no interior do país professores eram quem quer que sabia ler e escrever melhor, no total só teve um ano de educação formal. Mas não andava sem um livro debaixo do braço.

quinta-feira, maio 17, 2012

Ideologia é a vazão coletiva e disfarçada de neuroses.

sexta-feira, maio 11, 2012

Felicidade

Matthieu Ricard fala nesse vídeo (com legenda em português, se você acioná-la) sobre felicidade. Só de ouví-lo falar por um tempo já fico com a mente cansada: uma vontade de dormir...

Quiçá o sono dos apóstolos ao pé do Getsêmani fosse semelhante. "Orai e vigiai", lembram?

Traduzo a seguir trecho do livro Happiness. 

O poder da compaixão

Outro método que nos permite lidar com o sofrimento, tanto emocial quanto físico, está relacionado à prática da compaixão. Através da compaixão nós assumimos o controle de nossos próprios sofrimentos, ligados ao de todos os outros, pelo pensamento de que "outros além de mim passam por aflições semelhantes à minha, e algumas vezes bem piores. Como eu desejaria que eles também pudessem ficar livres de sua dor". Depois disso, não sentimos nossa dor tão opressiva e paramos de fazer a pegunta amarga: "Por que eu?"

Mas por que deveríamos viver deliberadamente o sofrimento de outras pessoas quando chegamos ao extremo de evitar o nosso próprio? Agindo assim, não estaríamos aumentando desnecessariamente nosso fardo? Não, não estaríamos. Quando estamos completamente ensimesmados, estamos vulneráveis e tornamo-nos presa fácil da confusão, impotência e ansiedade. Mas quando vivenciamos um sentimento poderoso de empatia com o sofrimento dos outros, nossa resignação impotente dá lugar a coragem, depressão a amor, mentalidade estreita a abertura para com todos ao nosso redor. Aumentar a compaixão e a generosidade amorosa, o supra-sumo da emoção positiva, desenvolve nossa presteza para oferecer alívio ao sofrimento de outros enquanto se reduz a importância de nossos problemas. 

sábado, maio 05, 2012

Bonecos de José Bonifácio, Joaquim Nabuco...

As cartas de José Bonifácio para Dom Pedro I, inclusive a que decidiu o príncipe pela declaração de independência, não estão disponíveis na Internet. Digitalizadas apenas não bastam (a letra do patriarca é ilegível).

Procurei um pôster de José Bonifácio na Internet e não encontrei. O Brasil devia ter bonecos dele, de Joaquim Nabuco, Rui Barbosa, Dom Pedro II, e outros.

Sra. Ministra Ana de Hollanda,

queira cuidar desses assuntos. Um país precisa conhecer sua história e quem a fez.

terça-feira, abril 24, 2012

Oratio inauguralis Sarneyis

habeo hasternos eosdem oculos. Et sum carcerarius affectus qui non finit. Deus mei fidei, qui me custodiui vitam, voluit ut presiderem huic sollemnitati. Ille non me portauisset a tam longe, si quoque non me daret, ex sua bonitate, virtutes patientiae, aequilibri, fortitudinis, idealismi, firmitatis et visionis maxumis nostrae curae prae illa natione et sua historia.

quinta-feira, abril 12, 2012

Ministros do STF e juristas em geral que opinaram sobre o julgamento pelo aborto ou preservação de fetos anencéfalos estão numa cruzada mental contra o cristianismo. Porque a Igreja defende uma política, eles são contra. Tornaram-se escravos da Igreja Católica, não menos que o devoto repetindo mecanicamente a cúria.